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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

LLANÇAMENTO do livro "Colóquios dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia" | 28 jun. '24 | 17h30 | Biblioteca Nacional de Portugal

Colóquios dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia,

de Garcia de Orta

LANÇAMENTO | 28 jun. '24 | 17H30 | Auditório | Entrada livre

 

 

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A conhecida obra de Garcia de Orta foi originalmente impressa em Goa em 1563, num grosso volume in-quarto, com o longo título, bem ao gosto da época, Coloquios dos simples, e drogas he cousas mediçinais da India, e assi dalgũas frutas achadas nella onde se tratam algũas cousas tocantes a mediçina, pratica e outras cousas boas, pera saber. Garcia da Orta, quando da publicação do seu inovador tratado, residia desde longa data naquela cidade indiana, e era então «um velho já quase decrépito, dos melhores letrados que há nestas partes», nas palavras de um jesuíta que com ele conviveu. O autor dos Colóquios dos simples nascera por volta de 1500, na localidade fronteiriça portuguesa de Castelo de Vide, onde os seus pais se haviam estabelecido poucos anos antes, fugidos do ambiente antijudaico que se vivia então em Espanha. O jovem cristão-novo, depois de ter feito estudos nas universidades espanholas de Salamanca e de Alcalá de Henares, fora aprovado em 1526 para praticar medicina em Portugal, altura em que se terá fixado em Lisboa. Mas em 1534 partiu para o Oriente numa das naus da carreira da Índia.


No território de Goa, Garcia de Orta exerceria medicina junto das elites portuguesas ali residentes, e também no régio hospital goês, enquanto se começou a envolver em transações comerciais de produtos exóticos e medicinais, à semelhança do que faziam muitos dos seus compatriotas. É provável que, desde meados da década de 1530, Garcia de Orta tivesse reunido dados relativos a portos e mercados, redes de distribuição e preços, medidas e pesos das mercadorias asiáticas, para além de outras notícias que qualquer interessado na aquisição, transação e aplicação de produtos naturais asiáticos deveria ter atualizadas. Depois de quase três décadas de vida na Índia, ao longo das quais fora colecionando de forma sistemática notas de observações pessoais, cartas e relatórios enviados por uma larga rede de informadores e correspondentes, e também uma importante biblioteca de obras manuscritas e impressas, Garcia de Orta decidiu publicar um tratado de história natural oriental.

A obra de Garcia de Orta, na realidade, era muito mais do que um tratado de história natural, como, aliás, já anunciava o próprio título. A curiosidade do físico português parecia não ter limites, tal a multiplicidade de assuntos que conseguia abordar, e que abrangiam nomeadamente a história e geografia do mundo oriental, as práticas sociais e culturais dos seus habitantes, a diversidade linguística, as crenças religiosas, as configurações políticas e militares, mas, sobretudo, a densa rede de negócios de produtos naturais que se estendia por todo o Oriente, da Arábia à China, passando pelos mais remotos recantos da Ásia Central e pelas inumeráveis ilhas da Insulíndia, e que tinha o seu epicentro em Goa. A uma leitura mais cuidada, os Colóquios dos simples apareceriam como uma espécie de enciclopédia das extensíssimas regiões orientais que se estendiam para leste do cabo da Boa Esperança, e que há mais de meio século estavam a ser desvendadas pelas navegações e explorações portuguesas.

A obra célebre de Garcia de Orta é agora reeditada, numa leitura da responsabilidade de Rui Manuel Loureiro e de Teresa Nobre de Carvalho. O texto do original quinhentista foi na presente edição modernizado, e também cuidadosamente anotado, num procedimento que visa sobretudo conceder maior visibilidade e legibilidade a uma obra maior da literatura portuguesa, que na época teve um papel fundamental no conhecimento do mundo natural asiático, e que ainda hoje se lê com proveito, pela descrição muito informada e detalhada que apresenta das múltiplas interações dos europeus com o Oriente. Trata-se de uma edição que tanto pode satisfazer o leitor curioso de antigos tratados de história natural, que tem à sua frente uma versão depurada de todas as dificuldades que um texto quinhentista costuma levantar, como o estudioso de temas luso-orientais, que disporá de uma obra cuidadosamente editada e anotada, que procura apresentar um texto fidedigno, resolvendo em paralelo muitos dos problemas levantados pelos Colóquios dos simples.

 

Na sessão de lançamento desta nova edição da obra estarão presentes Luís Filipe Barreto (FL-UL), que apresentará o livro, Fátima Reis (Diretora da Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste), e os editores, Rui Manuel Loureiro (ISMAT e CHAM/NOVA) e Teresa Nobre de Carvalho (CHAM/NOVA).