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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Gourmet Experience do El Corte Inglés de Lisboa inicia nova programação com exposição pop-up de Mário Belém e concerto de Tatanka, vocalista dos The Black Mamba

 

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·         Nova programação, com curadoria de Tristana Esteves Cardoso, enriquece os finais de tarde e serões no Gourmet Experience com várias actuações e exposições de vários artistas portugueses emergentes

·         Gourmet Experience e a Underdogs Gallery associam-se e criam mostras temporárias de vários artistas de renome da arte contemporânea

·         Exposição de Mário Belém inaugura dia 9 de Abril às 18h30 com um cocktail e a presença do artista

·         Concerto de Tatanka dia 12 de Abril às 22h00

·         Todas as actividades são de entradalivre

 

O Gourmet Experience, no Piso 7 do El Corte Inglés Lisboa, inaugura, já na próxima semana a nova programação com a curadoria de Tristana Esteves Cardoso. O início da programação fica marcado pela inauguração da exposição pop-up do artista Mário Belém, no dia 9 de Abril às 18h30, com um cocktail. O artista estará presente para explicar e desmistificar as suas obras que ficarão em exposição no Gourmet Experience, no Piso 7 do El Corte Inglés de Lisboa.

 

A exposição das obras do artista português surge no âmbito da parceria estabelecida entre o Gourmet Experience e a Underdogs Gallery no sentido de promover a democratização da arte com o início de pequenas mostras temporárias no espaço dos Grandes Armazéns, com peças de artistas contemporâneos e urbanos.

 

Dia 12 de Abril, às 22h00, Pedro Tantanka do vocalista do grupo The Black Mamba “sobe ao palco” e apresenta algumas músicas do novo projecto a solo que será lançado em breve. 

 

O Gourmet Experience reúne o que de melhor se faz na gastronomia com 7 restaurantes de chefs galardoados com estrelas Michelin. Agora, para além da oferta gastronómica reúne também ofertas culturais e de lazer numa programação estudada e pensada única e exclusivamente com o objectivo de proporcionar aos clientes as melhores experiências destas áreas.

 

A programação conta com concertos de artistas em ascensão, finais de tarde com a selecção musical de vários dj’s e exposições variadas.

 

Exposição de Jorge Guerra - Saudade de Pedra

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O Arquivo Municipal de Lisboa inaugura no próximo dia 4 de abril, pelas 19h00 a exposição "Saudade de Pedra" de Jorge Guerra (Lisboa, 1936), nome incontornável na história da fotografia portuguesa e canadiana.

Esta exposição que irá decorrer na rua da Palma 246, até ao dia 29 de junho de 2019, traz a público um conjunto de 100 fotografias a preto e branco realizadas no final de 1966 e principio de 1967, numa curta passagem do autor por Lisboa. São imagens nostálgicas que reflectem uma sensibilidade humanista, que possibilitaram um reconhecimento e contextualização do seu trabalho ao nível nacional e internacional.

Jorge Guerra irá estar em Lisboa durante um curto período de tempo, que abrange a inauguração da exposição e uma conferência aberta ao público que terá lugar no dia 9 de abril, pelas 18h30. Neste dia será lançado o catálogo da referida exposição que conta com textos de Jorge Calado.

«É o povo que faz a fotografia de Jorge Guerra. A paisagem é humana, e a arquitectura, a das relações entre amigos, vizinhos ou transeuntes à solta. É fotografia de rua, mas sem carroças nem automóveis. A tónica está na forma como as pessoas se relacionam (ou não) umas com as outras. Há corpos solitários, mas também encontros e desencontros fortuitos, mendigos, vendedeiras e transacções ambulantes. Nos jardins e miradouros, acumulam-se os velhos reformados à espera que o tempo corra.»

Excerto do texto Corpos Urbanos de Jorge Calado

Exposição Bordalo e a Arqueologia no Teatro Romano

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Bordalo e a Arqueologia
01 Mar 2019 a 28 Abr 2019
Exposição temporária
Teatro Romano

Nesta exposição conjunta entre o Museu de Lisboa – Teatro Romano e o Museu Bordalo Pinheiro, apresentam-se reproduções dos desenhos realizados pelo artista Rafael Bordalo Pinheiro a propósito do IXº Congresso da União internacional das Ciências Pré-históricas  e Proto-Históricas que teve lugar em Lisboa no ano 1880. Este acontecimento fez furor, à época, lançando Portugal como uma peça no xadrez arqueológico e científico de então. Figuras como Possidónio da Silva, mentor da “Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses”, ou de Carlos Ribeiro, com a célebre questão do "Homem do Terciário", ou ainda os contributos de investigadores como Estácio da Veiga, Martins Sarmento ou de Nery Delgado - responsável por algumas das acaloradas questões debatidas no congresso acerca do "canibalismo dos habitantes neolíticos da Gruta da Furninha" – documentam a importância desse congresso e o lugar de charneira que Portugal começava a deter quanto aos estudos antropológicos e arqueológicos.

Em 1880 e mercê deste Congresso vieram a Portugal algumas das mais ilustres figuras da arqueologia Pré-Histórica internacional, como Cartailhac, Henri Martin, Mortillet ou Paul Choffat.

Ocorrido entre 20 a 29 de Setembro na sala da biblioteca da Academia das Ciências, teve direito a sessão solene com a presença do rei D. Luís e de seu pai D. Fernando, assim como todo o ministério, membros do corpo diplomático e deputados.

Os desenhos de Bordalo Pinheiro caricaturaram o acontecimento oferecendo um olhar verdadeiramente bordaliano sobre os arqueólogos!

 

Inauguração: 1 de março, 18h
Patente de 2 de março a 28 de abril de terça a domingo, das 10h às 18h

 

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CONVERSA 22 de Março, 18h

"Arqueologia, arqueólogos, museus e colecções na caricatura de Bordalo Pinheiro: o IX Congresso Internacional de Antropologia e de Arqueologia Pré-históricas (Lisboa, 1880)"*

Por Ana Cristina Martins, Ph. D. (IHC NOVA-FCSH /U.Évora / FCT | Uniarq-ULisboa 

Entrada livre, sujeita à lotação

*A oradora desta palestra não utiliza o Novo Acordo Ortográfico

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Organização: Museu de Lisboa-Teatro Romano e Museu Bordalo Pinheiro

Imagem: Museu Bordalo Pinheiro

Futuro Doméstico Primitivo | O mundo de Sou Fujimoto em exposição no Museu do Oriente

“Futuro Doméstico Primitivo”

 

O mundo de Sou Fujimoto em exposição no Museu do Oriente

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Uma arquitectura inspirada na ideia de floresta, que se mostra através de um percurso sinuoso com núcleos que replicam o jogo de escalas e volumetrias característico da obra de Sou Fujimoto, é a premissa da exposição “Futuro Doméstico Primitivo” que o Museu do Oriente inaugura no dia 21 de Fevereiro, às 18h30.

 

Comissariada por João Almeida e Silva, arquitecto e investigador que contactou de perto com a obra de Fujimoto, em cujo ateliê estagiou ao abrigo de uma bolsa da Fundação Oriente em 2013, esta exposição procura reconduzir o público às origens do espaço construído, partindo de uma selecção de 14 casas projectadas e construídas em território nipónico, apresentadas através de plantas de grandes dimensões, maquetas, vídeos e fotografias.

 

“Futuro Doméstico Primitivo” incide sobre a concepção do habitar explorada por aquele que é um dos mais influentes arquitectos japoneses da sua geração, com especial enfoque no modo flexível como este actua através das diversas escalas, afirmando a pluralidade da actividade humana e a diversidade espacial daí decorrente, dando a conhecer a esfera do privado japonês.

 

Edifícios de assinalável rigor geométrico, espacial e construtivo diluem a percepção da escala dos objectos, dos seus limites e respectivos usos, procurando conformar, assim, uma arquitectura ligada à história primordial da humanidade, definindo um futuro primitivo.

 

Ao investigar a relação mais íntima do indivíduo com o espaço que habita, e consequentes relações deste com o contexto, as construções daqui resultantes potenciam novas noções de natureza e outras formas de ambiente construído (a casa como cidade e a cidade como casa), tornando o habitante em elemento orgânico desta concepção do ambiente doméstico.

 

Explorando gradações onde, no Ocidente, se encontram tradicionalmente oposições (transparência/opacidade, interior/exterior, luz/sombra), este enquadramento conceptual é particularmente operativo nos projectos de âmbito residencial, onde a casa se assume simultaneamente elemento singular (árvore-casa) e parte interactiva de um todo plural (floresta-cidade), onde materiais, mobiliários e fachada se encontram organicamente ligados.

 

Sou Fujimoto (Hokkaido, 1971) é licenciado em Arquitectura pela Universidade de Tóquio. Fundou o seu ateliê - Sou Fujimoto Architects – em 2000, onde desenvolve um trabalho de cunho pessoal, paradigmático no contexto da história da Arquitectura e que rompe com princípios e métodos habituais da disciplina. Inspirada pela cultura tradicional japonesa, e pela cidade de Tóquio, a sua prática projectual está fortemente marcada pelas ideias de cidade-floresta e edifícios-árvore. Defende o retorno à origem do espaço construído, a uma arquitectura que nos reconduza ao primitivo, à gruta, à inversão criativa (creative miscronstruction), como ponto de partida para chegar ao futuro, a uma prática constructiva morfologicamente complexa e variada, à semelhança de uma floresta e das suas árvores que, apesar de entidades singulares e distintas, se organizam numa rede de co-relações e interdependências. Uma arquitectura que espelhe a árvore e a floresta, promove simultaneamente a autonomia de cada elemento e a integração da complexidade social na cidade. Entre os seus projectos mais icónicos encontram-se o Serpentine Gallery Pavillion (Londres), L’Arbre Blanc (Montpellier) e House NA (Tóquio).

 

A exposição está patente até 26 de Maio.

 

Exposição “Futuro Doméstico Primitivo” - Sou Fujimoto

Inauguração | 21 Fevereiro | 18.30

Até 26 Maio

Horário: terça-feira a domingo, 10.00-18.00

(à sexta-feira o horário prolonga-se até às 22.00, com entrada gratuita a partir das 18.00)

Preço: 6 €

Exposição "Aquarelas do Descobrimento"

Exposição de Carybé inspirada na Carta de Pero Vaz de Caminha chega a Lisboa no mesmo dia em que Pedro Álvares Cabral partiu para a descoberta do Brasil

Coleção promovida pela Embaixada do Brasil traz 52 obras de um dos artistas plásticos que melhor retratou o país

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No dia 9 de março de 1500, a armada comandada por Pedro Álvares Cabral partiu de Lisboa, na expedição que resultou na descoberta do Brasil. Na mesma data, 519 anos depois, um dos mais importantes trabalhos inspirados neste acontecimento faz o caminho inverso. No dia 9 de março de 2019, inaugura-se no Palácio da Independência, em Lisboa, a exposição “Carybé – Aquarelas do Descobrimento”.

As 52 obras que integram a exposição do artista plástico que, ao longo da sua brilhante carreira, retratou o Brasil como nenhum outro é uma versão em aquarela sobre o registo mais antigo da existência do país: a Carta de Pero Vaz de Caminha. Originalmente, os desenhos foram feitos em tinta nanquim e publicados em preto e branco no livro “Carta a El Rey Dom Manuel”, uma releitura do documento histórico idealizada pelo escritor Rubem Braga.

Em cores vivas e traços leves, Carybé dá vida a momentos mais marcantes da narrativa portuguesa sobre o Brasil: a navegação da esquadra; o avistar das terras; o primeiro contato entre portugueses e índios; a troca de culturas; a primeira missa; o pau-brasil. Cenas dos primeiros encontros que, mais tarde, com a contribuição igualmente fundamental dos africanos, dariam origem ao povo brasileiro. As 52 obras possuem formato 50x40cm, emolduradas com vidro e passe-partout.

 

A exposição é uma iniciativa da Embaixada do Brasil, que tem por objetivo reforçar ainda mais os históricos laços que unem Brasil e Portugal, ressaltando a singularidade da cultura brasileira ao mesmo tempo que revela as afinidades que aproximam os dois povos. Ademais, fortalece a posição da Embaixada como promotora das artes brasileiras no exterior.

 

“A vertente cultural é dos pilares mais importantes do relacionamento entre Brasil e Portugal”, afirma o embaixador do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo Machado. “É a primeira vez que esta exposição sai do Brasil e o destino não poderia ser outro, que não Portugal. Temos a expectativa de que as obras, por sua delicadeza, beleza e sentido histórico, atraiam grande público para a exposição”, completa o embaixador.

 

“Aquarelas do Descobrimento” tem como curadora Solange Bernabó, filha de Carybé. O trabalho procurou privilegiar a sintonia entre os momentos do artista, com a sua técnica privilegiada, e o marco da história do Brasil revelado em traços leves, coloridos e minuciosos.

 

“Carybé foi um exímio desenhista e aquarelista, arte aparentemente simples, mas que exige maestria técnica e não permite correções. Partindo do relato escrito por Caminha, usou sua imaginação e conhecimento, para transformá-lo em imagens, dando-nos a sensação de termos testemunhado os acontecimentos que há mais de cinco séculos deram origem ao Brasil”, afirma Solange Bernabó.

 

A curadora lembra que os desenhos da exposição que chega a Lisboa foram feitos por Carybé para uma edição comemorativa da Carta em que Pero Vaz de Caminha deu parte ao rei de Portugal, D. Manuel, tendo como mote o quinto centenário de nascimento de Pedro Álvares Cabral, em 1968.

 

A adaptação do texto antigo foi feita por Rubem Braga, amigo e compadre do pintor, que na sua introdução diz: “Esta edição, pela sua natureza, não comporta notas nem glossário. A novidade verdadeira que ela traz, e que a justifica, são os 52 desenhos que a ilustram, do cidadão baiano Carybé.”

 

Carybé nasceu como Hector Julio Páride Bernabó, em Lanús, na Argentina, em 1911. Passou a infância e a adolescência no Rio de Janeiro. Foi aos 8 anos, como escuteiro no Clube de Regatas Flamengo e membro da Patrulha dos Peixes, que surgiu a alcunha. A inspiração veio da feroz piranha Pygocentrus Cariba, das margens dos rios Orinoco e Amazonas. Do Rio de Janeiro, Carybé viajou o mundo até mudar-se definitivamente para o Brasil em 1949.  Naturalizou-se brasileiro oito anos depois e viveu em Salvador até a sua morte, em 1997. A relação do artista com o país que escolheu sempre esteve declarada na sua obra. Tanto nas diversas exposições internacionais que realizou, quanto em trabalhos que levavam a sua arte para o quotidiano das pessoas. Como o mapa do Brasil personalizado que decorava os aviões Electra II, da Varig, nos anos 60, e os murais em fachadas de prédios comerciais de vários estados brasileiros. Sobre os trabalhos que cruzaram fronteiras, pode-se citar os dois painéis que retratam a diversidade cultural do continente americano e a conquista do oeste estadunidense pelos colonos peregrinos e que adornam o Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos; o quadro “São Sebastião”, no acervo dos Museus do Vaticano; e uma pintura no Castelo de Balmoral, residência de férias da Rainha Elizabeth II, em Escócia. Carybé também ilustrou livros de autores importantes como Gabriel García Márquez, Pierre Verger e do seu grande amigo Jorge Amado.  

 

 

 

CARYBÉ – AQUARELAS DO DESCOBRIMENTO EM LISBOA

Palácio da Independência

Morada: Largo de São Domingos, 11, Rossio (Ao pé do Teatro Nacional Dona Maria II)

Horários de funcionamento: De segunda a sexta-feira: das 9h às 19h – Sábado: das 11h às 21h.

Entrada gratuita

A exposição fica em cartaz de 9 de março até o dia 4 de maio

 

 

 

 

CARYBÉ EM PORTUGAL

 

Exposições:

 

1980 Semana de Arte Estoril, Lisboa – Portugal

1981 Exposição no Casino Estoril, Estoril – Portugal

1986 Exposição na Galeria Estoril, Lisboa – Portugal

1989 Exposição no Casino Estoril, Estoril – Portugal

1993 Exposição no Casino Estoril, Estoril – Portugal

 

Acervos:

 

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa – Portugal

• Museu de Arte Contemporânea, Lisboa – Portugal

 

EMARP - Exposição INTERMITÊNCIA, SINTAXE E CINTILÂNCIA - Via Imaterial

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INTERMINTÊNCIA, SINTAXE E CINTILÂNCIA
Exposição de Via Imaterial

25 de março a 3 de maio de 2019
Dias úteis das 8h30 às 17h30

Arte é história de rotina da não funcionalidade, da submersão de uma longa jornada de atitude e revelação, indecisão e determinismo. Novas modalidades da experiência e da enunciação são presentemente fomentadas como práticas sociais; nesta medida, o acto criativo está indissoluvelmente associado à ordem do distintivo, ao nominal, designadamente por meio de hábitos e procedimentos por via dos quais uma geração inscreve singularidade, mantendo, contudo, uma relação dominada pela produção de um discurso que se regista de acordo com o curso de uma operação de natureza colectiva.
 
A série Intermitência, Sintaxe e Cintilância (2019) especialmente concebida para esta ocasião, reúne um conjunto de seis propostas que derivam de um arquivo no qual se encontram depositados centenas de documentos que conjugam informação relativa a uma prática que entre outros princípios, considera uma linguagem iniciada ainda antes do final do séc. XIX, nomeadamente por van Gogh, que numa das cartas escritas ao irmão descreve um invulgar cenário, uma paisagem repleta de estranhos objectos, formas e cores, resultado de uma caminhada ao longo de uma lixeira local.
 
Não há um termo exacto para definir ou determinar aquilo que esta série de imagens poderá desencadear, ou melhor, existem vários termos que não reúnem consenso, o que num sentido poderá ser positivo. Significa isto que, embora a natureza daquilo que aqui se vislumbra dependa invariavelmente de toda uma livre associação, incrementada ao longo de pelo menos dois séculos, aquilo que se corporiza na mente do observador é intimamente subjectivo.
 
A palavra “poesia”, que pode e deve continuar a ser lembrada como princípio da transformação de uma linguagem noutra, como transubstanciação, era originalmente uma palavra grega que significava literalmente “criar”, e que não era exclusividade da linguagem escrita ou falada.
 
A razão desta lógica parece justificar-se de acordo com o facto da nossa linguagem e dos nossos pensamentos, relativamente a coisas naturais, considerando por exemplo uma planta, terem à sua volta uma espécie de balão de informação repleto de associações. A “coisa” tem as suas qualidades físicas e o respectivo “balão” gera todo um contexto metafísico, produto de uma estética, história ou mitologia. Temos vivido na presença de um mundo natural com o qual temos tido oportunidade de desenvolver relações próprias. A velocidade com que temos vindo a equacionar novas imagens é de uma intensidade indescritível. Não temos tido naturalmente o tempo necessário para nos envolvermos mais intimamente com todo este material. Tentar devolver a estas coisas maior significado é definitivamente um dos grandes desafios da arte actual.
 
É portanto claramente evidente que a arte do final do séc. XIX traduzia já a consciência da existência de um mundo também ele artificial. Foi nesta medida que a produção industrial começou a ter um impacto estético. De forma mais genérica, poderemos olhar para todo este processo como o princípio de uma tendência para enumerar uma série de possibilidades segundo um processo nominativo, seletivo. Hoje, séculos depois da formalização do princípio da nominação, e do início da modernidade, por volta de 1800 – com a consequente autonomia da obra de arte -, podemos usar de tudo na concepção de imagens e objectos. Qualquer material pode ser incluído como portador de informação relevante, e não apenas no que toca a materiais, considerando igualmente técnicas e possibilidades formais. O problema é que, mesmo num mundo finito, o leque de possibilidades é de tal forma abrangente que, aparentemente, parece ser irrelevante o desenvolvimento de novos meios na produção de arte. Parece já não constituir a principal motivação. Será isto matéria de um passado demasiadamente premente, envolto em tradição, inviabilizando um futuro totalmente promissor?

Via Imaterial é a designação dada ao espaço que marca a passagem de recursos físicos para o meio virtual, tornando-os imateriais e, por esta via, visíveis aos olhos de um observador — na sua casa, num café ou escritório, independentemente da sua localização —, diante de um dispositivo, o mesmo com que reserva uma mesa num restaurante ou, uma entrada para uma peça de teatro. Poderá dizer-se que estas são imagens da literal tradução de um fluxo de informação que se torna na generalidade acessível, pelo menos potencialmente, por um período indefinido de tempo, a todos aqueles que de uma forma ou outra passaram a habitar e a tirar partido de um espaço oficialmente inaugurado em 1989. Estamos na presença de repositórios virtuais, de uma gama de coisas interpretativas, de um carácter especulativo, perante um mundo físico, afirmativo, repleto de objectos e, de uma vasta esfera de associações daí proveniente, reflexo de uma actividade não visível nem quantificável. Além do espaço de representação — segundo condição — ocupamos, por optação, o tempo da ficção. É esta a actualidade.

Exposição "Retorno / Fazer infinitamente seres finitos" de João Maria Pacheco

 

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Sem Título, 2019, colagem sobre MDF, 170x140 cm (excerto)

 

Inauguração  quinta-feira 28 de março, 19h
Exposição  29 de março a 24 de abril, 2019 | Seg. a sex. 11h - 19h
Ocupart | Espaço Camões da Livraria Sá da Costa
Praça Luís de Camões, 22, 4º andar, Lisboa
 
No próximo dia 28 de março, às 19 horas, inaugura a exposição “Retorno / Fazer infinitamente seres finitos”, de João Maria Pacheco, no Espaço Camões da Livraria Sá da Costa.
Nesta exposição o artista mostra-nos um conjunto de obras recentes, pinturas e objetos, que abordam questões como o tempo das coisas e do seu fazer, a permanência do estar e a transmutabilidade da matéria. 
“(...) A padronização no método de preparação de cada um destes entes procura uma regularização do fazer. Esta repetição evidencia a procura de um ciclo infinito. Fazer infinitamente seres finitos. A imposição de uma regra leva a uma libertação meditativa, capaz de um olhar distante e analítico sobre o fazer. Este que está sempre ligado ao estar. Estar em contacto. Estar e dar. Dar pela forma de vector que direcciona e entende a inércia e as repercussões da força no que foi, é e poderá vir a ser (...)”
João Maria Pacheco
 
A exposição poderá ser visitada até 24 de abril, de segunda a sexta-feira, das 11 às 19 horas, ou noutro horário mediante marcação prévia, no Espaço Camões da Livraria Sá da Costa, localizado na Praça Luís de Camões, 22, 4º dto.
 
JOÃO MARIA PACHECO (1995), reside e trabalha em Lisboa.
Concluiu em 2017 a licenciatura em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, tendo tirado o curso de Design de Comunicação na Escola Artística António Arroio entre 2010 e 2013. Em 2015, viveu e trabalhou em Istambul na escola Mimar Sinan. Realizou a sua primeira exposição individual, “Sem Título”, em janeiro de 2019, na galeria Águas-Livres 8.
Participou nas seguintes exposições coletivas: XIV edição do Prémio de Pintura e Escultura de Sintra D. Fernando II, onde teve uma menção honrosa, Sintra, 2018; Finalistas de Pintura 2016/2017, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, 2018; Panorama 2018, no Le Consulat, Lisboa, 2018; O Escritório, Lisboa, 2018; Locus19, Lisboa, 2018; Quarto, na Casa Dona Laura, 2017; Dispensa, no Pavilhão 31, Lisboa, 2017; OpenDay da associação recreativa ADAO, Barreiro, 2016; YOK, Mimar Sinan, Istambul, 2015; Exposição independente na Calçada da Tapada, Lisboa, 2013.

Pires Vieira, "Geometrias I & II e outros objectos pictóricos, 2009/2018"

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Geometrias II, 2017, Óleo s/ tela, 152x180 cm

 

Inauguração | quinta-feira 7 fevereiro, 18h
Exposição | 8 fevereiro a 25 maio 2019
Ter. a Dom. 10h00-12h30 e 14h00-17h30
Museu da Guarda | R. Alves Roçadas, 30, Guarda

A exposição “Geometrias I & II e outros objetos pictóricos, 2009 / 2018”, de Pires Vieira, reúne obras representativas do trabalho desenvolvido pelo artista nos últimos dez anos. 
Nesta exposição são mostradas obras das séries “Geometrias II”, de 2018, “Geometrias I”, de 2016, “Who is afraid of…?”, de 2014, “Une image peut en cacher une autre”, de 2011, “Polígonos irregulares sobre um tema de Monet”, de 2009 e os livros “Janelas um” e “Janelas”, de 2017-18.
                           
“No início dos anos 90 Pires Vieira abandona as questões da pintura que se procura e refere a si própria em sucessivas experiências formais (e que desenvolvia desde os anos 70), para assumir a presença da memória e da história pessoais nas obras.
Nos anos 2000, o artista encontra uma espécie de síntese equilibrada entre a componente analítica e programática inicial e a força da subjectividade artística, de modos variados e extensíveis, por vezes, às três dimensões: realiza uma pintura em “campo alargado”, com materiais, jogos espaciais e verbais combinados, e na qual a convocação da história de arte, da pintura expressionista aos legados mais teóricos da arte conceptual, passando pela herança da psicanálise (natural ao movimento Supports-Surface com o qual se identifica nos primeiros anos do seu trabalho), coexiste com a medida do corpo na pintura em que se projecta, com obsessão e violência codificadas, com tempo subjectivo e espaço simbólico.
Na verdade, a partir de 2002, o assunto da sua arte volta a ser a própria pintura, mas de um modo renovado: alimentado pela assunção do gosto e das referências autorais, pela reflexão museológica, pelos valores sensoriais do óleo e pelo apelo sensível, tanto quanto pelo design e pela cultura Pop, pela palavra, pela citação elaborada ou pela ironia crítica.
 
Na nova série aqui exposta, Geometrias II, o formato rectangular e regular da tela única é reencontrado em pinturas que retomam, em boa parte, o vocabulário da série Geometrias, de 2017, apresentado na Fundação para as Comunicações.
Quatro factores as distinguem: a ausência de texto, o movimento tendencialmente abstracto da matriz paisagística, ainda reconhecível, a abertura sistemática dos polígonos desenhados por uma barra preta e a divisão da superfície em quatro fatias horizontais que quebram a continuidade da representação.
Estes dois últimos elementos conjugados adquirem particular importância: a unidade surge dividida (o que faz da natureza, artifício e ecrã) e a divisão interrompe a cintilação, entretanto reconduzida à unidade pela geometria. Os polígonos abertos trazem inquietação e movimento às “paisagens” que agregam, como ímanes ou atractores estranhos sobre a cor vibrante do mundo, pondo em risco, em arrastamento, em trânsito, em descolagem, as massas informes de água, fogo, vegetação e luz. (...)”


Leonor Nazaré, in catálogo da exposição

MAAT inaugura as três primeiras exposições de 2019

Exposição retrospetiva de Carlos Bunga no MAAT: The Architecture of Life

 

Carlos Bunga. The Architeture of Life. Environments, Sculptures, Paintings and Films, com curadoria de Iwona Blazwick, é a primeira exposição retrospetiva da obra de Carlos Bunga, em Portugal. Reunindo obras dos últimos 15 anos, a exposição documenta as construções de grande escala que o artista cria e destrói como performance, e é animada por vídeos das suas interações com o mundo material. O artista apresenta também três instalações, readaptadas especialmente para o espaço do MAAT, que envolvem o espectador numa complexa experiência espacial.  ‘O meu projeto é uma espécie de arquitetura; não é um espaço real, mas uma ideia mental.’ As estruturas escultóricas e pictóricas de Bunga sugerem a arquitetura como corpo e espaço mental.

 

Hello, Robot! do Vitra Design Museum para o MAAT.

 

Hello, Robot. Design Between Human and Machine examina a atual explosão no mundo da robótica. Inclui mais de 200 peças das áreas de design e arte, e contém robôs utilizados no nosso quotidiano, na medicina e na indústria, bem como em jogos de computador, instalações de media, e exemplos cinematográficos e literários. As máquinas inteligentes são muito mais comuns do que a maioria das pessoas pensa. Os nossos carros, máquinas de lavar, caixas multibanco, e muitos outros equipamentos incluem pelo menos algumas partes robóticas. E no futuro – isso é garantido – o ambiente que nos rodeia será cada vez mais inteligente, autónomo e autodidata.

 

Novas obras de Ana Santos na exposição Anátema, com curadoria de Ana Anacleto.

 

Anátema, exposição reúne um conjunto de obras resultantes da mais recente produção da artista Ana Santos. Vencedora do Prémio Novos Artistas em 2013, a sua prática enquadra-se no campo expandido da escultura — ou, mais concretamente, da produção de objetos — e assenta na procura de um muito particular estado de atenção. Promovendo o recurso à sensibilidade e à intuição como instâncias que permitem sublinhar a unicidade do ato criativo, as suas peças resultam de um processo de reflexão sobre as características formais, funcionais, morfológicas ou cromáticas de determinados materiais ou objetos encontrados e das relações que entre eles possa querer testar ou estabelecer.

 

 

MAAT | Ficção e Fabricação: Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital

Ficção e Fabricação: Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital

 

O MAAT inaugura hoje Ficção e Fabricação, uma exposição com perto de 70 obras de artistas como Jeff Wall, Thomas Ruff, Sabine Hornig, Antoni Muntadas, Aglaia Konrad ou James Casebere, e portugueses como Edgar Martins, André Cepeda, Tatiana Macedo, Rita Sobral Campos e Teresa Braula Reis, entre muitos outros.

 

A exposição Ficção e Fabricação: Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital reúne obras de cerca de 50 artistas que constroem e manipulam imagens feitas a partir de objetos e espaços arquitetónicos.

Assinalando os 30 anos da invenção do Photoshop e da invasão das ferramentas digitais na produção fotográfica, esta mostra foca o imaginário da arquitetura como tema fulcral de uma prática expandida da fotografia na arte contemporânea. Desde as obras seminais de Andreas Gurski, Thomas Demand ou Doug Aitken, até às criações ficcionais de Beate Gütschow, Oliver Boberg ou Isabel Brison, delineia-se um panorama da fotografia de arquitetura que contorna abordagens objetivas e privilegia as efabulações sobre o real entre o olhar cinematográfico, a desconstrução da imagem ou as narrativas mais politizadas.

 

Entre as 68 obras que integram a exposição, estão presentes obras de várias coleções privadas e institucionais, incluindo o Museu Reina Sofia, de Madrid, a Coleção de Arte da Fundação EDP e mais de 20 obras provenientes da Coleção de Fotografia Contemporânea do NOVO BANCO.  Conta também com obras de galerias como a Carlos Carvalho, Filomena Soares, Cristina Guerra, Vera Cortês, Georg Kargl Gallery (Viena), The Little Black Gallery (Londres), Esther Shipper Gallery (Berlim), L.A. Galerie (Frankfurt), Misha Franck Collection (Londres), entre outras.

 

 

 

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Programação da exposição:

 

 

 

Conferência internacional: On The Surface

Co-organização Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto / Scopio
31 maio das 9h30 às 19h
www.onthesurface.net/program

 

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Ficção e Fabricação: Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital
Curadores: Pedro Gadanho e Sérgio Fazenda Rodrigues

De 20 de março a 19 de agosto
Main Gallery + Vídeo Room – Edifício MAAT