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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

SERRALVES // 11 & 12 SETEMBRO // O MUSEU COMO PERFORMANCE (7ª EDIÇÃO)

O MUSEU COMO PERFORMANCE

-7ª EDIÇÃO -

 

 

Museu / Auditório / Biblioteca / Parque / Casa

11 - 12 SET 2021

 

 

 

Artistas: CECILIA BENGOLEA (AR) & FRANÇOIS CHAIGNAUD (FR), COLETIVO LOA (PT), GUILLEM MONT DE PALOL (ES) & MIGUEL PEREIRA (PT), INÊS TARTARUGA ÁGUA(PT), JACK SHEEN (UK), MARGHERITA MORGANTIN (IT), PAZ ROJO (ES), ROGÉRIO NUNO COSTA (PT)

 

 

O Museu Como Performance regressa a Serralves em setembro para a sua 7ª edição. Mais um passo para a afirmação do lugar da performance no espaço do Museu, mas também para o seu questionamento. Em tempos de negociações dramáticas da presença, derivadas e agudizadas por crises sanitárias, emergências ambientais e por fricções sociopolíticas que somatizam as dores de crescimento dos ideais cosmopolitas à escala global, a performance oferece-se como uma possibilidade e campo de reflexão e experimentação, de encontros e de tensões cuja urgência parece inescapável. Novamente, reúnem-se neste programa um conjunto de artistas e de trabalhos que oferecem uma trama de encontros e cruzamentos disciplinares onde se incluem performance, ações, dança, música e instalação.

 

Curadoria: Cristina Grande, Pedro Rocha, Ricardo Nicolau

 

O Museu como Performance conta com o apoio da Morgan Phoa Family

 

 

CECILIA BENGOLEA & FRANÇOIS CHAIGNAUD

“SYLPHIDES”

 

 

Os Silfos são seres sobrenaturais, uma invenção da imaginação de seres humanos e psíquicos presos entre mundos (principalmente entre o dos mortos e o dos vivos, mas também o da fantasia e da realidade, o do que é possível e o do que não é ...). Tendo-se tornado uma tendência literária e coreográfica respetivamente nos séculos XVIII e XIX, a figura do silfo ainda aparece nos dias de hoje como um importante enigma na nossa imaginação. Enquanto questionam quão materiais são o corpo e a vida após a morte, bem como a nossa relação com os mortos e os seus corpos terrenos, os silfos lançam dúvidas sobre alguns grandes aspetos mais solidificados do pensamento ocidental: o dualismo, o tempo linear, o racionalismo ...

A meio caminho entre o rito fúnebre e a anfidromia (celebração do nascimento), “Sylphides” parece destinada a ser uma tentativa literal de reencarnação. Por meio de uma abordagem que possibilita vivenciar a suspensão das funções vitais, pretende aceder a uma nova compreensão do nosso corpo e dos seus potenciais aniquilamentos e renascimentos.

 

Cecilia Bengolea (Buenos Aires, 1979), trabalha com vários media, incluindo performance, vídeo e escultura, usando a dança como uma ferramenta e um meio de empatia radical e troca emocional. Bengolea encara o movimento, a dança e a performance como escultura animada, onde ela própria é objeto e sujeito da sua própria obra. Imbuída de energias simbólicas encontradas na natureza e nas relações empáticas, as suas composições formam-se em torno de ideias do corpo como um médium - tanto individual como coletivo. Bengolea colaborou com artistas de dancehall como Craig Black Eagle, Bombom DHQ, Damion BG e com os artistas Dominique Gonzalez Forster e Jeremy Deller. O trabalho colaborativo com o coreógrafo francês François Chaignaud, “Pâquerette” (2005-2008) e “Sylphides” (2009), ganhou vários prémios, como o Award de la Critique de Paris em 2010 e o Young Artist Prize na Bienal de Gwangju em 2014. Também co-criaram peças para a sua companhia Vlovajob Pru, bem como para o Ballet de Lyon (2013), o Ballet de Lorraine (2014) e Pina Bausch Tanztheater Wuppertal.

 

François Chaignaud (Rennes, 1983) licenciou-se no Conservatoire National Supérieur de Danse de Paris, em 2003, trabalhando em seguida com, entre outros, os coreógrafos Boris Charmatz, Emmanuelle Huynh, Alain Buffard e Dominique Brun. Criou várias peças performativas usando diferentes formas de dança e voz partindo de diversas inspirações. Na sua obra, vemos a possibilidade de um corpo que se alonga entre a demanda sensual e a força da voz, bem como a convergência de múltiplas referências históricas heterogéneas - da literatura erótica às artes sacras.

Ele também é historiador e publicou, pela PUR, “L'Affaire Berger-Levrault: le féminisme à l’épreuve (1898-1905)”. A sua curiosidade pela história levou-o a iniciar uma série de colaborações artísticas, nomeadamente com a lendária drag queen Rumi Missabu, com o artista de cabaret Jérôme Marin, a artista Marie Caroline Hominal, os estilistas Romain Brau e Charlie Le Mindu, o artista plástico Theo Mercier, o fotógrafo Donatien Veismann, o artista Nino Laisné, a música Marie-Pierre Brébant, entre outros.

Chaignaud colabora estreitamente com Cecilia Bengolea desde 2005.

 

 

COLETIVO LOA

“NKISI”

 

Quatro entidades elementares, recetáculos de forças cósmicas, testam os limites do corpo num desejo transfigurador da matéria. Exploram as possibilidades de transcendência através da ativação mágica do espaço performativo, laboratório de iniciação ritual aos mistérios do invisível. Guiados por dispositivos sónicos robóticos e mutações lumínicas, estes seres desafiam a perceção da realidade. Associada ao espetáculo foi desenvolvida uma instalação que propõe um confronto hologramático com um nkisi nkondi, uma figura de poder portadora de forças sobrenaturais. Esta proposta estabelece uma relação fantasmagórica entre o espetador e objeto de museu que ganha vida e assombra as relações de dominação colonial a que foi sujeito, revelando e restituindo a sua capacidade mágica.

 

coletivo LOA reúne músicos, performers, artistas visuais, investigadores e espíritos ancestrais, convocando pensamentos e ações mágicas, que subvertem fronteiras conceptuais estereotipadas e fragmentam narrativas imperialistas. O LOA trabalha a partir de cosmogonias afro-atlânticas propondo disrupções performáticas pós-coloniais que se materializam em espaços de resistência criativa.

 

Direção Artística: Gil Mac

Intérpretes Criadores: Ana Rita Xavier, Cláudio Vidal, Dori Nigro, Wura Moraes

Música, construção e programação: Tiago Ângelo

Investigação e vídeo: Gonçalo Mota

Desenho de luz: Nuno Patinho

Interatividade: Grandpaslab

Coordenação de produção: Liliana Abreu

Apoio à direção: Rodrigo Malvar

Apoio ao movimento: Vânia Rovisco

Apoio na investigação: Ana Stela Cunha

Apoio figurinos: Mário Calisto

Co-produção: Teatro Oficina e Mafagafa

Apoio residências: Projecto Agit Lab, CRL - Central Elétrica, gnration, Oficinas Do Convento, Sonoscopia Associacão

Apoio: Direção-Geral das Artes

 

 

GUILLEM MONT DE PALOL & MIGUEL PEREIRA

“FALSOS AMIGOS

 

 

“Falsos Amigos” é um novo projeto em cocriação de Miguel Pereira com o coreógrafo catalão Guillem Mont de Palol. Partindo da origem etimológica comum de palavras de línguas diferentes, e de como por vezes essa aparente simbiose resulta em conceitos bastante distintos, “Falsos Amigos” posiciona os dois criadores num espaço de contraste entre o que há de semelhante e o que há de diferente entre eles. Entre a língua castelhana e o português são frequentes os chamados falsos amigos, ou seja, palavras com grafia ou pronúncia parecidas, mas que na realidade possuem significados totalmente diferentes ("embaraçada"/"embarazada", por exemplo). Desta correspondência de significados inadequada, baseada numa relação de amizade semântica falsa, Miguel Pereira e Guillem Mont de Palol desenvolvem a sua relação de falsa amizade - uma comédia de enganos a partir da exploração do movimento.

 

Conceito e Performance: Guillem Mont de Palol e Miguel Pereira

Desenho de Luz: Hugo Coelho - Aldeia da Luz

Produção: O Rumo do Fumo

Co-produção: Teatro Viriato

Parceiros: Citemor, Institut Ramon Llull, La Poderosa, La Caldera, Teatro das Figuras

Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian, Novo Negócio/ZDB

Apoio à Criação: Opart, E.P.E./Estúdios Victor Córdon

Residências Artísticas: Citemor, Estúdios Victor Córdon, Festival Sálmon/Graner e Mercat de les Flors, Forum Dança, La Caldera, La Poderosa, O Rumo do Fumo, Novo Negócio/ZDB

 

“Falsos Amigos” partiu de uma residência artística desenvolvida no âmbito do programa CRUZADOS, de La Poderosa (Barcelona).

 

Guillem Mont de Palol (Girona, 1978).

Coreógrafo e intérprete, formou-se na SNDO (School for New Dance Development), em Amesterdão (2006). Desde então, tenho vindo a trabalhar em dança contemporânea e performance, tanto a nível nacional como internacional.

Colabora com Jorge Dutor (intérprete, cenógrafo e designer de iluminação e figurinos) desde 2008, com quem criou UUUHHH, YO FUI UN HOMBRE LOBO ADOLESCENTE INVENTANDO HORRORES (2009), Y POR QUÉ JOHN CAGE? (2011), #LOSMICRÓFONOS (2013) e o filme THISMOVIE (2013) e GRAND APPLAUSE (2016).  Estes trabalhos foram apresentados em vários locais e contextos, tais como: La Casa Encendida (Madrid), Julidans Festival (Amsterdão), Festival Panorama (Rio de Janeiro), Buda Kunstenzentrum (Kortrijk), Antic Teatre Mercat de les Flors (Barcelona), Festival Escena Abierta (Burgos), AltVigo, Short Festival de Teatro (Roma), Royal Exchange Theatre (Manchester), La Alhóndiga (Bilbau), entre outros.

Trabalhou com os coreógrafos Xavier Le Roy (Retrospective, 2012), Mette Ingvartsen (Giant City, 2009; All the way out there, 2010; The Artificial Nature Project, 2012), Frederic Gies (7 thirty in tights, 2013), Vincent Dunoyer (Encore, 2007), Andrea Bozic (Nothing Can Surprise Us, 2008), entre outros.

Desde 2013, é professor convidado de Movement Research na School for New Dance Development.

 

Miguel Pereira estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional e na Escola Superior de Dança, em Lisboa. Foi bolseiro em Paris, Nova Iorque e em Amesterdão. Como intérprete trabalhou, entre outros, com Filipa Francisco, Francisco Camacho e Vera Mantero. Como criador destaca os trabalhos “Antonio Miguel”, com o qual recebeu o Prémio Revelação José Ribeiro da Fonte do Ministério da Cultura e uma menção honrosa do prémio Acarte/Maria Madalena Azeredo Perdigão (2000), “Notas Para Um Espectáculo Invisível” (2001), Data/Local (2002), “Corpo de Baile” (2005), “Karima meets Lisboa meets Miguel meets Cairo”, uma colaboração com a coreógrafa egípcia Karima Mansour (2006), “Doo” (2008), “Antonio e Miguel”, uma nova colaboração com Antonio Tagliarini (2010), “Op. 49” (2012), “WILDE” (2013) em colaboração com a mala voadora, “Repertório para Cadeiras, Figurinos e Figurantes” (2015) para o Ballet Contemporâneo do Norte, “Peça para Negócio”, “Peça feliz” (2017) “Era um peito só cheio de promessas” (2019), e “Falsos Amigos”  (2021), uma colaboração com Guillem Mont de Palol. O seu trabalho tem sido apresentado em toda a Europa, Brasil, Uruguai e Chile, e é professor convidado em diferentes estruturas nacionais e internacionais.

 

A apresentação de “Falsos Amigos” conta com o apoio de: Mostra Espanha 2021, Ministerio de Cultura y Deporte de España, Embajada de España en Portugal.

 

 

INÊS TARTARUGA ÁGUA

“VARIAÇÕES PARA PIÕES N.º 1”

 

 

Conceção: Inês Tartaruga Água

Performers e cocriação: Beatriz Bizarro, Inês Tartaruga Água, Rui Fonseca e Xavier Paes

 

“Variações para Piões” são um conjunto de exercícios que têm como ponto de partida o lançamento do pião e o encontro desse corpo giratório com diversas matérias. Em “Variação n.º 1” explora-se a sonoridade de piões de cerâmica, cujas formas variadas resultam em ressonâncias de timbres e alturas distintas por efeito da rotação contínua do próprio objeto.

Entram em jogo o corpo, matéria e movimento, usando o pião como instrumento que ocupa e se distribui no espaço através de trajetórias aleatórias criando uma dimensão sonora espacializada e composições únicas a cada ato, onde o silêncio e a escuta atenta sublimam momentos de tensão, hipnose e meditação.

 

Inês Tartaruga Água (Válega, 1994)

Artista multidisciplinar centrada nas questões da ecologia profunda e da biopolítica, exploradora sonora e adepta da filosofia DIY bem como de práticas colaborativas e participativas em espaço público. Participa em exposições colectivas desde 2013, com destaque para a “XIII Bienal Internacional de Cerâmica Artística” (Aveiro, 2017), “Убежище/Suoja/Shelter Festival - Laboratory” (Helsínquia, 2019), «48 часов Новосибирск» (Sibéria, 2019), ou “Soundscapes” (Bahrain, 2019) com o coletivo artístico internacional “Mycelium” (RU, DEN, IT, EUA e PT). Funda com Xavier Paes a galeria OV/ (2021), o coletivo ecologista REFLUXO (2017) e DIES LEXIC (2015), duo de exploração musical. Integra a pseudo banda-falsa “MOSCXS” com sede no Porto.

 

 

JACK SHEEN

“CROON HARVEST”

 

 

A música de Jack Sheen manifesta uma preocupação em evitar narrativas lineares em favor de formas mais esculturais e ecológicas, muitas vezes usando ideias simples, como a repetição e a estática, enquanto questiona noções mais difusas, como processo, memória e clímax.

“Croon harvest” (2020) centra-se no potencial da voz para criar uma intimidade notável quando no seu estado mais silencioso e não projetado, um estado no qual marcas, grãos e imperfeições ornamentam o som resultante. A peça é composta de pequenos fragmentos de som vocal, com duração de uma respiração, com cada cantor instruído a cantar de uma forma que se assemelhe a um murmúrio ou balbucio, em vez de cantar de forma projetada.

A peça - uma instalação performática espacializada - convida a uma celebração da vacuidade, colocando suaves lamentos vocais em diálogo com gravações lo-fi de silêncio doméstico tomadas pelo grande corpo de cantores que interpretam a obra para criar uma delicada tapeçaria de atividade ritualística, murmúrios suaves e ruído branco.

Para O Museu Como Performance, Sheen apresenta duas versões da obra. Uma na sequência da original e apresentada ao ar livre no Parque de Serralves, e a estreia mundial de uma nova versão que inclui instrumentos de corda a ter lugar na Casa de Serralves.

 

Composição, direção: Jack Sheen

Interpretação:

Ensemble Vocal Pro Música, dirigido por José Manuel Pinheiro

Gil Fesch (guitarra), Nuno Pinto (guitarra), Hugo Simões (guitarra), Laura Peres (violino), Ana Tedim (violino), Sofia Belo (violino).

 

Trailer video: Laura Hilliard

 

 

Jack Sheen é um compositor e maestro de Manchester.

Trabalha regularmente com reputadas orquestras, ensembles, galerias e artistas em apresentações de concertos e performances operáticas, encomendas, instalações e projetos interdisciplinares. A própria música abrange obras para orquestras, ensembles e solistas, assim como instalações performativas imersivas que dispersam músicos, áudio, filmes e bailarinos em grandes espaços abertos e sem lugares sentados, confundindo as linhas entre composição de longa duração e a escultura. Suas composições recentes frequentemente existem em ambos os formatos.

2021 vê Jack Sheen estrear com a London Symphony Orchestra, London Philharmonic Orchestra, Basel Sinfonietta, Britten Sinfonia e FontanaMIX Ensemble em diversos programas, incluindo estreias de sua própria música, o regresso à Lucerne Festival Academy como maestro, a criação de um nova instalação áudio para a Bienal de Música de Veneza com o Neue Vocalsolisten Stuttgart, uma nova obra de concerto em grande escala e instalação performática para o Octandre Ensemble, o início de uma residência artística na PINK Gallery no centro da cidade de Manchester e a conclusão da bolsa enquanto Carne Fellow no Trinity Laban Conservatoire of Music & Dance, o primeiro compositor a ocupar esta posição.

Jack é o codiretor do London Contemporary Music Festival (‘o mais aventureiro e ambicioso festival de música nova da capital’, The Guardian; ‘o mais importante festival de Londres’, The Wire) e cofundador da aclamada orquestra LCMF.

 

A apresentação de “Croon harvest” em Serralves conta com o apoio da British Embassy Lisbon.

 

 

MARGHERITA MORGANTIN

“COSMIC SILENCE (Fluorescence)”

 

 

“COSMIC SILENCE (Fluorescence)” é um dos momentos de “VIP = Violation of the Pauli exclusion principle, UNDER THE MOUNTAIN, ABOVE THE MOUNTAIN”, um percurso de pesquisa que parte da observação de algumas imagens da física subnuclear e das astro partículas em relação com o imaginário artístico, praticado através da sensibilidade pessoal enquanto uma forma de dados científicos. O título toma emprestado o nome de uma das experiências de física de partículas que vem sendo realizada há anos nos laboratórios subterrâneos Gran Sasso do Istituto Nazionale di Fisica Nucleare sob o maciço Gran Sasso, a cadeia de montanhas no centro da Itália que se torna o centro físico e simbólico da investigação de Margherita Morgantin, graças à sua excecional dupla perspetiva.

VIP é a sigla que denomina a busca experimental por 'átomos impossíveis', cujo aparecimento representaria uma violação do princípio de exclusão de Pauli, ainda considerado um dos pilares de nossa compreensão científica do universo e da matéria. Em VIP, o corpo e a experiência da artista passam a fazer parte das ferramentas científicas utilizadas para a pesquisa de campo.

VIP é articulado entre 2020 e 2021 através de diferentes graus de envolvimento de vários interlocutores e públicos no processamento e apresentação dos seus resultados.

Em “COSMIC SILENCE (Fluorescence)” a tradução direta dos dados da experiência de física nuclear (VIP) em espectros sonoros é realizada em colaboração com a música eletrónica Ilaria Lemmo. A acompanhar, o farfalhar de uma manga de vento e texto.

As experiências conduzidas no âmbito de “COSMIC SILENCE”, atualmente em desenvolvimento, visam aprofundar o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos na resposta biológica à radiação ambiental em sistemas modelo, tanto in vitro quanto in vivo, a diferentes níveis da escala filogenética.

 

Margherita Morgantin é uma artista visual italiana nascida em Veneza que vive e trabalha em Milão. Formou-se em Arquitetura no Departamento de Física Técnica do IUAV pesquisando sistemas de previsão de luz natural. O seu trabalho articula-se por meio de diferentes linguagens, que vão do desenho e instalação à performance, movendo-se por uma linha que liga linguagem, filosofia, matemática e cultura visual. Contato e convivência, observação e imaginação, são os intervalos abertos que caracterizam a obra de Morgantin. Tem participado em exposições coletivas shows e festivais em Itália e noutros países. Projetos recentes dela incluem: “VIP = Violação do princípio de exclusão de Pauli, SOTTO LA MONTAGNA, SOPRA LA MONTAGNA” (2020-21), “Doing Desculturalization” (Museion, Bolzano 2019); “Mi-abito” (Farmacia Wurmkos e Museo del 900, Milão 2019), “BienNolo” (Spazio ex Cova, Milano 2019); “Vetrine di Libertà, La Libreria delle donne di Milano, ieri, oggi” (Fabbrica del Vapore, Milão 2019); “Artworks that ideas can buy” (Arte Fiera/Oplà.Performing Activities, Bologna 2019). Publicações recentes incluem os livros de textos curtos e desenhos “Lo spazio dentro” (com Maddalena Buri) (nottetempo e-pub 2020), “Sotto la montagna Sopra la montagna” (nottetempo 2021). Desde 2013, trabalha como Pawel und Pavel, um projeto colaborativo de escrita e performance com Italo Zuffi. Colaborou com artistas sonoros/visuais e coreógrafos como Michele Di Stefano/mk, Roberta Mosca, Richard Crow, Mattin, Alice Guareschi e com o coletivo filosófico de mulheres Diotima. Ensina anatomia artística, ilustração científica e técnicas de performance na Accademy of Fine Arts em L'Aquila.

 

“VIP = Violation of the Pauli exclusion principle, SOTTO LA MONTAGNA, SOPRA LA MONTAGNA” é realizado com o apoio do Italian Council (VIII edizione 2020)

 

Produção: Xing, 2021

 

 

PAZ ROJO

“ECLIPSE : MUNDO”

 

“ECLIPSE: MUNDO” propõe um dispositivo de dissociação audiovisual em que a dança aparece como um vazio, como uma separação, como uma retração e como um abandono, correspondentes à origem etimológica da palavra “eclipse”. Como se fosse uma coreografia interrompida pela sua própria preparação, esta é uma dança que, embora não queira nada, faz alguma coisa. Tendo-se tornado um grave contínuo, uma ruína, um murmúrio, esta dança procura para si um outro ponto de partida, outra forma de voltar a dançar. Esta performance é acompanhada pelo livro “To Dance in the Age of No-Future”, de Paz Rojo, (publicado pela Circadian, Berlim 2019).

 

Paz Rojo (1974, Madrid).

Durante mais de uma década, Rojo tem pesquisado a produção de dança para além da estrutura da produção capitalista de valor. É doutorada em Filosofia em Belas Artes e em Práticas Performativas e de Media com especialização em coreografia pela Stockholm University of the Arts, Suécia. O seu trabalho tem sido desenvolvido por meio de dispositivos coreográficos, textuais, audiovisuais, curatoriais, coletivos e experimentais. Mais informação em https://www.researchcatalogue.net/view/727172/727185

 

Direção: Paz Rojo.

Desenho de Som: Fran MM Cabeza De Vaca

Dança: Oihana Altube, Arantxa Martínez, Jaime Llopis, Paz Rojo, Ricardo Santana.

Desenho de Luz: Carlos Marquerie.

Figurinos: Jorge Dutor.

Coordenação técnica: David Benito.

Assistência de som: Adolfo García.

Fotografia e trailer vídeo: Emilio Tomé; 

 

Apoiado por: Uniarts (Stockholm University of The Arts) Sweden; Naves Matadero – Internacional Center of Live Arts and City Council, Madrid.

 

A apresentação de “ECLIPSE : MUNDO” conta com o apoio de: Mostra España 2021, Ministerio de Cultura y Deporte de España, Embajada de España en Portugal.

 

 

ROGÉRIO NUNO COSTA

“MISSED-EN-ABÎME”

 

Em 1917, Marcel Duchamp escreve “1917” num urinol virado ao contrário. Em 1919, desenha um bigode no mais importante retrato da história da arte, não o original (ele não é Banksy), nem sequer uma reprodução (a Pop não havia ainda sido inventada), antes um retrato que ele próprio pintou, assim copiando o original e, ao fazê-lo, quase repetindo Melville: I would prefer not to. Em 1921, Man Ray fotografa Duchamp enquanto Rose Sélavy, fechando o ciclo, ou então abrindo o caminho para o desaparecimento do artista por trás do retrato. Um século depois, ainda não sabemos relacionar-nos, histórica ou artisticamente, com a radicalidade de tais gestos, ora descredibilizando-os (ou procurando-lhes novas autorias), ora atribuindo-lhes uma qualquer intransponibilidade ou irresolução histórica. MISSED-EN-ABÎME quer falar sobre um gesto (centenário) que pode ser lido enquanto destruição, revelação, ou simplesmente ostracismo autoimposto, como se fosse impossível fazer seja o que for depois de se ter obliterado (quase) tudo. Duchamp terá passado décadas da sua vida a fazer nada, razão pela qual Enrique Vila-Matas lhe terá dedicado algumas notas no seu romance dos autores-do-não (“Bartleby & Cia.”, 2000): « Uma vez, em Paris, o artista Naum Gabo pergunta a Marcel Duchamp porque havia ele parado de pintar. “Mais que voulez-vous?”, responde Duchamp, levantando os braços no ar. “Je n’ai plus d’idées!” ». A partir deste impasse, e através da ritualização de um isolacionismo queer e sacrificial, MISSED-EN-ABÎME atreve-se a revisitar a negligência de Duchamp, não para lhe atribuir uma solução — « …parce qu’il n’y a pas de problème » —, antes para aceitar o insucesso, o afastamento, a invisibilidade e o esquecimento, quiçá o desaparecimento, não como rituais de vitimização ou opressão autoinfligida, mas enquanto gestos de resistência/sobrevivência.

 

O projeto, subintitulado “Psicobiografia de um Herói Perdedor (1917-1921)”, contempla um dispositivo tripartido (performance/instalação, livro e filme) pensado para o espaço do museu de arte contemporânea, assim concluindo um percurso investigativo em torno da tríade Arte-História-Solidão realizado por Rogério Nuno Costa em colaboração com artistas e pensadores de Portugal e da Finlândia.

 

Criação, Direção, Edição e Performance: Rogério Nuno Costa

Produção: Inês Carvalho e Lemos

Dispositivo Cénico: Luís Lázaro Matos

Desenho de Luz & Direção Técnica: Kristian Palmu

Arte Sonora: Niko Skorpio

Dramaturgia de Movimento: Pie Kär

Design Gráfico: Jani Nummela

Workshop e Apoio Dramatúrgico: Colectivo FACA (Andreia Coutinho e Maribel Sobreira)

Fotografia de Cena: Miguel Refresco

 

Rogério Nuno Costa (Amares, 1978).

Performer, investigador, professor e escritor, desenvolve trabalho artístico transdisciplinar. Vive e trabalha entre Portugal e a Finlândia. Apresenta espetáculos, performances, conferências e textos ensaísticos que exploram os campos do teatro, dança, artes visuais e literatura. Com formação académica em Comunicação Social, História da Arte Contemporânea e Cultura Contemporânea & Novas Tecnologias, desenvolve atualmente investigação em Visual Cultures, Curating and Contemporary Art na Aalto University (Finlândia) e no Grupo de Investigação em Estudos Performativos da Universidade do Minho. Como intérprete, co-criador e colaborador artístico, trabalhou com Mariana Tengner Barros, Patrícia Portela, Teatro Praga, Sónia Baptista, Lúcia Sigalho, Teresa Prima, Joclécio Azevedo, Susana Mendes Silva, entre outros. Colaborador assíduo da companhia Estrutura. Faz curadoria para projetos artísticos e educacionais. Professor Assistente Convidado na licenciatura em Teatro da Universidade do Minho (Guimarães). Leccionou na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha) e ArtEZ University of the Arts (Arnhem). Trabalha com vários artistas na condição de coordenador editorial e dramaturgo. Dirige o projeto documental do Ballet Contemporâneo do Norte, estrutura na qual é artista associado. Desde 1999, o seu trabalho já foi apresentado em Portugal, França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Croácia, Finlândia, Roménia e Canadá.

 

 

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