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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

THE BANKROBBER TOMAM PORTUGAL DE ASSALTO > Tour MISSING

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The Bankrobber são uma banda de rock italiana, cuja estreia perante o público nacional aconteceu com a poderosa composição “Closer”, o primeiro single revelado de “Missing”, o próximo disco de originais do quarteto.

“Missing” também é o nome da tour que traz à Península Ibérica aquela que é considerada a melhor banda pela MTV Itália. Depois de pisarem todo o tipo de palcos, e de os partilharem com grandes nomes italianos e internacionais, chegou finalmente a vez de, através da Music For All, Portugal se render aos encantos dos The Bankrobber!

21.02 | Honky Tonk, Madrid, 21h30, 5€

22.02 | Worlitzer Ballroom, Madrid, 23h, 5€

23.02 | Tokyo, Lisboa, 23h, 5€

24.02 | Convívio Associação, Guimarães, 23h30, entrada livre 

 

 

CIAJG | Centro Internacional das Artes José de Guimarães revela novas exposições a 17 de fevereiro

 

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Exposições individuais de Christian Andersson e Miguel Leal marcam o 1º ciclo expositivo de 2018 do CIAJG

No próximo dia 17 de fevereiro, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) inaugura uma nova montagem da sua coleção permanente e duas exposições individuais – “When Science Fiction was dead”, de Christian Andersson, e “Duplo Negativo”, de Miguel Leal – que propõem pensar o museu como uma grande máquina de viajar no tempo e de atravessar o espaço, que produz verdade e ficção, expõe significados ocultos e induz o visitante a uma nova perceção da realidade mantendo com esta uma relação criativa e inventiva. A inauguração, aberta a todos, tem lugar às 21h30.

 

A exposição “When Science Fiction was dead”, de Christian Andersson, surge num contexto em que a noção de verdade está mais do que nunca em crise. A exposição individual do artista sueco, que ocupará as salas 9, 10 e 11 do CIAJG, reúne obras marcantes e outras inéditas, concebidas e produzidas especificamente para esta exposição, e oferecerá ao público português o mais extenso panorama alguma vez disponível no nosso país da obra de um autor que se interessa sobretudo pelas condições objetivas e subjetivas, espirituais e materiais de leitura e descodificação da proposta artística.

 

Concebida em estreito diálogo com o programa museológico do Centro, a ampla intervenção de Christian Andersson (Estocolmo, 1973) reúne um conjunto de peças icônicas e incontornáveis da produção do artista — como são, por exemplo, “Scanner” e “From Lucy with Love”, instaladas em duas das salas mais simbólicas do percurso expositivo, as salas 2 e 3 do piso que alberga a coleção permanente — e de peças inéditas, especificamente produzidas para esta exposição.

 

A intervenção não é apenas ditada por conveniência de espaço mas por razões simbólicas — o artista pensou o espaço como um todo, estabelecendo um conjunto de relações, colocando um série de problemas ou de hipóteses, problematizando a ideia de museu ou de exposição, de coleção como todo ou como representação fragmentária do mundo, da falibilidade de sistemas de pensamento e de sondagem documental ou material do passado de disciplinas como a História ou a Arqueologia.

 

A mostra “Duplo Negativo”, que habitará as salas 12 e 13, é a mais ampla exposição realizada por Miguel Leal (Porto, 1967) em contexto institucional. Nesta intervenção, especificamente concebida para o espaço expositivo do CIAJG, o autor põe em evidência algumas das principais caraterísticas do seu trabalho — sensibilidade ao espaço e ao tempo, atenção à construção do dispositivo e às condições de apresentação e uma capacidade discursiva marcada pelo engenho narrativo. Para esta exposição, concebeu um conjunto inédito de peças que cobrem um largo espetro de linguagens (objetos, escultura, instalação, desenho, pintura, vídeo) que, a partir de uma particular atenção aos mecanismos do tempo e da articulação da palavra, da imagem e do som propõem uma experiência da dissolução dos limites e das fronteiras territoriais e conceptuais. Mas, para além das diferentes peças, sobressai a escala arquitetónica da intervenção e a forma como transformou o espaço, desafiando o espetador a uma experiência tanto sensorial quanto intelectual, propondo diferentes modos de receção, abrindo o leque percetivo de quem o habita.

 

Miguel Leal é, dos artistas da sua geração, aquele cujo universo de referências e o trabalho são menos conhecidos como um todo, o que contrasta com a solidez e a imprevisibilidade das soluções formais e concetuais que engendra a cada passo. Esta exposição antológica tem, assim, por objetivo revisitar e repensar o trabalho de Miguel Leal como um constructo em que a produção intelectual, curatorial e visual se articulam como um todo simultaneamente complexo e profundo.

 

Lógica circular, eterno retorno, repetição e diferença, “Teoria das Exceções – Ensaio para uma História Noturna”, é o título da nova montagem da coleção permanente, vigente durante o ano de 2018 nas salas 1 a 8, uma exposição que regressa ao mapa delineado pela exposição inaugural do CIAJG, “Para além da História”. Prossegue-se, assim, um projeto sem tempo plenamente consciente do tempo em que é realizado, afirmativamente contemporâneo sem ser exclusivamente constituído por objetos de arte contemporânea. A sua natureza é ser transversal, poroso, impuro, aberto e circular, procurando nexos, relações, permanências; por outras palavras, sonda o impercetível que o tempo histórico, tão marcado por uma memória seletiva e fatalmente grosseira, acaba por expurgar.

 

“Teoria das Exceções”, nome desta montagem expositiva, é também um livro do escritor e ensaísta francês Philippe Sollers. Como o título deixa adivinhar, trata-se de um mapeamento de alguns universos autorais, idiossincráticos e singulares, que se constituíram como momentos de rutura na história da literatura. A exposição reúne obras de José de Guimarães, Vasco Araújo, f.marquespenteado, Ernesto de Sousa, Franklin Vilas Boas, Rosa Ramalho, Jaroslaw Fliciński, Mumtazz, Rui Horta Pereira e Christian Andersson, para além da coleção de Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Chinesa Antiga da Coleção de José de Guimarães.

 

No âmbito desta nova montagem, Mumtazz, uma das mais singulares artistas do panorama nacional, apresenta nas salas 2 e 6 a mostra “Ascensor d’Mente”, no âmbito do seu universo Hilaritas. Estreitamente ligado à prática da contracultura, implicado política e ecologicamente, retomando estratégias e modos do psicodelismo, o trabalho artístico de Mumtazz articula influências e elementos de diferentes culturas, diferentes tempos históricos e as mais diversas linguagens – a poesia, o som, o bordado, a fotografia, a instalação, o efémero, o geométrico e o orgânico. Este ciclo alberga, ainda, a exposição “Sono”, de Rui Horta Pereira, presente desde o passado dia 13 de janeiro no emblemático Gabinete de Desenho, situado na sala 4 da coleção permanente do CIAJG. Rui Horta Pereira apresenta um conjunto alargado de desenhos reunidos em torno da série “Sono”, que desvelam uma produção diversificada que coloca em questão a identidade autoral como categoria fixa.

 

A inauguração do 1º ciclo expositivo de 2018 do Centro Internacional das Artes José de Guimarães decorre, de porta aberta, às 21h30 do dia 17 de fevereiro. O CIAJG pode ser regularmente visitado de terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. Aos domingos de manhã, a entrada é gratuita.

 

 

CCVF | Josephine Foster inaugura palco do Café Concerto do CCVF em 2018 (16 fevereiro)

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Este ano, o palco do Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) é estreado por Josephine Foster. A artista norte-americana apresenta-se em Guimarães e paira no ar a promessa de um concerto que encantará o público com inebriantes canções folk, que emanam uma aura sonhadora. O espetáculo, que conta ainda com uma 1ª parte da multinstrumentista e vocalista Ka Baird, tem lugar esta sexta-feira, 16 de fevereiro, pelas 23h00.

 

A música que Josephine Foster produz parece cruzar diferentes influências, misturando tonalidades que atravessam o poeirento velho oeste americano com vestígios do jazz e dos blues das horas profundas de Chicago. Contando já com uma longa carreira, no seu álbum mais recente, “No More Lamps in the Morning”, a cantora e compositora pega em temas de projetos anteriores dando-lhes um novo arranjo. As músicas ganham uma nova vida quando acompanhadas da guitarra portuguesa, acrescentando à mescla de influências uma sonoridade ibérica que torna tudo ainda mais peculiar. Um disco que se sente livre, solto de amarras e convenções, para ser desfrutado em total despreendimento. A anteceder este concerto, sobe ao palco a multinstrumentista e vocalista Ka Baird, conhecida por explorar o psicadelismo eletrónico e pelas improvisações e experimentalismos que envolvem a audiência.

 

Enquanto adolescente, a cantora, compositora e guitarrista Josephine Foster, nascida em 1974 no Colorado (EUA), aprimorou as suas habilidades vocais em funerais e casamentos e as suas aspirações inclinavam-se para a ópera. Porém, terminados os estudos, começou a gravar uma séria de composições que vieram a dar origem a “There Are Eyes Above”, em 2000, um álbum fortemente marcado pelo seu ukelele e a uma coleção de músicas infantis intitulado “Little Life” (2001), mudando-se pouco tempo depois para Chicago, onde foi professora de canto e atuou com várias bandas.

 

Foster regressou à sua carreira a solo em 2004 para criar “All the Leaves Are Gone”, uma coleção fantasmagórica de músicas de rock psicadélico com a sua recém-formada banda, Supposed. O ano seguinte trouxe “Hazel Eyes, I Will Lead You”, um trabalho dominado por um som calmo, rústico e inspirado nos blues. Os anos seguintes foram recheados de novas gravações, em que se incluem “A Wolf in Sheep's Clothing” (2006), “This Coming Gladness” (2008), “Graphic as a Star” (2009), “Anda Jaleo” (2010) e “Perlas” (2012), ambos com a The Victor Herrero Band, e “Blood Rushing” (2012). Mais recentemente, lançou os álbuns de longa duração “I'm A Dreamer”, em novembro de 2013, e “No More Lamps In The Morning”, em fevereiro de 2016. Este último disco, no qual incidirá uma atenção especial neste concerto em Guimarães, incluiu duas músicas com poemas de James Joyce e Rudyard Kipling.

 

A multinstrumentista e vocalista Ka Baird, baseada em Nova Iorque, é responsável por abrir esta noite no Café Concerto. Ela é um dos membros fundadores de “Spires That In The Sunset Rise”, banda de IIlinóis onde impera a música folk psicadélica experimental. Desde que se mudou para Nova Iorque, em 2014, Baird partiu em inúmeras direções que vão muito além deste projeto mais duradouro, ao promover novas colaborações e aprimorar o seu próprio trajeto a solo. O seu trabalho mais atual explora a improvisação no piano, intervenções eletroacústicas, batidas rítmicas, técnicas vocais ampliadas e uma incomum manipulação eletrónica da flauta. Mas, por mais expressiva e sensacional que seja a sua música, esta possui uma energia que nos aproxima de um estado relaxado, mesmo que nada na composição de Baird seja aparentemente sereno.

 

Os bilhetes para este espetáculo encontram-se à venda por 3,00 euros nas bilheteiras do CCVF (Centro Cultural Vila Flor), do CIAJG (Centro Internacional das Artes José de Guimarães) e da CDMG (Casa da Memória de Guimarães), bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

Sentença de Sócrates é conhecida (no final do mês) em Guimarães pela mão de Mickaël de Oliveira

Díptico de peças “Sócrates Tem de Morrer”, de Mickaël de Oliveira, é apresentado a 23 e 24 de fevereiro no Centro Cultural Vila Flor, a última peça em estreia absoluta

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Em 2018, o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) inaugura na sua programação regular um mini programa à volta de alguns criadores nacionais que pelo seu singular universo de criação reclamam um olhar e vivência mais completa do seu trabalho. Este mini programa proporá a apresentação de 2 das suas obras, uma conversa pós-espetáculo e ações de formação para a comunidade local, em articulação com o Teatro Oficina. O primeiro olhar recai sobre Mickaël de Oliveira, jovem dramaturgo e encenador, que traz a Guimarães o díptico de peças “Sócrates Tem de Morrer”, com um irrepreensível elenco de atores. O primeiro episódio, “A Morte de Sócrates”, sobe ao palco a 23 de fevereiro. Na noite seguinte, Mickaël de Oliveira apresenta o 2º episódio, “A Vida de John Smith”, em estreia absoluta no CCVF.

 

No próximo dia 23 de fevereiro, às 21h30, “A Morte de Sócrates”, partindo da obra Fédon de Platão, junta em Guimarães a figura reinventada de Sócrates (Albano Jerónimo), e dos seus fiéis amigos, Paulo (Paulo Pinto), Pedro (Pedro Lacerda), Maria (Raquel Castro) e Ana (Ana Bustorff). “A Morte de Sócrates” narra os últimos três dias de Sócrates na prisão, na qual permaneceu durante um mês, período em que as festas da cidade proibiam qualquer execução capital. Os amigos de Sócrates tentam convencê-lo a permanecer vivo, apresentando-lhe hipóteses de fuga. No entanto, este mantém-se convicto de que a morte é preferível à vida, sendo o corpo um impedimento ao conhecimento puro. Contudo, depois de alguma retórica, Paulo, Pedro, Maria e Ana confessam que estão eles próprios convencidos de que morrer é a melhor solução, apresentando a Sócrates a utopia de um mundo livre e o plano para o atingir: a constituição de um grupo terrorista e de uma Academia que o perpetue através dos tempos.

 

Na noite seguinte, 24 de fevereiro, à mesma hora, Mickaël de Oliveira apresenta “A Vida de John Smith”, o 2º episódio do díptico “Sócrates Tem de Morrer”, em estreia absoluta no Centro Cultural Vila Flor. Neste episódio, Paulo, Pedro, Maria, Ana e Sócrates (reencarnado em John Smith) acordam de um longo sono, num Museu de História Natural. São despertados por três membros da Academia: Aquela (Miguel Moreira), Aquele (Pedro Gil) e Aqueloutro (John Romão) que se encarregam de lhes apresentar o mundo que emergiu da utopia desenhada no 1º episódio: uma comunidade definida pela primazia da alma em relação ao corpo.

 

Memória, linguagem, ficção, filiação, diferença e alteridade, são os temas que alimentam a discussão em que todos têm que chegar a uma decisão sobre o futuro deste novo mundo, em perigo perante uma ameaça sem precedentes. Nesta noite, após o espetáculo, o público poderá juntar-se no foyer do Grande Auditório do CCVF para uma conversa com Mickaël de Oliveira em torno desta apresentação e do caminho percorrido ao longo do processo de criação.

 

No âmbito deste programa, Mickaël de Oliveira protagoniza igualmente duas oficinas de criação dirigidas a atores, criadores e dramaturgos da Rede TO (Teatro Oficina). A primeira oficina estende-se entre 29 de janeiro e 24 de fevereiro e aborda o díptico “Sócrates Tem de Morrer”, colocando o foco na segunda parte, para trabalhar o texto com atores não-profissionais, amadores ou simples curiosos. Durante as sessões, serão trabalhadas algumas partes de “A Vida de John Smith”, nomeadamente as que incluem a personagem coletiva “Assembleia”. Os frequentadores da oficina poderão ainda, caso queiram, participar nesse espetáculo e fazerem parte da “Assembleia”. A segunda oficina,  a 26 e 27 de fevereiro, dará lugar à reflexão sobre a desconstrução dos materiais textuais que deram origem ao díptico, assim como a metodologia de escrita e de encenação que caraterizam a relação entre os dois espetáculos.

 

Os ingressos para o díptico de peças “Sócrates Tem de Morrer” podem ser adquiridos separadamente – estando disponíveis bilhetes para “A Morte de Sócrates” (1º episódio) e para “A Vida de John Smith” (2º episódio) – ou, ainda, através de um bilhete conjunto que permite assistir aos 2 episódios. Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do CCVF, do CIAJG e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

Grécia, Portugal, Cabo Verde, Bélgica e Alemanha dançam na segunda semana do GUIdance (até 10 fevereiro)

Rui Horta, Patricia Apergi, Euripides Laskaridis, Marlene Monteiro Freitas com Andreas Merk e Peeping Tom protagonizam a segunda ronda de espetáculos da 8ª edição do festival

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A partir desta quarta-feira, a dança regressa aos palcos em Guimarães. A segunda e derradeira semana da 8ª edição do GUIdance junta na cidade berço criadores de várias proveniências geográficas, nacionais e internacionais. Decorridos os espetáculos “Autobiography”, da companhia Wayne McGregor, “O Limpo e o Sujo”, de Vera Mantero, “Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre”, de Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, e “Humanário”, de Rui Horta em conjunto com Tiago Simães, o palco chama agora pelas criações de Patricia Apergi e Euripides Laskaridis, que apresentam “Cementary” e “Titans”, respetivamente, pelo “Jaguar” de Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk, pela “Vespa” de Rui Horta e por “Vader” da companhia Peeping Tom, peça que encerra o festival. Uma masterclasse, um debate, sessões para escolas e conversas preenchem a semana do Festival Internacional de Dança Contemporânea.

 

Após uma semana de espetáculos, incluindo estreias e lotações esgotadas, a dança está de volta ao palco esta quarta-feira com a “Vespa” de Rui Horta, às 21h30, na Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). Apresentada em reposição, a peça estreou no CCVF em abril do ano passado, aquando da celebração dos seus 60 anos de vida. Um solo, interpretado pelo próprio. Uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Um espetáculo extremamente pessoal, em que teve de lidar consigo próprio através da solidão e do confinamento, pelas longas horas sozinho em estúdio, testando os limites da mente e do corpo. Rui Horta é um veterano selvagem. Só essa condição lhe permite, hoje, a ousadia e a obstinação de voltar ao palco. Após 30 anos de ausência dos palcos, o coreógrafo e bailarino português – em destaque nesta edição – entrega-se novamente ao público e dança existência fora, projetando num plano infinito a ideia do eterno começo, criando futuros.

 

E nesse lugar imaginário vive “Cementary”, a peça de Patricia Apergi que esteve em residência artística no Centro de Criação de Candoso (Guimarães) e se apresenta agora em estreia nacional no palco do Grande Auditório do CCVF a 08 de fevereiro, também às 21h30, assinalando a segunda visita da coreógrafa grega à cidade berço e ao GUIdance, depois da presença no festival em 2015 com “Planites”. Neste espetáculo, Patricia Apergi continua a indagar sobre um tópico central na sua obra, o labirinto urbano, focando-se agora na cidade como lugar de caos. Um lugar de abandono, onde vagueiam os sem-abrigo, onde edifícios que outrora tinham vida são largados à ruína, lugar que foi de encontro e efervescência, mas que no futuro será sinónimo de desolamento. Um espetáculo que exprime o distanciamento de um ideal para mostrar que quanto mais o perseguimos mais mergulhamos numa ansiedade vazia e nada sobrará para os tempos vindouros. Nada é mais triste do que o desaparecimento de um sonho.

 

O “Jaguar”, de Marlene Monteiro Freitas, com a colaboração de Andreas Merk, mostra-se na noite seguinte às 21h30, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). “Jaguar” é um cruzamento de inspirações que brotam muitas vezes sem controlo e que fazem da arte o que ela deve ser: uma força incontrolável, que não se fecha em rótulos ou denominações, mas que voa livre na cabeça de quem cria. E da cabeça passa para o corpo, que prolifera uma dança sem restrições. Marlene Monteiro Freitas é uma força da natureza e por isso esta criação não podia ter outro nome que não “Jaguar”, que explode natureza nos seus mais diversos e amplos sentidos. “Jaguar” é o nome dado a alguns cavalos, mas neste caso é uma peça de dança e um teatro de marionetas. Uma cena de caça, ou melhor, uma cena de caça assombrada. Marlene Monteiro Freitas, coreógrafa cabo-verdiana recém vencedora do Leão de Prata de carreira na Bienal de Dança de Veneza, faz-se acompanhar do germânico Andreas Merk para se expor aos perigos da selva.

 

No último dia do festival, 10 de fevereiro, às 18h30, encontramos “Titans” de Euripides Laskaridis com todo o poder que o lugar da ficção nos reserva. Nesta peça, apresentada na Black Box do CIAJG, Euripides Laskaridis trabalha em estreita colaboração com o figurinista Angelos Mendis e cria um cenário apocalíptico para explorar a perseverança da humanidade diante do desconhecido. O desespero perante o fim da razão, um mundo desolador que evoca uma era em que os titãs governavam o universo. “Titans” traz à cena criaturas dos sítios mais recônditos da mente para refletirmos sobre quem somos. Desde sempre nos impomos a acreditar num ideal. Mas com que propósito? O que distingue, afinal, o ideal do real? A fraqueza humana? A falência titânica de uma ordem ética? Esta peça, que chega ao GUIdance como um lembrete da frágil condição humana, evocando a importância de todos os fracassos, assinala o quão frágil e enganador é o arquétipo da perfeição.

 

O espetáculo de encerramento desta 8ª edição do GUIdance acontece às 21h30 deste mesmo dia, no Grande Auditório do CCVF, com o regresso da celebrada companhia belga Peeping Tom, que depois de “Moeder” (Mãe) – espetáculo apresentado no 12º aniversário do CCVF – nos traz “Vader” (Pai), a primeira parte desta trilogia em torno da família, desta vez para encerrar o festival. “Vader” reflete sobre a decadência, o vazio, a indiferença e a fúria a que estamos sujeitos quando a vitalidade nos abandona, socorrendo-se, ainda assim, de algum humor. A ação passa-se num cenário que nos remete para um lar de idosos, muito semelhante a uma cave, um lugar onde somos muitas vezes deixados ao abandono. Um retrato de um lugar que nos remete para a solidão no fim da vida, obrigando a uma introspeção sobre um filme que já (quase) acabou. No final desta viagem, regressamos, assim, àquilo que a dança em si (sempre) transporta: a relação entre o ser humano. Porque também isso carece de urgência na sua reinvenção.

 

As habituais atividades paralelas continuam a ocupar um lugar fundamental na programação desta semana do festival, aproximando público, artistas, escolas e pensadores, afirmando o GUIdance como um importante acontecimento artístico no calendário de inverno. Destas fazem parte mais uma masterclasse (esgotada), com a companhia belga Peeping Tom, conversas pós-espetáculo com os artistas, a segunda parte do debate “Criar Futuros”, conversa que convoca todos a debater o corpo presente como emergência de futuro, moderada pela jornalista Cláudia Galhós com a presença dos convidados Rui Horta e Maria Manuel Mota (dia 10, às 16h00, na sala de conferências do CIAJG). Reservam-se ainda conferências sobre dança – uma espécie de aula-conferência sobre a história da dança contemporânea, com a jornalista e crítica de dança Cláudia Galhós, na qual se misturam olhares e processos da criação artística ao longo dos tempos – na Escola Secundária Francisco de Holanda e na Academia de Música e Bailado de Guimarães e uma sessão dos Embaixadores da Dança que levará Rui Horta à Escola Secundária Santos Simões. Nestes encontros, coreógrafos partilham o seu percurso, a sua experiência de vida e as suas visões artísticas em contexto de sala de aula. Uma visita devolvida depois pelos alunos, para assistirem ao espetáculo do criador que com eles estabeleceu um sentido de partilha. O meeting point do festival, após os espetáculos, continua com lugar marcado no Café Concerto do CCVF.

 

Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do CCVF, do CIAJG e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. O preço dos bilhetes varia entre os 10,00€ e os 3,50€ e há ainda a possibilidade de adquirir diferentes assinaturas para o festival. Os alunos que frequentam Escolas de Artes Performativas têm um preço especial de 4,00€ nos espetáculos. O programa completo do GUIdance pode ser consultado em www.ccvf.pt.

 

GUIdance 2018

Festival Internacional de Dança Contemporânea

 

PROGRAMA 2ª SEMANA

 

QUARTA 07 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 21h30

Vespa [reposição]

Rui Horta

 

QUINTA 08 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Cementary [estreia nacional]

Aerites Dance Company / Patricia Apergi

 

SEXTA 09 fevereiro

CCVF / pequeno auditório | 21H30

Jaguar

Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk

 

SÁBADO 10 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 18H30

Titans [estreia nacional]

Euripides Laskaridis

 

SÁBADO 10 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Vader

Peeping Tom

 

ATIVIDADES PARALELAS

 

SEXTA 09

CCVF / SALA DE ENSAIOS | 18h30-20h30

Masterclasse com Peeping Tom

 

QUINTA 08

CCVF / foyer do grande auditório

Talk: Conversa pós-espetáculo com Patricia Apergi

 

SÁBADO 10

CCVF / foyer do grande auditório

Talk: Conversa pós-espetáculo com Peeping Tom

 

Sábado 10

ciajg / SALA de CONFERêNCIAS | 16H00

Debate “Criar Futuro(s)” [parte II]

Moderação Cláudia Galhós

 

Quinta 08 e sexta 09

Sessões para escolas

Conferência sobre Dança

Por Cláudia Galhós

 

terça 06

Escola SECUNDÁRIA santos simões | 10h30

Embaixadores da Dança

Rui Horta

 

Sexta 09 e sábado 10

pós-espetáculos

Meeting point do festival

Café Concerto do CCVF

 

ASSINATURAS

 

ASSINATURA 5 ESPETÁCULOS  (à escolha) 30,00 eur

ASSINATURA 4 ESPETÁCULOS  (à escolha) 25,00 eur

ASSINATURA 3 ESPETÁCULOS (à escolha) 20,00 eur

8ª edição do GUIdance desvenda futuros da dança - 01 a 10 fevereiro

Europa da dança navega pelos palcos vimaranenses de 01 a 10 de fevereiro

 

8ª edição do GUIdance desvenda futuros da dança

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De 01 a 10 de fevereiro, o GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea transporta até Guimarães a Europa da dança. 9 espetáculos, 4 estreias, masterclasses, sessões nas escolas, conversas e debates compõem o cartaz da sua 8ª edição. Dois nomes incontornáveis da dança contemporânea, Wayne McGregor e Peeping Tom, abrem e encerram, respetivamente, o festival. Rui Horta – coreógrafo em destaque nesta edição – apresenta duas criações, uma em estreia absoluta e outra em reposição. Vera Mantero, Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, Patricia Apergi, Euripides Laskaridis, Marlene Monteiro Freitas e Andreas Merk juntam-se ao movimento que agitará toda a cidade, aproximando público e artistas, seja em torno das criações apresentadas ou do universo (infinito) da dança.

 

No espetáculo inaugural da 8ª edição do GUIdance, a 01 de fevereiro, às 21h30, Wayne McGregor regressa a Guimarães e ao Centro Cultural Vila Flor com mais uma estreia em solo nacional. O visionário coreógrafo, que nunca cessa de explorar limites, decidiu mergulhar fundo na combinação do seu ADN para criar “Autobiography”, espetáculo em que parte de uma busca à mais notável tecnologia existente, o seu corpo, para lançar possibilidades que apontem à construção de futuros. Partindo do seu código genético enquanto arquivo de vivências, McGregor sequenciou o seu próprio genoma humano, convertendo-o em algoritmos que deram origem aos movimentos da peça, na qual reúne um corpo magnífico de bailarinos e volta a causar espanto pela cenografia e pelo espetacular jogo de luzes. Após a apresentação de “Atomos” em 2016, o multipremiado coreógrafo abre o GUIdance com aquela que tem sido considerada a sua obra mais íntima e ousada, fervorosamente aclamada pela imprensa internacional.

 

A partir daqui, o festival arranca para uma viagem tão completa e híbrida quanto desejável, comandada por todas as possibilidades que o jogo da criação nos permite. Assim acontece em “O Limpo e o Sujo”, no dia 02 de fevereiro à mesma hora, onde os corpos de Vera Mantero, Elizabete Francisca e Francisco Rolo dançam para desabafar, dançam para expelir, dançam para absorver. Expurgam, limpam e expulsam as contaminações do interior dos seus corpos. Há corpos educados e há corpos deseducados. Há, sobretudo, um alegre chafurdar na fusão entre estas duas espécies de corpos. “educados e deseducados” atravessados por informação acumulada procuram um novo lugar.

 

No mesmo sentido, Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão apresentam “Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre” às 18h30 do dia seguinte, partindo de Almada Negreiros e da sua velocidade em despertar cérebros no corpo. Simultaneidade, velocidade, incongruência com o exclusivo, assimilação e sobreposição conduzem ao maximalismo em associação com a eternidade rápida e urgente de Almada e unem com o gesto, mais que com a teoria, de atos dadaístas e surrealistas de hibridismo de linguagens e de espontaneidade. Uma coreografia focada no excesso, na sobreposição de padrões, na associação de elementos díspares, no sem sentido, não discursivo, não demonstrável. Na multíplice experiência do irrepetível.

 

A primeira semana desta edição fecha com a nova criação de Rui Horta, no dia 04 de fevereiro, às 21h30. “Humanário”, uma obra criada em conjunto com Tiago Simães, responsável pela direção musical do projeto, tem estreia absoluta no GUIdance e integra cerca de 40 intérpretes amadores, onde o traço de união é a capacidade vocal. “Humanário” reflete a importância da coesão da comunidade em diálogo com as idiossincrasias dos intérpretes. Uma obra sobre a diversidade, mas igualmente sobre a construção de um objeto comunitário. Reduzida à voz e ao corpo, a peça cria um traço de união, numa celebração da diferença de géneros, idades e culturas.

 

A segunda semana de espetáculos abre a 07 de fevereiro, no mesmo horário, com a “Vespa” de Rui Horta, peça que estreou no CCVF em abril do ano passado, aquando da celebração dos seus 60 anos de vida, e que agora é reposta no GUIdance. Um solo, interpretado pelo próprio. Uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Um espetáculo extremamente pessoal, em que teve de lidar consigo próprio através da solidão e do confinamento, testando os limites da mente e do corpo. Após 30 anos de ausência dos palcos, o coreógrafo e bailarino português – em destaque nesta edição – dança existência fora, projetando num plano infinito a ideia do eterno começo, criando futuros.

 

E nesse lugar imaginário vive a peça de Patricia Apergi, “Cementary”, espetáculo que esteve em residência artística no Centro de Criação de Candoso (Guimarães) e se apresenta agora em estreia nacional no palco do CCVF a 08 de fevereiro, também às 21h30, assinalando a segunda visita de Patricia Apergi à cidade berço e ao GUIdance, depois da presença no festival em 2015 com “Planites”. Neste espetáculo, a coreógrafa grega continua a indagar sobre um tópico central na sua obra, o labirinto urbano, focando-se agora na cidade como lugar de caos. Um lugar de abandono, onde vagueiam os sem-abrigo, onde edifícios que outrora tinham vida são largados à ruína, lugar que foi de encontro e efervescência, mas que no futuro será sinónimo de desolamento.

 

O “Jaguar”, de Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk, irrompe palco dentro na noite seguinte às 21h30. “Jaguar” é um cruzamento de inspirações que brotam muitas vezes sem controlo e que fazem da arte o que ela deve ser: uma força incontrolável, que não se fecha em rótulos ou denominações, mas que voa livre na cabeça de quem cria. E da cabeça passa para o corpo, que prolifera uma dança sem restrições. Marlene Monteiro Freitas é uma força da natureza e por isso esta criação não podia ter outro nome que não “Jaguar”, que explode natureza nos seus mais diversos e amplos sentidos.

 

Chegando ao último dia do festival, no dia 10, às 18h30, encontramos “Titans” de Euripides Laskaridis com todo o poder que o lugar da ficção nos reserva. Nesta peça, que chega ao GUIdance como um lembrete da frágil condição humana, evocando a importância de todos os fracassos, Euripides Laskaridis trabalha em estreita colaboração com o figurinista Angelos Mendis e cria um cenário apocalíptico para explorar a perseverança da humanidade diante do desconhecido. O desespero perante o fim da razão, um mundo desolador que evoca uma era em que os titãs governavam o universo. “Titans” traz à cena criaturas dos sítios mais recônditos da mente para refletirmos sobre quem somos, assinalando o quão frágil e enganador é o arquétipo da perfeição.

 

A viagem termina neste mesmo dia, às 21h30, com o regresso da companhia belga Peeping Tom que depois de “Moeder” (Mãe) – espetáculo apresentado no 12º aniversário do CCVF – nos traz, agora, “Vader” (Pai), a primeira parte desta trilogia em torno da família. “Vader” reflete sobre a decadência, o vazio, a indiferença e a fúria a que estamos sujeitos quando a vitalidade nos abandona, socorrendo-se, ainda assim, de algum humor. A ação passa-se num cenário que nos remete para um lar de idosos, muito semelhante a uma cave, um lugar onde somos muitas vezes deixados ao abandono. Um retrato de um lugar que nos remete para a solidão no fim da vida, obrigando a uma introspeção sobre um filme que já (quase) acabou. No final desta edição, regressamos, assim, àquilo que a dança em si (sempre) transporta: a relação entre o ser humano. Porque também isso carece de urgência na sua reinvenção.

 

As habituais e indispensáveis atividades paralelas juntam-se ao cartaz principal para aproximar público, artistas, escolas e pensadores, estreitando ligações e o saber inerente ao processo criativo, afirmando o GUIdance como um importante acontecimento artístico no calendário de inverno. Destas fazem parte as masterclasses com as companhias Wayne McGregor e Peeping Tom (dias 02 e 09, respetivamente), conversas pós-espetáculo com os artistas (dias 01, 03, 08 e 10), debates moderados pela jornalista Cláudia Galhós (dias 03 e 10), conferências para escolas protagonizadas pela mesma (dias 08 e 09) e sessões que levarão os artistas Joana von Mayer Trindade e Rui Horta às escolas do concelho de Guimarães (dias 01 e 06). O meeting point do festival, após os espetáculos, tem lugar marcado no Café Concerto do CCVF.

 

À semelhança dos anos anteriores, as apresentações do GUIdance desdobram-se entre o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e a Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do CCVF, do CIAJG e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. O preço dos bilhetes varia entre os 10,00€ e os 3,50€ e há ainda a possibilidade de adquirir diferentes assinaturas para o festival. Os alunos que frequentam Escolas de Artes Performativas têm um preço especial de 4,00€ nos espetáculos. O programa completo do GUIdance pode ser consultado em www.ccvf.pt.

 

GUIdance 2018

Festival Internacional de Dança Contemporânea

 

PROGRAMA

 

QUINTA 01 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Autobiography [estreia nacional]

Company Wayne McGregor

 

SEXTA 02 fevereiro

CCVF / pequeno auditório | 21h30

O Limpo e o Sujo

Vera Mantero

 

SÁBADO 03 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 18H30

Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre

Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão

 

SÁBADO 03 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Humanário [estreia absoluta]

Rui Horta

 

QUARTA 07 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 21h30

Vespa [reposição]

Rui Horta

 

QUINTA 08 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Cementary [estreia nacional]

Aerites Dance Company / Patricia Apergi

 

SEXTA 09 fevereiro

CCVF / pequeno auditório | 21H30

Jaguar

Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk

 

SÁBADO 10 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 18H30

Titans [estreia nacional]

Euripides Laskaridis

 

SÁBADO 10 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Vader

Peeping Tom

 

ASSINATURAS

 

ASSINATURA 5 ESPETÁCULOS  (à escolha) 30,00 eur

ASSINATURA 4 ESPETÁCULOS  (à escolha) 25,00 eur

ASSINATURA 3 ESPETÁCULOS (à escolha) 20,00 eur

Pedro Cabral Santo apresenta “Endless” no Centro Cultural Vila Flor (Inauguração da exposição, 27 janeiro, 18h00)

Pedro Cabral Santo apresenta “Endless” no Centro Cultural Vila Flor

Inauguração da exposição está marcada para este sábado, 27 de janeiro, às 18h00

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“Endless” é o título da exposição de Pedro Cabral Santo que irá habitar a área expositiva do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, nos primeiros meses do ano. A inauguração da exposição está marcada para este sábado, 27 de janeiro, às 18h00. No piso 0 do Palácio Vila Flor, o público poderá encontrar um conjunto de obras que o artista tem vindo a produzir ao longo da sua carreira. No piso 1, Pedro Cabral Santo apresentará uma obra inédita, intitulada “Comunidade”, uma instalação/site specific em que o artista presta uma homenagem a várias pessoas que tiveram influência no seu percurso profissional.

 

Organizando-se numa disposição criativa que atenta contra as lógicas mercantilista, a arte de Pedro Cabral Santo parece escapar às práticas apressadas de avaliação, aquisição e venda. Por meio de um conjunto de peças sensíveis, cuja presença está fora do esquema tutelar da componente economicista da arte, o artista estabelece relações com diferentes tipos de objetos e materiais que, pela sua natureza, são trabalhados e associados através de uma visão pessoal; dá prioridade a sentimentos cujos particularismos prosperam em ambientes de relações humanas intensas e poderosamente intimistas. A exposição de Pedro Cabral Santo, no Centro Cultural Vila Flor, reflete problemas sobre a finalidade da obra e do papel do artista perante o público recetor.

 

Hoje, paira sobre a arte uma espécie de crise de identidade, em que a presença do negócio e do mercado, deformam o seu significado original. Numa sociedade de consumo, o dinheiro compra tudo, mas também controla o que acontece; quanto mais as comunidades evoluem e se diferenciam tecno-cientificamente, parecem menos dispostas a cooperarem em processos tão simples e despojados, como o gozo de sentir o gosto na pacificação e contemplação. O simbólico, o misterioso, o inacessível, o obscuro, o imprevisto, perderam a sua energia transformadora, havendo sinais preocupantes quanto à banalização, vulgaridade, esgotamento, saturação das manifestações artísticas...

 

Face à mudança de paradigma, o posicionamento ético de Cabral Santo assume grande relevância. Em primeiro lugar, a sua prática criativa concretiza-se segundo uma honestidade inusitada e uma forma impoluta e extremamente íntegra de se posicionar no mundo. Em segundo, quando os artistas são vistos como alvos a perseguir, valor de referências compreendidas pelos compradores/consumidores, Cabral Santo move-se no meio artístico, de maneira autónoma e independente, explorando problemas complexos do processo criativo e do dilema do autor na sua relação com o mercado. A obra deste artista não se submete às lógicas do mercado, nem à necessidade de elaborar discursos que a justifiquem e diferenciem das demais, recusando factos e argumentos; estes são as duas faces da mesma moeda; o mercado da arte, que deseja persuadir e convencer para vender e negociar, está contaminado por irregularidades de critério e valoração.

 

Assim, neste momento estranho onde prolifera a imposição de discursos, a obra de Cabral Santo, vagueia silenciosamente nos interstícios do sistema, acompanhada pelo seu imaginário pessoal, como circuito de informação paralelo; sem se anunciar alternativo, autónomo, independente ou livre, prefere funcionar como contrapeso anónimo e discreto, relativamente a esquemas ostensivos de relações públicas, repletos de narrativas avalizadoras, muitas vezes vagas e imprecisas, sustentadas em textos de leitura e interpretação redundantes.

 

A avaliação de uma obra estrutura-se segundo a dimensão da procura, o que distorce desde logo os princípios de uma ética do trabalho que, segundo Bauman, é uma “labuta dura e constante, considerada receita para uma vida meritória e piedosa, uma regra básica da ordem social”. Quando a apreciação positiva é argumentação crítica, declarações voláteis, pragmáticas, materialistas, calculistas e mensuráveis a favor de determinada obra, essa ética é deturpada.

 

A obra de Pedro Cabral Santo encontra os seus fundamentos na simplicidade de processos e materiais, muitos deles de natureza perecível; numa atitude de recusa face a um sistema que faz valorações quantitativas baseadas no tempo de vida das obras, o artista mostra-se indiferente, preferindo um caminho solitário. Simultaneamente reitera ser possível alcançar-se um estado de razoável “felicidade subjetiva”, que depende de valores não negociáveis. Assim, as suas peças são estranhas a avaliações e quantificações, isto é, insuscetíveis de serem trocadas numa lógica consumista. A sua obra pode ser entendida como doação, algo que espera reações e se dá ao mundo sem restrições, nem limites; nela está implícita a esperança de mudar, procurando um mundo melhor em que, segundo o projeto modernista, a arte seria um dos principais veículos de propagação e uma das dimensões mais importantes da vida. Julgava-se que a cultura desencadearia liberdade, autonomia e independência, assim como no sentido crítico.

 

É a utilização de imagens vulgares o que melhor exibe o distanciamento ético e irónico do artista, face ao poder tecnológico e à invisibilidade das forças do mercado; a descodificação da obra de Cabral Santo dá-se a vários níveis, de acordo com o suporte que utiliza e o modo como os associa, e só esta forma de compreensão nos permite discernir as sobreposições de um trabalho heterogéneo, experimental, lúdico, despojado, simples e cru, muitas vezes não detetável ao primeiro contacto. Não procurando soluções agradáveis efeitos fáceis, nem atavios visuais, o autor tece, com um rigor quase científico, visões irónicas e idiossincráticas sobre o mundo, sujeito a um ordenamento tecnocientífico global. Cabral Santo recusa, de maneira indireta, a visão normativa da arte e faz uma apologia, através da sua liberdade pessoal, da recuperação do espírito de artífice, sentido como direito de experimentar sem concessões. As suas peças evidenciam uma negação subtil, por meio de abordagens corajosas num contexto cultural que fomenta cedências e dependências. 

 

A obra de Pedro Cabral Santo permite aceder a um espírito peculiar em conflito consigo próprio e com o mundo, envolvido numa pesquisa de carácter expedicionário, curioso e sensível que perceciona experiências construtivas, abrangentes e íntimas que são o fruto do seu discernimento pessoal. O seu trabalho reafirma a importância de um esforço, de uma luta por oportunidades de atingir plenitudes de sentido, num processo de autodescoberta que realça as qualidades pessoais, face à crescente imposição de restrições limitadoras da livre escolha por parte de um sistema monotemático.

 

“Endless”, de Pedro Cabral Santo, poderá ser visitada até ao dia 21 de abril, no Palácio Vila Flor, de terça a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00.

 

Lista de obras

1 - 1990 - 4 chairs, 1 space

2 - 1996 - Oxido (play Europe)

3 - 2002 - Pulizia (omaggio a Piero Manzoni)

4 - 2005 - O Murro de Courbet

5 - 2008 - Sunrise (Deep in my heart I Wish to wash the sun)

6 - 2008 - Ponto Azul

7 - 2008 - 250cm d´amour a Constanti

8 - 2009 - Su Pressione

9 - 2010 - Jumping Jet out of the Sky (Sea of madness)

10 - 2010 - Just a Simple Flower

11 - 2014 - Icaro II (Up, Up into the sky)

12 - 2016 - Água de Alfarroba

13 - 2017 - Pinocchio è malato

14 - 2017 - Comunidade

CCVF | Luis Miguel Cintra (está de regresso e) estreia “Um D. João Português” em Guimarães (19 e 20 janeiro)

Nova criação de Luis Miguel Cintra chega a Guimarães para a sua estreia absoluta, marcada para 19 e 20 de janeiro no Centro Cultural Vila Flor

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Esta sexta-feira e sábado, 19 e 20 de janeiro, Guimarães recebe um dos maiores nomes do teatro português, Luis Miguel Cintra, que elegeu o Centro Cultural Vila Flor para a estreia absoluta da sua mais recente criação. Construído em diferentes cidades ao longo de 2017, “Um D. João Português” chega finalmente ao palco que acolherá a primeira apresentação do espetáculo na sua versão integral. A partir de uma tradução anónima de literatura de cordel em que o nome de Molière é omisso, o espetáculo cruza um vasto conjunto de referências culturais e transforma D. João e Esganarelo numa dupla em permanente fuga, como num road movie. A peça divide-se em duas partes e decorre de forma continuada a 19 e 20 de janeiro, com o início de ambas as sessões marcado para as 21h30, no Grande Auditório do CCVF.

 

Depois de um percurso de 43 anos à frente do Teatro da Cornucópia, Luis Miguel Cintra regressa ao trabalho com um grupo de atores ligados à companhia que entretanto terminou. Ao longo de 2017, o grupo realizou quatro residências artísticas em outras tantas cidades – entre as quais Guimarães – e, em cada uma delas, partilhou com o público as diferentes fases de preparação do seu novo espetáculo, “Um D. João Português”. Após a construção de todos os segmentos, chegou finalmente a hora da estreia absoluta da versão integral, que acontecerá no Grande Auditório do CCVF nos dias 19 e 20 de janeiro.

 

Molière não foi o único autor a dedicar-se à figura de D. João. Ao longo dos séculos, o libertino inspirou obras de Tirso de Molina, Lord Byron e, talvez a mais famosa de todas, a ópera Don Giovanni, de Mozart. Luis Miguel Cintra parte de uma tradução de cordel portuguesa do séc. XVIII, anónima e em que o nome do dramaturgo francês é omisso, e evoca um conjunto de referências culturais e artísticas de vários tempos para construir um espetáculo em que D. João é, mais do que europeu, verdadeiramente português. Construído ao longo de 2017 em quatro cidades, Montijo, Setúbal, Viseu e Guimarães, o espetáculo acompanha o percurso em fuga de D. João e do seu fiel criado Esganarelo, como se de um road movie se tratasse. A vida vai-se revelando no contacto de ambos com as mais diversas realidades, da mais densa reflexão filosófica à entrega aos prazeres mais simples. Constante, porém, é a busca pela total liberdade por parte do protagonista, que tenta escapar a tudo aquilo que possa impedi-lo de viver como bem lhe apetece. Existe, ainda assim, um único limite que talvez não lhe seja possível transpor: a morte.

 

Mais do que preparar, desde logo, um produto acabado pronto a consumir, o processo de trabalho que deu origem a “Um D. João Português” procurou dar ao público a possibilidade de participar numa reflexão sobre a transformação da atividade artística. Em simultâneo, do ponto de vista artístico, este projeto implicou uma busca permanente pela libertação da linguagem cénica de quaisquer modelos previamente estabelecidos, assumindo diferentes formas de abordagem de acordo com as caraterísticas de cada local, misturando estilos e registos, referências culturais populares e eruditas, clássicas e contemporâneas.

 

Na sua forma integral, “Um D. João Português” junta em palco um corpo de 18 atores e apresenta-se dividido em duas partes: no primeiro dia vamos poder assistir aos primeiros dois blocos, Na Estrada (da Vida) e O Mar (e de Rosas); no segundo, aos dois restantes, As Árvores (dos Desgostos) e A Escuridão ao Fim da Estrada. Depois da estreia em Guimarães, esta coprodução da Companhia Mascarenhas-Martins, do Teatro Viriato e do Centro Cultural Vila Flor fará um percurso no sentido inverso ao da sua preparação, com apresentações marcadas no Teatro Viriato, Fórum Municipal Luísa Todi, Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida, e adicionando uma nova cidade ao roteiro: Almada, no Teatro Municipal Joaquim Benite.

 

Os bilhetes para “Um D. João Português” (válidos para a parte I (sexta) e parte II (sábado)) podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor, do Centro Internacional das Artes José de Guimarães e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.