Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Nova Biblioteca de Arte Equestre no Palácio de Queluz

Inauguração - 22 de abril

Nova Biblioteca de Arte Equestre no Palácio de Queluz

 

Casaca_cavaleiro_tauromaquico_e_aderecos_cavalo_aj

 

- Biblioteca D. Diogo de Bragança, VIII Marquês de Marialva

- Única biblioteca de Arte Equestre aberta ao público

- 1.400 títulos impressos e manuscritos, e 165 gravuras e estampas originais

- Coleção inclui alguns exemplares raros

- Temporariamente em exposição: 2 retratos a óleo, 1 casaca de cavaleiro tauromáquico e adereços de cavalo ajaezado

- Investimento total: aproximadamente 500.000 Euros

 

 

 

 A Parques de Sintra (PSML) inaugura, a 22 de abril, no Palácio Nacional de Queluz, a única biblioteca nacional dedicada exclusivamente à Arte Equestre e aberta ao público: a “Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança, VIII Marquês de Marialva”. No local, além da consulta das publicações, será também possível observar 165 gravuras, duas pinturas (um retrato da família dos 3ºs Duques de Lafões e um de D. Pedro Vito de Meneses Coutinho, 6º Marquês de Marialva), uma casaca de cavaleiro tauromáquico e uma réplica de cavalo ajaezado com gualdrapas e xairel de finais do século XVIII.

 

Com a aquisição e abertura desta biblioteca, que representa um investimento total da Parques de Sintra na ordem dos 468.750 Euros, o público em geral, e em particular os académicos e investigadores, passam a ter acesso a 1.400 títulos (cerca de 2.000 publicações), alguns bastante raros, relacionados com a Arte Equestre. A coleção foi inventariada pela casa leiloeira Cabral Moncada e inclui 800 títulos europeus (entre os quais 16 manuscritos), desde o século XVI ao XX; 294 livros e folhetos dos séculos XIX e XX; 322 livros ilustrados da 2ª metade do século XX; e cerca de 165 gravuras.

Entre estes, destacam-se um exemplar raro da obra de Johannes Stradanus, de ca. 1578; dois títulos de autores portugueses (António Galvão de Andrade, Arte da cavallaria de gineta, e estardiota, bom primor de ferrar, & alueitaria, 1678; e Manuel Carlos de Andrade, Luz da Liberal e Nobre Arte de Cavalaria, Lisboa, 1790); e uma das 23 edições monumentais habitualmente consideradas como parte do Cabinet du Roi, que celebram os feitos do reinado de Luís XIV.

  1. Diogo de Bragança (1930-2012) era um exímio cavaleiro, especialista em Arte Equestre, que toda a vida adquiriu documentos sobre este tema, que ele próprio abordou em diversas publicações. Os herdeiros propuseram a venda da coleção à Parques de Sintra, por desejarem que se mantivesse associada à Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) e ao estudo da Arte Equestre.

A empresa, responsável pela gestão do Palácio e Jardins de Queluz e da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), pretende fomentar a investigação sobre os fundamentos e a evolução da tradição equestre portuguesa, bem como sobre as qualidades e características do património equino que protege e divulga. O exame dos documentos que integram a biblioteca permitiu facilmente concluir que mantê-la como um todo, disponibilizando-a à investigação sobre Arte Equestre, era quase um dever nacional. Nesta perspetiva, com a concordância dos seus acionistas, e apoios da Fundação Calouste Gulbenkian e do Banco Português de Investimento (BPI), a Parques de Sintra adquiriu esta Biblioteca, desconhecida do público em geral, em fevereiro de 2014, pelo valor de 380.000 Euros.

 

De seguida, procedeu à recuperação de três salas no Palácio Nacional de Queluz, para a albergar da forma mais apropriada, com um investimento de 57.250 Euros (incluindo recuperação das salas e aquisição de mobiliário). Deste modo a Biblioteca ficará próxima das instalações da EPAE e constituirá também mais um motivo de atração de visitantes ao Palácio. Representará igualmente uma mais-valia para a missão da Escola na divulgação da Arte Equestre Portuguesa e do cavalo lusitano, bem como na formação regular de cavaleiros.

 

Encontram-se já em curso ações de conservação e restauro de muitos títulos e gravuras, bem como o tratamento documental com vista à elaboração de um catálogo informatizado que em breve estará disponível online no website da Parques de Sintra (restauros de gravuras/molduras, e software implicaram um investimento de 31.500 Euros). Posteriormente, o catálogo da coleção será integrado no maior catálogo coletivo das Bibliotecas portuguesas, coordenado pela Biblioteca Nacional.

 

Em paralelo com a disponibilização da Biblioteca de Arte Equestre, também o acervo bibliográfico do Palácio Nacional de Queluz ficará disponível para consulta, bem como os cerca de 20 exemplares cedidos pela Companhia das Lezírias.

 

A biblioteca estará a partir de agora disponível de segunda a sexta-feira, para qualquer visitante. Para consulta e leitura é necessária marcação prévia.

 

Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança, VIII Marquês de Marialva

Palácio Nacional de Queluz

Horário: Segunda-feira – Sexta-feira, 9h30 - 13h00 e 14h00 - 17h30

Tarifário: Investigadores e académicos: gratuito (marcação prévia: sandra.oliveira@parquesdesintra.pt) / Restantes: bilhete para o Palácio Nacional de Queluz

 

Sobre D. Diogo de Bragança, 8º Marquês de Marialva (1930-2012)

Nasceu em Lisboa, no Palácio do Grilo, sendo o quarto filho varão dos 8 filhos dos 5os Duques de Lafões e 6os Marqueses de Marialva. Foi educado num ambiente austero e cosmopolita, de grande exigência cultural. Jurista e músico de formação – licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa e fez o curso geral de composição do Conservatório Nacional – foi lavrador e ganadeiro, atividades onde soube conjugar a teoria com a prática e o passado com o presente.

Os que com ele privaram descrevem-no como alegre e expansivo, e um excelente conversador, dotado de grande erudição e de um fino sentido de humor. Solteiro, bon vivant, e gourmet de mérito, era grande apreciador de fado e de literatura portuguesa, citando de cor a poesia de Fernando Pessoa, autor que muito apreciava. Exímio equitador, D. Diogo de Bragança foi um digno sucessor do 4º Marquês de Marialva, Estribeiro-Mor do Rei D. José e seu antepassado, conhecido pelo seu papel decisivo no aperfeiçoamento da Picaria Real e da Arte Equestre em Portugal na segunda metade do século XVIII.

Muito eclético nas amizades que granjeou ao longo da vida, cultivou, no entanto, sempre alguma reserva e discrição em relação à sua biblioteca pessoal, em particular ao núcleo de Arte Equestre, agora disponível a todos.

 

Sobre a Escola Portuguesa de Arte Equestre

A Escola Portuguesa de Arte Equestre, sediada nos jardins do Palácio Nacional de Queluz, foi fundada em 1979 com a finalidade de promover o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa. Recupera a tradição da Real Picaria, academia equestre da corte portuguesa do século XVIII, que usava o Picadeiro Real de Belém, hoje Museu Nacional dos Coches, e monta exclusivamente cavalos lusitanos da Coudelaria de Alter.

A gestão da Escola Portuguesa de Arte Equestre foi entregue pelo Governo à Parques de Sintra em setembro de 2012, juntamente com a gestão dos Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz.