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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

ROMANCE, de Lígia Soares/ Máquina Agradável

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NA RIBEIRA- PRIMEIROS SINTOMAS  DE 15 A 19 DE JULHO ÀS 21H30 

Em Romance  as vozes e perspetivas plurais que fazem normalmente parte do trabalho de Lígia Soares são incluídas no texto como uma espécie de paródia à linguagem vigente num mundo ocidental do séc. XXI,  estabelecendo uma relação entre performance e espectador através de um dispositivo que faz com que o público se torne a voz que espelha o performer.  

Diz que me emprestas dinheiro se eu não arranjar trabalho. Diz que acreditas que depois te pago se arranjar. Diz que não me deixas a viver na rua assim vestido. Diz-me que não estamos aqui a viver a típica situação de uma pequena burguesia de esquerda a empatizar com os pobrezinhos. Diz-me que não estamos! Diz! Não Negues que estás! (in Romance)  

Este espectáculo foi entretanto apresentado no Fiar-Abrigo em Palmela, no Festival Cumplicidades em Lisboa e no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República pelo programa Face a Face em Brasília. 

A propósito do lançamento do texto da peça pela Douda Correria o espectáculo teve uma carreira de 3 semanas em Lisboa na Ribeira-Primeiros Sintomas em Maio e Junho. 

A boa recepção do público e a óptima adequação do espaço a este tipo de projecto motivou a uma nova reposição no mês de Julho. 

Nos seus últimos trabalhos Lígia Soares tem procurado possíveis formalizações de encarar uma perspectiva do contemporâneo que exige a co-existência e, de certo modo, a co-presença como única forma de ser experienciado. São trabalhos que se dirigem directamente ao espectador, renovando a sua identidade, procurando activá-la e tornando-a indispensável, reinvindicativa da sua relação com um espaço que lhe foi sempre principalmente dedicado: uma sala de espectáculos. Este ano foi convidada para uma curta residência em Janeiro no espaço da malavoadora.porto. Para esta oportunidade que oferecia somente espaço e boa vontade decidiu conceber uma peça que fosse o cúmulo da economia e da autonomia. Assim começou a escrever um texto que fosse o ponto de partida de uma peça totalmente feita a solo, desde a performance à operação de luzes mas que incluísse várias vozes e várias pessoas. Em apenas 10 dias foi possível escrever um texto, decorá-lo e experimentar o dispositivo concebido para ser o público a dar voz às várias personagens e pontos de vista criados através do texto. Assim, o performer senta-se ao centro e vê-se rodeado das vozes que vai instruindo e orquestrando, experimentando uma dinâmica muito simples de integração participativa do espectador: a mimética. As apresentações no Porto foram muito esclarecedoras quanto à eficácia do texto e do dispositivo junto do público realizando que a natural interdependência de um espectáculo do seu público pode ser facilmente vivida num acordo mútuo e francamente necessário.   

Concepção/ Texto/ Interpretação Lígia Soares Música Mariana Ricardo Apoio à Dramaturgia Miguel Castro Caldas Produção Máquina Agradável Apoio Mala Voadora, Teatro Praga, Primeiros Sintomas  
A Máquina Agradável é uma estrutura subsidiada pelo Governo de Portugal- Secretaria de Estado da Cultura/ Direcção Geral das Artes