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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

MUSEU DA MÚSICA - 2 e 4 de Abril, pelas 18h UM MÚSICO, UM MECENAS - Integral das Sonatas de Vivaldi nos Violoncelos Galrão do séc. XVIII - ENTRADA LIVRE!

2 e 4 de Abril, pelas 18h | #EntradaLivre
 

UM MÚSICO, UM MECENAS
Ciclo de concertos com instrumentos históricos

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Integral das Sonatas de Vivaldi nos Violoncelos Galrão do séc. XVIII  
por Amarilis Dueñas Castan e Esperanza Rama 
 
Sobre os nossos mecenas:
Com a ajuda da restauradora Elise Derochefort e aconselhamento técnico do construtor Christian Bayon, os dois violoncelos Galrão poderão ser tocados pelas mãos de Amarilis Duenas Castan e Esperanza Rama. As violoncelistas serão acompanhadas pelo cravista João Paulo Janeiro.
 
Sobre a solista:

Amarilis Dueñas, natural de Valladolid, iniciou -se no violoncelo aos cinco anos de idade. Em 2008 ganhou o primeiro prémio do concurso Ruperto Chapí de Villena e dois meses mais tarde obteve o primeiro prémio no XI Encontro de Novos Intérpretes Villa de Sahagún, na modalidade cordas. Começou nesse mesmo ano a estudar com Javier Aguirre, e pouco depois com a solista internacional Maria Kliegel, que desde então é a sua mestre. Trabalhou também com professores como Ángel Luis Quintana, David Apellániz, Israel Fausto Martínez, Asier Polo, Damián Martínez, José Enrique Bouché, Miguel Jiménez, Aldo Mata, Jordi Creus, Montse Aldomá, Marius Díaz, Beatriz Blanco, Guillermo Pastrana, Peter Bruns e María de Macedo. Em 2010 obteve o primeiro prémio do Concurso de Interpretação Claudio Prieto (modalidade de solistas). Actuou já em diversos países, como Portugal, Itália, Alemanha e Áustria. Em 2014 foi premiada no Concurso Juventudes Musicais de Espanha, obtendo uma menção especial do júri. Em Maio do mesmo ano acabou o Conservatório Profissional de Música de Valladolid.  Durante o Verão participou na Sommerakademie da Universität Mozarteum em Salzburgo. Desde 2012, Amarilis Dueñas explora também o mundo da música antiga.  Nesse mesmo ano arrecadou o primeiro prémio do Concurso Jovens Intérpretes de Música Antiga Conde de Oeiras. O seu professor de violoncelo barroco e viola da gamba é Javier Aguirre. Frequentou aulas com Roel Dieltiens, Lucia Swarts, Jaap Ter Linden, Bruno Cocset, Alejandro Marías, Antonio Carrilho, Joao Paulo Janeiro, Orlanda Vélez Isidro, Rafael Bonavita, Katalin Hrivnak o Orlando D'Achille. Estreou-se como solista de violoncelo barroco em Portugal com a orquestra lusitana "Concerto Ibérico" em Junho de 2014. Regressa agora a Portugal para estes dois recitais no Museu da Música sob a direcção artística de João Paulo Janeiro.


Sobre os instrumentos Galrão:
O violoncelo Galrão de 1769 pertenceu ao Rei D. Luís e fazia parte da Colecção da Casa Real Portuguesa, Palácio Nacional da Ajuda e tem o nº inv. MM 40. O outro exemplar,datado de 1781, tem o número de inventário MM 46. 
Joachim Jozeph Galram (ou 'Galrão', como também assina) foi um fabricante muito hábil de instrumentos de cordas que teve a sua oficina em Lisboa durante o séc. XVIII. Destaca-se de outros construtores pelo requinte dos instrumentos que produziu e foi, sem sombra de dúvidas, o melhor construtor português de violinos e violoncelos do séc. XVIII.  Mas da sua vida não sabemos praticamente nada. 
A arte de Galrão revela que não era autodidata, embora não exista nenhuma pista sobre o país onde terá aprendido. No entanto, tanto o estilo de construção como o facto de ter sido contemporâneo de músicos italianos na Capela Real, sugerem Itália como uma boa hipótese.
Dez instrumentos musicais deste autor têm paradeiro conhecido: os cinco da coleção do Museu da Música (dois violinos, dois violoncelos e uma viola), um violoncelo que se encontra no Conservatório de Lisboa, um violino do Conservatório do Porto e mais três exemplares de particulares, um deles localizado em Espanha. O violino MM 74 da coleção do Museu da Música é o mais recente e data de 1794. 
Não sabemos ao certo a data da morte deste construtor, mas existe um outro violoncelo, datado de 1797, da autoria do seu discípulo Dinis (aluno de Galrão). Na etiqueta, Dinis aparece já como o representante da oficina estabelecida em casa da viúva Galrão (Felis Antonio Dinis a fes em casa/da Viuva de Galram Anno de 1797)
O violoncelo Galrão do Conservatório de Lisboa é em tudo semelhante ao violoncelo Dinis da coleção do Museu da Música,  o que prova a  aprendizagem de Dinis com este mestre. 
Deduz-se então que Galrão terá falecido entre 1794 e 1797.
No Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes de Ernesto Vieira (edição de 1900), podemos ler: "Apezar de serem estimadíssimos e cotados por elevado preço os raros instrumentos de Galrão que teem apparecido, viveu elle bem obscuramente, pois que ainda não pude obter a seu respeito a mais insignificante noticia biographica. Apenas poderei, por agora, reproduzir o que se sabe pelos disticos dos instrumentos, nos quaes se lê a data em que os construiu (...) No museu de el-rei o senhor D. Carlos, creado por seu fallecido pae, guardam-se com grande estimação dois violinos, uma viola e um violoncello d'este fabricante, que tem a seguinte etiqueta: Joachim Joseph Galram, fecit Olesiponae 1769".

 

 

PROGRAMA DO CICLO

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O ciclo de concertos com instrumentos históricos 'Um Músico, Um Mecenas' está de volta ao Museu da Música. Com dez concertos de entrada livre, a edição deste ano voltará a contar com reputados intérpretes nacionais e internacionais, que darão voz a mais peças da coleção do Museu da Música.

 

'Um Músico, um Mecenas' é um ciclo de concertos, de entrada livre, organizado pelo Museu da Música e que tem como objetivo divulgar o importante acervo do Museu, dando voz a tesouros nacionais e instrumentos de valor histórico único da sua colecção, considerada uma das mais ricas da Europa. São autênticas viagens no tempo, conduzidas por grandes músicos que, na qualidade de mecenas, dão a conhecer os instrumentos através da sua utilização e de uma contextualização histórica estendida ao repertório escolhido.

 

A interpretação, a necessária e muitas vezes urgente manutenção dos instrumentos musicais e a comunicação da história de cada um deles são factores intimamente ligados e que resultam numa acção concertada entre o Museu da Música e os Mecenas do ciclo (músicos e construtores/restauradores).

 

UM MÚSICO, UM MECENAS 2015:
- 21 de Março - José Carlos Araújo interpreta "Música Ibérica do Século XVIII" no Pianoforte Van Casteel (1763)
- 2 e 4 de Abril - Amarilis Dueñas Castán e Esperanza Rama (Direcção Artística: João Paulo Janeiro) interpretam a "Integral das Sonatas de Vivaldi" nos violoncelos Galrão (Séc. XVIII)
- 16 de Maio - Irene Lima e João Paulo Santos apresentam "Música no Tempo de D. Luís I" no Violoncelo Stradivarius Chevillard - Rei de Portugal (1725) e no Piano Bechstein de Luís de Freitas Branco (c. 1920)
- 20 de Junho - Cristiano Holtz interpreta "Sonatas de Domenico Scarlatti" no Cravo Antunes (1758)
- 11 de Julho - Diana Vinagre e Miguel Jalôto interpretam "O Violoncelo - Redescoberta do Repertório Alemão" no Violoncelo Dinis (1797) e no Órgão Fontanes (1780)
- 1 de Agosto - Hugo Sanches, Manuela Lopes (Soprano) e Pedro Sousa Silva (flautas) interpretam "Seicento Italiano e Barroco Francês e Inglês" na Tiorba Buchenberg (1608)
- 5 de Setembro - Nuno M. Cardoso e Duarte Pereira Martins interpretam "Beethoven e Brahms" no Violoncelo Lockey Hill de Guilhermina Suggia (1800) e no Piano de Cauda Bechstein (c. 1920)
- 1 de Outubro - Paulo Gaio Lima interpreta "À volta das Suites de Bach" no Violoncelo Stradivarius Chevillard - Rei de Portugal (1725)
- 21 de Novembro - Cremilde Rosado Fernandes interpreta "Música Ibérica do Século XVIII" no Pianoforte Van Casteel (1763)
- 19 de Dezembro - Filipa Oliveira e Hughes Kesteman (Direcção Artística: João Paulo Janeiro) interpretam "Sonatas de Galliard" na Flauta de Bisel Rust & Dubois (Séc. XVIII) e no Fagote Grenser (1801)