Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Pires Vieira, "Geometrias I & II e outros objectos pictóricos, 2009/2018"

0a16415b-e56f-4ed5-9e91-afb3c0149ee9.jpg

 

 

Geometrias II, 2017, Óleo s/ tela, 152x180 cm

 

Inauguração | quinta-feira 7 fevereiro, 18h
Exposição | 8 fevereiro a 25 maio 2019
Ter. a Dom. 10h00-12h30 e 14h00-17h30
Museu da Guarda | R. Alves Roçadas, 30, Guarda

A exposição “Geometrias I & II e outros objetos pictóricos, 2009 / 2018”, de Pires Vieira, reúne obras representativas do trabalho desenvolvido pelo artista nos últimos dez anos. 
Nesta exposição são mostradas obras das séries “Geometrias II”, de 2018, “Geometrias I”, de 2016, “Who is afraid of…?”, de 2014, “Une image peut en cacher une autre”, de 2011, “Polígonos irregulares sobre um tema de Monet”, de 2009 e os livros “Janelas um” e “Janelas”, de 2017-18.
                           
“No início dos anos 90 Pires Vieira abandona as questões da pintura que se procura e refere a si própria em sucessivas experiências formais (e que desenvolvia desde os anos 70), para assumir a presença da memória e da história pessoais nas obras.
Nos anos 2000, o artista encontra uma espécie de síntese equilibrada entre a componente analítica e programática inicial e a força da subjectividade artística, de modos variados e extensíveis, por vezes, às três dimensões: realiza uma pintura em “campo alargado”, com materiais, jogos espaciais e verbais combinados, e na qual a convocação da história de arte, da pintura expressionista aos legados mais teóricos da arte conceptual, passando pela herança da psicanálise (natural ao movimento Supports-Surface com o qual se identifica nos primeiros anos do seu trabalho), coexiste com a medida do corpo na pintura em que se projecta, com obsessão e violência codificadas, com tempo subjectivo e espaço simbólico.
Na verdade, a partir de 2002, o assunto da sua arte volta a ser a própria pintura, mas de um modo renovado: alimentado pela assunção do gosto e das referências autorais, pela reflexão museológica, pelos valores sensoriais do óleo e pelo apelo sensível, tanto quanto pelo design e pela cultura Pop, pela palavra, pela citação elaborada ou pela ironia crítica.
 
Na nova série aqui exposta, Geometrias II, o formato rectangular e regular da tela única é reencontrado em pinturas que retomam, em boa parte, o vocabulário da série Geometrias, de 2017, apresentado na Fundação para as Comunicações.
Quatro factores as distinguem: a ausência de texto, o movimento tendencialmente abstracto da matriz paisagística, ainda reconhecível, a abertura sistemática dos polígonos desenhados por uma barra preta e a divisão da superfície em quatro fatias horizontais que quebram a continuidade da representação.
Estes dois últimos elementos conjugados adquirem particular importância: a unidade surge dividida (o que faz da natureza, artifício e ecrã) e a divisão interrompe a cintilação, entretanto reconduzida à unidade pela geometria. Os polígonos abertos trazem inquietação e movimento às “paisagens” que agregam, como ímanes ou atractores estranhos sobre a cor vibrante do mundo, pondo em risco, em arrastamento, em trânsito, em descolagem, as massas informes de água, fogo, vegetação e luz. (...)”


Leonor Nazaré, in catálogo da exposição