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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Mixtape "remistura" as memórias do povo "lusoburguês"

De 16 a 19 de dezembro, no Teatro Carlos Alberto

Mixtape “remistura” as memórias

do povo “lusoburguês”

 

O Começo Perdido (2) Jessica Theis (1).jpg

 

Coprodução Teatro Nacional São João e Théâtre National du Luxembourg explora a identidade de uma nação que vive num outro país

 

Em meados da década de 60, chegaram ao Luxemburgo os primeiros emigrantes provenientes de Portugal, na busca de melhores condições de vida e de trabalho. Muitos deles nunca mais regressariam ou voltariam apenas em visitas esporádicas, encontrando um país muito diferente do que haviam deixado e que tinham na memória. Em O Começo Perdido: Mixtape #1, o dramaturgo e encenador luso-descendente Pedro Martins Beja “puxa a fita atrás” para dar a conhecer as recordações de uma nação que vive noutro país. O espetáculo resulta da colaboração entre o Teatro Nacional São João (TNSJ) e o Théâtre National du Luxembourg – onde se estreou em outubro – e estará em cena no Teatro Carlos Alberto (TeCA), de 16 a 19 de dezembro.

 

Com o objetivo de descobrir as raízes do povo “lusoburguês”, que atualmente representa cerca de um sexto da população do Grão-Ducado, a peça recorre a uma mixtape, contando com música ao vivo. Entre ecos de fado num rádio roufenho, reclames televisivos, festas da matança do porco e histórias de lobisomens e bruxaria, são muitas as faixas que compõem a tracklist desta cassete. O conflito entre passado e futuro, velhos e jovens e patriarcado e emancipação é igualmente um leitmotiv do espetáculo. Nesta produção, Pedro Martins Beja não se limita a colocar as suas memórias pessoais em cima do palco, mas utiliza-as como um ponto de partida possível, recorrendo ainda aos contributos do elenco, composto por atores “lusoburgueses” e portugueses.

 

Mas O Começo Perdido: Mixtape #1 é mais do que uma simples viagem ao passado. Explorando os sonhos cumpridos e as ilusões desfeitas, o inquietante, o reprimido e o inconsciente, a peça propõe uma redescoberta da identidade e a desmistificação do conceito de pátria, apresentando Portugal não como um lugar real, mas sim uma projeção, o país distante da infância, imaginado por palavras e sons. Para lá das ligações concretas entre Luxemburgo e Portugal, são abordadas ainda temáticas que ultrapassam este contexto particular, entre elas a xenofobia sofrida pelos que decidem emigrar. No local, descobre-se o global. No biográfico, o geral. Na solidão individual, a solidão metafísica.

 

Depois da recente digressão de Castro ao Luxemburgo, este é mais um reflexo do programa de cooperação entre o Teatro Nacional São João e o Théâtre National du Luxembourg. O espetáculo, interpretado em português e em outras línguas (apresentando legendas em português), pode ser visto no Teatro Carlos Alberto de quinta-feira a sábado, às 19h00, e domingo, às 16h00. O preço dos bilhetes é de 10 euros.