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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

João Garcia Miguel e João Paulo Santos estreiam "Mundo Interior" no Centro Cultural Vila Flor (04 março)

Com direção de João Garcia Miguel e interpretação de João Paulo Santos, o espetáculo estreia em Guimarães a 04 de março

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O Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, serve de palco para a estreia absoluta da mais recente colaboração entre João Garcia Miguel e João Paulo Santos, “Mundo Interior”, marcada para o próximo dia 04 de março. Os criadores recorreram à obra do mítico poeta persa do séc. XIII, Jalâl Rûmi, para construir uma peça em que as palavras, o corpo e a música, numa sinestesia perfeita, fazem acontecer o milagre do espetáculo.

 

Este espetáculo surge de um sonho antigo. Tão longínquo quanto o tempo em que João Garcia Miguel e João Paulo Santos se encontraram no Chapitô enquanto professor e aluno e, no entanto, já como almas e artistas. Jalâl Rûmi, a quem pediram o título desta peça emprestado, diz-nos que a palavra incita-nos na procura; não que a coisa procurada seja obtida pela palavra, pois se assim fosse não teríamos necessidade de nos esforçarmos tanto e repetidamente.

 

João Garcia Miguel e João Paulo Santos correram, por isso, atrás das palavras e chegaram à conclusão que as palavras veiculam uma ideia, mas o mundo interior é muito mais profundo. Como se a palavra fosse a ponta de um iceberg e o resto submerso fosse o que realmente se quer dizer, pensar ou sentir, ou ver. Por isso tiveram de falar duas línguas, duas palavras, duas linguagens complementares, onde o movimento é um modo de expressão e o outro é a palavra. Falar com o movimento e falar com o poema. Fazer uma proeza com as palavras como quem dança ou sobe a um mastro.

 

Neste “Mundo Interior”, João Garcia Miguel e João Paulo Santos trabalharam, ainda, sobre duas narrativas. Uma que se refere às imagens de um barco solitário, de um velejador solitário que viaja para o mundo interior enquanto desconhecido. E a força de querer viajar, e de se descobrir, abre-o ao meio e revela-o, mas ao mesmo tempo confunde-o e destroça-o em fragmentos. A segunda narrativa incide sobre um relato verídico e imaginário, de um grupo de marinheiros, de um descobridor que sofre um naufrágio. Essa noção simbólica de se atirar para o desconhecido que, hoje em dia, está afastada e posta de lado. A formatação social que nos impomos leva a que o mundo seja menos um desconhecido do que um lugar de procura incessante de segurança e tranquilidade. Mesmo que ilusória. Desse modo, o espetáculo contém esse movimento de afastamento da noção de desconhecido.

 

O livro de Jamâl Rûmi e narrativas de naufrágios serviram como ponto de partida para a peça, mas é o corpo, as palavras e a música, que fazem o milagre do espetáculo acontecer.

 

Esta estreia absoluta tem início às 22h00 no Grande Auditório e os bilhetes encontram-se à venda nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

 

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