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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Centro Cultural Vila Flor rende-se à música etérea de Weyes Blood (03 dezembro)

Natalie Mering traz a Guimarães as reminiscências das décadas de 60 e 70

 

Centro Cultural Vila Flor rende-se à música etérea de Weyes Blood

 

Weyes Blood tem visita marcada ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no próximo sábado, 03 de dezembro. Weyes Blood é o projeto musical da artista Natalie Mering que se tece da tradição da folk britânica e norte-americana das décadas de 60 e 70, embebida no psicadelismo puro tão intrínseco dessa era. Apesar de um já merecido reconhecimento na indústria, Natalie evoca sempre uma certa aura de mistério que aguça a curiosidade sobre quem é, de onde veio e para onde vai. Tentemos deslindar-lhe o caminho.

 

Natalie Mering, que artisticamente se apresenta como Weyes Blood, é um daqueles casos em que as referências do passado se entremeiam com as perceções do presente, criando um surpreendente anacronismo pop. Natalie não será a única operadora do género, porém, dado os últimos trabalhos, “The Innocents” e “Cardamom Times”, granjeou junto do público e da crítica um grande apreço pela sua música. Na bagagem, Weyes Blood traz a Guimarães o mais recente álbum “Front Row Seat to Earth”, um disco que transporta a tradição da folk britânica e norte-americana das décadas de 60 e 70, conseguindo abranger a melhor escola destes dois polos, seja por via do psicadelismo deixado pela geração inglesa ou, já com outro pé no lado oposto do Atlântico, pela flora de Vashti Bunyan, Joni Mitchell ou ainda contemporâneas como Josephine Foster e Angel Olsen.

 

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A artista acrescenta, contudo, um apuro nas orquestrações e na imensidão melódica recorrendo para isso a alguma toada ambiental onde o piano e a guitarra (as ferramentas principais de Natalie) ficam momentaneamente de fora. Soa complexo, sem o procurar ser e sem nunca pecar por isso. Cânticos sagrados, por vezes próximos dos madrigais, atmosferas de alvorada e histórias que nunca aconteceram a não ser na cabeça de quem escuta estes ensaios, aglutinam-se no contexto de canção. Foi assim que “The Innocents” galgou preferências, valendo-se do que de mais simples e genuíno pode oferecer. Normalmente essa entrega artística é infalível, seja em que contexto for, e volta a verificar-se uma vez mais neste caso. O tom coral da sua voz revela uma infância desde cedo ligada ao estudo musical, primeiramente académico e depois então moldado pela convivência com algumas das mais importantes constelações do experimentalismo norte-americano como Jackie-o-Motherfucker (onde foi baixista), Axolotl e Nautical Almanac (partilhando estúdios e palcos) ou com esse ícone chamado Ariel Pink.

 

Liricamente assertiva, dispensa eufemismos nas palavras. Aliás, só assim poderia ser perante as formas carnais vincadas que assentam na configuração etérea de Weyes Blood. Um corpo completo sem dúvida, mas nómada no tempo em que vagueia. Graciosamente nómada.

 

O concerto está marcado para as 22h00 e os ingressos podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt