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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

FUGA SEM FIM de Victor Hugo Pontes| CULTURGEST | 11 E 12 DE JANEIRO | 21H30M

O ESPETÁCULO FUGA SEM FIM SERÁ APRESENTADO NO GRANDE AUDITÓRIO DA CULTURGEST EM LISBOA NOS PRÓXIMOS DIAS 11 E 12 DE JANEIRO, ÀS 21H30M

 

Direção Victor Hugo Pontes Realização e edição vídeo João Paulo Serafim Direção técnica e desenho de luz Wilma Moutinho Música original Rui Lima e Sérgio Martins Interpretação Bruno Senune, Liliana Garcia, Marco Ferreira, Pedro Rosa e Valter Fernandes Estagiária à criação Sara Correia Aconselhamento dramatúrgico Madalena Alfaia Maquilhagem Inês Varandas Coprodução Companhia Instável, Centro de Artes Performativas do Algarve, O Espaço do Tempo e Centro Cultural Vila Flor Apoio Fundação Calouste Gulbenkian, Nome Próprio Apoio à residência Teatro Nacional de São João, Fundação Porto Social Apoio logístico LNB Carmo Benta, Lda. Agradecimentos Osvaldo Martins, Joana Ventura Estreia 5 de novembro de 2011 no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

 

Paulo Serafim encontraram-se pela primeira vez, para a criação do espetáculo Ensaio. Desde então, ambos os criadores mantiveram a vontade de trabalhar juntos novamente. Para tal, elegeram um tema transversal às áreas de trabalho de cada um: a ideia de «fuga».

O movimento (e a dança) trabalha sobre a alternância de momentos de encontro e de fuga. As imagens (e a fotografia) trabalham sobre o tópico do ponto de fuga. O mote para a criação de Fuga Sem Fim foi a perseguição que acontece no filme Blackmail, de Alfred Hitchcock. Contudo, o facto de

o ponto de partida ter sido uma criação cinematográfica não significa que Fuga Sem Fim seja um trabalho sobre cinema: aquilo que aqui importa é a ideia de fuga, por um lado, enquanto ação / movimento em si, enquanto percurso coreográfico; por outro lado, a ideia de fuga enquanto procura das

origens do trabalho criativo, com vista a um entendimento mais nítido das razões pelas quais o espetáculo assume esta forma.

A fuga é um impulso recorrente no ser humano, com reminiscências ancestrais e projeções futuras – o homem foge desde sempre, quer seja de um território, de uma circunstância histórica, das outras pessoas, da guerra, do compromisso, da miséria, do amor, de si próprio. Fuga Sem Fim centra-se

na reflexão sobre o ato criativo, quer enquanto “artefacto”, “construção deliberada” e “ficção”, “simulacro de realidade”, quer enquanto procura de uma saída, de várias respostas, da ideia de fuga como exemplo de afirmação – do seu contrário.

 

Fugir de Mim

 

De que fugimos? Cada um terá a sua resposta.

Quando Victor Hugo Pontes iniciou a criação do espetáculo Fuga Sem Fim, a pergunta foi colocada aos cinco intérpretes. E a resposta mais recorrente foi: “Fujo de mim”. Depois, encontrou outra forma de pensar o mesmo tema, num enquadramento muito atual, nessa música histórica de José Mário Branco, “FMI”, quando canta: “Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo”. Nascido em 1978, Victor Hugo Pontes, que até faz parte de uma geração que não quer abandonar o país mas sente que cada vez se torna mais difícil persistir em ficar, termina o espetáculo com a ideia de “ponto de fuga”. Ou, nas palavras do criador, muitas perguntas. Para onde vamos? Que futuro temos? O que há de vir que está sempre por alcançar… […]

Cláudia Galhós em “ACTUAL”, 5 de novembro de 2011, Expresso

 

Nas palavras de Tiago Bartolomeu Costa, para a P2 em 6 de janeiro de 2013, "O espectáculo que apresenta na Culturgest é imediatamente anterior a A Ballet Story, que criou em estreia para a Capital Europeia da Cultura e que foi, para os críticos do PÚBLICO, a melhor coreografia de 2012. Visto agora percebe-se melhor porque é que, com o tempo, os corpos que vai manipulando em palco começam a perder a gravidade dos grandes gestos e começam a encontrar, na falência do detalhe, a força que os estrutura. Será preciso dar um passo atrás, recuar até 2007, quando em Ensaio (O Estado do Mundo, Gulbenkian), Victor Hugo Pontes, então já com João Paulo Serafim, deixava que o discurso da ensaísta Susan Sontag contaminasse as relações entre a falência do corpo que é fixado pela imagem e a abstracção que a partir dessa fixação fica subentendida, para entendermos este Fuga sem fim. Habitam na coreografia as convulsões provocadas por essa relação de contrastes, de contraditórios, de complementos."