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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Ensemble Scaramuccia | Sonatas inéditas de Vivaldi no MUSEU NACIONAL DA MÚSICA

 
 
 
A Associação de Amigos do Museu Nacional da Música apresenta:
 
Ensemble Scaramuccia | Vivaldi Inédito
 
Sábado, 25 de Fevereiro | 18h
 
 
Apresentação do CD Antonio Lucio Vivaldi - Nuove Sonate
 
Não é exagerado afirmar que Vivaldi é um dos compositores mais famosos de todos os tempos, e mesmo assim ainda se está a descobrir o seu legado. O presente programa de Scaramuccia apresenta os últimos e mais recentes descobrimentos vivaldianos no âmbito da música de câmara, incluindo também duas descobertas inéditas do compositor veneziano, interpretadas pela primeira vez este ano. Ainda que a totalidade do programa raramente seja interpretada dada a novidade das peças, podemos dizer sem receio que estas novas descobertas nunca foram escutadas em Portugal.
Este projeto foi gravado em CD pela editora discográfica Ayros em Novembro de 2015 e os descobrimentos tiveram cobertura da imprensa a nível mundial aquando o lançamento do disco em 2016.
 
Scaramuccia
 
Javier Lupiáñez, violino barroco e direção
Inés Salinas, violoncelo barroco
Patrícia Vintém, cravo

 
PROGRAMA
 
Sonata para violino e continuo em Ré Maior – Anónimo italiano (Dresden) 
Adagio – Allegro – Largo – Allegro
 
Trio Sonata para violino, violoncelo e continuo RV 820 – Novo Descobrimento (Sardelli/Lupiáñez, 2014) [Allegro] – Adagio – [Violino] Solo – Violoncelo solo – Allegro
 
Sonata para violino e continuo em Ré Maior RV 810 – Descobrimento recente (Delius, 2007) 
Andante – Allegro – Largo – Allegro
 
Sonata para violino e continuo em Lá Maior Novo Descobrimento (Lupiáñez, 2015) 
Adagio – Allegro – Largo – Allegro
 
Sonata para violino e continuo em Ré Maior RV 816 – Descobrimento recente (Talbot, 2011) 
Allegro – Allegro – Largo – Allegro
 
 

 
Notas do Programa
 
Duas novas Sonatas de Vivaldi

O ano de 2015 trouxe-nos o descobrimento de duas peças vivaldianas: a Trio Sonata para violino e Violoncelo em Sol Maior, identificada como um trabalho genuinamente vivaldiano pelo estudioso italiano Federico Maria Sardelli e pelo nosso violinista e investigador Javier Lupiáñez em 2014 (catalogada recentemente como RV 820) e a Sonata para violino e continuo em Lá Maior, descoberta por Javier Lupiáñez, e incluída no catalogo vivaldiano (RV) no final de 2015.
Ambas as peças fazem parte da coleção de Pisendel em Dresden. Por certo, Dresden é uma das maiores bibliotecas com obras de Vivaldi na Europa, e isso se deve ao facto que durante a primeira metade do século XVIII, o concertino da orquestra da corte de Dresden, Georg Pisendel, reuniu uma incrível quantidade de música de câmara, sobretudo de autores Italianos e de Vivaldi.
Pisendel tinha um grande interesse e apreço pela música de Vivaldi uma vez que este para além de seu professor, foi também um grande amigo.
Desde o ponto de vista musicológico uma das melhores razões para atribuir estas peças a Vivaldi é sem dúvida a grande quantidade de concordâncias temáticas com outras das suas obras. Um dos exemplos mais significativos, encontra-se no primeiro movimento da Sonata em Lá Maior para violino e continuo, o qual é na realidade uma reutilização do segundo movimento do concerto para violino em Ré Maior RV 205. Para além disso, é possível identificar mais de cinquenta referências a outras obras do compositor veneziano, assim como recursos formais que são descritos como unicamente vivaldianos. Este novo descobrimento foi incluído no catálogo oficial das obras de Vivaldi em 2015.
A Trio Sonata em Sol Maior foi identificada como uma obra prematura de Vivaldi, em trabalhos independentes dos investigador italiano Federico Maria Sardelli e Javier Lupiáñez. A peça foi também recentemente incluída no catálogo vivaldiano como RV802 e é a primeira obra composta conhecida de Vivaldi.
Esta trio sonata apresenta-nos um Vivaldi bastante diferente ao que estamos acostumados, mostra-nos o jovem Vivaldi: por um lado, profundamente influenciado pelo seus maestros e a corrente de composição do seculo XVII ( é fácil reconhecer o gosto de Corelli, Bonporti ou Torelli), e por outro, o génio e originalidade do Vivaldi que conheceremos mais tarde.
O descobrimento e a atribuição desta sonata a Vivaldi, é crucial para entender as raízes do estilo de Vivaldi, assim como para melhor compreender as mudanças estilísticas e de gosto musical que se sentiram no principio do século XVIII.
Os mais recentes descobrimentos Vivaldianos 

Junto com os novos descobrimentos, o programa inclui também as últimas sonatas descobertas de Don Antonio Vivaldi.
A Sonata RV 810 também se encontra em Dresden e foi considerada anónima até 2007. A autoria vivaldiana foi-lhe concebida graças aos laços que tem com a sonata para flauta RV806, descoberta não muito antes em Berlim e também atribuída a Vivaldi pela grande concordância temática a outras peças originais vivaldianas. A Sonata RV810 foi composta em redor de 1710 e a cópia que chegou até nós está escrita por Pisendel. É provável que Pisendel tenha copiado a sonata do original na sua viagem a Itália em 1717, onde se encontrou com Vivaldi.
A única cópia conhecida da Sonata RV 816 encontra-se num manuscrito inglês de música para órgão conservado pela Fundação Geral Coke Handel de Londres. A sonata foi identificada como uma obra genuinamente vivaldiana em 2011 pelo professor Michael Talbot, musicólogo eminente e especialista em Vivaldi. Composta em redor de 1710, esta sonata desenvolve um estilo brilhante e fluido que denota algumas peculiaridades ao nível da composição, como é o exemplo do primeiro movimento o qual é escrito em forma de cadência sobre uma nota pedal, caso único na literatura de sonatas a solo de Vivaldi.
A Sonata Anónima em Ré Maior faz também parte da coleção de Pisendel em Dresden. Como o RV810, a sonata foi copiada por Pisendel durante a sua estadia em Itália em 1717. Durante essa mesma viagem, Pisendel copiou e compilou uma grande quantidade de música de maestros italianos: Montanari, Albinoni mas sobretudo obras de Vivaldi. Muitas dessas partituras carecem assinatura e a sua autoria permanece anónima ainda que a música revele um grande maestro desconhecido por detrás da composição. Esta sonata anónima partilha muitas características dos últimos descobrimentos vivaldianos interpretados neste programa, para além do estilo e da qualidade da música, todas estas sonatas foram esquecidas e não foram interpretadas até há muito pouco tempo somente porque não conhecíamos o nome do seu autor.

A interpretação

A improvisação e a ornamentação eram uma prática comum no século XVIII. Igualmente como Charlie Parker, Miles Davis, Thelonious Monk e outros grandes improvisadores do mundo do Jazz, os grande maestros do barroco desenvolveram o seu estilo de improvisação de uma forma muito pessoal e característica. Estes interpretes-compositores, como Vivaldi ou Pisendel, foram figuras únicas na sua época e não é de estranhar que ao aproximarmo-nos das suas improvisações descobrimos uma prática que pouco tem a ver com a prática comum da época ou com o que se descreve nos métodos de improvisação, destinados a um público mais geral. Graças ao estudo de certas fontes é possível fazer uma ideia de como estes maestros improvisavam e ornamentavam durante as suas interpretações.
O caso de Pisendel é bastante significativo, uma vez que nos deixou uma grande coleção de partituras com anotações para as suas próprias interpretações na corte de Dresden.
A variedade destas anotações é bastante ampla: desde pequenos pontos na partitura em modo de orientação para a improvisação, a adição de grandes passagens como pontes entre movimentos, ou, anotações que oferecem varias ideias e esquemas para uma mesma passagem. É bastante revelador descobrir a valentia e brio de Pisendel, quando propõe ornamentações rápidas e virtuosas até em passagens rápidas; acrescentando arpejos, cordas duplas ou grandes saltos nos movimentos lentas ( técnicas que serão mais habituais no resto da Europa umas décadas mais tarde).
Vivaldi também deixou algumas pistas sobra a sua forma de improvisar. Para além dos ornamentos escritos que deixou nos movimentos lentos dos seus concertos, encontrámos também uma fonte valorosíssima a esse respeito no Cuaderno de Anna Maria. Anna Maria dal Violino foi concertino na orquestra do Ospedale della Pieta e aluna de Antonio Vivaldi,e compilou num caderno, preservado no Conservatorio di Musica "Benedetto Marcello" (Veneza), vários concertos dedicados a ela e compostos por Vivaldi, onde entre eles se encontram várias cadências e versões ornamentadas de alguns dos movimentos.
O estilo de improvisação de Vivaldi é muito original e atrevido para os padrões da época. Um gosto especial pelo cromatismo, a introdução de antecipações harmónicas ( às vezes tocava na parte do violino a harmonia pertencente ao acorde seguinte o que produz grandes dissonâncias com o baixo e incrementa a tensão harmónica de uma forma incrível) ou a sua afinidade singular com os padrões musicais irregulares, confirmam uma parte da linguagem pessoal que somente podemos imaginar.
Mas improvisação é só uma parte da nossa investigação sobre a interpretação destas peças. Outro caso do estudo particular deste repertório é o uso da “Teorba Weiss”, o instrumento usado por Sylvius Leopold Weiss na realização do continuo em Dresden durante o período no qual Pisendel tocou estas sonatas.
Todas estas ferramentas permitem-nos conhecer melhor a linguagem na qual estas sonatas foram compostas e decifrar o discurso contido nestas partituras escritas há várias centenas de anos por Antonio Lucio Vivaldi, um discurso cheio de liberdade e paixão, um discurso como uma única razão de ser: emocionar quem o escuta.
Javier Lupiáñez

Scaramuccia
“Etwas Besseres kann einem Konzertpublikum nicht passieren”
” Nada melhor pode acontecer a um público”
Jens Wortmann, Kulturbüro Göttingen (Alemanha)
O ensemble Scaramuccia foi fundado em 2013 por iniciativa do violinista Javier Lupiáñez com a ambição de redescobrir o repertório barroco menos conhecido. O espírito de Scaramuccia deseja dar vida a todo esse repertório que se ouvia não só nos lugares mais requintados, mas também nas tavernas e ruas do período barroco. Na preparação de cada programa e concerto é feita uma pesquisa e estudo aprofundado afim de redescobrir aquelas relíquias musicais escondidas e perdidas entre a vasta literatura musical do barroco maioritariamente interpretada. 
Scaramuccia iniciou o seu trajeto no Fringe do Festival de Utrecht e no Fringe do Festival de Bruges em 2013 e desde então tem vindo a desenvolver uma intensa carreira nos Países Baixos, Bélgica, Reino Unido e Itália. Entre as várias apresentações em concerto de Scaramuccia é de salientar a participação no Festival de Artes de Maldon (Reino Unido), no Museu da Música “Vleeshuis” (BE), na temporada de concertos Kasteelconcerten (NL) Echi Lontani (IT), Internationaal Kamermusiek Festival Utrecht – Janine Jansen e Amigos, (NL) e também gravou para a emissora de rádio holandesa, Concertzender. O interesse em descobrir novo repertório barroco proporcionou a Scaramuccia a oportunidade de tocar em estreia mundial duas obras de Vivaldi numa emissão gravada ao vivo e transmitida em 2014 pela rádio holandesa Concertzender, no programa De Musyck Kamer.
Em Novembro de 2015 Scaramuccia gravou o seu primeiro CD com a discográfica Ayros, dedicando­o à nova música de Vivaldi e obras recentemente descobertas para violino e baixo continuo.
Em 2016 Scaramuccia foi premiado com o prémio do público que o elegeu como melhor ensemble do concurso internacional Göttinger Reihe Historischer Musik 2015/2016 (Alemanha).
Javier Lupiáñez, violino barroco e direção

“the firmly eloquent violin of Javier Lupiáñez” GRAMOPHONE, March 2012
​“Francisco Javier Lupiáñez possède un jeu diabolique, quelque part entre Paganini et Méphistophélès. Son archet déploie tous les motifs de la séduction : rubatos enjôleurs, glissandos imperceptibles, rythmes ensorceleurs… Ces audaces esthétiques s’appuient sur une technique impeccable” Pierre-Carl Langlais, Qbuz
“le violon virtuose et goûteux de Francisco Javier Lupiañez”, ODB-Opéra

Francisco Javier Lupiáñez Ruiz inicia os seus estudos musicais na sua cidade natal, Melilla (Espanha). Depois de muito estudar consegue uma grande coleção de diplomas e graduações: violino moderno; Mestrado em Musicologia; graduação como professor de educação musical. Terminou o seu Mestrado com “distinção” em violino barroco, com Enrico Gatti no Conservatório Real de Haia, por ter descoberto novas obras de Vivaldi.
Apresenta-se regularmente como solista e líder de diferentes grupos e orquestras tais como: Orquestra Barroca de Salamanca, Academia Barroca Europeia de Ambronay, Academia Montis Regalis, entre outras. Orgulha­se de ter partilhado o palco com artistas como Frans Brüggen, Sigiswald Kuijken, Amandine Beyer, Olivia Centurioni, Enrico Onofri, Enrico Gatti, Peter Van Heyghen, Inés Salinas e tantas outras pessoas maravilhosas. É membro fundador do ensemble Les Esprits Animaux, sendo a sua programação e conceito de concerto apreciada por críticos e público. Javier desenvolve uma intensa carreira com Música de Câmara com diferentes grupos por todo o Mundo. Toca regularmente em Espanha, Portugal, França, Itália, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Reino Unido e Países Baixos e gravou para Harmonia Mundi, Ayros, France Musique, Musiq3, Concertzender e Radio Klara. Javier toca num instrumento construído por Verbeek em 1682, pertencente e cedido pela Fundação Holandesa de Instrumentos Musicais. 

Inés Salinas, Violoncelo barroco

Nascida em 1985 em Zaragoza (Espanha), Inés é especializada na interpretação histórica do violoncelo e da viola da gamba.
Atualmente a residir em Haia, Países Baixos, é fundadora dos grupos Scaramuccia, Duo Graziani e La Máquina del Tiempo. Possui a licenciatura e mestrado concluídos no Conservatório Real de Haia, onde estudou sob a orientação de Jaap ter Linden e Lucia Swarts (violoncelo histórico) e Mieneke van der Velden (viola da gamba). Também recebeu orientação de Gaetano Nasillo, Hidemi Suzuki, Itziar Atutxa, Enrico Gatti e Olivia Centurioni, entre outros... Concluiu a Licenciatura em violoncelo clássico no Conservatório Superior de Música de Aragón em Zaragoza (Espanha) tendo estudado com Ángel Luis Quintana, Cuarteto Casals e Cuarteto Quiroga. Inés é uma apreciadora devota da música Italiana do meio do barroco em especial da música Napoletana, tendo dedicado a sua tese de mestrado ao repertório Napoletano para violoncelo do principio do século XVIII, um tópico que continua a explorar. Tocou com diversas orquestras como por exemplo: Britten­ Pears Baroque Orchestra (UK); Orquestra Barroca Conde Duque (ES); e I Giovani della Montis Regalis 2013 (IT) 

Patrícia Vintém, cravo

Cravista portuguesa, descobriu o gosto pela música aos 7 anos, iniciando os seus estudos no violino e mais tarde no cravo em Viana do Castelo na Fundação Átrio da Música. A paixão e ambição de aprofundar os seus conhecimentos no âmbito da Música Antiga fê-la iniciar um percurso musical que a levou a concluiu em 2009, na Escola Superior de Música de Lisboa, a Licenciatura em Cravo com a Professora Ana Mafalda Castro; em 2013, no Conservatório Real de Haia (Países Baixos), a Licenciatura e em 2015 o Mestrado em Música Antiga (Cravo) sob a orientação de Jacques Ogg e Fabio Bonizzoni.
Como fundadora do laureado ensemble Les Esprits Animaux e Duo Vintém & Lupiáñez e membro do ensemble Scaramuccia, tem vindo a desenvolver uma intensa carreira profissional em diversos festivais e salas de concerto por toda a Europa e Japão. Já conta com três CD’s na sua discografia enquanto músico dos ensembles referidos. Teve ainda oportunidade de gravar para rádios internacionais tais como: com France Musique (FR), Radio Klara,Musiq3 (B) e Concertzender Nederlands (NL).
 

 
 
 
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MUSEU NACIONAL DA MÚSICA
Estação do Metropolitano Alto dos Moinhos
Rua João de Freitas Branco
1500-359 LISBOA
T. (351) 21 771 09 90 / F. (351) 21 771 09 99
 
 
PRÓXIMOS EVENTOS NO MUSEU NACIONAL DA MÚSICA:
 
Exposição temporária "Cantores de Ópera" prolongada até 31 de Março:
 
 
 

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