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Cultura de Borla

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Fleeting Circus lança seu segundo disco, “Restless Noise”, via Sagitta Records

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Arte por Guilherme Moraes

 

Inaugurando uma nova etapa para a Fleeting Circus, o disco “Restless Noise” é recheado de subjetividade. Segundo disco cheio da banda, o nome simboliza continuidade, persistência e, após anos de estrada, a permanência no caminho construído pelos trabalhos anteriores se tornou ainda mais necessária. Com 10 faixas, o álbum conta com os singles lançados anteriormente, “The Altruist”, “War Call” e “Disconnection”, que já estão disponibilizadas nos serviços de streaming.

 

 

Essas mudanças, individuais e coletivas, na maneira de interagir entre si, escutar e tocar, refletem na sonoridade de “Restless Noise”. Muito mais do que amadurecidos, os músicos dão destaque as composições curtas, objetivas, que focam na voz de Taynã Frota e nas letras. Com produção de Patrick Laplan (Eskimo, Rodox, Planar), que também contribuiu nas baquetas, o desafio de prosseguir com o processo de gravação após a saída de um integrante se tornou motor para alcançar o patamar que a banda buscava.

 

 

 

“Nos vimos numa situação em que estávamos sem baterista, mas com músicas e ideias suficientes para entrar em estúdio. A solução foi contar com o Laplan. Ficamos durante um mês tocando todos os dias em nosso estúdio, o Fleeting Cave, compondo, elaborando as idéias e nos conhecendo. Como nossa vontade era, em hipótese alguma, repetir fórmulas usadas em trabalhos anteriores, a presença do Patrick foi catalisadora de um momento de muita criatividade, um frescor em um momento importante”, explica Lucas Faria.

 

O respiro que Laplan trouxe para a obra da Fleeting Circus transparece em diversos aspectos do disco. Entre eles, o conceito visual de “Restless Noise”, que materializa a ligação que a banda ainda traz com o disco físico: encartes e artes que possam ser folheadas enquanto se escuta música, como uma experiência visual que complementa a sensorial. Quem ficou responsável pelo design deste trabalho foi o artista plástico Guilherme Moraes, que também desenvolveu a capa do EP de estreia da Fleeting.

 

 

 

“Sempre achamos incrível o que ele faz, as imagens que ele cria são muito poéticas. Por trás das cores e da beleza, sempre que olhamos para suas pinturas encontramos uma ideia nova, quase que  subliminar. De alguma forma tentamos passar isso com a nossa música e se a parte visual consegue contribuir para instigar a imaginação das pessoas, nos dá um gostinho bom de dever cumprido”, elogia Lucas.

 

Considerada pelo Spotify uma das apostas para 2017, a Fleeting Circus mostra uma nova sonoridade nos últimos lançamentos, provando que o som do grupo segue amadurecendo desde o disco de estreia, "Dream World of Magic", de 2011, e do homônimo álbum de 2015. A Fleeting Circus é Taynã Frota (voz), Felipe Vianna (guitarra), Rodrigo Seven (guitarras) e Lucas Faria (baixo).

 

 

Faixa-a-Faixa, por Lucas Faria.

 

War call: Essa música começou com uma linha de baixo feita há anos, durante um dos intermináveis intervalos de gravação de um programa de televisão em que participamos. Achava a linha parecida com Warpaint, o lance dos acordes mas com a guitarra base ela ficou com uma cara mais Red Hot, tanto que ganhou o nome de trabalho de Frusciante durante muito tempo. (Risos) Após essa ideia inicial, o Taynã teve um insight de começar a melodia vocal com um hook ("Stop fucking around") que apesar do palavrão, provavelmente impublicável, passava um tom mais leve pra música. Esse momento meio que ditou a abordagem  não só dessa música mas de todo o disco, bem mais solar que os discos anteriores. Por isso acabou sendo uma música que puxou as outras, representando bem todo o material e por isso abre o álbum.

 

My Machine: Essa música permanece como uma das favoritas da banda até hoje. É uma canção de formato pop clássico, descarada. Cada um da banda tem referências específicas, mas eu penso nela como uma homenagem a todos os clichês desse tipo de canção, numa abordagem na linha do Ariel Pink, as ideias de harmonia, tema de guitarra, backing vocals chicletes, camas de sintetizadores, interlúdio falado em português durante a música. (Risos) É uma música totalmente diferente de tudo que já fizemos e isso é muito interessante pra gente. Ela vai ganhar um clipe  muito especial, e estamos muito empolgados em adiantar isso.

 

Disconnection: Foi o primeiro single. Também é outra música muito direta, a mais porrada do disco. Começou com o riffzinho da guitarra do Taynã meio “Marquee Moon”, do Television, e se transformou numa espécie de “Song 2” do Blur. Ganhou um clipe que já foi lançado que foi bem divertido de se fazer, caótico na vibe da música com a participação especial do Patrick Laplan e um outro baterista mascarado que teve que substituí-lo durante a filmagem do clipe. Mas dentro da lógica do clipe que é não fazer sentido, nem dá pra notar isso.

 

Super Level Maniac: Essa música  surgiu de um sample de bateria eletrônica que  tinha um timbre e ritmo que lembrava música japonesa, por isso apelidamos curiosamente esse fragmento de Japopop. Na hora de trabalharmos em cima desse sample para compor, acabamos tocando em cima dele em um tempo diferente e criamos algo novo. Tanto que foi preciso readaptar e o sample foi substituído pelo sintetizador marcado do início da música, que se repete mais pro final. Acho que por esse motivo, e por estarmos abertos a essa experimentação, conseguimos trazer uma sonoridade diferente e muito específica nessa música. É um indie mais dançante e pop diferente de tudo que já fizemos. Sempre curtimos muito tocar essa música e acreditamos que a galera vai curtir bastante .

 

You and Ivory: Essa foi outra canção também composta de forma diferente. Assim como My Machine, também foi feita a partir de base de violão, por isso já chegou mais estruturada, inclusive com pedaços de letra e melodia definidas já na concepção. O trabalho de todos foi mais em potencializar o que já era legal na forma bruta, dando mais espaço para os sintetizadores. É um dos principais destaques do disco, com uma letra que traz uma mensagem bem bonita, que eu interpreto como um chamado a transcender, quase que religioso ou espiritual.

 

Invisible Man: Essa música divide o disco. A primeira metade mais direta, imediata e a segunda um pouco mais contemplativa. Ali, entre essas duas metades, fica Invisible Man. É uma música bem agressiva, com uma pegada mais grunge, onde a levada de bateria do Patrick é genial, bem fritada. Isso traz uma originalidade a música que eu curto bastante, além das harmonias vocais que dão um toque glam aos refrões, lembrando em alguns momentos David Bowie ou Scott Weiland. E o final também é bem irado, quando rola uma jam mais barulhenta e livre.

 

The Altruist: Outro single importante do disco, uma das mais queridas também. As bases do verso e refrão foram criadas pelo Vianna e todos curtimos desde o início, assim ela foi surgindo com cada um contribuindo com sua parte e o resultado dessa junção foi meio mágico. O nome de trabalho dela era In Rainbows, e se você escutar a música talvez dê pra perceber o porquê (risos). A levada de bateria também foi bem surpreendente e ajudou bastante a inspirar o melhor de cada um. Também tem uma letra que se destaca junto com a melodia, e por isso escolhemos ela para fazer um vídeo com piano e voz para dar mais destaque a isso. Essa música também foi importante para percebermos nesse disco o poder das canções, que podem até mesmo ser tocadas de infinitas modos sem perder a essência, o que nos vislumbra a possibilidade de sempre pensar em versões diferentes de se apresentar essas músicas para o futuro.

 

Tristeza: É a mais exótica do álbum. Ela dialoga com o silêncio de uma forma até então inédita para a banda, e a gravação captou bem isso, com o arranjo bem esparso, com uma levada de bateria um pouco afrobeat e texturas eletrônicas. Pela sua peculiaridade dentro do próprio disco achamos interessante chamá-la por um nome em português, mesmo que cantada em inglês, ela possui uma melancolia ligada à música brasileira que curtimos. A música tem ainda uma parte final que é um dos instrumentais mais especiais, com uma harmonia que se repete por várias vezes de maneira hipnotizante.

 

M Train: Outra canção muito especial do disco, que ganha muito ao vivo. É uma balada, surgida a partir de uma linha de baixo ambiente, post rock. A música vai crescendo até chegar ao final épico, com distorções e teclados intensos. Tem uma influência forte de shoegaze, com o lado instrumental carregado  de sentimentos de bandas como My Bloody Valentine e Mogwai. A letra também vai na mesma linha e recorda as memórias dos tempos em que a banda passou em Nova York, tendo grande significado.

 

SUMMER: Foi provavelmente a primeira música criada para esse álbum, tendo estado presente inclusive em alguns shows antes de ser finalizada, o que é curioso  porque ela não sofreu grandes transformações desde sua origem. Também foi criada a partir de uma linha de baixo com delay tocada em loop eterno, com influências de Krautrock. Ainda tem traços da fase mais progressiva da banda, com muitas partes e termina num final grandioso, ideal para encerrar a jornada dessas 10 faixas.

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