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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Grécia, Portugal, Cabo Verde, Bélgica e Alemanha dançam na segunda semana do GUIdance (até 10 fevereiro)

Rui Horta, Patricia Apergi, Euripides Laskaridis, Marlene Monteiro Freitas com Andreas Merk e Peeping Tom protagonizam a segunda ronda de espetáculos da 8ª edição do festival

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A partir desta quarta-feira, a dança regressa aos palcos em Guimarães. A segunda e derradeira semana da 8ª edição do GUIdance junta na cidade berço criadores de várias proveniências geográficas, nacionais e internacionais. Decorridos os espetáculos “Autobiography”, da companhia Wayne McGregor, “O Limpo e o Sujo”, de Vera Mantero, “Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre”, de Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, e “Humanário”, de Rui Horta em conjunto com Tiago Simães, o palco chama agora pelas criações de Patricia Apergi e Euripides Laskaridis, que apresentam “Cementary” e “Titans”, respetivamente, pelo “Jaguar” de Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk, pela “Vespa” de Rui Horta e por “Vader” da companhia Peeping Tom, peça que encerra o festival. Uma masterclasse, um debate, sessões para escolas e conversas preenchem a semana do Festival Internacional de Dança Contemporânea.

 

Após uma semana de espetáculos, incluindo estreias e lotações esgotadas, a dança está de volta ao palco esta quarta-feira com a “Vespa” de Rui Horta, às 21h30, na Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). Apresentada em reposição, a peça estreou no CCVF em abril do ano passado, aquando da celebração dos seus 60 anos de vida. Um solo, interpretado pelo próprio. Uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Um espetáculo extremamente pessoal, em que teve de lidar consigo próprio através da solidão e do confinamento, pelas longas horas sozinho em estúdio, testando os limites da mente e do corpo. Rui Horta é um veterano selvagem. Só essa condição lhe permite, hoje, a ousadia e a obstinação de voltar ao palco. Após 30 anos de ausência dos palcos, o coreógrafo e bailarino português – em destaque nesta edição – entrega-se novamente ao público e dança existência fora, projetando num plano infinito a ideia do eterno começo, criando futuros.

 

E nesse lugar imaginário vive “Cementary”, a peça de Patricia Apergi que esteve em residência artística no Centro de Criação de Candoso (Guimarães) e se apresenta agora em estreia nacional no palco do Grande Auditório do CCVF a 08 de fevereiro, também às 21h30, assinalando a segunda visita da coreógrafa grega à cidade berço e ao GUIdance, depois da presença no festival em 2015 com “Planites”. Neste espetáculo, Patricia Apergi continua a indagar sobre um tópico central na sua obra, o labirinto urbano, focando-se agora na cidade como lugar de caos. Um lugar de abandono, onde vagueiam os sem-abrigo, onde edifícios que outrora tinham vida são largados à ruína, lugar que foi de encontro e efervescência, mas que no futuro será sinónimo de desolamento. Um espetáculo que exprime o distanciamento de um ideal para mostrar que quanto mais o perseguimos mais mergulhamos numa ansiedade vazia e nada sobrará para os tempos vindouros. Nada é mais triste do que o desaparecimento de um sonho.

 

O “Jaguar”, de Marlene Monteiro Freitas, com a colaboração de Andreas Merk, mostra-se na noite seguinte às 21h30, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). “Jaguar” é um cruzamento de inspirações que brotam muitas vezes sem controlo e que fazem da arte o que ela deve ser: uma força incontrolável, que não se fecha em rótulos ou denominações, mas que voa livre na cabeça de quem cria. E da cabeça passa para o corpo, que prolifera uma dança sem restrições. Marlene Monteiro Freitas é uma força da natureza e por isso esta criação não podia ter outro nome que não “Jaguar”, que explode natureza nos seus mais diversos e amplos sentidos. “Jaguar” é o nome dado a alguns cavalos, mas neste caso é uma peça de dança e um teatro de marionetas. Uma cena de caça, ou melhor, uma cena de caça assombrada. Marlene Monteiro Freitas, coreógrafa cabo-verdiana recém vencedora do Leão de Prata de carreira na Bienal de Dança de Veneza, faz-se acompanhar do germânico Andreas Merk para se expor aos perigos da selva.

 

No último dia do festival, 10 de fevereiro, às 18h30, encontramos “Titans” de Euripides Laskaridis com todo o poder que o lugar da ficção nos reserva. Nesta peça, apresentada na Black Box do CIAJG, Euripides Laskaridis trabalha em estreita colaboração com o figurinista Angelos Mendis e cria um cenário apocalíptico para explorar a perseverança da humanidade diante do desconhecido. O desespero perante o fim da razão, um mundo desolador que evoca uma era em que os titãs governavam o universo. “Titans” traz à cena criaturas dos sítios mais recônditos da mente para refletirmos sobre quem somos. Desde sempre nos impomos a acreditar num ideal. Mas com que propósito? O que distingue, afinal, o ideal do real? A fraqueza humana? A falência titânica de uma ordem ética? Esta peça, que chega ao GUIdance como um lembrete da frágil condição humana, evocando a importância de todos os fracassos, assinala o quão frágil e enganador é o arquétipo da perfeição.

 

O espetáculo de encerramento desta 8ª edição do GUIdance acontece às 21h30 deste mesmo dia, no Grande Auditório do CCVF, com o regresso da celebrada companhia belga Peeping Tom, que depois de “Moeder” (Mãe) – espetáculo apresentado no 12º aniversário do CCVF – nos traz “Vader” (Pai), a primeira parte desta trilogia em torno da família, desta vez para encerrar o festival. “Vader” reflete sobre a decadência, o vazio, a indiferença e a fúria a que estamos sujeitos quando a vitalidade nos abandona, socorrendo-se, ainda assim, de algum humor. A ação passa-se num cenário que nos remete para um lar de idosos, muito semelhante a uma cave, um lugar onde somos muitas vezes deixados ao abandono. Um retrato de um lugar que nos remete para a solidão no fim da vida, obrigando a uma introspeção sobre um filme que já (quase) acabou. No final desta viagem, regressamos, assim, àquilo que a dança em si (sempre) transporta: a relação entre o ser humano. Porque também isso carece de urgência na sua reinvenção.

 

As habituais atividades paralelas continuam a ocupar um lugar fundamental na programação desta semana do festival, aproximando público, artistas, escolas e pensadores, afirmando o GUIdance como um importante acontecimento artístico no calendário de inverno. Destas fazem parte mais uma masterclasse (esgotada), com a companhia belga Peeping Tom, conversas pós-espetáculo com os artistas, a segunda parte do debate “Criar Futuros”, conversa que convoca todos a debater o corpo presente como emergência de futuro, moderada pela jornalista Cláudia Galhós com a presença dos convidados Rui Horta e Maria Manuel Mota (dia 10, às 16h00, na sala de conferências do CIAJG). Reservam-se ainda conferências sobre dança – uma espécie de aula-conferência sobre a história da dança contemporânea, com a jornalista e crítica de dança Cláudia Galhós, na qual se misturam olhares e processos da criação artística ao longo dos tempos – na Escola Secundária Francisco de Holanda e na Academia de Música e Bailado de Guimarães e uma sessão dos Embaixadores da Dança que levará Rui Horta à Escola Secundária Santos Simões. Nestes encontros, coreógrafos partilham o seu percurso, a sua experiência de vida e as suas visões artísticas em contexto de sala de aula. Uma visita devolvida depois pelos alunos, para assistirem ao espetáculo do criador que com eles estabeleceu um sentido de partilha. O meeting point do festival, após os espetáculos, continua com lugar marcado no Café Concerto do CCVF.

 

Os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do CCVF, do CIAJG e da Casa da Memória de Guimarães, bem como nas Lojas Fnac e El Corte Inglés, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. O preço dos bilhetes varia entre os 10,00€ e os 3,50€ e há ainda a possibilidade de adquirir diferentes assinaturas para o festival. Os alunos que frequentam Escolas de Artes Performativas têm um preço especial de 4,00€ nos espetáculos. O programa completo do GUIdance pode ser consultado em www.ccvf.pt.

 

GUIdance 2018

Festival Internacional de Dança Contemporânea

 

PROGRAMA 2ª SEMANA

 

QUARTA 07 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 21h30

Vespa [reposição]

Rui Horta

 

QUINTA 08 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Cementary [estreia nacional]

Aerites Dance Company / Patricia Apergi

 

SEXTA 09 fevereiro

CCVF / pequeno auditório | 21H30

Jaguar

Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk

 

SÁBADO 10 fevereiro

ciajg / BLACK BOX | 18H30

Titans [estreia nacional]

Euripides Laskaridis

 

SÁBADO 10 fevereiro

CCVF / Grande Auditório | 21h30

Vader

Peeping Tom

 

ATIVIDADES PARALELAS

 

SEXTA 09

CCVF / SALA DE ENSAIOS | 18h30-20h30

Masterclasse com Peeping Tom

 

QUINTA 08

CCVF / foyer do grande auditório

Talk: Conversa pós-espetáculo com Patricia Apergi

 

SÁBADO 10

CCVF / foyer do grande auditório

Talk: Conversa pós-espetáculo com Peeping Tom

 

Sábado 10

ciajg / SALA de CONFERêNCIAS | 16H00

Debate “Criar Futuro(s)” [parte II]

Moderação Cláudia Galhós

 

Quinta 08 e sexta 09

Sessões para escolas

Conferência sobre Dança

Por Cláudia Galhós

 

terça 06

Escola SECUNDÁRIA santos simões | 10h30

Embaixadores da Dança

Rui Horta

 

Sexta 09 e sábado 10

pós-espetáculos

Meeting point do festival

Café Concerto do CCVF

 

ASSINATURAS

 

ASSINATURA 5 ESPETÁCULOS  (à escolha) 30,00 eur

ASSINATURA 4 ESPETÁCULOS  (à escolha) 25,00 eur

ASSINATURA 3 ESPETÁCULOS (à escolha) 20,00 eur

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