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Paisagem Efémera: Refletir sobre o passado e o presente de Riba d'Ave

Estreia do primeiro ato acontece na quinta-feira

Paisagem Efémera: Refletir sobre o

passado e o presente de Riba d’Ave

 

Paisagem Efémera 01_créditos Paulo Pimenta.jpg

 

Espetáculo do Teatro da Didascália olha agora para a paisagem industrial e urbana do território, apresentando-se na Fábrica Sampaio Ferreira

 

Riba d’Ave é uma vila indissociável da componente industrial que, durante décadas, permitiu o seu desenvolvimento, numa “revolução” que se deu à escala daquele território. A Fábrica Sampaio Ferreira foi o “átomo” instigador de um fenómeno que perdura na memória coletiva. O que resta depois da falência da indústria? Como ficaram as vidas dos operários? Tendo como ponto de partida um espaço vazio que se projeta para o imaginário, o Teatro da Didascália vai procurar responder a estas questões na sua mais recente criação: Paisagem Efémera – industrial e urbana. O primeiro ato do projeto vai estrear-se esta quinta-feira, às 19h00, e tem como palco o espaço da própria fábrica.

 

Os registos dizem que eram 200 os teares da Fábrica Sampaio Ferreira, a empresa fundada por Narciso Ferreira, em 1896. Foi a primeira empresa têxtil moderna de Vila Nova de Famalicão. O seu marco no território é inquestionável e, mesmo depois de desativada, os ecos do seu legado ainda se fazem sentir por toda a vila: no mercado, no hospital, nas escolas, no cineteatro e até dentro das próprias casas. Na forma como olha para a paisagem industrial e urbana de Riba d’Ave, o Teatro da Didascália procura dar voz aos operários anónimos que permanecem na sombra da história, onde por norma sobressaem apenas os nomes dos grandes empresários.

 

No espaço onde agora impera o silêncio e o vazio vão projetar-se sons de máquinas, personagens e narrativas imaginárias. Bruno Martins (diretor artístico do Teatro da Didascália), António Júlio, Margarida Gonçalves e Rui Souza, criadores e intérpretes do primeiro ato do Paisagem Efémera – industrial e urbana, vão explorar diferentes elementos que compõem o universo industrial, fazendo da antiga fábrica uma página em branco para escrever o presente.

 

Desde o som das máquinas do passado em paralelo com a atual ausência de ruído; passando pela representatividade da figura feminina na classe operária da época, através da análise da repetição das tarefas que esta exercia no seu trabalho e depois no lar; sem esquecer a relação emocional que os operários estabeleciam com a fábrica e a vida dos que “perderam a função” depois da falência. A tudo isto, junta-se ainda o processo de transição da ruralidade para a industrialização e a influência que esta mudança aportou em tradições tão simples como os cantares de trabalho. Estes são alguns dos temas abordados pelo espetáculo, que resultam do trabalho de investigação dos quatro criadores.

 

Um projeto artístico de continuidade

Paisagem Efémera – industrial e urbana vai ainda contar com mais dois atos, que vão ser apresentados nos próximos meses. O foco continuará a ser a paisagem do território ribadavense, espaço que o Teatro da Didascália “tomou” como uma “segunda casa” até ao final do ano. Recorde-se que em 2020, a companhia apresentou o projeto Paisagem Efémera – natural e rural, através do qual deu a conhecer a vila de Joane, incitando uma reflexão sobre as suas consequências sociais, políticas e ambientais da transformação daquele território.

 

O primeiro ato de Paisagem Efémera – industrial e urbana pode ser visto quinta e sexta-feira, às 19h00, e no sábado, às 11h00, na Fábrica Sampaio Ferreira (Av. Narciso Ferreira 4765, 4765-202 Riba d'Ave), cuja lotação está limitada a 53 lugares. O preço dos bilhetes é de cinco euros.

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