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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Oficina do Livro edita biografia póstuma do actor João Ricardo, Dias que (Não) Contam

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Três meses após a morte do actor, a Oficina do Livro edita as memórias, "Os Dias que (Não) Contam", biografia que João Ricardo escrevia na altura em que perdeu a batalha contra o cancro. “Sou actor há 40 anos, mas já o era muito antes de o ser”, escreve no início deste livro no qual admite que teve uma vida difícil e que a sua maior paixão foi o filho, Rodrigo Ricardo, que apresenta a obra no dia 22 de fevereiro, às 18h30, em conjunto com os actores Paulo Oom e Custódia Gallego, no Bar do Teatro A Barraca. Nas livrarias na próxima quarta-feira.

Ao longo das páginas conta a infância difícil. Aos 9 anos, o pai obrigou-o a trabalhar numa fábrica de caixas, depois numa pastelaria, aos 12 anos, era ajudante de motorista, e depois ajudou nas obras na construção das Amoreiras..”Era um adolescente de 16 anos, frustrado, magoado, carente, vazio."  Não esconde que foi sem-abrigo, mas recusa que tenha sido um “coitado”. “Sim, houve alturas em que não tive nada. Mas também houve outras em que tive tudo. Sim, a vida tirou-me muito. Mas tirou tudo o que devia tirar na altura certa e deu-me tudo o que eu queria na altura certa. Fez de mim quem sou. Um homem que tem tanto de bom como de mau embora goste de acreditar que tenho um bocadinho mais de bom que de mau.”

Autodidacta na representação, adnite em "Os Dias que (Não) Contam" que quis recusar o papel de Armando Coutinho, na novela “Laços de Sangue”, a sua personagem mais conhecida. Em outubro de 2017, sentiu-se mal durante as gravações da novela "Rainha Das Flores", da SIC, canal no qual trabalhou em exclusividade desde 2010. Foi internado no Hospital de Santa Maria e operado a um tumor no cérebro. Voltou ao trabalho para integrar uma novela da SIC, «Espelho d'Água». Morreu a 23 de Novembro de 2017, sem concretizar o sonho de atravessar a nado o estreito de Gibraltar.

“Como pode morrer alguém que ainda nos comove e nos faz sorrir, alguém que sentimos, que amamos? Talvez seja isso a imortalidade. Enquanto nos lembrarem, não podemos morrer. Somos parte de quem fica, até que a última memória de nós desapareça. E um dia, muito depois disso, alguém poderá passar pela nossa campa, notar por acaso o nosso nome, e garantir que não desaparecemos. Até lá, tudo o que podemos fazer é lembrar-nos, todos os dias, de que é este o maior espectáculo do mundo: a vida. E garantir que, neste palco, damos tudo de nós, sem rede, até a última gargalhada se transformar em pó de estrelas.”