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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Espectáculo "A Cantora Careca"

 

Em “A Cantora Careca”, a pequena obra-prima do vácuo total, do teatro vocabular ou das “mil maneiras de não dizer nada”, Ionesco sublinha com um grosso traço caricatural o fatalismo da alteridade dos indivíduos. É todo o individualismo orgulhoso de um ciclo civilizacional que agoniza neste teatro à primeira vista inocente, onde a palavra surge privada do seu conteúdo psicológico; ela deixa de ser um meio de comunicação para ser um objecto em si, monstruoso e cómico.

 

  TEATRO DO BAIRRO

              23,24 E 25 DE MAIO   

                    (6ª e Sáb - 21:00 / Dom - 17:00)

                M/12

 

 

 

 

Eugène Ionesco é normalmente referido, em conjunto com Samuel Beckett, como sendo o pai do Teatro do Absurdo. Segundo Beckett, é necessário ‘’para um texto burlesco, uma interpretação dramática; para um texto dramático, uma interpretação burlesca’’. Porém, além do ridículo das situações mais banais, o teatro de Ionesco configura de maneira palpável, a solidão do homem e a insignificância da sua existência. Não queria que as suas peças fossem categorizadas como Teatro do Absurdo, pois preferia em vez de absurdo, a palavra insólito. Percebeu no termo insólito um aspecto ao mesmo tempo pavoroso e maravilhoso diante da estranheza do mundo, enquanto a palavra absurdo seria, para ele, sinónimo de insensato, de incompreensão. A fadiga dos destinos monótonos, a viscosidade da existência esvaziada de um sentido imanente ou transcendente, quando os homens já não podem ou ainda não sabem conferir-lho, associam-se nas chamadas “anti-peças” de Ionesco a uma espécie de furor hilar de destruição, quando o autor demonstra que todas as frases são gratuitas, que todos os sentidos são reversíveis, que tanto faz dizer preto como dizer branco. E, entretanto, neste caos da gratuitidade estranhamente familiar ou tranquilamente estranha, algo nunca é gratuito: a visão do indivíduo, da sua constante e intransponível solidão, do seu vazio metafísico.

 


  

  

  Criação e Interpretação

Alexandra Sargento

Andresa Soares

Fernando Rodrigues

João Cabral

João Gualdino

Sofia Brito

 

 

Direcção de Arte

Tânia Franco

Desenho de Luz

Paulo Santos

Produção

Buzico! Produções Artísticas

Fotografia

MEF