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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

PASSATEMPO HERODIADES

O Blog Cultura de Borla em parceria com os ARTISTAS UNIDOS tem bilhetes duplos para HERODIADES no Teatro DA POLITÉCNICA para o dia 21 de Janeiro às 19h aos primeiros leitores que enviarem um mail para culturadeborla@sapo.pt com a frase "Eu quero ver HERODIADES com o Cultura de Borla" com nome, BI, contacto.

 

 

HERODÍADES de Giovanni Testori

herodiades_3HERODÍADES de Giovanni Testori Tradução Miguel Serras Pereira Com Elmano Sancho Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Video Actor Leandro Fernandes Imagem José Luis Carvalhosa Montagem Miguel Aguiar Produção Vânia Rodrigues e Andreia Bento Encenação Jorge Silva Melo

Agradecimentos: Re.AL, Galeria Graça Brandão, TNDM II, Teatro O Bando e Sonoplastia Rui Rebelo.

4ª 11 às 21h00 | 5ª 12 às 19h00 | 6ª 13 às 19h00 | Sáb 14 às 19h00
4ª 18 às 21h00 | 5ª 19 às 19h00 | 6ª 20 às 19h00 | Sáb 21 às 19h00

Então as orelhas
lhe havia de esfregar,
de esfregar e lamber,
e de tudo fazer
com o músculo da língua,
delas extraindo
a cera que - argamassa
de num ninho de andorinhas
e de andorinhaças -
lá se depusera
desde a última limpeza.
Giovanni Testori, Herodíades

herodiades_2 Este é um dos três Prantos que, no final da sua vida intensa, escreveu Giovanni Testori (1923-93). Intensa variação sobre a morte de São João Batista e do desejo recalcado de Herodíades, é obra inclassificável, como o é o seu autor que agora revelamos em Portugal. Provavelmente, trata-se de um ajuste de contas, como ele mesmo disse, com a tradição de onde vinha, e de que nunca se afastara, o catolicismo. Quer a religião ingénua que a mãe lhe terá transmitido, quer a tumultuosa reflexão que os grandes artistas do barroco (e do barroco lombardo). Testori, o autor das novelas que deram origem ao Rocco de Visconti, o tradutor de Rimbaud e de São Paulo, foi um dos maiores inventores do teatro do século XX, propondo, no final da vida, uma reconciliação dramática entre a doutrina católica e o ardor sexual, o vitupério e a caridade, à procura  do lugar “daquele que traz o escândalo”. E, estupefactos, ouvimo-lo no seu combate com a linguagem, com o corpo, com a nudez da cena, com o espectáculo de feira, com a pobreza. Nas origens  e em continuidade de tanta arte que se faz e se fez em Itália, sulfuroso, paradoxal, transpirado, sujo, lírico e ordinário, um teatro indispensável.