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Cultura de Borla

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Marco Pacheco venceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís com o romance “A guerra prometida”

Marco Pacheco recebe Prémio Agustina Bessa-Luís.

Com o romance “A guerra prometida”, Marco Pacheco venceu, por unanimidade do Júri, o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2022, no valor pecuniário de 10 mil euros, garantindo a sua publicação através da Editorial Gradiva, com a qual a Estoril Sol mantém uma parceria desde o lançamento do concurso, em homenagem à escritora, cujo centenário agora se celebra.

 

Sobre A guerra prometida”, o júri, ao qual presidiu Guilherme D`Oliveira Martins, considerou tratar-se de “um romance que, partindo da inovadora ação empresarial e social de Francisco Grandella, constrói uma estória familiar e pessoal de grande alcance humano. O período de transição do seculo XlX para o século XX até à Primeira Grande Guerra Mundial é sinalizado por situações de pobreza que vão determinar a evolução do protagonista”.

 

De acordo ainda com a acta, o romance “é não só de época, mas, também, de significado psicológico e social”, recorrendo a uma linguagem que está “num nível criativo que, associada à original estrutura narrativa de quatro partes, dá a esta obra um protagonismo literário assinalável do que poderá ser considerado um novo realismo”.

 

Marco Pacheco, o autor, retrata-se como um “açoriano de várias ilhas”.

E explica: “nasci em São Jorge poucos meses depois do 25 de Abril, mas vivi também na Terceira e em São Miguel, antes de vir estudar para Lisboa, onde vivo hoje na freguesia de Campolide. Joguei futebol nos escalões secundários nacionais, com uma meteórica passagem pelos juvenis do Sporting, em ambos os casos com assinalável insucesso. Por via desse desgosto e do gosto pelas letras, tornei-me redator publicitário e encontrei assim uma maneira de viver da escrita. Hoje sou Diretor Criativo Executivo da agência de publicidade BBDO, onde escrevo histórias para marcas, vulgo anúncios”.

 

Foi “ao fim de 21 anos de carreira” que o autor de “A guerra prometida” decidiu “aventurar-se na ficção”, porque, no meu trabalho, as histórias que conto não são minhas, são dos anunciantes, e eu tenho muitas que eles jamais comprariam”.

 

Quando fala das suas influências literárias, Marco Pacheco confessa que “foram mudando com a idade. Os primeiros textos de que me lembro de ter gostado (e ainda gosto) foram canções de Tom Waits, Bob Dylan, Leonard Cohen, Bruce Springsteen, Rui Reininho, Morrisey e Nick Cave, entre outros. Os ficcionistas e poetas propriamente ditos chegaram depois, muito depois, até depois da escola secundária: nessa altura só consegui entrever algum interesse no desassossego de Fernando Pessoa”.

 

E recorda que “foi já no final da Faculdade que comecei a descobrir Mário de Carvalho, Lobo Antunes, Raul Brandão, Hemingway, Proust, Almeida Faria, Agustina, Coetzee, Faulkner, Machado de Assis, Jorge Luís Borges, Don DeLillo e muitos outros que fizeram de mim leitor e, quem sabe, um dia escritor”.

 

Sobre o livro, Marco Pacheco diz que estão lá “alguns assuntos que, em graus diferentes, me fascinam: a temeridade da adolescência, a fé (mais ou menos religiosa) e, sobretudo, a morte. A morte não apenas como fatalidade, mistério ou escapatória, mas também como objetivo, como ideal, como redenção. Uma ideia muito cristã e um pouco radical que precisava de uma época também ela de radicalismos, como foi a da Primeira República Portuguesa”.

 

O autor de “A guerra prometida” confessa ainda que que foi nesse tempo que “encontrei os extremismos políticos e religiosos (entre monárquicos e republicanos), mas também o otimismo (da chegada da República) e o medo (da Primeira Grande Guerra), que me ajudaram a construir e a justificar a história de um rapaz com obsessões e sonhos um pouco mais estranhos do que o habitual para a sua idade”.

 

E concluiu com ironia: Outra razão para escolher um período histórico sobre o qual nada sabia foi a minha vontade (quiçá juvenil) de contrariar o conselho que mais ouvi enquanto romancista aspirante: escreve sobre o que sabes”.

 

Guilherme d'Oliveira Martins presidiu ao júri que foi também constituído por José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, e, ainda, por José Carlos de Vasconcelos, Liberto Cruz e Ana Paula Laborinho, convidados a título individual e Dinis de Abreu, em representação da Estoril Sol.

 

O Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís foi instituído em 2008 e já premiou vários romances inéditos.