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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Qui a tué mon père tem estreia nacional no palco do São João

Stanislas Nordey interpreta e encena a peça

Qui a Tué Mon Père 1 © Jean Louis Fernandez.jpg

 

Espetáculo parte do texto escrito pelo jovem romancista Édouard Louis, estando em cena nos dias 7 e 8 de janeiro

 

Lançado em França, em 2018, Qui a Tué Mon Père (Quem Matou o Meu Pai), uma obra criada propositadamente para teatro pelo romancista Édouard Louis – desafiado pelo ator Stanislas Nordey – chega ao Teatro Nacional São João (TNSJ). Depois de se ter estreado no Théâtre National de Strasbourg, em 2019, o espetáculo vai ser apresentado pela primeira vez em Portugal, no âmbito do programa O Olhar de Ulisses do São João, na quinta e sexta-feira.

 

A premissa criada por Édouard Louis traduz-se numa história de masculinidade, em que um filho narra a biografia do pai, sem esquecer as suas traumatizantes memórias de infância e a “morte social” do seu progenitor. Este relato não linear faz-se através de diversas anedotas sobre a relação pai/filho, desde episódios mais conturbados, alguns deles marcados pela violência, até momentos mais felizes, simbolizados pelo amor entre pai e filho.

 

Em palco, o veterano ator, encenador e diretor do Teatro Nacional de Estrasburgo, Stanislas Nordey, surge a solo e aponta o dedo aos protagonistas do panorama político francês, à época do lançamento do livro, entre eles Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron, atual Presidente de França. Qui a Tué Mon Père poderá parecer uma pergunta, mas não o chega a ser. É antes uma acusação direta do jovem escritor Édouard Louis aos responsáveis pela morte do seu pai, expressa através da uma “literatura de confrontação”.

 

Em pano de fundo deste acutilante olhar político adaptado ao teatro em 2019 está também a difícil afirmação de identidade no seio da família tradicional, conjugado com o momento em que o protagonista toma consciência da violência e opressão que a sociedade exerce sobre ele, usurpando corpos e vidas em seu benefício, por via de várias formas de domínio social e cultural.

 

O espetáculo sobe ao palco do São João, num solo de um dos criadores contemporâneos mais importantes da cena francesa, Stanislas Nordey. Qui a Tué Mon Père é para maiores de 16 anos e vai ser apresentado em francês, com legendas em português, numa tradução da autoria de Luísa Benvinda Álvares. A peça sobe ao palco do TNSJ na quinta e na sexta-feira, às 19h00. A segunda récita será precedida por mais uma Conversa com o Jorge, orientada pelo dramaturgo Jorge Louraço Figueira. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 e os 16 euros.

O Teatro Nacional São João (TNSJ) é, desde 2007, uma Entidade Pública Empresarial, assumindo ainda a responsabilidade da gestão de mais dois espaços culturais da cidade do Porto: Teatro Carlos Alberto e Mosteiro São Bento da Vitória. O TNSJ é o único membro português na União dos Teatros da Europa (UTE), organização que congrega alguns dos mais importantes teatros públicos do espaço europeu, integrando o Conselho de Administração da entidade.

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