Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Na SNBA em Lisboa inaugura a exposição "LA LUNGA STRADA DI SABBIA / A LONGA ESTRADA DE AREIA" de Paolo Di Paolo

 

LA LUNGA STRADA DI SABBIA

A Longa Estrada de Areia

Fotografias de Paolo Di Paolo

Textos de Pier Paolo Pasolini

 

image002.png

Com a curadoria de Silvia Di Paolo

Organizada pelo Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, Sociedade Nacional de Belas Artes, Festa do Cinema Italiano, Fondazione Sozzani de Milão

Sob a égide da Embaixada de Itália em Portugal

Promovida pelo Ministero degli Affari Esteri e della Cooperazione Internazionale

Em colaboração com a Fondazione Sozzani de Milão

Com o patrocínio do Centro Studi Pier Paolo Pasolini de Casarsa (Pordenone)

 

Inauguração

24 de Março 2022

às 18h00

Local: Sociedade Nacional de Belas Artes - Lisboa

Na presença de S.E. o Embaixador de Itália em Portugal Carlo Formosa, do diretor do Instituto Italiano de Cultura de Lisboa Stefano Scaramuzzino, da curadora Silvia di Paolo e do autor Paolo Di Paolo

 

Patente

De 24 de março a 16 de abril de 2022
Dias úteis das 12h às 19h, sábado das 14h às 19h

Entrada gratuita

 

O Instituto Italiano de Cultura de Lisboa apresenta “La lunga strada di sabbia” de Paolo Di Paolo e Pier Paolo Pasolini: mais de sessenta fotografias das quais muitas inéditas, vídeo, documentos, com a curadoria de Silvia Di Paolo.

 

Em 1959, Paolo Di Paolo, com 34 anos, era já fotógrafo, há cinco anos, do semanário Il Mondo dirigido por Mario Pannunzio. Aos 37 anos, Pier Paolo Pasolini era um escritor promissor, tendo publicado A melhor juventude, Vadios e Uma vida violenta. Embora não fosse, ainda, realizador. Arturo Tofanelli, diretor da revista mensal Successo e do semanário Tempo, confiava aos dois autores, que não se conheciam, a reportagem sobre as férias de verão dos italianos.

 

O escritor e o fotógrafo tinham visões diferentes. “Pasolini procurava um mundo perdido de fantasmas literários, uma Itália que já não existia  – recorda Di Paolo – eu procurava uma Itália que olhasse para o futuro. Tinha também concebido o título “A longa estrada de areia” que representava o árduo caminho percorrido pelos italianos para alcançar o bem-estar e as férias.” Nasce uma parceria complexa, delicada, que os aproximará apenas na primeira parte da viagem, mas que depois se consolidará no respeito mútuo e na confiança.

 

A história extraordinária em imagens de Paolo Di Paolo será publicada na revista mensal “Successo” e, para Pier Paolo Pasolini, La lunga strada di sabbia representará um texto com inúmeras publicações. A reportagem sairá em três capítulos (4 de julho, 14 de agosto e 5 de setembro de 1959) para contar as férias de verão dos italianos, percorrendo a costa, do Tirreno ao Adriático, de Ventimiglia a Óstia, de Torvaianica à Sicília, de Santa Maria di Leuca a Trieste. Pasolini escreve: “As montanhas da Versilia…risonhas ou sombrias? Eis uma coisa que nunca se consegue entender. Um pouco loucas, pela forma, e pintadas sempre com tintas do fim do mundo, com aqueles cor-de-rosa, aquele rubor seco da mármore que transparece, como por acaso. Mas tão doces, míticas. Aqui está a praia do Cinquale. (...)”

 

Em 1959 Fidel Castro lidera a revolução em Cuba e Moscovo reconhece o novo regime. Neste ano também Nikita Krusciov visita oficialmente os Estados Unidos e encontra Richard Nixon, conclui-se o Plano Marshall, é promulgada a lei Merlin contra as “casas fechadas”. Em Itália, o milagre económico iniciava-se. Nos jornais, às famílias italianas era apresentado um microcosmo de personagens míticas, em alternativa ao cinzentismo e aos medos da guerra, da emigração, da pobreza que se devia deixar para trás.

 

Di Paolo durante anos fotografou Cinecittà, os artistas e os intelectuais, a nobreza romana e as celebridades internacionais, além de importantes reportagens sociológicas sobre as prisões e o incremento industrial. Colabora durante muito tempo com Irene Brin para a revista mensal “Domina” e para a sua coluna na “Harper’s Bazaar”, mas, com o advento dos paparazzi, dos furos a qualquer custo e dos escândalos, o seu rigor, a sua fotografia profundamente narrativa e evocativa, rende-se.

 

Em 1966 encerra “Il Mondo” de Pannunzio. Paolo Di Paolo abandona a máquina fotográfica e muda-se para o campo, nos arredores de Roma. Regressa aos estudos filosófico e ao setor editorial e inicia uma longa colaboração com a Arma dei Carabinieri, com inúmeras publicações e mais de 40 calendários. O arquivo fotográfico, composto por mais de duzentos e cinquenta mil negativos, folhas de contato, impressões e diapositivos foi descoberto, por acaso, no início dos anos 2000, pela filha Silvia Di Paolo, riportando alla luce la straordinaria lettura di un’epoca.

 

A exposição “La lunga strada di sabbia” foi apresentada pela primeira vez, em 2021, na Fundação Sozzani de Milão.

 

 

PAOLO DI PAOLO

Nascido a 17 de maio de 1925 em Larino, Molise, Paolo Di Paolo muda-se para Roma logo após o fim da guerra e inscreve-se na Faculdade de História e Filosofia da Universidade La Sapienza.

Em 1946 começam as primeiras experiências jornalísticas come correspondente do diário nacional “Il Minuto” e, sucessivamente, com “Italia Libera” e com “Il Messaggero”.

Frequenta os ambientes artísticos de Roma e o grupo Forma 1 com artistas como Mario Mafai, Giovanni Omiccioli, Giulio Turcato, Antonio Corpora, Pietro Consagra, Carla Accardi e Mimmo Rotella. Trabalha no sector editorial e, em 1953, torna-se chefe de redação da revista “Viaggi Cit. Le tourisme en Italie”. Estreia-se na fotografia como amador, no sentido de "fotografar por prazer".

Em 1954 é publicada a sua primeira fotografia no semanário cultural Il Mondo no qual Di Paolo publicará mais de 573 imagens. Entre 1954 e 1956, colabora com La Settimana Incom Illustrata e, no mesmo período, inicia uma parceria assídua com o semanário Tempo. Foram inúmeras as reportagens e os serviços assinados com Antonio Cederna, Lamberti Sorrentino, Mino Guerrini, Luigi Romersa e Pier Paolo Pasolini. Como enviado especial, para além de toda a Europa, viaja na União Soviética, Irão, Japão e Estados Unidos da América.

Documenta Pasolini durante as filmagens dos filmes O Evangelho segundo São Mateus e Mamma Roma com Anna Magnani.

Conclui a sua carreira como fotógrafo em parceria com Irene Brin, celebre jornalista de moda, dedicando-se a reportagens sobre celebridades internacionais. Em 1968, decide acabar com a fotografia e regressa aos estudos filosófico e à investigação histórica. Entre 1970 e 2015 dedica-se às publicações editoriais, entre as quais o calendário do Comando Geral da Arma dei Carabinieri.

O arquivo de Paolo Di Paolo permaneceu escondido durante decénios, perfeitamente conservado, até ser descoberto, pela filha Sílvia, no início dos anos 2000.

Em 2019, o Museu MAXXI, Museo nazionale delle arti del XXI secolo, dedica-lhe uma importante retrospetiva em Roma.

O fotógrafo e realizador americano Bruce Weber acabou de apresentar “The treasure of his youth” (Little Bear, 2021) um docu-filme sobre Paolo Di Paolo.