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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

São 25 anos a pôr Guimarães no mapa do jazz | Festival apresenta 11 concertos de 10 a 19 de novembro

 

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No ano em que o Guimarães Jazz celebra a sua 25ª edição, o festival não cede à tentação da autocelebração, optando antes por focar a sua atenção no novo jazz contemporâneo, apresentando um cartaz que integra 11 concertos com alguns dos melhores projetos atuais do universo jazzístico. San Francisco Jazz Collective, Matt Wilson, Rudresh Mahanthappa, Ambrose Akinmusire, Donny McCaslin e Charlie Haden´s Liberation Music Orchestra são apenas alguns dos nomes que atuam nesta edição do festival.

 

Um quarto de século após a sua edição fundadora, o Guimarães Jazz está hoje em posição de reivindicar para si o estatuto de festival de referência no panorama musical português. Com os olhos no futuro e empenhado sobretudo no desvendar de horizontes profícuos para o jazz contemporâneo, o alinhamento apresentado nesta 25ª edição é composto por um conjunto de projetos e músicos que acrescentam ao jazz vitalidade, dinâmicas, energia rítmica e multidirecionalidade, cruzando com naturalidade e fluidez diversos idiomas musicais.

 

Depois de um concerto inaugural, no passado dia 05 de novembro, que juntou em palco o LUME (Lisbon Underground Music Ensemble), a Banda Musical de Pevidém e o BJazz (Convívio Jazz Choir) perante uma casa cheia, o Guimarães Jazz prossegue para as duas semanas habituais de programação. Esta quinta-feira, dia 10, às 22h00, no Grande Auditório do CCVF, o Guimarães Jazz recebe o San Francisco Jazz Collective, um ensemble composto por alguns dos mais reputados músicos do jazz atual, fundado em 2004 por Randall Kline e pelo saxofonista Joshua Redman. O artista homenageado na temporada de 2016-17 pelo San Francisco Jazz Collective é o incontornável Miles Davis, cuja obra será revisitada através de novos arranjos. O concerto que se apresenta no Guimarães Jazz terá, portanto, dois momentos distintos: por um lado, a reinterpretação do legado do autor de Kind of Blue e, pelo outro, a apresentação das novas composições do grupo.

 

Na noite de sexta-feira, o Grande Auditório do CCVF acolhe o quarteto liderado pelo baterista Matt Wilson que atualmente integra na sua formação talentosos músicos da cena jazzística nova-iorquina: o trompetista Kirk Knuffke, o saxofonista Jeff Lederer e o contrabaixista Chris Lightcap. A combinação da sensibilidade criativa de Matt Wilson, com o perfil multifacetado dos três músicos que o acompanham gera uma música que comunica com o seu ouvinte em múltiplos níveis de sentido e cria paisagens emocionais complexas e diversas, qualidades que fazem deste quarteto um dos mais vibrantes projetos do jazz atual.

 

No sábado, o Guimarães Jazz reserva uma dose dupla de concertos. Às 17h00, atua o grupo brasileiro Quatro a Zero, um singular projeto musical baseado na reinterpretação do choro, uma das músicas tradicionais do Brasil, através do seu cruzamento com outras linguagens e estilos, entre as quais o jazz e a música erudita. Às 22h00, as atenções viram-se para o concerto de Rudresh Mahanthappa, saxofonista de ascendência indiana, considerado um dos músicos mais promissores e talentosos da nova geração do jazz. Rudresh Mahanthappa traz a Guimarães o seu mais recente projeto, “Bird Calls”, que consiste, genericamente, numa revisitação do legado musical e cultural da música de Charlie Parker, uma das mais importantes figuras da história do jazz.

 

No domingo, o festival apresenta novamente dois concertos. Às 17h00 está marcada a atuação da Big Band e Ensemble de Cordas da ESMAE sob a direção da compositora e flautista Jamie Baum, num espetáculo que demonstra a importância da componente pedagógica do festival. Às 22h00, e desta vez na Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade, é a vez da apresentação do Projeto Guimarães Jazz / Porta-Jazz, uma parceria que celebra a sua terceira edição. Este ano, o convidado principal é o saxofonista português João Mortágua, que será acompanhado pelo trompetista Ricardo Formoso, pelo guitarrista Virxilio da Silva, pelo baterista/percussionista Iago Fernandez, e ainda pelo contrabaixista/baixista alemão Felix Barth.

O Guimarães Jazz regressa no dia 16 de novembro para a sua última semana de concertos. Nesta data, o palco do Grande Auditório do CCVF está reservado ao septeto da flautista e compositora Jamie Baum que atuará acompanhada de músicos com origens e formações muito distintas, entre os quais se incluem os norte-americanos Zack Lober e Jeff Hirshfield, o venezuelano Luis Perdomo e três instrumentistas provenientes da dinâmica cena jazzística polaca – o saxofonista Maciej Obara, o saxofonista e clarinetista Irek Wojtczak e o trompetista Tomasz Dabrowski. A noite seguinte pertence ao trompetista Ambrose Akinmusire, um dos mais destacados e promissores nomes da nova geração do jazz norte-americano, responsável por uma injeção de vitalidade e energia no jazz contemporâneo, abrindo os horizontes desta música e aproximando-a de um público tradicionalmente mais próximo da pop, do rock e do hip-hop. No concerto do Guimarães Jazz, Ambrose Akinmusire atuará em quarteto, acompanhado por três jovens músicos e seus habituais parceiros criativos. Na sexta-feira, dia 18, o Guimarães Jazz tem como protagonista o Donny McCaslin Quartet. McCaslin é, neste momento, um dos nomes mais mediáticos do jazz contemporâneo, em parte por consequência da sua contribuição para a composição e gravação de “Blackstar”, o último álbum editado em vida por David Bowie. O Donny McCaslin Quartet editou recentemente um álbum, “Beyond Now”, inspirado pela experiência de trabalho da banda com David Bowie, pelo que é legítimo esperar que seja esse o elemento central do concerto do quarteto no Guimarães Jazz, naquela que será uma oportunidade do festival para homenagear um dos grandes músicos do nosso tempo.

A 25ª edição do Guimarães Jazz termina no dia 19 de novembro. Durante a tarde, às 17h00, o palco do Pequeno Auditório do CCVF recebe o Adam Bałdych & Helge Lien Trio, um projeto que reúne alguns dos mais dinâmicos e promissores jovens músicos de jazz europeus da atualidade. A horizontalidade da natureza desta parceria artística entre estes dois nomes emergentes do jazz contemporâneo permite a criação de uma música original e moderna na sua essência pela naturalidade com que cruza e faz confluir diferentes idiomas e formas de expressão musicais. Às 22h00, cabe à mítica Charlie Haden´s Liberation Music Orchestra as honras de encerramento dos 25 anos do Guimarães Jazz. Sob a direção da compositora e pianista Carla Bley, a Liberation Music Orchestra regressa ao Guimarães Jazz, desta vez inevitavelmente sem a presença tutelar de Charlie Haden, o qual no entanto estará presente no espírito musicalmente eclético e politicamente comprometido da música deste ensemble, formado atualmente por alguns dos mais importantes músicos do jazz contemporâneo (Tony Malaby, Chris Cheek, Steve Cardenas, Matt Wilson, entre muitos outros). Este concerto celebrará não apenas a memória de Haden, mas também a própria história do jazz e as lutas populares pela emancipação do homem e contra todas as formas de exploração, lutas nas quais a música desempenha e sempre desempenhará um papel fundamental.

 

Os bilhetes para os concertos do Guimarães Jazz podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt