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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Sofia Areal na Fundação Carmona e Costa - 17.09.2021

20 anos para a frente, 20 anos para trás

Exposição de Sofia Areal na Fundação Carmona e Costa

***

Inauguração, Sexta-Feira, 17 de Setembro às 16h00

Patente de 17 de Setembro a 18 de Dezembro.

Fundação Carmona e Costa
Horário exposições:
4.ª a Sábado 15 às 20h.
R. Soeiro Pereira Gomes 1, 1600-207 Lisboa, Portugal
Ver Mapa

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A exposição intitulada "20 anos para frente, 20 anos para trás" reune cerca de 130 trabalhos em papel de Sofia Areal, que representam uma selecção de obras de referência do seu percurso artístico de mais de 40 anos. Tem portanto um teor retrospectivo apesar de não ser uma mostra retrospectiva formal. A escolha das obras foi realizada por Martim Brion.

A exposição é acompanhada por um livro com textos de: José Luís Porfírio, Jorge Silva Melo, Ricardo Escarduça e Martim Brion.

A mesma ficará aberta ao público até dia 18 de Dezembro de 2021.

Sofia Areal, é uma das mais importantes artistas da sua geração. Nasce em Lisboa, em Junho de 1960. A sensibilidade para as artes plásticas e para a literatura é espoletada e ocupam os espaços e os tempos desde a infância, abrangendo a pintura, a escultura, o desenho, a poesia, a crítica e ensaio literários, sob efeito e por acção do seu pai, António Areal, pintor e homem de letras, da sua mãe, Lira Keil do Amaral, com formação em escultura e praticante do desenho, e ainda em contacto com a arquitectura e o modo de pensar a cidade, instigado pelo avô paterno, Joaquim Areal, e com as artes e a cultura em geral, fomentado pelos avós maternos, entre as quais a música lírica toma lugar especial pela mão da avó materna, Dalila dos Passos Freitas.

Cresce entre Lisboa, a Madeira, os Açores e Moçambique, rodeada por pessoas das artes e da cultura da segunda metade do século XX, que acentuam uma dimensão artística e intelectual aberta ao mundo, edificando um pensamento constelar sobre o mundo e a vida, vincadamente humano e afectivo, permanentemente desperto e permeável, reactivamente vivo e inquieto, que vem, mais tarde, a traduzir na sua obra, centrada no desenho e na pintura, em redor dos quais gravitam outros processos de expressão plástica, tais como a ilustração, o design gráfico, a cenografia ou a tapeçaria. No seu discurso ocupam lugar central, desde sempre, palavras tais como família, alegria, amor, paz.

Inicia a formação artística no Herefordshire College of Art & Design, no Reino Unido, frequentando os cursos de Textile Design, entre 1978 e 1979, e o Foundation Course, entre 1979 e 1980. O interesse inicial pela técnica da tapeçaria é direccionado para a pintura e o desenho, em virtude do tempo associado ao processo de produção, onde encontra a velocidade, o instante, e neles satisfaz a liberdade do impulso, da surpresa e do acidente, e a exploração de uma relação uníssona com os suportes e os materiais. Em Portugal, frequenta os ateliers de pintura e gravura do Ar.Co, entre 1981 e 1983.

Os primeiros trabalhos são figurativos, predominando a paisagem e as naturezas-mortas. Evolutivamente, o objecto representado retira-se, e a figuração cede lugar à composição abstracta em sobreposições e justaposições de formas e de traços, entre vazios e plenitudes, entre positivos e negativos, que passam a dominar o seu trabalho enquanto modalidade de análise das manchas, do contorno e da cor das propriedades apreendidas visualmente, guardadas emocionalmente, em objectos encontrados, em pessoas da intimidade, nas coisas triviais da vida, que pontuam intimamente o seu percurso biográfico. Neles vive o contraste, entre a separação e o aconchego, entre a casa e a viagem, entre o murchar e o florescer, entre o débil e o bravo, entre mar e terra. Dia e noite, vida e morte, céu e abismo. Em dimensões que variam entre o grande e o pequeno formato, com forma rectangular, quadrada ou redonda, aplica, sobre tela e sobre papel, indiscriminadamente desorganizando os códigos próprios do desenho e da pintura, grafites, pastéis secos, tinta da china, aguarela, tinta acrílica, e elementos resultantes do recorte e da colagem. Na sua composição, busca um ideal solar, uma estética do belo, do agradável, do prazer, da harmonia, que procura nas relações de equilíbrios, entre fundo e composição, entre risco e mancha, entre texturas e lisuras, entre opacidades e transparências, entre as cores sólidas de uma palette em que predominam os vermelhos, os amarelos, os azuis, os negros e os brancos sem renunciar a presenças de desdobramentos em cores secundárias, e encontra nos contrastes formais que emergem do instinto do gesto declaradamente musculado, que inscrevem os pessoais.

Coleções (seleção): Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Caixa Nova da Galiza, Vigo; FEVAL, Cáceres; Museu de Arte Contemporânea do Funchal (MUDAS), Funchal, Fundação Carmona e Costa, Lisboa; Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, Almada; Fundação Millennium BCP, Lisboa; Coleção Novo Banco, Lisboa; Fundação PLMJ, Lisboa; Fundação Oriente, Lisboa; Fundação Leal Rios, Lisboa; Coleção Cachola, Elvas; Coleção Fernando Ribeiro, Abrantes; Coleção Luís Ferreira, Lisboa; Coleção Alberto Caetano, Lisboa.

www.sofiaareal.com