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Cultura de Borla

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CCVF | Miguel Moreira e Romeu Runa apresentam "Operários" no palco que os viu crescer (30 setembro)

Atualmente a celebrar 20 anos de percurso criativo, o Útero junta-se às duas cidades que contribuíram para o seu crescimento, Almada e Guimarães

 

Miguel Moreira e Romeu Runa apresentam “Operários” no palco que os viu crescer

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No próximo sábado, 30 de setembro, às 21h30, o Útero sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor para apresentar a mais recente criação, “Operários”. A peça, cuja estreia aconteceu no Festival Internacional de Almada, vem agora a Guimarães num gesto simbólico que enaltece a importância destas duas cidades no percurso criativo da companhia, que se encontra a comemorar 20 anos de existência. Interpretado por Miguel Moreira e Romeu Runa, acompanhados por Sara Garcia, Beatriz Bizarro, Teresa Esteves da Fonseca e ShadowMan, “Operários” é uma homenagem aos trabalhadores fabris que, tal como os artistas, pensam o mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação.

 

O Útero faz 20 anos. Para celebrar este percurso, a companhia assinala a data com um regresso às raízes, a dois espaços que foram fundamentais para o seu crescimento criativo – Lémauto e Espaço Ginjal (em Almada) e Fábrica Asa (em Guimarães) – lugares de grande escala que permitiram, e permitem, ao corpo dos criadores e ao público estabelecer lugares emocionais únicos e irrepetíveis. Lugares que obrigam, aos espetadores, militância e sacrifício para poderem absorver na totalidade uma obra de arte. Almada e Guimarães foram, sem dúvida, duas cidades que abraçaram o Útero de forma apaixonada. Cidades com histórias diferentes, mas com o mesmo amor pela cultura. Cidades com uma relação forte com as fábricas e os trabalhadores que diariamente lutam pela vida e pela dignidade da sua vida. Uma parábola igual ao percurso dos artistas que tentam ocupar o vazio, dando um significado ao mundo. “Operários” é, por isso, uma homenagem aos trabalhadores fabris que, tal como os artistas, pensam o mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação.

 

Com esta peça, o Útero celebra também um ciclo que começou em 2011 com “The Old King” e que deu início a um processo artístico de cocriação que se alastrou para outras peças deste período como “Pele”, “Pântano” ou, mais recentemente, “Duelo”. Com estes espetáculos, o Útero desenhou um caminho comum, feito da “apropriação” de lugares onde os artistas se unem por uma vontade conjunta, pela partilha de processos, pela criação de obras de arte num sentido de união e unidade. Todos os processos criativos do Útero são assentes em ideias bem claras. Em “The Old King”, por exemplo, os autores partiram de um corpo invertido de um homem que constrói um palanque para falar às massas, que simboliza a procura de sentido para o homem de hoje. A coluna do corpo deste homem desfaz-se ou não aguenta o peso do mundo. Por isso inverte-se.

 

Outro conceito marcante deste percurso são os corpos soterrados das peças “Europa” e “Pele” que emergem para a nossa realidade. É a repetição de lugares, dando-lhes novas camadas, que tem permitido ao Útero perceber esta máquina de emoções a que chamam “espetáculo”. Há ideias que aparecem num processo e que só são usadas muito tempo depois, como o pó-farinha de “Pântano” que começou a ser trabalhado no processo da peça “The Old King”.

 

Outra das questões centrais presente nas criações do Útero está intimamente relacionada com as condições ideais para criar uma obra de arte na área da dança, do teatro e da performance. A importância da existência de mais semanas de ensaios, uma pré-preparação mais prolongada e, acima de tudo, a escolha de espaços que ampliem as possibilidades que surgem durante o processo criativo foi fundamental para o crescimento da companhia. É a partir de todas estas premissas que surge esta nova criação, “Operários”, uma celebração dos 20 anos do Útero e uma homenagem aos lugares referenciais que confrontam o percurso do Útero com a história das cidades que influenciaram diretamente o caminho singular da companhia. “Operários” estreou, no passado mês de julho, no Festival Internacional de Almada e chega agora a Guimarães, ao palco do Centro Cultural Vila Flor.

 

Os bilhetes já se encontram à venda e poderão ser adquiridos, como habitualmente, nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor, da Plataforma das Artes e da Criatividade e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.