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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

"As Criadas" de Marco Martins sobem à arena da Plataforma das Artes em Guimarães (29 abril)

 

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Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz interpretam magistralmente o texto de Jean Genet

No dia 29 de abril, às 22h00, a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães, transforma-se num ringue claustrofóbico para receber a incontornável peça de Jean Genet, “As Criadas”. Com encenação de Marco Martins e um elenco de luxo que conta com Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz, esta peça é um escalar de tensões, com um texto inesgotável sobre a condição humana e os efeitos do poder e da subjugação. O público é obrigado a lidar com uma série de emoções com uma proximidade, por vezes, perturbadora. Uma peça que esmaga todos, sem redenção ou piedade.

 

O cenário é claustrofóbico. As personagens que dão vida à peça de Jean Genet encontram-se fechadas numa arena limitada pelo público, onde se digladiam e expõem todas as perversidades da condição humana. Marco Martins pega na genialidade da escrita de Genet e oferece-nos esta peça crua, sem esconderijos, nem eufemismos. Sim, fala-se aqui do mais vil do ser humano. O mundo não tem piedade e Genet confirmou-o com este texto a que Marco Martins dá vida puxando os fios a três soberbas interpretações de Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz. Ao público, pede-se coragem para não se tolher nas cadeiras que circundam as atrizes, animais na história e no palco, a quem ouvirão a respiração sôfrega.

 

Genet escreveu “As Criadas” numa das suas incursões pela prisão, fascinado por um crime cometido por duas irmãs, em 1933, que mataram de forma violenta a patroa e a sua filha. Genet, ele próprio um pária da sociedade, revela aqui o seu fascínio pelos malditos. Porque no fundo, todos nós temos um certo encantamento pelo hediondo e somos também capazes de revelar a nossa animalidade em certos momentos ou circunstâncias.

 

Na peça, as duas irmãs, as criadas, alimentam o ódio através de fantasias de uma vida que não é a delas. Mais do que o crime importa o escalar da tensão, o delírio crescente que acontece naquele espaço confinado. “A representação das criadas é metafórica. Genet dizia que para as defender havia os sindicatos. O que importa, aqui, é falar da natureza do teatro enquanto cerimónia, da relação do indivíduo com o poder e dos indivíduos uns com os outros”, explica Marco Martins. 

 

O encenador refere que o ódio crescente destas criadas é “como numa cerimónia que leva a uma galvanização. Quando começas a trabalhar os textos do Genet, descobres que existe mesmo uma moral sobre o crime e, principalmente nestas duas personagens, sobre o crime como uma forma de redenção, ou mesmo de salvação”.

 

“As Criadas” é uma peça sobre o que de mais perverso habita em cada um de nós, porque todos podemos ser vítimas ou carrascos. Com a plateia confinada ao espaço onde se desenrola toda a raiva, Marco Martins e o seu elenco lançam-nos os ingredientes de uma peça que vai deixar o público desconfortável na cadeira e dificultar o sono na chegada a casa.

 

Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras da Plataforma das Artes e da Criatividade e do Centro Cultural Vila Flor, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

 

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