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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Obra “Sem Título” e “Pessoa não humana” vencem Artemar Estoril 2014

 

Já são conhecidos os vencedores do Concurso/ Exposição Internacional de Escultura ArteMar 2014. Em cerimónia que teve lugar na Casa das Histórias Paula Rego, o júri atribuiu o prémio à obra “Sem Título”, de André Banha e Orlando Franco. O prémio do público foi para a obra “Pessoa não humana” de Pedro Manuel Fernandes e Filipe von Mayer Reis.

Criada exclusivamente para a participação no Artemar, a obra “Sem Título” convenceu o júri, que lhe atribuiu o prémio no valor de 8 mil euros, pelo facto de permitir interação com o público e evocar uma grande tradição do Concelho: “as pessoas podiam desenhar, levando a que esta obra se identificasse com as pinturas marinhas de grande tradição em Cascais”, revelou a Comissária do concurso/exposição, Luísa Soares de Oliveira.

Para Carlos Carreiras os objetivos subjacentes ao Artemar têm vindo a ser cumpridos: “o que nós pretendemos é fundir os valores culturais com os valores ambientais no sentido de salvaguardar a nossa costa e os recursos que o mar nos oferece. Quando isto é tratado com a criatividade e o talento dos artistas é uma forma de promover esses valores e sensibilizar os cidadãos para os respeitarem mais”, defende.

“A obra estabeleceu uma relação muito curiosa com os espectadores”, refere Orlando Franco. Preocupado com o alinhamento da “janela” que a obra proporciona, André Banha confessa que a preocupação foi que “as pessoas pudessem desenhar a silhueta da escarpa, do casario ao fundo e parte da praia e do mar”.

Com 1.182 votos, o público decidiu-se em maioria (71%) pela obra “Pessoa não humana”, de Pedro Manuel Fernandes e Filipe von Mayer Reis, que receberam 1.000 euros de prémio. Dedicada à preservação dos cetáceos, esta obra visa sensibilizar para a defesa dos direitos das baleias e golfinhos, considerados pela Declaração dos Direitos dos Cetáceos em Helsínquia (2010) como pessoas não humanas, dada a presença confirmada de células cerebrais “spindle”, até agora só encontradas em seres humanos.

“Fizemos uma parceria com a Universidade de Lisboa e estamos a fazer uma análise da comunicação de ciência com o objetivo de consciencializar o público para as alterações do meio marinho e do clima. As pessoas tiveram uma reação muito boa. Reparei que esta obra atraiu também pessoas que já estão relacionadas com o mar, desde professores, biólogos, cientistas, mas também pescadores. Foi um sucesso”.

Concorreram a esta 6.ª Edição do ArteMar Estoril 82 candidatos, tendo sido expostas de 16 de maio a 15 de junho no Passeio Marítimo Cascais-Estoril nove obras das 10 selecionadas a concurso.

Promovido pela Câmara Municipal de Cascais e pela Fundação D. Luís I, o Artemar visa promover trabalhos de elevada qualidade estética e uma forte mensagem ecológica, dado que distingue obras de arte elaboradas com materiais reciclados, reutilizados e/ou recicláveis retirados do mar ou que representem simbolicamente este elemento natural.

Obras a concurso: “Noah”, de Peter Gilbert; “Symbiotic Sights”, de Susana Aleixo Lopes; “Microrganismo Oblíquo”, de Raquel Beatriz Martins; “Sem Título”, de André Banha e Orlando Franco; “Cetus” de Nina Marcon Linden Mayer; “Kraken” de Joana Pinto Oliveira; “Pessoa Não-Humana” de Pedro Manuel Madeira Fernandes e Filipe Costa Veiga Van Mayer Reis; “A Barbatana” de Cristina Maria Seguro Seco; “Following The Sun” de Wiktoria Szawiel e João Filipe; E “Mare Incognitum”, de Sebastião Borges Figueiredo Ascenso Pires.

Sobre o ArteMar | Concurso/Exposição que distingue obras de arte elaboradas com materiais reciclados, reutilizados e/ou recicláveis retirados do mar ou que representem este elemento natural. O concurso é aberto à participação de todos os artistas interessados, portugueses ou estrangeiros, sendo que cada um pode apresentar, no máximo, dois projetos de escultura.