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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

"As Criadas" de Marco Martins sobem à arena da Plataforma das Artes em Guimarães (29 abril)

 

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Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz interpretam magistralmente o texto de Jean Genet

No dia 29 de abril, às 22h00, a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães, transforma-se num ringue claustrofóbico para receber a incontornável peça de Jean Genet, “As Criadas”. Com encenação de Marco Martins e um elenco de luxo que conta com Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz, esta peça é um escalar de tensões, com um texto inesgotável sobre a condição humana e os efeitos do poder e da subjugação. O público é obrigado a lidar com uma série de emoções com uma proximidade, por vezes, perturbadora. Uma peça que esmaga todos, sem redenção ou piedade.

 

O cenário é claustrofóbico. As personagens que dão vida à peça de Jean Genet encontram-se fechadas numa arena limitada pelo público, onde se digladiam e expõem todas as perversidades da condição humana. Marco Martins pega na genialidade da escrita de Genet e oferece-nos esta peça crua, sem esconderijos, nem eufemismos. Sim, fala-se aqui do mais vil do ser humano. O mundo não tem piedade e Genet confirmou-o com este texto a que Marco Martins dá vida puxando os fios a três soberbas interpretações de Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz. Ao público, pede-se coragem para não se tolher nas cadeiras que circundam as atrizes, animais na história e no palco, a quem ouvirão a respiração sôfrega.

 

Genet escreveu “As Criadas” numa das suas incursões pela prisão, fascinado por um crime cometido por duas irmãs, em 1933, que mataram de forma violenta a patroa e a sua filha. Genet, ele próprio um pária da sociedade, revela aqui o seu fascínio pelos malditos. Porque no fundo, todos nós temos um certo encantamento pelo hediondo e somos também capazes de revelar a nossa animalidade em certos momentos ou circunstâncias.

 

Na peça, as duas irmãs, as criadas, alimentam o ódio através de fantasias de uma vida que não é a delas. Mais do que o crime importa o escalar da tensão, o delírio crescente que acontece naquele espaço confinado. “A representação das criadas é metafórica. Genet dizia que para as defender havia os sindicatos. O que importa, aqui, é falar da natureza do teatro enquanto cerimónia, da relação do indivíduo com o poder e dos indivíduos uns com os outros”, explica Marco Martins. 

 

O encenador refere que o ódio crescente destas criadas é “como numa cerimónia que leva a uma galvanização. Quando começas a trabalhar os textos do Genet, descobres que existe mesmo uma moral sobre o crime e, principalmente nestas duas personagens, sobre o crime como uma forma de redenção, ou mesmo de salvação”.

 

“As Criadas” é uma peça sobre o que de mais perverso habita em cada um de nós, porque todos podemos ser vítimas ou carrascos. Com a plateia confinada ao espaço onde se desenrola toda a raiva, Marco Martins e o seu elenco lançam-nos os ingredientes de uma peça que vai deixar o público desconfortável na cadeira e dificultar o sono na chegada a casa.

 

Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras da Plataforma das Artes e da Criatividade e do Centro Cultural Vila Flor, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

 

Passatempo ALARMES

O Blog Cultura de Borla em parceria com a Music in my soul tem convites para os concertos dos ALARMES para todas as datas da digressão (ver abaixo) aos leitores que de 5 em 5 participações

:

 Enviem um email para o culturadeborla@sapo.pt com a frase "Eu quero ir ao concerto dos ALARMES com o Cultura de Borla" com nome, BI e nº de telefone e a data a que se candidata:

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Depois de se terem apresentado ao público português através do viciante single “Incerteza de Um Encontro Qualquer”, extraído do álbum “Em Branco” (2016), está prestes a chegar o momento dos Alarmes pisarem os palcos portugueses!

A mais recente aposta da Music For All é oriunda de Brasília, navega nas pródigas águas do rock e estreia-se em Lisboa, estando a primeira parte desse concerto a cargo dos portugueses Wellman. De seguida ruma a Braga, local onde inicia um périplo pelo norte do país.

 

Conheçam as datas e locais da digressão:

26.04 | Popular Alvalade, 22h, Lisboa (€4)

27.04 | TOCA, 22h30, Braga (€3)

28.04 | Espaço A, 23h, Freamunde (€3)

29.04 | All Guimarães, 24h, Guimarães (€3)

 

 

Casa da Memória de Guimarães comemora 1º aniversário (22 a 25 abril)

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Um ano passado sobre a abertura da Casa da Memória de Guimarães,

a efeméride é assinalada com um programa especial

 

Um ano volvido sobre a abertura da Casa da Memória de Guimarães (CDMG), a efeméride é assinalada com um programa desenhado para o propósito. Visitas especiais e temáticas, conversas e oficinas, fazem parte de um programa que o convida a visitar a Casa e conhecer e reconhecer  a cidade e o concelho de Guimarães.

 

Inaugurada a 25 de abril de 2016, a Casa da Memória de Guimarães é um centro de interpretação e conhecimento que dá a conhecer, através da exposição “Território e Comunidade”, a memória de um lugar e vários dos seus prismas. Situada na antiga fábrica de plásticos Pátria, na Av. Conde Margaride, é um local de encontro, acolhimento, partilha e reflexão sobre Guimarães: no espaço expositivo da Casa da Memória poderá encontrar imagens, histórias, documentos e objetos que permitem conhecer diferentes aspetos da comunidade vimaranense através de um largo arco temporal: da Pré-História à Fundação da Nacionalidade, passando pelas Sociedades Rurais e Festividades e Industrialização do Vale do Ave, até à Contemporaneidade. Mais do que uma visita, a Casa da Memória oferece aos visitantes uma experiência, através de uma viagem por memórias coletivas e individuais.

 

O programa especialmente desenhado para a comemoração do 1º aniversário da CDMG começa no sábado, dia 22 de abril, às 16h30, com a inauguração do Repositório da Casa da Memória: um espaço de construção, reflexão e investigação de acervos digitais – o primeiro deles a Colecção de Fotografia da Muralha, Associação de Guimarães para a Defesa do Património que, depois do projeto Reimaginar Guimarães, na Capital Europeia da Cultura, encontra agora novo abrigo.

 

Após um breve momento inaugural, o Repositório acolhe, às 17h00, a primeira sessão de “Memórias da Memória”: um ciclo de conversas com especialistas – do arquivo à psicanálise, da história à ficção – que nos dão a conhecer e a compreender os vários lados e formas da memória. Maria Matos Graça inaugura este ciclo de conversas abordando experiências de pensamento para pensar a nossa experiência consciente. Questões clássicas sobre a relação entre mente e cérebro serão o tema central de uma conversa que procurará desafiar as intuições mais imediatas que temos sobre o que é a mente e a identidade individual.

Ao mesmo tempo da conversa com Maria Matos Graça, a Casa da Memória desafia os mais novos a reinterpretar lugares da cidade de Guimarães, através de jogos e exercícios de memória que resultam na construção de fanzines. Este será o tema central da oficina “MnemoZine”, orientada por Carina Oliveira.

 

No domingo, dia 23, às 11h00, como tem sido habitual, realiza-se mais uma edição dos Domingos em Casa, desta vez sob o mote “Memórias do Chão”. Uma oficina orientada por Vera Santos que se centra no corpo, no espaço e no movimento. Andar, parar, correr, saltar, sentar, acenar, olhar, dançar, são formas de (re)conhecer um espaço, de comemorá-lo, e de guardar memórias. O Largo do Toural surge como chão dessas memórias que se vão relacionar com os elementos da exposição da CDMG.

 

Na tarde de domingo, às 17h00, a Casa da Memória inaugura o ciclo de exposições temporárias “Memento (Lembra-te)”. Com objetos e imagens provenientes de coleções de instituições ou de particulares, a CDMG irá concretizar sucessivos momentos expositivos, de modo a aprofundar as referências dadas pela exposição nuclear, “Território e Comunidade”. A primeira mostra deste ciclo de exposições temporárias tem como título “Jantar de Domingo à tarde” e apresenta um conjunto de objetos e imagens provenientes das coleções particulares de António Oliveira (pai), António Oliveira (filho), Jorge Correia e da Delegação de Guimarães do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços. Fotografia, cerâmica, mobiliário e documentos permitem-nos recuar às primeiras décadas do século XX em Guimarães — a um tempo em que o mundo de trabalho estava em profunda transformação e o papel reivindicativo do operariado já se fazia sentir.

 

Entre 1901 e 1931, a Associação de Classe dos Empregados do Comércio de Guimarães convencionou o descanso semanal aos domingos, da parte da tarde. Como 'memento' deste decreto, passou a organizar um jantar comemorativo por ano. Naquela época, foi essencial lembrar a necessidade do descanso, numa sociedade que trabalhava de sol a sol. Com a realidade e dinâmica contemporânea do mercado de trabalho global, estaremos assim tão longe deste passado? E que reflexões poderemos fazer a partir dele para preparar o nosso futuro Descansaremos mais, ou menos, agora que vamos sendo paulatinamente substituídos pela inteligência artificial e pela robótica? A exposição poderá ser visitada até 15 de outubro. A entrada é livre.

 

Para assinalar a inauguração da exposição “Jantar de Domingo à tarde” será criado um jantar temático a partir das 18h30, onde se espera que sejam lembradas histórias estimuladas pelo que ali se expõe, e que as mesmas sejam contadas ao sabor do que se vai provando à mesa. O jantar carece de inscrição prévia e tem um custo de 20,00 euros por pessoa.

 

Na noite de segunda-feira, às 22h00, a Casa da Memória propõe uma conversa sobre o Dia da Liberdade. “Onde estava no 25 de abril de 1974?”: a pergunta ficou célebre na caricatura de Herman José a Baptista Bastos e agora é tempo de lhe dar resposta, derivando do plano do humor para o vasto campo da memória. O que fazíamos? O que lembramos? Este é um encontro coletivo na sala do Repositório da CDMG, onde se ouvirão as memórias de um dia inesquecível.

 

No dia 25 de abril, um ano volvido desde a sua inauguração, a Casa da Memória será um espaço habitável por todos quantos queiram conhecer os cantos da Casa. Com atividades em modo contínuo de manhã e de tarde, todos terão a oportunidade de visitar e de experimentar, à medida dos seus interesses, um programa que estimula a descoberta, a pertença e a participação, partindo das referências dos visitantes para a fruição e conhecimento dos conteúdos presentes no discurso expositivo da Casa da Memória.

 

Entre as 10h00 e as 13h00, os participantes poderão criar uma “cidade de pernas para o ar” e fazer doces ou biscoitos. Entre as 15h30 e as 18h30, poderão contar contos e acrescentar pontos, mexer o corpo e inventar instrumentos. Ao longo de todo o dia, poderão também bordar como em Guimarães se faz, sentar numa roda de oleiro para sentir o barro e visitar as exposições permanente e temporária. Todas as atividades têm entrada livre.

 

Para encerrar o programa de celebração do primeiro ano de existência da CDMG, o “Espalha Memórias” revela-se pela primeira vez ao público. Numa sessão “zero” especial, o ponto de encontro será no Largo do Toural, às 16h00, para um percurso cheio de novidades e reminiscências que marcarão a memória de todos. O final será na Casa da Memória para uma conversa junto a um objeto da exposição, numa celebração coletiva do aniversário e da Liberdade. “Espalha Memórias” é um programa de visitas a partir da Casa da Memória de Guimarães. Da Casa para a memória ou da memória para a Casa, os participantes serão convidados a conhecer diferentes percursos, com histórias, tradições, novidades e gente de cá e lá. De maio a setembro, uma vez por mês, Guimarães descobre-se ou redescobre-se através deste programa: do Património Industrial ao Mundial, das Gualterianas a D. Afonso Henriques, por trás das portas, para beber um copo ou para folhear um álbum de retratos. Sempre em boa companhia e muita partilha.

Orquestra de Guimarães no CCVF com uma das maiores obras de Felix Mendelssohn (14 abril)

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Esta sexta-feira, 14 de abril, às 22h00, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor recebe a Orquestra de Guimarães, que propõe, para este concerto, uma incursão a uma das maiores obras de Felix Mendelssohn, a sua 2ª Sinfonia em si bemol Op. 52 “Lobgesang” (Canto de Louvor).

 

A Orquestra de Guimarães traz ao CCVF a apoteótica “Cantata Sinfónica baseada em textos Bíblicos”, tal como Felix Mendelssohn (1809-1847) a define, tendo como solistas convidados a soprano Ana Maria Pinto, a mezzo-soprano Margarida Reis e o tenor André Lacerda, aos quais se juntarão o Ensemble Vocal  Pró Música e o Coro do Conservatório de Guimarães, sob a direção do maestro Vítor Matos.

 

A Orquestra de Guimarães, projeto cultural criado pela Câmara Municipal, apresenta-se como uma medida ambiciosa e singular que pretende integrar e potenciar o talento de artistas da região, proporcionando-lhes o contacto com a prática musical orquestral sinfónica. Baseado nos fortes laços criados entre a comunidade, este projeto visa a criação de uma rede artística de excelência, salvaguardando assim dois fatores fundamentais para o sucesso do projeto: a sustentabilidade e a estabilidade.

 

O Ensemble Vocal Pró Música, que integrará este concerto, é um projeto de interligação Escola-Comunidade que procura dinamizar a atividade coral, promover o gosto pelo canto em grupo e, especialmente, promover a investigação e inovação na área coral. Por ser um grupo jovem, procura, dentro da sua atividade musical, explorar a componente lúdica, sem esquecer a componente educativa e por isso “viaja”, no tempo e no espaço, fazendo música de diferentes tipos, estilos, países e épocas.

 

Este concerto convoca também o Coro Valentim Moreira de Sá, que integra jovens estudantes do Conservatório de Guimarães, sendo um projeto curricular complementar da sua formação como instrumentistas. Tem desenvolvido, ao longo dos anos, uma atividade concertística regular na cidade e junta-se, uma vez mais, à Orquestra de Guimarães para um grande espetáculo.

 

Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

ALARMES Tour Portugal

 

Depois de se terem apresentado ao público português através do viciante single “Incerteza de Um Encontro Qualquer”, extraído do álbum “Em Branco” (2016), está prestes a chegar o momento dos Alarmes pisarem os palcos portugueses!

A mais recente aposta da Music For All é oriunda de Brasília, navega nas pródigas águas do rock e estreia-se em Lisboa, estando a primeira parte desse concerto a cargo dos portugueses Wellman. De seguida ruma a Braga, local onde inicia um périplo pelo norte do país.

 

Conheçam as datas e locais da digressão:

26.04 | Popular Alvalade, 22h, Lisboa (€4)

27.04 | TOCA, 22h30, Braga (€3)

28.04 | Espaço A, 23h, Freamunde (€3)

29.04 | All Guimarães, 24h, Guimarães (€3)

 

 

"Veraneantes" marca regresso de Nuno Cardoso ao Centro Cultural Vila Flor (01 abril)

Peça de Máximo Gorki, com mais de um século, serve de crítica feroz à sociedade atual

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Este sábado, 01 de abril, às 21h30, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, recebe a mais recente encenação de Nuno Cardoso, “Veraneantes”. A peça escrita há mais de cem anos por Máximo Gorki coincide com o definhar do Império Russo e é agora transposta, com a mestria do encenador, para a leviandade da cultura de consumo dos nossos dias. Temos a internet na ponta dos dedos, sabemos tudo a toda a hora, e no fundo não fazemos nada. Nuno Cardoso põe-nos desconfortáveis na cadeira e previne-nos de que o mundo não será salvo com os likes no facebook.

 

É novamente verão e quatro famílias burguesas vão, como de costume, para o destino de férias. O clima social e político ominoso que espreita estes veraneantes para lá do horizonte em que vivem cria as condições perfeitas para que do torpor do lazer irrompa a tempestade perfeita de aborrecimento, frustração, medo e ciúme. E é no meio dessa tempestade, do jogo de forças que se desencadeia entre as personagens, que se pinta um quadro rasteiro das aspirações do homem, num imenso coral à pequenez e ao desencanto.

 

Do advogado insensível à mulher, da mulher que anseia por uma saída ao irmão imóvel na sua cobardia. Do avarento traído pela mulher, da mulher que faz da devassidão uma ode ao desespero, ao amante que assume a sua condição como suicídio moral. Do escritor desiludido que foge à confrontação com o seu próprio falhanço, do velho generoso que não encontra na família o porto de abrigo, à mulher que não consegue ultrapassar o seu medo para ser feliz. De um início aparente normal até a um fim abrupto e desesperançado, “Veraneantes” cria uma imensa tapeçaria de desejo e frustração que autopsia, então e agora, a nossa impotência perante o desenrolar da vida a caminho de um futuro assustador e frio para lá do presente estival.

 

“Veraneantes” é uma peça sobre a classe média na era do consumo, mas também uma reflexão sobre nós mesmos enquanto indivíduos e agentes sociais. Para Nuno Cardoso, traduz o culminar de uma série de acontecimentos complexos que se vêm desenrolando desde 2008 e que quase conduziram a uma cegueira generalizada em que ficamos presos em círculos sociais. “É um espetáculo de atores que, ao longo de duas horas e pico, discorrem de uma forma às vezes picara, outras trágica, sobre as relações entre pessoas normais. Os seus sonhos, as suas ambições e os seus medos”.

 

Nesta encenação, Nuno Cardoso cede à urgência de pôr o dedo na ferida e falar de um mundo que, de tão cheio, se torna vazio. Vivemos tempos de um consumismo sôfrego, de um moralismo exacerbado que tudo engole e que faz com que todos tenhamos uma palavra a dizer sobre tudo, ao mesmo tempo que permanecemos em total apatia, prostrados ao mundo a acontecer diante de nós, mas sem nunca agir. Uma fatia da sociedade que se perde “entre redes sociais, esplanadas do Porto turístico, ‘happy hours’, ‘fashion trends’ e essas palavras todas”. “Estamos neste mundo e achamos tudo muito mal, mas naquilo que estamos, de facto, interessados é em saber quantos ‘likes’ temos no ‘facebook’”, reflete o encenador que acredita que estamos no auge da regressão social. Sem qualquer receio, Nuno Cardoso pega em “Veraneantes” para fazer uma crítica mordaz à sociedade atual da qual todos acabamos por ser cúmplices, de uma forma ou de outra: “No meio disto tudo discute-se cidadania com ‘hashtags’”.

 

Com esta peça, a Ao Cabo Teatro e Nuno Cardoso retomam o périplo pelo reportório da dramaturgia russa, depois de “A Gaivota” e “As Três Irmãs”, peças que também subiram ao palco do CCVF em 2010 e 2011, respetivamente. Mas se em “As Três Irmãs”, de Tchékhov, ainda se adivinhava a esperança de um amanhã, nas suas herdeiras criadas por Máximo Gorki assistimos simplesmente a uma confissão: “Não conhecemos ninguém que seja feliz”. Eulogia de um futuro, seja ele qual for.

 

Os bilhetes para o espetáculo encontram-se à venda nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

Westway Lab Festival celebra a criação musical em 4 dias de concertos (05 a 08 abril, Guimarães) | CONVITE Opening Day no CCC (29 março)

Quest + Orquestra de Guimarães, XIXA, You Can’t Win, Charlie Brown, Lince e :Papercutz são apenas alguns dos concertos que Guimarães acolhe de 05 a 08 de abril

 

De 05 a 08 de abril, Guimarães acolhe a 4ª edição do Westway Lab, um festival transformador, original e único no país, que reúne diferentes artistas nacionais e internacionais que encontram na cidade o espaço ideal para a criação, o entendimento e a discussão da indústria musical. Composto por diferentes camadas – Residências Artísticas, Conferências PRO, Talks, Showcases e Concertos – este ano, o Westway Lab será maior em número de dias, palcos, bandas e seguramente em toda a sua vivência, transferindo para todos um incalculável valor cultural e social que se converte também em valor económico para a região.

 

A criação artística é um dos mais distintivos vetores do Westway Lab. Um processo que reúne, durante uma semana, músicos de diferentes geografias e estilos musicais, no Centro de Criação de Candoso, colocando-lhes como desafio a experimentação sem limites, com apresentação dos resultados no Café Concerto do CCVF nos dias 05 e 06 de abril, às 21h30. No palco do Café Concerto do CCVF vamos, assim, poder assistir às atuações dos projetos Jaran com Yafeni e Buslav com Urso Bardo (dia 05); The Courettes com Nick Suave, seguidos dos III, grupo composto por Guillermo de Llera Blanes, Júnior, Pedro Coquenão (dia 6).

 

Após os showcases das residências artísticas, seguem-se os concertos da banda sueca The Mondanes (dia 05) e dos noruegueses Yuma Sun (dia 06). Os The Mondanes caraterizam-se pela versatilidade com que misturam géneros como a pop, a folk, o rock e a soul, com influências na década de 60 do século passado, aliada a uma certa modernidade através de um indie mais dançável. Os Yuma Sun definem o seu estilo como “Doomsday Rock”, numa sonoridade que funde dark rock, rock’n’roll, blues e até mesmo alguns laivos de country, criando um cenário apocalíptico que leva o público a paisagens desérticas.

 

No dia 07 de abril, o Grande Auditório do CCVF recebe, às 22h00, um espetáculo único que nasce de um desafio lançado pelo Westway Lab. Quest, projeto de Joana Gama e Luís Fernandes que cruza o piano e a eletrónica, apresenta-se com uma nova colaboração, desta vez com a Orquestra de Guimarães. O duo aventura-se por novos caminhos e tira a Orquestra da sua zona de conforto. Neste trabalho original para piano, eletrónica e ensemble – que conta com a cumplicidade de José Alberto Gomes na orquestração e arranjos – amplifica-se e complexifica-se a sonoridade que caraterizava “Quest”.

 

Na mesma noite, a partir das 23h00, a música estende-se ao Café Concerto com a atuação do músico polaco Buslav. Misturando na sua música a eletrónica, a pop e um lado mais acústico, Buslav promete uma viagem em espiral emocional que tão depressa apela ao lado mais melancólico como, de seguida, transforma a sala de concertos numa festa.

 

Uma das principais novidades da 4ª edição do Westway Lab tem lugar no último dia, 08 de abril, entre as 15h00 e as 18h30, momento em que o festival se alastra à cidade com showcases que acontecem no CAAA (Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura), no Convívio Associação Cultural, no Bar da Ramada e no All Guimarães. Esta iniciativa reafirma a abertura, inclusão e participação no evento de cada vez mais artistas, público e outros intervenientes culturais da cidade. Estes quatro locais convertem-se, na tarde de sábado, em pontos cardeais de uma experiência artística em roteiro pelas várias geografias de Guimarães, ao som da música que se faz no mundo. Adée, Ohrn, Joel Sarakula, Cristóvam, Maybe Canada, The Jooles, Serushiô e Vienna Ditto são os projetos que vão atuar nestes quatro locais da cidade.

 

À noite, a música volta a concentrar-se no Centro Cultural Vila Flor. Às 21h30, o Pequeno Auditório do CCVF recebe o projeto a solo da vimaranense Sofia Ribeiro, Lince. A voz doce e delicada de Sofia (que também fez parte de We Trust e There Must Be a Place) faz-se acompanhar do som clássico do piano a que junta, com destreza, o instrumental eletrónico. O resultado é suave, uma lufada de ar fresco, notando-se que cada melodia é trabalhada ao milímetro num som intemporal.

 

Às 22h15, o Westway Lab ruma ao Grande Auditório do CCVF para uma dose dupla de concertos. Os primeiros a subir ao palco são os You Can’t Win, Charlie Brown que trazem o seu último disco, “Marrow”, com novos temas que apontam para uma direção musical distinta, onde as tendências folk e as guitarras acústicas passam para segundo plano dando lugar a uma sonoridade mais elétrica e, por vezes, até mais dançável. O maior palco do CCVF recebe de seguida os XIXA, banda com raízes em Tucson, Arizona (EUA), que traz na bagagem um promissor concerto, incluído na tournée de promoção do disco de estreia, “Bloodline”. Uma atuação que nos transporta para o deserto, através de uma sonoridade que respira a natureza selvagem. Imbuída no mais puro psicadelismo da década de 70, com guitarras a soar a essência do rock’n’roll, a banda promete levar-nos às paisagens áridas da sua terra natal.

 

O Westway Lab termina no Café Concerto do CCVF com os :Papercutz a atuarem a partir da meia-noite. A banda apresenta-se em formato trio para interpretar o novo álbum de originais, “King Ruiner”, gravado ao longo dos últimos dois anos entre Nova Iorque e o Porto. O grupo tem vindo a desvendar a sua nova sonoridade fora de casa, em festivais entre a Ásia e os Estados Unidos. A nova vocalista, Catarina Miranda, conhecida pelo seu trabalho como Emmy Curl, é um dos elementos responsáveis pela reformulação, evocando harmonias pop e motivos corais encontrados em geografias não ocidentais. Sintetizadores analógicos, batidas urbanas, e percussões de raiz tribal são os elementos que se dispersam pelo sucessor de “The Blur Between Us”.

 

Um dos momentos igualmente mais diferenciadores do Westway Lab são as Conferências PRO, que acontecem de 05 a 08 de abril no Palácio Vila Flor. Com o apoio da Fundação GDA, da AMAEI e do WHY Portugal, estas conferências redobram os seus esforços para incentivar a partilha de conhecimento do mercado da música entre profissionais de topo e as comunidades de artistas, nacionais e internacionais. Este ano, no centro do debate estará a indústria musical Francesa e Sueca, dois casos ímpares de sucesso no mercado europeu, contando com oradores como Sara Thorstensson e Linda Brandemark da BILDA e Mattias Tell, do KulturUngdom, entre outros, bem como os mercados norte-americanos, com Tom Silverman, da editora Tommy Boy e também responsável pelo evento New Music Seminar em Nova Iorque. De notar que a estas sessões chegam também representantes do South by Southwest Festival (SXSW). As apresentações da IAO – International Artist Organization, LiveDMA – rede de salas Europeias, Europa Criativa e outros painéis e sessões como o da GDA tornam esta edição do Westway PRO uma oportunidade ímpar de desenvolvimento profissional. É também neste contexto da internacionalização que surge a nova parceria entre o Westway PRO e o WHY Portugal Event, que aporta às conferências deste ano uma sequência de sessões paralelas com temáticas ligadas à internacionalização da música e cinema.

 

Nesta edição do Westway Lab, para além dos bilhetes individuais, o festival tem disponíveis dois tipos de passes, em número limitado, que dão acesso aos concertos. Os showcases têm entrada livre. Os bilhetes para os concertos, bem como os passes, poderão ser adquiridos na bilheteira do Centro Cultural Vila Flor, Plataforma das Artes e da Criatividade, Lojas Fnac, El Corte Inglés, entidades aderentes da Bilheteira Online, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. As inscrições nas Conferências PRO podem ser efetuadas via online em www.ccvf.pt e www.westwaylabfestival.com.

 

 

OPENING DAY NO CCC

 

QUARTA-FEIRA, 29 MARÇO, 15H30, CENTRO DE CRIAÇÃO DE CANDOSO

 

No próximo dia 29 de março, às 15h30, o Centro de Criação de Candoso abre as portas para dar a conhecer o trabalho desenvolvido no âmbito das Residências Artísticas do Westway LAB Festival. Este encontro reserva igualmente uma Info Session em que o Diretor Artístico do festival, Rui Torrinha, apresenta todas as novidades desta quarta edição. Feitas as apresentações, haverá ainda oportunidade para entrevistas com os artistas em criação e para uma breve visita a este espaço, que permitirá conhecer as atuais condições que o mesmo oferece como reforço da aposta no apoio à criação levada a cabo pel’ A Oficina.

 


Centro de Criação de Candoso

Rua de Moure, São Martinho de Candoso, 4835-382 Guimarães

Localização GPS: N 41.428015, W 8.337961

Martin Zimmermann traz "Hallo" ao Centro Cultural Vila Flor (18 março)

Artista suíço, génio do novo circo, com 20 anos de carreira, apresenta

em Guimarães o seu primeiro espetáculo a solo

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O extraordinário universo surreal de Martin Zimmermann chega ao palco do Centro Cultural Vila Flor este sábado, dia 18 de março, às 22h00. Com assinatura do reputado criador de novo circo, “Hallo” é o único projeto em que se apresenta a solo na sua já longa carreira. A contar mais de 20 anos em cima dos palcos, o artista suíço cria uma linguagem única para exprimir o seu mundo interior, com uma forte carga surrealista a partir da qual cria universos fascinantes. Dança, teatro e magia fundem-se num espetáculo incrível, que promete deixar a plateia siderada.

 

Martin Zimmermann é um artista do movimento, um brincalhão fervoroso, um palhaço frenético. Contando com uma extensa carreira de 20 anos, ao longo da qual trabalhou em colaboração com Dimitri de Perrot, o artista criou, em 2014, o seu primeiro (e até agora único) espetáculo a solo, com o qual tem percorrido o mundo com grande sucesso. “Hallo” é um espetáculo fascinante, cheio de imprevistos, capaz de fazer a plateia suster a respiração ou rir às gargalhadas. Uma tentativa de purgar os pensamentos absurdos que carregamos, na esperança de obter algum controlo sobre os aspetos mais bizarros que nos assaltam.

 

“Hallo” é uma sequência de acidentes à espera de acontecer. Uma peça em que o cenário ganha vida expondo a personagem às situações mais inusitadas. Nesta criação, Zimmermann brinca com as várias personalidades que habitam dentro de nós e reflete sobre isso num espetáculo cheio de humor e inteligência. Porque às vezes não nos devemos levar demasiado a sério.

 

Como base criativa para este espetáculo, Martin Zimmermann escolheu uma estrutura quadrada, que pode parecer uma vitrina que nos exibe esta figura tragicómica. A vitrina como uma alusão à aparência, ao duelo interior entre o que parecemos e o que somos. A estrutura, aparentemente estática, revela-se bastante mais dinâmica e muito mais frágil do que aparenta. O artista tenta adaptar-se a um mundo de aparências cada vez mais fora do controlo. Os objetos ganham vida e voam sobre a sua cabeça, a magia flutua pelo espaço, esbatendo a fronteira entre ficção e realidade.

 

Apesar da longa carreira de Martin Zimmermann, sentimos em “Hallo” que o amor pela interpretação é o mesmo dos primeiros trabalhos. A entrega e a precisão são totais. Neste enigma de caos que é “Hallo”, Zimmermann continua a tentar desbravar caminhos novos e explorar circunstâncias surreais. Ele perde o tato com a realidade, confunde-se com o seu próprio reflexo projetado num espelho, desdobra-se para se transformar em mais um adereço no palco. O corpo desgastado de Zimmermann desenvolve uma linguagem diferente, mais urgente. O artista, preso ao seu próprio feitiço e à sua paixão desenfreada, quase surta e é salvo apenas pelo seu humor fora da caixa.

 

Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

 

 

The Oafs: sexta e sábado nas FNAC's do Porto a apresentar "My Scars and Stories"

 
 

The Oafs
apresentam "My Scars and Stories"

The Oafs formaram-se em 2013 em Vila Franca, Viana do Castelo, e assumem-se como uma banda indie/folk
Em finais de 2016 editaram o álbum “My Scars and Stories”, onde: “contamos histórias e expomos as marcas, boas e más, que nos constroem como pessoas. Contamos desabafos que nos saem da alma, nos acordam de noite e nos obrigam a escrever”, revelam os elementos de The Oafs.


Sábado, 11 Março, 17h00 - FNAC GaiaShopping,Vila Nova de Gaia
Sábado, 11 Março, 22h00 - MarShopping, Matosinhos
Sexta, 17 Março, 22h00 - Circulo de Arte e Recreio, Guimarães
Domingo, 26 Março, 16h00 - FNAC Viseu

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Gobi Bear e Toulouse apresentam novos trabalhos no Café Concerto do CCVF

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SOM de GMR em dose dupla no mês de março

O Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, apresenta, desde o início do ano, um ciclo de concertos, “SOM de GMR”, que tem trazido a este palco músicos e bandas da região. Uma mostra de 7 projetos – que irá decorrer até maio – com o objetivo de registar um período de criação particularmente fértil em Guimarães. Em março, dois projetos aterram no palco do Café Concerto do CCVF. Esta sexta-feira, dia 03, Gobi Bear interpreta músicas do seu mais recente trabalho e, no dia 17, é a vez dos Toulouse apresentarem o primeiro álbum da banda. Os concertos têm início à meia-noite e são precedidos, às 19h00, por conversas informais com os artistas, com moderação do jornalista Samuel Silva.

 

Gobi Bear chega ao Café Concerto do CCVF com um novo trabalho, depois de um período de hibernação. Diogo Alves Pinto é o vimaranense que se esconde por detrás do Urso. Depois de seis discos lançados entre 2011 e 2014, o Urso hibernou. Acorda, agora, com cinco temas novos que anunciam o esperado segundo longa duração, que chega em 2017. Estas cinco músicas representam o seu primeiro disco homónimo. A sua cara. E fazem-no tão bem. Ouve-se a escrita madura, a guitarra bucólica, a voz meiga e os arranjos íntimos que refletem a experiência deste músico de 25 anos. Quando nos entregamos ao som de Gobi Bear desligamos do mundo e partimos para as paisagens recônditas que ele nos pinta enquanto canta. É delicioso e, ao vivo, o Urso camufla-se na sua arte e deixa o público em viagem, de olhos fechados, pelos labirintos mágicos das suas canções.

 

No dia 17 de março, o Café Concerto do CCVF acolhe uma nova atuação, desta vez com os Toulouse como protagonistas, que aqui apresentam o seu mais recente álbum, “Yuhng”. Lançado no final de 2016, “Yuhng” é um statement: mais do que o desabrochar óbvio da banda, é a prova do talento inato para a pop que começa na melodia e acaba no coração. Os Toulouse sempre tiveram queda para a pintura, para a viagem e para o etéreo — nesta amálgama, existem entre a canção pop, doce, e as cores vivas dos efeitos de imbuir guitarra em açúcar.

 

O quarteto de Guimarães editou a cassete de estreia, “Juice”, em 2015, preparando terreno para a seleção dos pantones com que iriam colorir os próximos passos, dos quais desabrocha o primeiro álbum “Yuhng”, um registo sonhador, enérgico, com um travo naïve. Será difícil o coração oferecer resistência ao que os ouvidos tão simplesmente abraçam: melodias encantatórias, e um esgar de quem não vive neste mundo. Entre o gingar indie e as guitarras dobradas e retransformadas em modulações suaves, o sucessor de “Juice” agarra com refrões uma imaginação que se tinge de paisagens sublimes, sonhadoras e com um brilho comovente.

 

Recordamos que, no âmbito deste ciclo de concertos, o CCVF acolherá, num futuro próximo, os concertos de Lince (8 de abril), El Rupe (28 abril), Paraguaii (5 de maio) e Hot Air Balloon (19 maio), trazendo a palco uma série de músicos da região que se destacam no cenário musical nacional.

 

Os bilhetes para cada um dos concertos têm o custo de 3,00 euros e encontram-se disponíveis nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. A participação nas conversas informais que precedem os concertos é livre.