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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Festival Internacional de Teatro de Setúbal - XVII FESTA DO TEATRO

Festival Internacional de Teatro de Setúbal               

XVII Edição Festa do Teatro

 

A XVII Festa do Teatro começou a semana passada.

E vai estar até 5 de Setembro!

A Inauguração e os primeiros espectáculos do Festival

 

Dia 20 de Agosto

 

A abertura deu-se nos Claustros do Convento de Jesus, o público compareceu ao cair da tarde num espaço que raramente temos oportunidade de desfrutar e apreciar toda a sua beleza e relevância histórica.

 

No discurso de abertura, o Director do Festival, José Maria Dias, realçou os já 20 os anos de existência, persistência e crescimento do Festival, esta ano na sua 17ª Edição. Mencionou também os 30 anos que a companhia celebra, apresentando um trabalho que espera orgulhar a cidade e o Município. Num discurso emocionado, referiu-se o não-apoio da DGArtes ao Festival este ano e a incerteza em manter o Festival e os novos projectos, como a extensão temporal em Novembro, ou o lançamento do concurso de novos textos dramáticos, Cenas Escritas. Lançou-se o abaixo assinado de apoio ao Festival, que agora circula pelo mesmo, e se encontra também online em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT78229   

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 A Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, marcou também presença e referiu no seu discurso a importância do Festival para a cidade de Setúbal e a parceria com a Câmara Municipal. Foi referida a importância de certos equipamentos e instalações municipais para o apoio e mostra de eventos culturais e artísticos.
Mostrou também o seu apoio e solidariedade para com a situação da Festa do Teatro.

 

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 Neste espaço, deixámo-nos imergir no apontamento musical proporcionando por Bruno Moraes, recordando-nos temas usados pelo Teatro Estúdio Fontenova nas suas criações, muitos da sua autoria.

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Pela noite, voltámos a recordar “O Homúnculo”, no Fórum Municipal Luísa Todi, com uma plateia bem composta, onde marcaram também presença um grupo da Casa Amiga das Irmãs da Anunciada numa oferta proposta pela Albergaria Laitau.
Às 23h30 brindámos a este começo com moscatel e casquinhas de laranja na Ritália & Bocage nos nossos (Re)Cantos, mantendo a força e vontade!

Dia 21 de Agosto

 

Iniciámos a secção “Mais Festa” (a concurso) com UmColetivo no Auditório da Escola Secundário Sebastião da Gama, o espectáculo “A Mais Terna Ilusão” mostra-nos Cátia Terrinca num texto a partir de “O Marinheiro”, drama estático de Fernando Pessoa. Um espectáculo íntimo e intenso na sua simplicidade onde a palavra ondulou num jogo de luz e sombra que cativou o público.

 

Pelas 22h00, no Ginásio da Escola Secundária Sebastião da Gama, a companhia Chão de Oliva, trouxe-nos “E a Cabeça Tem de Ficar?”, uma apresentação de pequenos textos de Karl Valentin articulados aqui num único espectáculo. Revisitado várias vezes foi com agrado que assistimos nesta adaptação toda a subtileza, crítica e comédia própria do autor. Amparado por dois actores que se reinventavam continuamente, o espectáculo foi pautado também por um jogo de luz encantatório.
Ao mesmo tempo, assistia-se no Made In Café a mais uma sessão de Mestres do Cinema ao Ar Livre. Desta vez contando com várias Curtas Metragens de Charlie Chaplin que certamente deliciaram miúdos e graúdos.
A noite findou com o cantautor Setubalense Tio Rex, acompanhado por três músicos (piano, percussão e baixo). Numa viagem por músicas dos seus álbuns o espaço do Café das Artes – Pátio do Dimas na Casa da Cultura, mostrou-se aconchegante para acolher a voz íntima de Tio Rex.

 

Dia 22 de Agosto

 

A tarde quente e solarenga foi o convite para o primeiro momento ao ar livre do dia pelas 16h00 no Café das Artes – Pátio do Dimas, na Casa da Cultura. Abrimos com uma novidade, o lançamento do livro “Teatro”, de Lucianno Maza (dramaturgo, encenador, critico e curador teatral, pela primeira vez em Portugal), pela mão da Chiado Editora. A leitura encenada do texto “Três T3mpos”, dirigida por Paulo Lage, contando com os actores Cátia Terrinca e Guilherme Barroso pautou o primeiro momento.

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 De seguida, ouvimos a representante da Chiado Editora, Dora Ferreira, referir a relevância da parceria entre Brasil e Portugal e a presença de um novo livro com textos para Teatro na Editora. A análise de Luísa Monteiro foi escutada com atenção numa exposição cuidada e fundamentada da obra do autor. Finalmente, ouvimos Lucianno Maza e o porquê da sua vinda a Portugal, justificada pela encenação de um dos textos presentes nesta obra, “Carne Viva”, a estrear no Festival, tendo o mote de uma actriz, Graziela Dias. Lucianno contou também o seu percursos, que textos seus já foram encenados, e a indicação ao Prémio Jabuti de Literatura pela edição Brasileira do mesmo livro. Muitos foram os livros autografados!

 

 

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Fugindo da chuva, o Parque do Bonfim encheu-se de gente para o espectáculo “Loa, Xácara e Bugiganga”, do Teatro das Beiras. A companhia, directamente da Covilhã, revelou-nos o legado  teatral de Calderón de la Barca. O “teatro por dentro do teatro” e a “festa por dentro da festa” fez-se decerto sentir com a presença de um público variado e eclético que viajou no tempo e acompanhou as personagens populares.

Terminando a céu aberto e continuando o sorriso nos lábios que nos deixou o Teatro das Beiras, alargámo-nos às gargalhadas com o stand-up de Pedro Luzindro, no Pátio do Dimas - Café das Artes, na Casa da Cultura. Longe do humor fácil percorremos improvisos de Jazz e batidas de techno, sex-shops para idosos e velhatonas, super-heróis e até a pré-história! Muitos foram aqueles que tiveram dificuldade em encontrar um cantinho para assistir ao espectáculos, que deixou as suas lesões… como bochechas doridas de tanto rir proporcionando, sem dúvida, um sono bem disposto.

 

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 Dia 23 de Agosto

Foi com uma dupla estreia que começámos este dia. Às 19h00, inserido na Secção “Mais Festa” (a concurso), no Auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama recebemos pela primeira vez no Festival o Colectivo Sophiemarie e, pela primeira vez, o Colectivo Sophiemarie apresentou “A Menina é Má”. O espectáculo, baseado num excerto da obra “Os Meus Sentimentos”, de Dulce Maria Cardoso, encontrou num monólogo subtil o calor do público. A forma leve e delicada, mas não simplista, de abordagem de uma história que toca temas profundos e muito humanos tocou os presentes.

Abençoados pela chuva assistimos a Misterman, Coprodução Culturproject e Artistas Unidos, texto de Enda Walsh, interpretado pelo exímio Elmano Sancho, com o qual venceu o Prémio para Melhor Actor de 2014 pela SPA. Numa sala cheia, seguimos o rigor e rotina de Thomas em exercícios contínuos de alguém que combate a solidão e os seus medos e valores. Sozinho em palco, Elmano opera um sem fim de parafernália (são muitos os gravadores de fita magnética). É, no entanto, da condição de ser humano e dos seus valores que este espectáculo retrata, e o quão não linear é cada individuo.

 

Dia 24 de Agosto
Uma segunda-feira descontraída revelou-nos um momento especial do nosso Festival que encheu o café Ritália & Bocage ao cair da tarde, para assistir às Conversas de Teatro. O mote deste ano, “A Identidade Afroportuguesa no Teatro”, juntou um painel singular. Rogério de Carvalho, Zia Soares, Lucianno Maza em debate, moderados por João Costa Dias trouxeram-nos à mesa questões que nem sempre são pensadas e consideradas.

Questionou-se sobre o que realmente é “uma identidade afroportuguesa”, a importância do Teatro e da Arte em ultrapassar rótulos e cores, todos os preconceitos ainda muitas vezes vigentes em teatro e televisão que associam a etnia ou cor a classe ou referência social. Falou-se sobre que teatro tem sido feito que mistura estas duas identidades (tanto em Portugal, como no Brasil), e porque não se pode representar apenas uma “identidade Africana”. Cruzaram-se experiências de diferentes nacionalidades, gerações e referências profissionais. Testemunhámos um momento único de grande riqueza… Venham mais momentos destes!

 

 

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Dia 25 de Agosto
Directamente do Algarve chegou-nos a ACTA, com “Nossa Senhora da Açoteia”, que apresentou o seu espectáculo no Ginásio da Escola Secundária Sebastião da Gama, pelas 22h00. Uma sala que quase se mostrou pequena para acolher todos aqueles que procuraram lugar. Pela mão de Luís Vicente ouvimos a personagem do texto de Luís Campião, uma mulher que é também a história de um Algarve, assim não tão perdido no tempo. Com uma sala bem disposta e satisfeita terminámos a noite… prontos para uma estreia.
“Carne Viva”, de Teatro Estúdio Fontenova com encenação e texto de Lucianno Maza, terá lugar dia 26 de Agosto, às 22h00, no Fórum Municipal Luísa Todi. A história de Uma Mulher, destituída de nome ou qualquer característica em especial; apenas a sua identidade de género que sobressai: a sua condição feminina. Esposa perfeita – ou que tenta aparentar tal perfeição – sempre a preparar algo para saciar a fome do seu marido, enquanto dentro de si uma ebulição acontece. Originalmente um monólogo, a encenação reúne em cena três intérpretes das linguagens do teatro, dança e canto (Graziela Dias, Eduardo Dias e Sofia Crispim Rosado).

 

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