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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Feira do Livro: Lançamento da obra de José Medeiros Ferreira realiza-se hoje, às 19h00

Hoje, dia 31 de maio, às 19h00, na Feira do Livro

A Revolução do 25 de Abril: Ensaio Histórico,

de José Medeiros Ferreira

 

40 anos após a sua primeira edição, saiu de novo à estampa, com a chancela da Shantarin, a obra de Medeiros Ferreira

SHANTARIN _ José Medeiros Ferreira_ A Revoluçã

A sessão de apresentação do livro terá lugar Feira do Livro de Lisboa hoje, dia 31 de maio, às 19h00, no Auditório Poente. O lançamento contará com a presença de Eduardo Paz Ferreira, Pedro Aires Oliveira e José Pacheco Pereira.

 

“Neste trabalho pioneiro, Medeiros Ferreira estabeleceu um primeiro quadro interpretativo do 25 de Abril, expurgando-o de leituras esquemáticas e maniqueístas”, refere Pedro Aires Oliveira, coautor da introdução à presente edição, professor de História Contemporânea na NOVA FCSH e investigador no IHC/IN2PAST. “Ao contrário das narrativas que faziam da ‘luta de classes’ o cerne da revolução, Medeiros Ferreira propõe-nos uma visão que confere a devida primazia à luta pelo poder entre grupos políticos organizados e instituições. Só por isso, vale a pena regressar a esta obra fundadora da moderna historiografia da Revolução dos Cravos”, conclui.

 

Para Maria Inácia Rezola, igualmente coautora da introdução ao volume, professora na ESCS-IPL, investigadora no IHC/IN2PAST e Comissária Executiva da Estrutura de Missão do 50.º aniversário da Revolução do 25 de Abril, “este ensaio histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, escrito num contexto em que a história da Revolução ainda não usufruía de completa dignidade académica, foi um trabalho pioneiro que inaugurou uma escola interpretativa que subsiste até aos dias de hoje”. E acrescenta: “Num momento em que se celebram os 50 anos da Revolução de Abril, importa revisitar a obra de José Medeiros Ferreira e apreciar a sua clarividência para compreender os acontecimentos e os atores que marcaram a história da construção da democracia em Portugal”.

 

A reedição, com novidades, de uma obra clássica e atual

Uma das novidades da presente edição é a seleção de fotografias a cores e a preto e branco do 25 de Abril, do 1.º de Maio de 1974 e de outros momentos da Revolução, da autoria de Jorge da Silva Horta. A nova edição conta ainda com um glossário de Manuel Martins, que introduz aos leitores que não viveram a Revolução o extenso rol de lugares, datas, atores, organizações e documentos citados ao longo do ensaio por Medeiros Ferreira. Finalmente, a capa é da autoria de José Brandão, nome de referência do design em Portugal e professor emérito da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

 

Uma figura incontornável na história da Democracia em Portugal

Dirigente estudantil aquando da crise académica de 1962 e preso político, José Medeiros Ferreira  que foi expulso de todas as universidades portuguesas – estava exilado na Suíça quando eclodiu a Revolução do 25 de Abril. Um ano antes, enviara ao 3.º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese premonitória, que defendia o envolvimento das Forças Armadas para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas e apoiar um plano de ação nacional que conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento do País.

 

Regressado do exílio pouco depois da Revolução, Medeiros Ferreira foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Constitucional e desempenhou um papel político de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo. Esteve a seu cargo a preparação diplomática do pedido de adesão de Portugal à CEE, em março de 1977.

 

Foi na fase inicial de uma brilhante carreira académica no domínio da história contemporânea portuguesa, e de novo à frente do seu tempo, que da pena de Medeiros Ferreira saiu à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril. A obra é, agora, reeditada pela Shantarin.

 

Sobre a Shantarin

SHANTARIN, topónimo medieval de uma cidade no ocidente da Península Ibérica, resultou da arabização de Santa Irene — sendo que Irene romanizara εἰρήνη (eirēnē), termo grego para paz. Na cidade imaginada de SHANTARIN, mulheres e homens originários do Norte, do Sul e do Oriente, judeus, cristãos e muçulmanos, falantes de línguas várias, viveram e conviveram, sonharam e criaram, produziram e comerciaram, contribuindo para a construção e a prosperidade da urbe, em paz e em liberdade. Com o nome e com o espírito daquela terra de fronteira e de encontros, a Shantarin é uma editora de humanidades que, privilegiando o rigor filológico, científico e editorial, difunde em várias línguas obras que levam consigo os signos da criação artística e literária e os valores da liberdade, da democracia e da dignidade humana.