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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

PRÉ-SAVE -> 28/08 Letícia Persiles, em disco, com as mulheres fortes do cangaço!

Letícia Persiles lança “O Baile das Andorinhas”
nas plataformas, em 28 de agosto

Maria Bonita é a homenageada neste segundo disco individual da artista

Lucas Vasconcellos produziu, arranjou e tocou quase todos os instrumentos

Capa O Baile das Andorinhas.JPG

 

 Conhecida pelo seu trabalho de atriz de novelas e minisséries da TV Globo, Letícia Persiles também nasceu com verve para cantar e compor. Há quem siga os seus passos sonoros desde a banda Manacá, da qual foi vocalista, ou, ainda, quando se uniu a Toninho Ferragutti, Chico Neves e Paulo Brandão para estrear em disco solo no “Cartas de Amor e Saudade” (2013). Faz uns dois anos que Letícia vem gestando este “O Baile das Andorinhas”, que chega nas plataformas digitais na sexta, 28 de agosto.

Todo inspirado em Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, o disco traz na algibeira nove faixas. São cinco de Letícia, duas de Lucas Vasconcellos, uma regravação de Geraldo Azevedo (“Caravana”) e “Lídia” - para lembrar esta cangaceira vítima de um brutal feminicídio, Letícia adaptou um trecho do livro “Maria Bonita”, do pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo, e convidou a artista Edzita Sigo Viva para duplicar a narração, pontuada pelo piano de Lucas ao fundo, fazendo as vezes de trilha sonora.

Foi Maria Bonita quem mudou as estruturas do Movimento do Cangaço ocupando, c
om o seu espírito de pássaro livre e acompanhada por outras mulheres, lugares onde antes só era permitida a presença dos homens. “E a partir da chegada dela no movimento, as cangaceiras provocaram transformações profundas no Cangaço. E o que se viu depois foi aquele céu de estrelas de couro com as suas presenças e vozes femininas como uma revoada de andorinhas”, rebobina Letícia. 

Mulher independente e inconformada com o
 establishment, dona de um desejo imenso de traçar o seu próprio destino - era assim que os familiares definiam a cangaceira, segundo Corrêa de Araújo. Letícia tem um quê de Maria Bonita: Não pensa duas vezes quando precisa romper com alguma ordem para voar ainda mais alto. Nascida no Rio de Janeiro, no segundo dia de 1983, foi há um ano para São Paulo a fim de abrir novas frentes profissionais e mudar um pouco de ares.

Ela usou a história de Maria Bonita para nortear o álbum, narrando as andanças da mulher de Lampião desde “Trem Fantasma” (de Letícia), o prólogo da trama que decidiu recontar ao seu modo, passando pelo nascimento em “Malhada de Caiçara” (também dela), no sertão da Bahia, berço da chegada de Maria ao mundo, em 8 de março de 1911, até “Shine” (de Lucas), faixa que vai além do episódio da morte em batalha e celebra o brilho da ilustre cangaceira.

“Gosto de compará-la e algumas de suas companheiras a pássaros migratórios, seres que só conseguem viver em liberdade e que estão em constante movimento, sem ter um endereço certo. Já tive a oportunidade de olhar no fundo dos olhos de uma andorinha e imagino que todo o horizonte sem fim que eu enxerguei ali, também poderia ser contemplado no fundo dos olhos de Maria”
, diz, explicando o conceito e o nome do disco.

“O Baile das Andorinhas” foi gravado no estúdio Pavão Preto, em Itaipava, ao longo de 2019, com a fundamental atuação de Lucas Vasconcellos – ele produziu o disco, criou os arranjos, somou com composições e gravou a maior parte dos instrumentos. Ao ouvir o que eles prepararam para nós, fica a impressão de que Maria Bonita revive de mãos dadas com Letícia Persiles, representando todas as mulheres corajosas que desembainham, dia após dia, os seus punhais ideológicos nesse Brasil tão combalido.