Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Abril • Ballet Contemporâneo do Norte

ESTREIA - AGORA / ἀγορά
Três performances-in-situ de Catarina Campos, Joclécio Azevedo & Jorge Gonçalves

3517d906-4513-4cf4-aa97-9939ce736107.jpg

 

13 e 14 de Abril, 21h30
Antiga Igreja de São João de Ver
Santa Maria da Feira

M6

Entrada: livre
Reservas: bcnproducao@gmail.com

O Ballet Contemporâneo do Norte desafiou coreógrafos e criadores contemporâneos a submeterem propostas para a criação de espetáculos de curta duração (15 a 20 minutos) com a participação dos 4 bailarinos selecionados após audição. As propostas selecionadas, pensadas para um espaço “não-convencional” do município de Santa Maria da Feira, têm por base teórica o enquadramento conceptual do programa €UROTRA$H, refletindo sobre uma ou mais “ideias de Europa” para o futuro-presente, ao mesmo tempo questionando as práticas artísticas e de investigação dos criadores num objeto coreográfico — a Dança enquanto prática e pensamento. As três performances estabelecem um diálogo “in situ” com a arquitetura de um espaço particular (Antiga Igreja de São João de Ver, Santa Maria da Feira), desprovido da sua função original, ou então re-ativado e potenciado contemporaneamente enquanto esfera de discussão pública (logo política) sobre a importância da arte fora dos grandes centros, suas valências sociais e culturais, mas também históricas e filosóficas. A ágora grega, que dá título à série, enquanto berço da missão democrática que alicerça o “projeto europeu”, e que urge, na atualidade, re-pensar e re-criar.

Foram selecionadas duas peças da autoria de dois coreógrafos estabelecidos (Jorge Gonçalves e Joclécio Azevedo) e ainda uma terceira da autoria de uma jovem criadora de Santa Maria da Feira (Catarina Campos). As três peças serão apresentadas em sequência nos dias 13 e 14 de Abril de 2019, após um período de residência de criação acompanhado por Rogério Nuno Costa (curador e artista associado) e Susana Otero (diretora). O processo de criação foi profusamente documentado (em fotografia e vídeo) e será publicado em objeto documental no final da atividade.

DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Joclécio Azevedo

Este trabalho é uma espécie de ensaio de desgaste, um teste de resistência e de flexibilidade mental para os intérpretes, assente numa estrutura de ações repetitivas que configuram uma paisagem saturada de gestos. A repetição obsessiva das ações conduz a diferentes modos de produção e de percepção do trabalho coreográfico, desenhado a partir de uma condição transitória, de algo que não pretende ser fixado em definitivo como objeto. As ações acumulam-se em combinações aleatórias entre a histeria e o entusiasmo exagerado. A peça configura-se também a partir de uma impressão provocada pela visualização de uma cena do filme “A page of madness” de Teinosuke Kinugasa (1926). Uma bailarina dança freneticamente dentro de uma cela numa instituição para doentes do foro psiquiátrico. O filme foi influenciado pelo surrealismo europeu, como é visível na utilização da edição e na combinação entre realidade, delírio, inconsciente e ficção. Em diálogo com este imaginário, onde o distúrbio afeta os sentidos e o movimento, ensaiamos uma transposição, um exercício de mobilização de atmosferas. Os gestos escondem-se dentro de outros gestos, procuram novas traduções e possibilidades que os transfigurem. Os intérpretes habitam o corpo como laboratório de experimentação mecânica e arriscam-se a perder o sentido.

INTENÇÕES IMPALPÁVEIS
Jorge Gonçalves

Entre a constituição de uma concepção singular e, ao mesmo tempo, a proteção de uma dinâmica pluralista para preservar a diferença, o paradoxo existente no projeto europeu tem sido recorrentemente contestado por diversas ideologias e manifestações derivadas da atual conjuntura política e económica. Apesar da existência de um cepticismo contra os regimes vigentes, ainda existe um desejo de fazer e ser parte das várias comunidades. Mas, por outro lado, e devido às crises económicas e migratórias atuais, existe toda uma redefinição do que é a participação e recepção do outro, que desestabiliza as noções de inclusão e exclusão na Europa, questionando o trabalho em colaboração na reinvenção do espaço social. Como é que nos mobilizamos dentro das comunidades para uma transformação social e performativa, e como é que os artistas e a comunidade podem ter uma prática comum nesse processo coletivo de construção? Este projeto incide sobre as noções de imaterialidade e imaginário comum que se produz dentro de um coletivo temporário, residindo no limiar entre participação e contemplação, inclusão e exclusão. Como é que o espaço performativo se constrói a partir das perspetivas e dos protocolos que regem a inclusão da audiência num espaço comum? Uma série de situações são propostas pelos performers através de ações de convite, reconhecimento, provocação, intimidação e outras intenções.

PELO MENOS 77.
Catarina Campos

Da celebração dos trinta anos da queda do Muro de Berlim.
Muro. Ego. Cego. Um muro é uma barreira sem oxigénio que separa, distorce e danifica, contrastando a força e fraqueza de cada uma das duas realidades que são criadas.
São tantos os muros por desmurar.
Dentro. Em. Fora.
Os que vemos. Os que não vemos.
Os que falamos. Os que não falamos.
Os que confrontamos. Os que não.
Os que.
Os que não.
Construídos, são pelo menos 77. 

Ficha artística:
Coreógrafos
| Catarina Campos, Joclécio Azevedo, Jorge Gonçalves
Bailarinos | Carminda Soares, Maria Soares, Melissa Sousa, Renann Fontoura
Direção Técnica | Daniel Oliveira
Fotografia | Miguel Refresco
Design & Artwork | Jani Nummela
Documentário | Rogério Nuno Costa
Produção | Ballet Contemporâneo do Norte

O Ballet Contemporâneo do Norte é uma companhia financiada pelo Governo de Portugal/Secretaria de Estado da Cultura (Direção-Geral das Artes) e apoiada pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

Apoios: Junta de Freguesia de São João de Ver, Paróquia de São João de Ver, Tuna Musical de Santa Marinha, mala voadora

 

UMA DANÇA POR MÊS... EUROPA ENDLOS
Contemporâneo ⋅ Parte I de III ⋅ Brasil
com Renann Fontoura

a4f4819f-4681-43a7-bc67-403baee0cc11.jpg

Aula Aberta
13 de Abril de 2019
Sala de ensaio do Cineteatro António Lamoso
10:00 – 12:30

Entrada gratuita, mediante inscrição prévia (obrigatória) para:
bcnproducao@gmail.com

Depois de ter ocupado o primeiro trimestre do ano com três sessões dedicadas ao Ballet, o programa Uma Dança Por Mês... EUROPA ENDLOS inicia, em Abril, um novo ciclo de três sessões, desta vez em torno da "ideia" de Contemporâneo. Vamos expandir ainda mais os limites geo-histórico-culturais do mapa "europeu", abordando paradigmas coreográficos oriundos de outros continentes, e cujas manifestações coreográficas e musicais têm inspirado, nas duas últimas décadas, a cultura pop/hip hop e a street dance mundiais. Do funk brasileiro ao kuduro angolano, passando pelo batuku de Cabo Verde, o programa pretende propor uma deslocação do olhar (a Sul), em estreita colaboração com profissionais oriundos de países de língua oficial Portuguesa atualmente a residir e a trabalhar em Portugal.

A primeira sessão tem por título "Danças urbanas: um pequeno paralelo de coexistência entre o hip-hop e o funk", e será orientada pelo bailarino brasileiro Renann Fontoura. Propõe-se uma breve introdução à cultura hip-hop e ao funk, com foco na coexistência de ambas no cenário urbano brasileiro. A partir da bagagem corporal oriunda das danças urbanas americanas, assim como do contacto de Renann Fontoura com o grupo "Relíquias", pioneiro da dança passinho foda, oriunda do estado do Rio de Janeiro (Brasil), a sessão dividir-se-á em 3 partes: uma pequena introdução à dança passinho foda, através de material em vídeo; o ensino de alguns passos fundamentais da dança hip-hop, com apoio de músicas que unem influências do funk carioca, do hip-hop e da música eletrónica; e a aprendizagem de uma sequência coreográfica que irá re-misturar, de forma simples e didática, o material introduzido nos momentos anteriores.

Uma Dança por Mês… Europa Endlos é um programa de formação organizado pelo Ballet Contemporâneo do Norte e destinado ao público de Santa Maria da Feira. Como complemento à programação da companhia, onde o público tem a possibilidade de ver dançar, aqui o espetador é convidado a experimentar a dança, as suas estratégias e os seus modos de usar. Este ano, o ciclo apresenta um conjunto de sessões temáticas em diálogo com o programa €UROTRA$H, com curadoria de Rogério Nuno Costa. Europa Endlos (“Europa Interminável”), subtítulo confiscado ao álbum “Trans Europa Express” dos Kraftwerk, dará o mote a um conjunto de encontros à volta de narrativas coreográficas trans-europeias, danças mais ou menos vizinhas, mais ou menos longínquas, migradas ou imigradas, asiladas ou refugiadas, pedidas emprestadas, apropriadas. A Europa enquanto conceito e interrogação híbrida, que se expande para lá das suas fronteiras históricas, geográficas e culturais.

DESTINATÁRIOS
Pessoas dos 13 aos 65 anos, com ou sem experiência no campo das artes performativas.

FORMADOR
Renann Fontoura (1993, Porto Alegre, Brasil) teve o seu primeiro contacto com a dança em 2008, tendo aprofundado o estudo das designadas “Danças Urbanas“. Sempre com o foco na investigação da improvisação corporal, as suas bases principais são a HipHop Dance e algumas técnicas da dança Popping. Em 2014, entrou para a companhia Grupo de Rua de Niterói (GRN), dirigida por Bruno Beltrão, trabalhando como intérprete nas peças "H3" e "Cracks". Trabalhou também com a companhia francesa RAMa em 2016, dirigida por Fabrice Ramalingom, atuando como Intérprete-criador na peça “Nós, Tupi or not Tupi?“. Em 2018, integrou o elenco da companhia Híbrida (Rio de Janeiro, Brasil), participando da criação da peça "IN(in)terrupto", e como intérprete nas peças "Olho nu" e "Non stop". Atualmente, é aluno do curso PACAP 2 (Programa Avançado de Criação em Artes Performativas), sob curadoria de Sofia Dias e Vítor Roriz, no espaço Forum Dança (Lisboa, Portugal), onde desenvolve o seu primeiro trabalho autoral intitulado "MIRAGEM (.404)".

PRÓXIMAS SESSÕES:

21 de Setembro | Contemporâneo II (Angola)
19 de Outubro | Contemporâneo III (Cabo Verde)

 
CAFÉ CENTRAL
Ciclo de conversas incluído no programa €UROTRA$H
CAFÉ CENTRAL #3
O homem de rebanho, na Europa
com Eduarda Neves
13 de Abril de 2019, 17:30 - 19:00
Antiga Igreja de São João de Ver
Santa Maria da Feira
Entrada: livre
A terceira e última conversa do ciclo CAFÉ CENTRAL trará à Antiga Igreja de São João de Ver a investigadora e professora Eduarda Neves. Com ela, e a partir da obra de Friedrich Nietzsche "Para além do bem e do mal" (à qual resgatamos o título desta apresentação), equacionaremos as representações que temos da Europa e as que queremos vir a ter.
CAFÉ CENTRAL é o título do segmento conferencial do projeto €UROTRA$H, programa curatorial do Ballet Contemporâneo do Norte desenhado por Rogério Nuno Costa para a re-invenção coreográfica de uma ideia multifacetada de Europa, entendida enquanto conceito histórico, político, filosófico e estético. Como afirma George Steiner em 'The Idea of Europe' (2015): "Europe is the place where Goethe’s garden almost borders on Buchenwald, where the house of Corneille abuts on the market-place in which Joan of Arc was hideously done to death.” A urgência de uma reflexão inter-disciplinar sobre estas contradições e tensões (culturais, sociais, políticas, económicas e religiosas), que durante séculos contribuíram simultaneamente para o afastamento e para a unificação de uma certa ideia — contestada por uns, abraçada por outros — de identidade cultural (pan-)europeia, ganha na atualidade mais recente um novo fôlego crítico, impulsionado pela designada “crise dos refugiados” e pelo crescimento exponencial de movimentos nacionalistas. Investigadores de áreas distintas encontrar-se-ão com o público num ambiente informal, propondo três conversas abertas e imprevisíveis sobre o desejo de “fazer parte”, sobre a importância da criação de comunidades e de discursos sociais/socializantes, sobre a tolerância e a hospitalidade, sobre a viagem e o exótico. O CAFÉ CENTRAL enquanto espaço de debate intelectual e conspiração política, habitado por flâneurs, poetas, metafísicos e escritores, micro-unidade de sentido que atravessa todas as latitudes europeias.

Venha tomar café connosco!

Eduarda Neves é professora de teoria e crítica da arte contemporânea, área na qual tem vários artigos e livros publicados. Curadora independente. A sua atividade de investigação e de curadoria cruza  os domínios da arte, filosofia e política. Colabora, desde Fevereiro de 2019, com a revista “CONTEMPORÂNEA”. Último livro publicado: O AUTO-RETRATO. FOTOGRAFIA E SUBJECTIVAÇÃO. Lisboa: Ed. Palimpsesto | CEAA, 2016 [Short list do prémio PEN CLUB na área de Ensaio, 2017]. Publicará, em 2019, os livros NEM-ISTO-NEM-AQUILO e BESTIÁRIOS. ENSAIOS SOBRE ARTE CONTEMPORÂNEA. Licenciada em Filosofia e Doutorada em Estética. Professora Auxiliar na ESAP. Investigadora Responsável do grupo de investigação ARTE E ESTUDOS CRÍTICOS do CEAA desde 2013. Concebeu os projetos ALGUMAS RAZÕES PARA UMA ARTE NÃO DEMISSIONÁRIA [2014-15], CORRESPONDÊNCIAS [2016-17] e HORS-SÉRIE [2018], apresentados em Portugal, Alemanha, Áustria, Espanha, França, Malta e Ucrânia. Integrou o projeto expositivo QUATRO ELEMENTOS (curadora do elemento TERRA), na Galeria Municipal do Porto [2017]. Outros projetos curatoriais recentes: FAULT LINE (Casa dos Crivos + Convento de São Francisco) e A ALGUNS PASSOS COMO SE ESTIVESSE MUITO LONGE, Encontros da Imagem, Braga e Porto [2017]; A.A.R., Espaço Mira (Porto) e SEM IMAGO MUNDI, ANTES UM DESVIO ALEATÓRIO, Planetário (Porto) [2018]. Concebe, em 2019, o projecto EUROPA, que articula uma conferência internacional (I) Notas sobre a Europa. O sono dogmático, e um projecto curatorial (II) Andando em torno do Sol: Máquinas, Aranhas e Corsários. É atualmente diretora da Escola Superior Artística do Porto - ESAP.
 


 

 

 

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.