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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Academia Portuguesa de Cinema promove exposição com cem cartazes de Raul de Caldevilla, o primeiro grande publicitário português

Exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho”

 

Academia Portuguesa de Cinema promove exposição com cem cartazes de Raul de Caldevilla, o primeiro grande publicitário português

 

A Academia Portuguesa de Cinema (APC), em parceria com o Museu da Publicidade, a Cinemateca Portuguesa e a Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), reuniu cem dos melhores cartazes e posters desenhados por Raul de Caldevilla (1877-1951), o primeiro grande publicitário português, e vai apresentá-los na exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho”. A exposição conta com a curadoria de Theresa Lobo e Paulo Trancoso, presidente da APC, e com o design de Nuno Sá Leal e estará patente na SNBA entre 23 de janeiro e 12 de fevereiro.

Grande parte da obra a ser apresentada foi criada na Empreza Técnica de Publicidade – ETP, fundada por Raul de Caldevilla no Porto, em 1914. A ETP é uma das primeiras agências de publicidade do país a produzir cartazes de grande formato e foi pioneira na introdução da publicidade exterior, tornando-se célebre quando patenteou os primeiros “outdoors” ou “tabuletas” e começou a afixar os primeiros cartazes publicitários de dimensões até então nunca vistas. O seu dinamismo e criatividade depressa fizeram com que se transformasse numa das mais conceituadas empresas no sector.

Para Paulo Trancoso, presidente da APC, a escolha na pessoa e obra de Raul de Caldevilla deveu-se à sua “extrema versatilidade e criatividade, levando a publicidade mais longe que os seus contemporâneos e em moldes que a inovaram largamente”. Raul de Caldevilla foi, inclusive, responsável pelo desenho de posters de alguns dos clássicos do cinema português da época, mais uma razão, na opinião de Paulo Trancoso, para o público não perder a oportunidade de os revisitar e de conhecer o resto da obra do autor.

Entre outros, poderão ser apreciados na exposição cartazes que datam dos anos 10 do século XX e que apresentam imagens e slogans humorísticos, muito populares entre os ilustradores da época. Da mesma altura destacam-se ainda os cartazes realizados por Diogo de Macedo, que evidenciam a figura feminina. Até o célebre Capiello que nos anos 20 realizou cartazes para os vinhos do Porto Ramos Pinto, já em 1914/1916 tinha criado posters para a ETP. A representar os anos 20 também poderão ser encontrados cartazes referentes ao turismo e ao setor automóvel, como as novas marcas de pneus que contribuíam para maior segurança na estrada.

Simultaneamente, estará a ser exibido na Cinemateca Portuguesa um ciclo de três sessões de filmes portugueses relacionados com a vida e obra de Raul de Caldevilla.

 

Quem foi Raul de Caldevilla?

Conhecido pela notável qualidade gráfica das suas imagens e pela diversidade de temas que nelas abordou, Raul de Caldevilla foi um visionário para quem a publicidade tinha uma função eminentemente informativa: “A publicidade instrui-nos, em poucos traços, sobre o que mais convém à saúde e ao conforto, ao corpo e ao espírito, libertando-nos da contingência de pensar detidamente onde se encontra o que é útil e belo, quanto nos custará um artigo de primeira necessidade, um quadro, uma joia, uma estatueta ou um pano.”

Nesse sentido, era preciso criar uma nova linguagem visual, “progressiva”, como Caldevilla a classificou, por oposição a outra, “imprópria”, recolhida e discreta. Esta preocupação do publicitário foi evidente nos trabalhos gráficos realizados na ETP e, mais tarde, na Empreza do Bolhão, criada em 1923, e poderá agora ser apreciada na exposição, de entrada livre, entre 23 de janeiro e 12 de fevereiro.

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