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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

CCVF apresenta "Noite", uma imersão à escuridão onde a luz brilha mais forte (26 março)

Teatro e dança misturam-se na nova criação da Circolando

 

CCVF apresenta “Noite”, uma imersão à escuridão onde a luz brilha mais forte

 

Este sábado, 26 de março, às 22h00, a Circolando apresenta “Noite”, a sua mais recente criação, no palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Uma peça que mistura o teatro e a dança para falar de um passeio pelos confins da noite, a todos os recantos que ela guarda. A inspiração nasceu no desassossego dos poemas de Al Berto, uma referência para a companhia, mas a partir daí André Braga e Cláudia Figueiredo viajaram pela sua própria escuridão. Porque é à noite que a luz parece mais intensa.

 

A Circolando traz ao Centro Cultural Vila Flor a noite de três intérpretes, o caminho escuro e excessivo por onde, por vezes, nos aventuramos e consumimos depressa, até ao esgotamento, com a pressa de quem foge da normalidade da vida que mora na manhã seguinte. Partindo de um trio de homens – André Braga, Paulo Mota e Ricardo Machado – o espetáculo foi inicialmente inspirado no autor Al Berto, o poeta que encontrou na noite a verdade da escrita. Depois, André Braga e Cláudia Figueiredo sentiram a absoluta necessidade de se libertarem dele e seguirem mais soltos o seu próprio mapa de áreas de pesquisa. “Noite” é outro passo nos territórios da escuridão em busca de novas claridades. É na escuridão que reside um estar desconhecido onde pode surgir puro o ímpeto criativo. Entre o medo e a paixão, a desolação do subúrbio e a alucinação luminescente. Velocidade, exaustão e nada.

 

Nesta “Noite”, os atores vagueiam pelos caminhos mais escuros onde, por vezes, a luz (quando aparece) é mais forte, rasgando o negro em clarões violentos que quase encandeiam. E é nessa ida ao limite que a noite guarda que por vezes surge o rasgo criativo. “É uma coisa que associamos à noite: ires ao teu limite, ires ao outro lado. E a partir do momento em que pomos cem pneus em palco é impossível não ficarmos rebentados. Mas aguentamos – aguentamos as duas horas. E acho que mais do que a energia do momento da exaustão nós aproveitamos a energia do momento a seguir, em que já não estás em esforço mas o ritmo cardíaco continua acelerado”, explica André.

 

A peça desenrola-se no palco, para onde a plateia é também chamada a assistir ao espetáculo, criando uma espécie de arena, onde os atores estão completamente desprotegidos, em absoluta proximidade com o público. “Havia uma ideia bastante presente nesta peça que é a ideia de arena, a arena como lugar de exposição e como lugar de confronto e daí partiremos nós próprios para uma ideia de estar nesse lugar, que é uma arena e que tem frentes para tudo quanto é lado. Esta solução para nós é interessante porque nos permite ter bastantes pessoas a assistir e, ao mesmo tempo, muito próximas de nós”, justifica André Braga.

 

Em jeito de conclusão, André Braga resume de onde veio esta revolta que acomete os filhos da noite: “Acho que esta raiva já está há algum tempo connosco. Andamos todos um bocadinho irritados com muita coisa que se passa fora da sala de ensaios – dos refugiados à Síria, do nosso Governo à nossa cidade. Mas sim, há muita revolta na noite – a noite é selvagem, tanto na floresta como na cidade, tanto no mar como no espaço interestelar. É a revolta do relâmpago, do vulcão e da terra a explodir, também, que aliás vamos querer continuar a explorar”. Mergulhemos nos subterrâneos da noite à espera dos clarões mais incandescentes que rasgam o regresso à alvorada.

 

Chilenos The Holydrug Couple apresentam novo álbum no Café Concerto do CCVF

 

Esta sexta-feira, 25 de março, a partir da meia-noite, o palco do Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor pertence à banda chilena The Holydrug Couple. Na bagagem trazem a ambiência do cinema francês das décadas de 70 e 80 que se traduz no mais recente trabalho que agora aqui apresentam sob o nome “Moonlust”. São músicas que sabem a sonhos.

 

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Neste último trabalho dos The Holydrug Couple, as músicas são alusões ao universo onírico das bandas sonoras do cinema francês das décadas de 70 e 80, com uma particular inspiração em Serge Gainsbourg. Havia uma visão clara daquilo que os músicos queriam transpor para este trabalho. O resultado é este “Moonlust”, gravado no Chile e misturado em Brooklyn – que sai bem fora das fronteiras predominantes do psych-rock. Além das influências das bandas sonoras francesas e de Serge Gainsbourg em particular, eles buscam também inspiração nas baladas soul de Aretha Franklin, na synthpop sul-americana dos anos 80 e dos franceses Air. As músicas são simplificadas, sem recurso a acessórios barrocos ou enfeites desnecessários, para atingirem o derradeiro objetivo a que se propuseram. “Um sentimento de luxúria, desejo por algo que se vê na escuridão, mas está tão distante que parece inatingível.” O som da melancolia.

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