Circular Festival de Artes Performativas | 19 a 29 de setembro, Vila do Conde
ENCONTRO, PARTILHA E REFLEXÃO NA 20.ª EDIÇÃO DO CIRCULAR
Passeios pedonais em zona de barcos sem terra e em espaços apenas sem chão; a dança contemporânea entre o clubbing e as danças tradicionais; viagens no tempo e revisitações performativas e até afrontamentos femininos; fotografias e poemas cinematográficos; ações na escola e sobre ela; música em sala, no café e na rua, tudo dentro de um programa especial e alargado, para assinalar um número redondo e simbólico na edição de 2024 do Circular Festival de Artes Performativas, em Vila do Conde.
O Circular Festival de Artes Performativas comemora em 2024 a sua 20.ª edição, um número redondo e simbólico, assinalado por um programa multidisciplinar, alargado e celebrativo, composto por múltiplas vozes, nacionais e internacionais, onde haverá espaço para encontro, partilha e reflexão. São cerca de 20 os eventos propostos, entre espetáculos, performances, workshops, conversas, concertos e exposições, que se revelam de 19 a 29 de setembro, em Vila do Conde.
No ano em que se celebram os 50 anos da Democracia, o festival procura também, através da diversidade de expressões e géneros e de visões plurais, questionadoras e atentas à complexidade do nosso tempo, compreender e interrogar a realidade e atribuir-lhe renovados sentidos.
Nesta edição de celebração, um destaque ainda para as propostas de rua, perspetivando o acesso livre ao espaço coletivo e um maior envolvimento com a cidade e com o público.
Um programa alargado e celebrativo
O festival arranca com a remontagem deHolofáutico, dos artistas multidisciplinares Daniel Moreira e Rita Castro Neves (19 e 20 SET, 20:00, Estaleiros Navais), um percurso performativo num espaço de barcos em terra, refletindo a sua experiência e aprendizagem sobre as histórias e técnicas da construção naval, atividade identitária do cenário vilacondense.
Em estreia nacional, apresenta dois espetáculos de dança: The Dancing Public, da coreógrafa dinamarquesa Mette Ingvartsen (21 SET, 21:00, Teatro Municipal), uma peça que nos incita a dançar e acentua a dimensão social da dança em coletivo numa espécie de clubbing, remetendo para as coreomanias ou manias da dança; e g r oo v e, um solo intimista da bailarina e coreógrafa Soa Ratsifandrihana (28 SET, 18:00, Teatro Municipal), que convoca a sua herança malgaxe, da ilha vermelha de Soa (Madagáscar), de onde é natural, para nos levar a apreciar o elementar prazer que advém do ato de dançar.
Em parceria com a Solar Galeria de Arte Cinemática / Curtas Vila do Conde, o Circular apresenta um programa com a artista e cineasta Ana Vaz, que inclui os poemas cinematográficos da exposição O que aconteceu ainda está porvir (21 SET, 18:00, Solar), a leitura performativa Lysboa, Paraguay (22 SET, 18:30, Teatro Municipal)e uma sessão com os filmes Occidente; Há Terra!; Apiyemiyekî? e A Idade da Pedra (25 SET, 21:30, Teatro Municipal), abordando de forma crítica as relações entre o mito e a história colonial. A convite de Ana Vaz, e no âmbito do projeto CAVE, inaugura também Espaço para dia sem sol, a primeira exposição individual da artista brasileira Isadora Soares Belletti.
Não poderia faltar o lançamento de mais um Jornal Coreia #11 (21 SET, 16:30, Centro de Memória), um número especial editado em parceria com o festival catalão Sâlmon. Sónia Baptista apresenta o singular e divertido Sweat Sweat Sweat (21 SET, 22:30, Auditório Municipal), uma peça autobiográfica sobre as mudanças vividas no corpo e no espírito num processo de envelhecimento.
Para celebrar estas 20 edições, não poderia faltar a música, com várias propostas: o DJ set de arranque de Alfredo e Né / Sensible Soccers (20 SET, 22:00; Pátio Café); o espetáculo multidisciplinar imersivo de Gil Mac e Henrik Ferrara (27 SET, 22:30, Auditório Municipal), a partir da história da música eletrónica; a improvisação de voz e flauta de Clara Saleiro & Mariana Dionísio (28 SET, 21:30, Teatro Municipal), com base numa peça da compositora Kate Soper; o diálogo musical entre os artistas residentes do Supernova Ensemble e Silvestre Pestana (28 SET, 22:30, Teatro Municipal), incontornável artista visual e performer, em Stage Vitrine; e, para fechar em grande, o concerto vibrante e percussivo de Drumming, do compositor Carlos Guedes (29 SET, 19:00, Largo do Convento do Carmo), que encerra o festival.
Ainda duas viagens no tempo: dezasseis anos passados desde a apresentação de The Curator´s School, Rogério Nuno Costa regressa à ESMAD – Escola Superior de Media Artes e Design, com Multiversidade, uma meta-escola não convencional que se desdobra em laboratório experimental e performance (25–27 SET, 14:00 + 28 SET, 16:00, ESMAD); e Joclécio Azevedo remonta a peça Apesar das Evidências (27 SET, 21:30, Auditório Municipal), criada em 2003, agora devolvida numa versão retrabalhada com outro corpo e outro tempo.
Ana Rocha & Gio Lourenço desenham, a convite do Circular, um percurso nas ruas de Vila do Conde em Toda a Gente Vai (26 SET, 18:00, Mercado Municipal), recorrendo ao gesto, voz e texto, numa reflexão sobre as dialéticas em torno do Mesmo e do Outro e sobre o Comum.
Destaque ainda para a oficina orientada pela artista, antropóloga e investigadora brasileira Fernanda Eugenio, Modo Operativo And (28 e 29 SET, 15:00, Centro Documentação José Régio), assente na ética de cuidado e reparação, e para a conversa sobre arte e educação(29 SET, 18:00, Centro da Juventude), programada por Magda Henriques, com os oradores José Pedro Serra, Jorge Ramos do Ó e Cláudia Dias.
Um último destaque para a exposição no foyer do Teatro Municipal, uma seleção de fotografias que assinalam as 20 edições do Circular, com registos de espetáculos entre 2005 e 2023, da autoria de Margarida Ribeiro e Susana Neves.
Com foco no futuro
O Circular é uma iniciativa financiada pela Câmara Municipal de Vila do Conde e pelo Governo de Portugal – Cultura/ Direção-Geral das Artes.
Os espetáculos e atividades do Circular 2024 vão ter lugar no Teatro Municipal, Auditório Municipal, Solar Galeria de Arte Cinemática, Centro de Memória, Estaleiros de Azurara, Praça do Convento do Carmo, Conservatório de Música, Teatro e Dança, Centro de Documentação José Régio, Espaço Vila Jovem / Centro Municipal de Juventude e ESMAD – Escola Superior de Media Artes e Design, tudo em Vila do Conde. O festival conta com várias atividades de acesso gratuito e bilhetes combinados para acesso aos vários espetáculos.
Motivado por um olhar prospetivo, mais do que retrospetivo, o Circular propõe-se continuar a trabalhar trajetórias descoberta e aprendizagem, numa ampla abrangência de temas, inquietações e formas de questionar o real.
Centenário do nascimento assinalado em Vila do conde
EDUARDO LOURENÇO NA CASA ANTERO DE QUENTAL
O Centro de Estudos Anterianos de Vila do Conde celebra o centenário do nascimento de Eduardo Lourenço com uma exposição bibliográfica da sua obra, de 23 de maio a 31 de julho, e uma palestra pelo seu atual presidente, Guilherme d’Oliveira Martins, dia 5 de junho, pelas 17h30, intituladaEduardo Lourenço, Antero de Quental e o Espírito de Vila do Conde.
A relação de Eduardo Lourenço com Vila do Conde tem a ver com a sua admiração por Antero de Quental, um dos autores da sua trindade poética celebrada em Poesia e Metafísica – Camões, Antero, Pessoa. Primeiro presidente da mesa da assembleia-geral do Centro de Estudos Anteriano em 1994 e diretor daRevista Estudos Anterianos, Eduardo Lourenço é autor de 11 ensaios sobre a vida e obra do poeta e filósofo micaelense – “um dos nossos raros, se não o único herói cultural”, segundo palavras suas –, reunidos em volume com o títuloA Noite Intacta – (I)recuperável Antero, editado pelo Centro de Estudos Anterianos, origem de outras edições, posteriores, de conteúdo levemente reduzido e título simplificado. Refira-se que a decisão de reunir todos estes ensaios não partiu do seu autor, mas sim do próprio Centro de Estudos Anterianos, depois planeado e organizado com a aprovação de Eduardo Lourenço. Entre estes textos, destaca-seA Hora de Vila do Conde, título da palestra proferida aquando da constituição do Centro de Estudos Anterianos, no dia 18 de abril de 1994, dia de aniversário de Antero de Quental.
A 23 de maio de 2024, completaria 101 anos. Eduardo Lourenço tem uma obra de vulto, sendo que a sua produção ensaística abrange diversas áreas, da literatura e da arte aos acontecimentos políticos contemporâneos, orientada por uma constante argumentação personalista, que se traduziu em mais de 40 livros e inúmeros artigos, prefácios, críticas e recensões. Foi unanimemente reconhecido no meio universitário com quatro doutoramentosHonoris Causae no meio cultural e social com a atribuição de vários prémios nacionais e internacionais, para além de condecorações dos estados Português, Francês e Espanhol, entre inúmeras outras homenagens. Eduardo Lourenço deixa-nos um legado que o perpetuará na história da cultura portuguesa.
exposição bibliográfica Eduardo Lourenço, centenário do nascimento
23 MAI—31 JUL terça a domingo, 10:00–12:30; 14:30–19:00
palestra Eduardo Lourenço, Antero de Quental e o Espírito de Vila do Conde
A Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde promove a 5ª Exposição/Venda ‘O Artesanato e os Santos Populares’, a decorrer de 7 a 30 junho, no Auditório Municipal de Vila do Conde, contando com a participação de vários artesãos nacionais.
Inserida no âmbito das Festas em honra de São João, Santo Padroeiro de Vila do Conde, a iniciativa acontece também com uma loja online, através do sitewww.santosemcasa.com, disponível já a partir de hoje.
Pretende-se com esta exposição incentivar a produção artesanal, nas suas vertentes tradicionale contemporânea, apelando à qualidade e à inovação enquanto fatores indispensáveis ao desenvolvimento e afirmação do setor das artes e ofícios portugueses.
A iniciativa, desenvolvida com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, conta com a participação de mais de meia centena de artesãos que assim terão oportunidade de expor e vender as suas peças alusivas aos Santos Populares (Santo António, São João e São Pedro).
5ª Exposição/Venda ‘O Artesanato e os Santos Populares’
Manifestação popular e artística com base na recolha de histórias de liberdade Imagem, música e palavra no 1.º de maio em Vila do Conde
50 anos depois, Vila do Conde é convocada para uma manifestação, um novo 1.º de maio, chamando todos a participar! Um espetáculo multidisciplinar que cruza imagem, música e palavra, a partir das memórias, arquivos e histórias de liberdade das gentes do concelho. Uma celebração e uma homenagem a todos os que ajudaram a construir a sociedade democrática e livre em que vivemos hoje. As imagens do 1.º de maio de 1974 em Vila do Conde mostram a afluência massiva da população à celebração da liberdade democrática, neste que constitui o primeiro momento de manifestação pública e livre, poucos dias depois do 25 de Abril. É este o ponto de arranque do SEMPRE, histórias de liberdade, um projeto coletivo multidisciplinar evocativo dos tempos de abril, a partir da exploração dos arquivos e coleções pessoais recolhidos junto dos que viveram o período da revolução em Vila do Conde.
Estes testemunhos, fotografias e documentos reunidos são trabalhados de forma multidisciplinar, cruzando imagem, música e palavra, no âmbito de uma residência artística, resultando daqui um espetáculo único, apresentado no 1.º de maio de 2024, pelas 21h30, no Mercado Municipal de Vila do Conde. Mas o projeto não fica por aqui. Dirigindo-se a vários públicos e gerações, SEMPRE, histórias de liberdade lança um apelo à população para a recolha destas memórias e arquivos, com o objetivo de serem mostrados mais tarde, em outubro, no âmbito de uma exposição e de uma publicação. Nesta altura será também lançada uma K7, uma edição de autor que apresenta o registo do imaginário áudio-musical de todo este processo.
SEMPRE, histórias de liberdade não procura com isto a imagem completa, não pretende documentar, mas sim cruzar conteúdos num espaço conceptual de experimentação, promovendo novas reflexões sobre democracia, cidadania e liberdade e procurando mostrar a importância destes valores, especialmente junto das novas gerações. É, acima de tudo, uma celebração, que procura, ao mesmo tempo, projetar um futuro, na perspetiva da passagem do testemunho, chamando todos a participar!
O projeto é desenvolvido pela Noites Claras Associação Cultural, em parceria com a Câmara Municipal de Vila do Conde, no âmbito da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril em Vila do Conde. Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.
— PROGRAMA 1 de maio, 21h30 Manifestação popular e artística Um espetáculo multidisciplinar celebrativo dos tempos de abril, desenvolvido em contexto de residência artística com base no cruzamento da imagem, música e palavra, entre o documental e o afetivo, a partir da exploração dos arquivos e memórias pessoais da comunidade vilacondense. Mercado Municipal de Vila do Conde
até 14 de junho Apelo à participação! Tempo de abrir as gavetas e sacudir o pó: procuramos arquivos e coleções pessoais de quem viveu o período da revolução do 25 de Abril em Vila do Conde; fotografias, histórias, testemunhos, documentos, diretos ou indiretos, que contribuam para registar e difundir a memória da cidade. SEMPRE.historiasdeliberdade@gmail.com
19 de outubro Exposição, publicação e K7 O ponto de encontro e de registo das histórias de liberdade reunidas junto da comunidade vilacondense; um suporte de apresentação dos testemunhos, arquivos e coleções pessoais recolhidos; uma extensão do processo de criação do objeto artístico apresentado a 1 de maio. Vila do Conde [local a indicar]
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Iniciativa Noites Claras Associação Cultural
Parceria Câmara Municipal de Vila do Conde
Apoio Associação 25 de Abril
Buscapólos Associação Cultural
Bind'ó Peixe Associação Cultural
APACVC – Associação dos Profissionais das Artes e Cultura de Vila do Conde
da Cinemateca Portuguesa,apresentam a19ª edição da ANIMar: uma viagem visual e sensorial à fronteira entre o mar e o cinema, com filmes, sons, sessões e atividades pensadas para os mais diversos públicos.
Escapando à tendência habitual de se focar no Cinema de Animação, esta edição propõe, a partir de 2 de março, um programa centrado na história do Cinema Português, que passa por: uma exposição principal, ciclos de cinema, conversas, assim como pelas visitas guiadas e oficinas temáticas, orientadas peloServiço Educativo do Curtas Metragens CRL.
A inaugurar a 3 de março, com a participação de Tiago Bartolomeu Costa, a exposição, organizada pela Galeria Solar e pelo FILMar, navega por entre produções documentais, etnoficcionais e até publicitárias, todas elas intimamente ligadas ao mar. Os filmes reunidos permitem percorrer o país, as suas praias, as histórias das comunidades piscatórias, das fábricas à faina, do turismo ao medo, não para reforçar a narrativa de um país de marinheiros e pescadores, mas para interrogar que identidades múltiplas e contrastantes resistiram à definição limitada e humilde que durante tantos anos se impôs como verdadeira.
Paralelamente, permanecendo fiel à sua principal missão, o ANIMar cultiva dinâmicas formativas com a comunidade educativa da Região Norte através de diferentes iniciativas. Além de visitas guiadas adaptadas a diversos públicos, são levadas às escolas sessões de Curtas sobre o Mar, pensadas em função de diferentes faixas etárias, assim como oficinas de curta e longa duração, que promovem o ensino e prática da criação cinematográfica, pela mão dos próprios artistas.
Tendo em mente os 50 anos da Revolução do 25 de Abril, o ANIMar promove ainda duas novas iniciativas que celebram uma das datas de maior relevância nacional. Nascem assim as Conversas de Abril, que ocuparão o espaço da Loja das Curtas adjacente à Galeria. Abertas ao público, estas tertúlias criam espaço para a partilha de histórias e estórias em torno da Revolução dos Cravos. Surge também um conjunto de sessões de cinema, as Curtas de Abril, que fará chegar às escolas da região imagens e narrativas reminescentes da ditadura, resistência e liberdade.
A exposição permanente, com entrada gratuita, estará aberta de segunda-feira a sábado, das 14:00 às 18:30. Toda a programação pode ser consultada no site da galeria e nas redes sociais, sempre atualizadas com todas as novidades.
Entre a escrita, o cinema e a prática artística, Isadora Neves Marques pensa criticamente matérias prementes do pensamento contemporâneo numa linguagem própria de (auto)ficção. Isadora Neves Marques apresenta na SOLAR - Galeria de Arte Cinemática a exposição Há, de facto, um fim? que inaugura no próximo sábado, dia 2 de dezembro, pelas 17h00. Íntima e perspicaz, esta trama coloca em diálogo quatros obras da artista, duas das quais contam com a colaboração de HAUT / Fá Maria, artista e compositore que ocupará o espaço CAVE com a instalação inédita ANIMAL.
Lugares | Exposição de Maria Pratas | 16 de novembro a 20 de dezembro
Vila do Conde Porto Fashion Outlet
No âmbito da iniciativa ‘Local is Beautiful’ - que tem como objetivodestacar artistas portugueses, cujo trabalho se caracteriza pelo uso de materiais nacionais sustentáveis, e com um elevado foco e preocupação pela natureza e pelo meio ambiente – a artista Maria Pratas apresenta a exposição ‘Lugares’. Estará patente no Vila do Conde Porto Fashion Outlet entre os dias 16 de novembro e 20 de dezembro.
A artista, que mistura têxteis, fibras naturais e madeira, contará com seis obras em exposição no centro de Vila do Conde, num modelo dewindow gallery.
Maria define-se como uma exploradora de territórios têxteis e de alma curiosa para criar esculturas ecléticas definidas por diferentes técnicas."Quando viajo ou quando percorro trilhos na costa, regresso a casa sempre com uma coleção de pedaços cerâmicos, raízes, cordas abandonadas ou objetos que me chamaram a atenção."É nesta verdadeira caixa de tesouros e nas memórias de imagens arquivadas que ficam esses lugares onde Maria, emergida no processo criativo, procura o gatilho e o poder de levar as pessoas para novos lugares.
Uma grande montra colectiva em Vila do Conde DESTAQUES DO SEGUNDO FIM-DE-SEMANA DA MONTRA
O segundo fim-de-semana de programação da montra – mostra de arte propõe uma performance / dança e um fim de tarde com raridades musicais, assim como um salto à Póvoa de Varzim...
Uma das novidades da 4.ª edição da montra – mostra de arte é a ponte estabelecida com o FIS – Festival Internacional de Solos, que tem lugar na Póvoa de Varzim. A convite deste festival, a montra leva até à cidade vizinha a exposição (M)AR, do artista plástico vila-condense Filipe Larangeira, com um conjunto de peças que evocam a atmosfera como lugar de discussão de ideias e construção de sonhos, apresentadas na Mercearia Paulino e no Cine-Teatro Garrett. A exposição arranca na sexta-feira, 10 de novembro, pelas 18h30, estendendo-se até dia 26.
Por sua vez, o FIS traz a Vila do Conde o solo Macaquinho do Chinês, da jovem bailarina e coreógrafa Ana Isabel Castro, uma performance / dança que tem lugar no Malhão Fashion Store, no sábado, 11 de novembro, pelas 18h30, explorando a ideia de imobilidade do corpo através da relação com um manequim.
O dia termina pelas 19h30, com Posto de Escuta, que traz ao Mercado Municipal de Vila do Conde as colecções e raridades musicais do caxineiro Marco Castiço.
O arranque da montra, no passado fim-de-semana, foi marcado por vários outros eventos: a performance resultante da residência artística Nortear, por Mariana Sardon e Tânia Dinis, com Inês Miranda, Ricardo Ciríaco e Fábio M. Silva, uma das grandes apostas do programa deste ano, promovendo o estudo e representação da paisagem e cultura visual e sonora do território das Caxinas; a performance Ocupação Cia Excessos, de Hilda de Paulo e Tales Frey, explorando o corpo e o vestuário como centralidade discursiva; as exposições — que podem ser visitadas até 19 de novembro — Blaring Hex of Care, uma colectiva de jovens estudantes do ensino artístico na Galeria by edmundo; Corta e Cola Existencial, de Helena Rocio Janeiro, no Bosque Concept Store;Aqui do Outro Lado, do artista plástico vila-condense Francisco Laranjeira apresentada nas Mercearias Torres; Miragem, do ilustrador poveiro Luís Silva, na Sapataria S. João; e Recomeçar, uma colectiva da The Cave Photography na São João Gallery.
O projecto montra é organizado pela Noites Claras Associação Cultural, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, o apoio logístico da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde e a parceria do FIS – Festival Internacional de Solos.
Mar, ar e vento em exposição; uma incursão nas imagens e sons das Caxinas; colagens plásticas, espelhos mágicos ou humor em ilustração; pormenores da vida humana em fotografia; corpo e vestuário e suas fronteiras discursivas; o movimento de um corpo em diálogo com um manequim; experimentação e improviso em níveis sonoros e audiovisuais; música em cassete, em vinil e na mesa de mistura. Tudo isto numa grande montra colectiva em Vila do Conde, de 3 a 19 de novembro, num itinerário traçado pelas lojas do comércio tradicional da cidade, de acesso livre e gratuito.
Amontra – mostra de arte contemporânea em montras do comércio tradicional de Vila do Condeé isso mesmo: um projecto que se propõe fazer chegar a arte a todas as pessoas, muitas delas sem hábitos de consumo cultural. Amontraapresenta anualmente um conjunto de intervenções expositivas e performativas que exploram diferentes possibilidades de ocupação do espaço público e envolvimento da comunidade, numa dinâmica de circulação pedonal pela cidade e de colaboração entre artistas e comerciantes. Os projectos artísticos propostos são transdisciplinares e podem ir das artes performativas, artes plásticas, circo, dança, design, escultura, figurinos e cenografia, fotografia, literatura, música, poesia, teatro até ao vídeo.
Novidades 2023
Umas das grandes novidades desta edição é aresidência artística NORTEAR: tendo Vila do Conde como área geográfica de intervenção, promove o estudo e representação da sua paisagem e cultura sonoras, com foco no território dasCaxinas. Este estudo implica observar, escutar e interrogar os eventos sonoros das ruas, da praia, das maneiras de falar ou de cantar, identificando os sons presentes e reflectindo sobre a forma como se relacionam com a memória e vivências dos lugares. Em paralelo, a componente visual resulta de uma pesquisa, um confronto com o arquivo, os álbuns de família, documentos, outros objectos de memória e imagens reais desta zona piscatória. O processo de exploração termina com uma apresentação pública no Mercado das Caxinas, a5 de novembro, pelas 18h30, no formato de performance sonora e visual efémera.
Uma outra novidade desta 4.ª edição é a parceria com o FIS – Festival Internacional de Solos: amontravai receber num espaço comercial de Vila do Conde, a11 de novembro, pelas 18h30, a performanceMACAQUINHO DO CHINÊS, deAna Isabel Castro, um solo de dança em torno das questões levantadas pela imobilidade do corpo, apresentando depois numa loja e num espaço do Cine-Teatro Garrett, onde decorre o festival, entre11 e 26 de novembro, o trabalho(M)ARdo artista vila-condenseFilipe Larangeira.
A exposição colectivaBLARING HAX OF CAREconstitui tmbém uma das novidades deste ano,resultando deumaconvocatória dirigida aos alunos do ensino artístico, com coordenação da jovem vila-condense estudante de artes plásticas,Catarina Machado.
Destaques do programa
Ao nível das exposições, Helena Rocio Janeiro, artista plástica e autora do projectoCoração o Ditador, apresentaCORTA E COLA EXISTENCIAL,ondeexplora nos diferentes suportes das suas colagens a ideia datransformação contínua.A colectiva de fotografiaRECOMEÇAR, um projecto da The Cave Photography com os Encontros da Imagem de Braga, reúne alguns dos nomes mais promissores da arte fotográfica em Portugal.AQUI DO OUTRO LADOé uma instalação do artistaplástico vila-condense Francisco Laranjeira, uma provocação a quem passa...Nota ainda para a exposiçãoMIRAGEM, do ilustrador poveiro Luís Silva, que nos traz uma reflexão bem-humorada sobre as tecnologias da informação e as redes sociais. Todas estas exposições estarão patentes de4 a 19 de novembro.
No campo das performances, amontraarranca no dia3de novembro,pelas19h30, com a performanceOCUPAÇÃO CIA EXCESSOS, deHilda de Paulo e Tales Frey, tendo o corpo e o vestuário como centralidade discursiva.No fim-de-semana seguinte,no sábado 11 de novembro,pelas 19h30, Marco Castiço apresentaPOSTO DE ESCUTA, no qual partilha as raridades das suas colecções em vinil e cassete.O terceiro e último fim-de-semana é marcado pela apresentação nosábado, 18 de novembro, pelas18h30, da performanceFHOSFHORUS, de Francisca Dores e Henrik Ferrara, naexperimentação e no improviso sonoro e audiovisual, terminandoem festa às23 horascom osBITCH BOYS, numa noite de música com a dupla vila-condense dos irmãos Praça.
Espaços & apoios
Amontradecorre este ano de 3 e 19 de novembro, abrangendo três fins-de-semana de programação. O levantamento e selecção dos espaços tem como principal critério a criação de um itinerário pela cidade e a adaptabilidade às características das intervenções dos artistas, respondendo também ao interesse e a disponibilidade dos comerciantes.O projecto montra é organização pelaNoites Claras Associação Cultural, uma jovem associação cultural vila-condense fundada em 2022, que reflecte um colectivo transdisciplinar de criação, organização e divulgação de projectos culturais, sociais, artísticos e pedagógicos, procurando criando dinâmicas de cooperação entre os artistas e as comunidades. Amontraconta com o apoio financeiro daCâmara Municipal de Vila do Conde, com o apoio logísticoda Associação Comercial e Industrial de Vila do Condee com a parceria estabelecida com oFIS – Festival Internacional de Solos.
'Unexpected Guests', de Deborah Stratman, na Solar a partir de 8 de julho
Várias portas, por onde entram alguns convidados inesperados. Forasteiros que provocam reações, sentimentos. Destes convidados, a câmara é o mais comum. A câmara pela mão deDeborah Stratman. ASolar – Galeria de Arte Cinemática, no âmbito da parceria com oCurtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, inaugura a 8 de julho uma exposição dedicada à cineasta e artista americana, apresentando o seu trabalho num conceito expositivo original, que inclui uma obra inédita.
O trabalho deDeborah Stratmanescapa-se a rótulos fáceis. Cruzando vários tipos de media – da imagem em movimento à fotografia, escultura, desenho ou instalação – a sua obra pode ser encontrada tanto na seleção oficial dos festivais de Roterdão ou Sundance, como nas salas de importantes galerias e museus, como o MoMA ou o Centro Pompidou. Independentemente do output escolhido, o trabalho da cineasta e artista americana ocupa-se, sobretudo, da capacidade de questionar aquilo que é subjacente às coisas mundanas, às rotinas e aos comportamentos. As suas obras crescem a partir de um fascínio variado por dolinas, aves de rapina, ortópteros (insetos musicais), cometas, placas tectónicas, acústica, mineralogia e eletromagnetismo. Explorando a história, os usos, as mitologias e os padrões presentes em diferentes tipos de paisagem, o seu trabalho aponta os relacionamentos entre os ambientes físicos e as lutas de poder e de controlo que os humanos travam no território, questionando narrativas históricas elementares sobre fé, liberdade, expansionismo ou paranormal.
Mais recentemente, Stratman tem-se focado nas narrativas sobre evolução e extinção, do ponto de vista das rochas e de vários outros futuros. A geo-biosfera é apresentada como um lugar de possibilidade evolutiva, onde os humanos desaparecem mas a vida perdura. “Quero trabalhar com assuntos que me resistem, ser atormentada por ideias, estar disposta a arriscar por elas, movida por elas, é isso que me alenta”, palavras de Deborah Stratman, que diz ambicionar, sem depender da linguagem, um cinema intelectual: “Quero que o meu trabalho questione a sua própria função social enquanto permanece esteticamente sedutor. Faço cinema pelo prazer de criar um universo temporal”. A escolha do foco sobre Deborah Stratman cumpre com um dos principais desígnios do trabalho de programação daSolare que se estende aoCurtas Vila do Conde: por um lado, o de fazer a ponte entre os territórios dos Cinema e das Artes Visuais e, por outro, o de potenciar sinergias entre os dois projetos, revelando aspetos menos conhecidos da obra de artistas/cineastas de referência e de maior importância no panorama internacional.
Oprograma paraleloinclui, de 8 a 16 de julho, durante o 31.º Curtas, o cicloInFocus, que apresenta uma seleção da sua obra cinematográfica; uma Carta Branca, no âmbito da qual a artista apresenta obras que influenciaram o seu trabalho; e a masterclassRadical Listening, onde explora o potencial do som e o áudio como motor e criador de espaço. Presença assídua nas seleções do Curtas Vila do Conde — nove dos seus filmes integraram secções de competição, tendo conquistado por duas vezes, em 2003 (In Order not to be Here) e 2014 (Hacked Circuit), o Prémio da Competição Experimental — esta exposição celebra a relação de anos com a artista. . . . . . “Trabalho com cinema, vídeo, som, escultura, fotografia, desenho e imprensa. Interessam-me os sistemas latentes de controlo e as formas como as nossas vidas são inadvertidamente moldadas por eles. Com o meu trabalho tenho vindo a explorar aquilo de que temos medo, as formas como somos policiados pela arquitetura e como detalhes mundanos traem a convenção e, portanto, a autoridade. Entendo que, de alguma forma, precisamos de governantes para viver ou nunca seríamos capazes de gerir as nossas vidas. Mas o que me inspira são os momentos em que nos libertamos desses vários sistemas de controlo. Como quando alguém cai e, ao cair, interrompe momentaneamente a ordem das coisas.” — Deborah Stratman
. . . . .
Deborah Stratmanexpôs internacionalmente no MoMA (Nova Iorque), Centre Pompidou (Paris), Hammer Museum (Los Angels), Witte de With (Roterdão), PS1 (Nova Iorque), Tabakalera (San Sebastian), Austrian Film Museum (Viena), Yerba Buena Center (São Francisco), MCA (Chicago) ou Whitney Biennial (Nova Iorque), e realizou projetos específicos para locais como Center for Land Use Interpretation, Temporary Services, Hallwalls, Mercer Union e Ballroom Marfa. Os filmes de Stratman têm sido amplamente apresentados em festivais e conferências, incluindo Sundance, Viennale, Berlinale, CPH:DOX, Oberhausen, True/False, TIFF, Locarno, Roterdão, Flaherty e Docs Kingdom. Recebeu bolsas Fulbright, Guggenheim e USA Collins Fellowships; um Alpert Award, o Sundance Art of Nonfiction Award e apoios da Creative Capital, Graham Foundation, Harpo Foundation e Wexner Center for the Arts. Vive em Chicago, onde leciona na Universidade de Illinois.