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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Museu Nacional da Música: Solistas da Metropolitana - 6 de Dezembro, 18h, Entrada Livre | UM MÚSICO, UM MECENAS - 7 de Dezembro, 18h, entrada livre (pré-lançamento do primeiro CD no cravo Antunes de 1789)

 
 
PÉCHÉS DE JEUNESSE | Solistas da Metropolitana
Sexta, 06 de Dezembro, 18H, Entrada Livre   
 

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«Péchés de jeunesse» (Pecados de juventude) é o título de um livro de poemas de Alexandre Dumas (filho) publicado em 1845. Poesia «à parte», serve aqui para evocar duas obras musicais mais tardias completadas por dois compositores em início de carreira. Como é próprio, a palavra «pecado» aplica-se com a bonomia que merecem duas criações onde o talento e o genuíno entusiasmo do jovem artista trespassam com generosidade. É o caso do trio para violino, violoncelo e piano que o francês Claude Debussy compôs aos 18 anos de idade, no verão de 1880, numa altura em que viajava pelo sul da Europa ao serviço de Madame von Meck, a célebre mecenas que financiou parte importante da produção de Tchaikovsky. A obra foi composta para ser tocada em saraus de convívio privado em que o próprio compositor se sentava ao piano na companhia de dois outros jovens intérpretes formados em Moscovo. Trata-se de uma partitura que se pensou perdida durante décadas, mas que foi recuperada nos anos 1980.

De igual modo, também a sonata para violino e piano de Manuel Ivo Cruz foi composta quando este era bastante jovem, em 1922, aos 21 anos de idade. Ivo Cruz veio a fundar em 1937 a Orquestra Filarmónica de Lisboa, foi diretor do Conservatório Nacional de Lisboa durante mais de três décadas, também do Teatro de São Carlos e foi pai de outra figura proeminente do panorama musical nacional no século passado, que batizou com o seu nome – razão porque se distingue como «(pai)». A sonata, dividida em três andamentos, antecedeu os seus estudos na Alemanha, pelo que denota bastante a influência das sonoridades que nos chegavam de França, com a característica harmonia modal e o desenvolvimento cíclico das ideias melódicas.

PROGRAMA
M. Ivo Cruz (pai) - Sonata para Violino e Piano
C. Debussy - Trio com Piano em Sol Maior

Carlos Damas, violino
Jian Hong, violoncelo
Anna Tomasik. piano
 
 
 
 
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Em destaque:
 
UM MÚSICO, UM MECENAS
Temporada de concertos com instrumentos históricos | 6 de Dezembro, 18H, entrada livre  

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JOSÉ CARLOS ARAÚJO no cravo de JOÃO BAPTISTA ANTUNES de 1789 (MNM 0373)
Pré-lançamento da primeira gravação de sempre no cravo de João Baptista Antunes de 1789
inserido na colecção discográfica "melographia portugueza" - integral da obra para tecla de Carlos Seixas do MPMP, movimento patrimonial pela música portuguesa

PROGRAMA
Carlos Seixas (1704-1742)


Sonata em mi menor, K. 37

Minuete em mi menor
Fuga em si menor, K. XXV
Sonata em ré menor, K. 29
Sonata em fá# menor, K. XIV
Sonata em dó menor, K. IV
Sonata em dó menor, K. 12
Minuete e glosas (em fá menor)



SOBRE O CRAVO ANTUNES DE 1789
Este é um dos poucos exemplares que testemunham a arte da família Antunes, cujos membros se distinguiram como exímios construtores de cravos e pianofortes em Lisboa, no século XVIII.
Em 1789, João Baptista Antunes (1737-1822), então com 52 anos, constrói um cravo com uma extensão de teclado mais longa do que o habitual e uma qualidade tímbrica e precisão do mecanismo únicas, talvez para que o instrumento pudesse competir com o pianoforte (ou cravo de martelos, como também era conhecido). O pianoforte, então em voga por toda a Europa, viria, como sabemos, a destronar o cordofone beliscado. Este cravo é, portanto, representativo dos últimos tempos de uma época em que duas tecnologias diferentes coexistiram no nosso país.
Segundo Ana Paula Tudela, investigadora e autora do estudo sobre a Família Antunes, livro lançado em 2019 pelo Museu Nacional da Música e Imprensa Nacional - Casa da Moeda, “(…) o instrumento construído em 1789 por João Baptista Antunes (1737-1822) e restaurado em 2018 por Geert Karman, já não se ouvia há seguramente 74 anos ou talvez mais, uma vez que tinha sido adquirido para a colecção antiga do museu em 1944 e desde então não voltou a ser tocado".
Foi pela primeira vez apresentado ao público em concerto em Setembro de 2018, lado a lado com o cravo construído em 1758 por Joaquim José Antunes (1733-1801), classificado como tesouro nacional, também ele uma das jóias da Colecção de Lisboa. Os cravistas convidados foram Miguel Jalôto e José Carlos Araújo.
Ao estudar os percursos e caligrafias dos diversos mestres desta família, Ana Paula Tudela conseguiu demonstrar que estes dois instrumentos foram construídos por dois irmãos, filhos de Manuel Antunes (1703-1766), fundador da emblemática oficina portuguesa “Antunes”, cuja excelência é internacionalmente reconhecida.
Desde Setembro de 2018, o Cravo Antunes de 1789 pôde ser ouvido mais duas vezes: A primeira vez, a solo, por Cremilde Rosado Fernandes, acompanhada pela soprano Ana Paula Russo, e a segunda vez em Setembro último, novamente acompanhado pelo seu irmão Antunes de 1758, tocado pelas cravistas Cândida Matos e Elisabeth Joyé.
O cravo seguiu depois para a Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi gravado pela primeira vez. Este pré-lançamento é, pois, o resultado desse trabalho, que resulta duma união de esforços entre o Museu Nacional da Música e o MPMP, movimento patrimonial pela música portuguesa, com a colaboração da Fundação Calouste Gulbenkian    


JOSÉ CARLOS ARAÚJO
Apontado como «um dos mais importantes intérpretes portugueses da actualidade» (Jornal de Letras), José Carlos Araújo tem desenvolvido o seu trabalho sobretudo em torno da música para tecla de autores ibéricos do período barroco e, muito particularmente, da obra de Carlos Seixas.
Em Lisboa, estudou instrumentos históricos de tecla, baixo contínuo e interpretação de música antiga. Desde cedo influenciado pelas perspectivas interpretativas reveladas por Cremilde Rosado Fernandes e José Luis González Uriol, a oportunidade de trabalhar, mais tarde, com ambos estes mestres viria a informar de forma acentuada a sua abordagem aos repertórios para instrumentos de tecla do Sul da Europa.
A parte mais importante da actividade artística que mantém consiste em recitais em instrumentos históricos (órgão, cravo, clavicórdio e pianoforte), dedicando-se frequentemente a repertórios pouco explorados dos séculos XVII e XVIII.
Colaborou com o Teatro da Cornucópia, sob a direcção de Luís Miguel Cintra. Tocou com as principais orquestras e agrupamentos de música antiga portugueses, sendo, todavia, com a orquestra barroca Divino Sospiro que tem vindo a trabalhar mais intensamente e com a qual realizou numerosas estreias modernas de obras do séc. XVIII e gravou música sacra de García Fajer e José Joaquim dos Santos para a editora Glossa.
José Carlos Araújo dedicou-se ainda ocasionalmente à música para órgão e cravo de autores do séc. XX, em particular Luiz de Freitas Branco, Armando José Fernandes e Clotilde Rosa, que tocou com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e o Ensemble MPMP.
Gravou para a RTP e para a Antena 2. Em 2004, foram-lhe atribuídos o Primeiro Prémio e o Prémio do Público do concurso Carlos Seixas, pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Inaugurou a colecção discográfica Melographia Portugueza (MPMP) em 2012, com os primeiros CDs da gravação integral da obra para tecla de Carlos Seixas.
Licenciou-se em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras de Lisboa, de cujo Centro de Estudos Clássicos é investigador e onde tem vindo a trabalhar na tradução e estudo de autores gregos e latinos. Colabora regularmente em Euphrosyne – Revista de Filologia Clássica.
Actualmente é director da revista Glosas.