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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

SERRALVES // 19 DEZ 19H00 // ADORABILIS // JONAS & LANDER NO PALCO DE SERRALVES

JONAS & LANDER NO PALCO DE SERRALVES

 

ADORABILIS

JONAS & LANDER

 

Dança

19 DEZ 19h00

Auditório de Serralves

 

 

No próximo dia 19 de Dezembro, pelas 19 horas, no Auditório de Serralves, será apresentada a peça Adorabilis, da dupla de artistas Jonas & Lander. Esta peça, interpretada pelos próprios e por Lewis Seivwright,define-se por uma fisicalidade de contrastes, situada entre o ritualismo e a precisão, e a exploração vocal e rítmica de corpos e matérias, convocados a ocupar um espaço dramaturgicamente solene e expressivo.

 

A dupla, em Adorabilis (Aerowaves Priority Company 2017), centra-se na coreografia enquanto forma de arte entre arquitetura e música. Luz, texto e o "erro" são aqui considerados como tecido coreográfico para a construção de uma dança labiríntica, repleta de sons, significados, tensões e micronarrativas.

 

Jonas & Lander iniciaram uma colaboração que se tornou reconhecida no panorama da dança portuguesa como sendo detentora de uma forte assinatura de autor, de contornos singulares, que explora a fusão entre distintas artes cénicas, com especial destaque para a música. O ano de 2021 foi particularmente relevante para a dupla de criadores face aos êxitos alcançados em diferentes palcos, o que foi amplamente reconhecido pela crítica. Regressam agora à cidade do Porto, ao Auditório de Serralves,  depois do sucesso alcançado na abertura da edição deste ano do Festival DDD. 

                                                                                   

Jonas & Lander têm contribuído para o imaginário um do outro desde o início de seu relacionamento íntimo por volta de 2011. Permanecendo juntos e constantemente divorciando-se do passado, e experienciando paradigmas contrastantes: viver numa autocaravana na companhia da sua gata ou habitar uma mansão do sec. XVIII em Sintra com uma porquinha anã organizando noites de fado semanalmente.

 

Este padrão de rutura, contraste e divórcio ecoa de igual forma nas suas criações e fontes para coreografar o pensamento. Cascas d'OvO (2013) revela de alguma forma a sua inscrição como profissionais da área artística: trabalhador, ingénuo, precário.Uma peça construída nos jardins públicos de Lisboa e Guimarães com cães e pardais como audiência à força, levou-os a reconhecer o poder de comunicação dos seus corpos.Literalmente e metaforicamente começaram a andar de olhos vendados percorrendo vários teatros europeus e da América do Sul sendo ainda selecionados como Aerowaves Priority Company 2014.

 

Se em Cascas d'OvO analisaram o ritmo de bater no rosto um do outro como um veículo dramatúrgico, em Matilda Carlota (2014) observamos seu empoderamento na música como dramaturgia, assumindo algo que eles não dominavam de todo: a ópera.Projetando a decadência das divas favoritas de Jonas em seus últimos anos, como Amália Rodrigues, Maria Callas, Marilyn Monroe e Edith Piaf, vemos Jonas (cantando) e Lander (tocando piano) realizando a solidão enquadrada numa atmosfera barroca preenchida com animais robóticos e pitadas de humor negro. Matilda Carlota trabalhou a força da presença, o vulcão dentro do silêncio. Com corpos artificiais e estilizados Jonas & Lander dissecaram a decadência glamour, provocando ao espectador a sensação de olhar para um quadro ficcional com o mesmo estado meditativo e sombrio com que se ele olha um aquário.

 

Mergulhar no desconhecido é uma afirmação assumida em Arrastão (2015) onde Jonas & Lander direcionam musicalmente o público. Inspirado pelo Soundpainting - um vocabulário desenvolvido por Walter Thompson onde um maestro pode dirigir músicos, dançarinos e atores com gestos universais - eles ensinaram ao público o básico para retirar sons de balões (esfregando, explodindo, libertando o ar, etc.). Dentro deste dispositivo de Arrastão, Lander e Jonas utilizam o público como uma extensão de seu desejo de se comunicação através da música. Ao ver e ouvir os gestos de Lander materializados e maximizados pelo público que produz paisagens sonoras caóticas, pudemos ver simultaneamente essa sonoridade estimulando o corpo de Lander para o movimento e gerando um efeito bola de neve de energia, permitindo o espectador para exteriorizar sua energia.

 

Em Adorabilis (Aerowaves Priority Company 2017), vemos a dupla explorando depositando o seu foco em coreografia, coreografia enquanto uma forma de arte entre arquitetura e música. Luz, texto e o "erro" são considerados como tecido coreográfico. Como resultado, assistimos a uma dança labiríntica que impulsiona o olho esquizofrênico do espectador, cheio de sons, significados, micronarrativas e tensão. Com alguns lampejos de humor, Jonas & Lander juntamente com Lewis Seivwright realizam tarefas virtuosas que transmitem o seu clumsiness, suas habilidades e sua incerteza quanto ao propósito da vida humana. O humanismo como uma ideologia que coloca o ser humano no centro do universo está em cheque em Adorabilis: Jonas & Lander referem-se tanto a obras de arte e comportamentos sociais como a animais e natureza em sua dança / texto / canção.

 

Juntamente com esses trabalhos, Jonas & Lander vêm realizando obras em espaços não convencionais. Vemos Jacarandá (2014) apresentado no Festival TODOS dentro de uma loja de costura onde Jonas realizou um monólogo construído através das respostas de seus amigos, artistas e moradores de rua às questões “Nasci para...? Eu vou morrer para…?”. Também vemos em Orelhão (2015) realizado nas casas-de-banho do Panorama Festival (BR) e nos sanitários na temporada 100% Marlene Monteiro Freitas (FR) em que Lander propôs a ideia de um confessionário. Cada pessoa teria a possibilidade de ficar sozinha no sanitário com instruções para jogar seus pensamentos na porta da cabine do mesmo. Cercada por luzes UV, essa porta seria de alguma forma a porta para uma experiência íntima da qual Lander declamaria um poema em resposta e gratidão a essa estranha exposição.

 

Notas biográficas:

Jonas Lopes (Portugal, 1986)

Em 2002 inicia a sua formação artística na escola Chapitô. No decorrer do curso foi premiado com uma residência artística de composição musical em Itália e fez estágio profissional no Teatro São Luiz como interprete na peça "Cabeças no Ar".

Em 2007 muda-se para Londres onde frequenta formação livre no Pineapple Dance Studios e Circus Space University. Curiosamente  inicia na capital Londrina a sua carreira como fadista profissional. Em 2011 edita o álbum "Fado Mutante" distinguido com o prémio Carlos Paredes 2012.

Em 2010 entra na Escola Superior de Dança onde conhece o seu parceiro Lander Patrick. Os dois iniciam uma dupla profissional como co-criadores que se mantém até hoje. Fazem parte do seu repertório as peças Cascas d'OvO (2013), Matilda Cartola (2014), Arrastão (2015) e Adorabilis (2017). A dupla dirigiu ainda os projectos comunitários "Playback" no festival Materiais Diversos 2013, bem como a peça "Caruma" (2014) inserida no projecto Estufa - Plataforma Cultural.   

Jonas participou ainda nos projectos Dançando Com a Diferença e no Laboratório de criação da ACCCA - Companhia Clara Andermatt (2013) contexto onde surge o solo "Jacarandá" posteriormente apresentado no festival "Todos" (2014).

Ainda em 2013 trabalha com o coreógrafo  Tiago Guedes na peça "Hoje"; em 2014 participa no projecto "Hortas" de Vera Mantero com apresentação na Culturgest e em 2016 entra na peça "Gala" de Jérôme Bel.  

 

Lander Patrick (Brasil, 1989)

Sofre de asma crónica desde que se mudou do Brasil para Portugal em 1989, ano em que nasceu. Foi federado em voleibol para rematar a doença, acabando por se formar em dança. A atribuição de dois prémios em coreografia - 1º prémio no Festival Koreografskih Minijatura (Sérvia) com a peça Noodles Never Break When Boiled (2012) e 2º prémio no No Ballet International Choreography Competition (Alemanha) com Cascas d’OvO (2013) - motivaram-no a persistir na criação coreográfica em vez trabalhar num call center. Cascas d’OvO valeu-lhe ainda a distinção como Aerowaves Priority Company 2014, tendo sido apresentada em Portugal, Itália, Suécia, França, Alemanha, Brasil, Espanha, Inglaterra, Polónia, Suíça, etc. Tem vindo a colaborar, por esse mundo fora, com pessoas que admira, tais como: Luís Guerra, Tomaz Simatovic, Marlene Monteiro Freitas, Margarida Bettencourt, André E. Teodósio, Jonas Lopes, entre outros. Vive em Lisboa numa autocaravana com o seu amor e acredita que o vegetarianismo contribuirá para uma prolongada existência do planeta.

 

Criação: Jonas & Lander

Interpretação: Jonas Lopes, Lander Patrick, Lewis Seivwright

Figurinos: Carlota Lagido a partir de ideias de Jonas&Lander

Desenho de Luz: Carlos Ramos

Sonoplastia: Lander Patrick

Animação Digital: Web4Humans

Produção e Gestão: Patrícia Soares

Difusão Nacional: Produção d’Fusão

Produção Executiva e Difusão Internacional: Inês Le Gué

Coprodução: Teatro Maria Matos e Centro Cultural Vila Flor

Residências Artísticas: O Espaço do Tempo, Alkantara (PT), Centro Cultural Vila Flor (PT), Centro de Experimentação Artística no Vale da Amoreira/Câmara Municipal da Moita, Artemrede/Projeto Odisseia (PT), DeVIR/CAPa (PT), Câmara Municipal de Lisboa/Polo Cultural | Gaivotas Boavista, PACT Zollverein (AL), Sín Culture Centre Budapeste (HU), Graner/Mercat de les Flors (ES), Nave (CL)

Apoio à Internacionalização: Fundação Calouste Gulbenkian (PT) Artistas Aerowaves 2017