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Cultura de Borla

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Exposição “Timor: Totems e Traços” | Museu do Oriente mostra exemplares raros da cultura timorense

O Museu do Oriente mostra, a partir de 13 de Dezembro, testemunhos raros das tradições e diversidade regional de Timor, na exposição “Timor: Totems e Traços” que reúne um conjunto representativo da arte têxtil tais futus.

Tecedeira de Helong e o seu marido fotografados em

 

Esta exposição reúne cerca de 70 exemplares, oriundos de Timor Ocidental e Timor-Leste, datados do século XX ou mesmo anteriores, que testemunham um tipo de produção artesanal feita por mulheres em teares tradicionais de madeira.

 

A maioria das peças pertence à colecção de um dos maiores especialistas na área, Peter ten Hoopen, e algumas são consideradas bastante raras, pela técnica e padrões utilizados, bem como pela sua proveniência de Timor-Leste.

 

Peter ten Hoopen começou a interessar-se por esta arte timorense no final dos anos 70, mas só a partir de 2010 é que decidiu coleccioná-la e estudá-la activamente. “Quando lidamos com uma cultura que está a desaparecer rapidamente, mais do que coleccionar peças emblemáticas, importa preservar o conhecimento nelas contido. Se a transferência tradicional de conhecimentos saltar uma geração, esse conhecimento perde-se para sempre. É por isso que vejo esta colecção como um  projecto de património cultural, e não apenas um somatório de objectos”, explica.

 

Durante milhares de anos, o ikat, uma das técnicas decorativas mais comuns existente também nos tais futus timorenses, foi um elemento central da cultura austronésia, funcionando como um meio de comunicação e linguagem, transmitindo valores e normas, sentido de pertença, diferenciando classes sociais, testemunhando fenómenos de interculturalidade, de significados, associações, carga simbólica e mitos de origem, materializados nos padrões decorativos, nas cores usadas e na ordem da sua aplicação. Grande parte destes panos, tecidos pelas mulheres de uma linhagem, era guardado, sendo considerado património dessa linhagem e necessário para as trocas rituais em cerimónias de aliança, casamento, nascimento e morte.

 

O longo período de agitação política vivido por toda a ilha, a partir da década de 70 do século XX, as alterações do estilo de vida das populações e o desinteresse a que este artigo de vestuário foi entretanto votado, por se considerar já não estar na moda’, fez com que grande parte do seu património têxtil fosse destruído.

 

Após a realização, em 2014, da exposição “Linguagens Tecidas”, dedicada exclusivamente aos ikat indonésios, o Museu do Oriente mostra agora uma tradição que desempenha ainda um papel primordial na sociedade e cultura timorenses, apesar da perda irreversível de exemplares mais antigos que serviam de modelo às novas gerações.

 

A exposição conta com o Alto Patrocínio de Sua Alteza Real D. Duarte de Bragança e está patente até 15 de Março.

 

No dia 13, sexta-feira, às 11.30, Peter ten Hoopen orienta uma visita a “Timor: Totems e Traços”, de entrada gratuita.

 

Exposição “Timor: Totems e Traços”

Inauguração | 12 de Dezembro | 18.30

Até 15 de Março 2020

Horário: terça-feira a domingo, 10.00-18.00

(à sexta-feira o horário prolonga-se até às 22.00, com entrada gratuita a partir das 18.00)

Preço: 6 €

 

Visita orientada pelo coleccionador Peter ten Hoopen

13 de Dezembro | 11.30 | Entrada gratuita

www.museudooriente.pt