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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Espaço Amoreiras recebe exposição sobre refugiados

 

 

Exposição é inaugurada a 28 de setembro pelo Edge Arts



A partir de 28 de setembro, o Edge Arts promove a exposição“3.041,19 km”, de Pedro Pires, que apresenta uma instalação composta por conjunto de estandartes e vitrines, sobre a atual crise de refugiados e as novas demografias europeias. A curadoria é de Inês Valle e pode ser visitada até 2 de novembro, no Espaço Amoreiras.

O nome da exposição, “3.041,19 km”, representa a distância entre Lisboa e Lesbos, locais que se encontram em extremos opostos na Europa. Em março de 2016, Pedro Pires viajou até à ilha grega para iniciar este projeto, através de voluntariado e pesquisa de campo. Durante o período em que trabalhou com a organização não governamental Emergency Response Centre International (ERCI), recebeu vários barcos de refugiados e migrantes nas praias da ilha, recolheu diversos objetos abandonados e contactou de perto com esta realidade.

O projeto foi também inspirado num artigo publicado no jornal The Guardian sobre o envolvimento de uma cônsul honorária francesa em negócios relacionados com a venda de barcos de borracha a redes de tráfico turcos. Estes barcos transportavam ilegalmente emigrantes e refugiados da Turquia para a Grécia, por valores entre os 1000 e os 1500 euros por pessoa.

Consciente do número de refugiados que chega à Europa diariamente, o projeto tem como objetivo questionar o envolvimento e a reação do continente europeu, as consequências políticas e sociais, os ideais da União Europeia e a relação entre os países que a compõem. Pretende analisar o presente e debater as ações futuras.

A exposição“3.041,19 km” é constituída por documentação real e obras artísticas realizadas com materiais recolhidos em Lesbos. É possível ver no interior das vitrines objetos como mapas de Lesbos, fotografias impressas, bilhetes de avião, cobertores de emergência, pedaços de barcos ou coletes salva-vidas. A instalação de estandartes no átrio do Espaço Amoreiras suporta retratos de cidadãos europeus e políticos pintados sobre cobertores de emergência.

No dia da inauguração oficial, no auditório LEAP, é projetado o vídeo “9 Days – From My Window in Aleppo”, do artista internacional sírio Issa Touma, que retrata o início da guerra civil em Aleppo, em 2012. Realiza-se, ainda, um debate sobre a temática da crise de refugiados com a intervenção do artista Pedro Pires, da Dra. Margarida Pinto Correia (em representação da Plataforma de Apoio aos Refugiados), do Dr. Pedro Calado (em representação do Alto Comissariado para as Migrações) e do público presente, momento mediado pela curadora Inês Valle.

Veja imagens da exposição aqui.​​

 

 

Pedro Pires (Luanda)

Nasceu em Angola, em 1978, e vive em Lisboa.

Realizou o mestrado em Visual Art no Central Saint Martins College of Art & Design, em Londres e a licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Realizou várias exposições e projectos dos quais se destacam: a residência artística na Delfina Foundation em Londres (Uk, 2017); a exposição colectiva “Another Antipodes” em Perth (Australia 2017); a exposição individual “Doppelganger” na Gallery Momo em Joanesburgo (Africa do Sul, 2016); a residência artística e exposição colectiva “Jaango” em Luanda (Angola, 2015); a escultura pública “Homem Muralha” no Parque das Nações em Lisboa (2008).

No seu trabalho explora questões sobre identidade e estereótipos, em relação direta com sistemas de educação e instituições. Este particular interesse vem da sua história pessoal em que mistura uma herança angolana e portuguesa. Trabalha com diferentes materiais, media e objetos quotidianos com os quais cria vários significados através de abordagens figurativas e conceptuais.

 
Inês Valle

Licenciada em Artes Visuais, especializada em pintura e um mestrado em Estudos Curatoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Atualmente é candidata ao mestrado no Centro de Estudos Culturais, na Goldsmiths, Universidade de Londres.

Inês Valle é uma curadora transcultural, consultora de arte, investigadora, artista e fotógrafa especializada em arte contemporânea e cultura aborígenes, curadoria global, práticas internacionais de arte social, arte e comunidades e diálogos interculturais.

É fundadora e curadora do “the Cera Project” (Abril 2016), uma plataforma de troca transcultural que estimula o dialogo em arte, música, som, performance, cultura e ciência entre narrativas do hemisfério. Co-Fundadora e curadora N’WE Collective. Gerente e curadora do projecto AoK (Outubro 2016) e consultante cultural na TAFETA (Agosto 2014), ambos como trabalhadora independente. Anteriormente trabalhou como curadora na Omenka Gallery/ Ben Enwonwu Foundation (Lagos, NG), Assistente de Curadoria na Canberra Contemporary Art Space (Canberra, AU), curadora e produtora no Centro Cultural Belém (Lisboa, PT) e Assistente de Curadoria no Carpe Diem Arte e Pesquisa (Lisboa, PT).

Acredita na interdisciplinaridade, preservação internacional e na troca de ideias que promove. Os projectos que desenvolve que visam estimular a troca global e compreensão da noção do “outro”, não para encaixar ou apresentar narrativas alternativas hegemónicas dominantes, mas para interromper, questionar e investigar efeitos e possibilidades ignoradas ou omitidas.

 
Issa Touma (Tartus, Síria)

Nasceu em Tartus, na Síria,  e vive em Aleppo.

O seu trabalho está presente em várias coleções internacionais, como por exemplo no Museum Victoria & Albert, em Londres. Em 1992 inaugurou a galeria Black and White, o primeiro espaço dedicado à fotografia do Médio Oriente.

Depois do seu encerramento em 1996, Touma fundou Le Pont, uma organização independente e galeria que promove a liberdade de expressão e estimula panorama da arte local através de eventos internacionais: the International Photo Festival (1997) e o International Women’s Art Festival ( 1999).

Em 2012, logo a seguir ao início da Guerra Civil Síria Le Pont começou Art Camping para refugiados Sírios e cidadão de Aleppo.  Este singular trabalho colaborativo entre participantes com diferentes origens religiosas e étnicas, promoveu a resistência ao radicalismo político e religioso através de intervenções artísticas e do diálogo cultural.


Exposição “3.041,19 km”

28 de setembro 2017 – 2 de novembro 2017

 

Inauguração

28 de setembro 2017 pelas 18h

 
Horário

Espaço Amoreiras


2ª a 6ª feira 7h – 23h

sábados 9h - 21h

domingos e feriados 9h – 18h

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