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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

"Tilt-Shift”: Fafe apresenta exposição composta por instalações feitas com e para a comunidade fafense

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Projeto com a curadoria de Diogo Vasconcelos está patente no Arquivo Municipal de Fafe até 26 de agosto. A entrada é gratuita.

O Arquivo Municipal de Fafe acolhe, até 26 de agosto, a exposição Tilt-Shift, um projeto composto por quatro instalações construídas com e para a comunidade local de Fafe. A exposição parte do enraizamento cultural do mito da “Justiça de Fafe”, que pertence ao imaginário da identidade fafense, convidando os seus intervenientes a reajustar a perspetiva que têm sobre ele, de forma a pensar agora no futuro enquanto coletivo e a refletir sobre a questão da identidade, da pertença a uma comunidade, a evolução da mesma e das suas histórias.

Com a curadoria do artista fafense Diogo Vasconcelos, as instalações foram desenvolvidas em contexto de residência artística pelo próprio curador e pelos artistas convidados Frederico Martinho, Margaryta Kulichova e Mário Vinagre (Moreno Ácido), com a colaboração de fafenses de grupos etários diversos, desde crianças dos 6 aos 10 anos, jovens dos 13 aos 18 anos e seniores maiores de 65 anos.

O mote do "Tilt Shift" foi a exposição "Interiores", composta por uma série de fotografias feitas por Diogo Vasconcelos, onde há uma invasão da intimidade dos retratados e uma exposição do seu íntimo. "Tilt shift" é sobre mudar a forma de olhar a cidade, de apresentar um outro olhar sobre o que está enraizado. A exposição pretende, assim, estabelecer um diálogo com a comunidade local, interagindo com o seu contexto e desafios específicos, motivando os seus cidadãos a refletir sobre as suas idiossincrasias.

Na prática fotográfica, Tilt-Shift é uma técnica utilizada em fotografia onde, através da inclinação da máquina e reposicionamento da lente, nos é possível reajustar uma perspetiva. Entre outros efeitos, esta técnica permite-nos ajustar a posição do objeto da fotografia na área da imagem, sem a necessidade de mover o corpo da câmara.

Exposição composta por quatro projetos artísticos participativos
Estas reflexões serão promovidas através de quatro projetos artísticos participativos, criados a partir de formatos como a fotografia e o vídeo. Além da série de fotografias designada de "Interiores" de Diogo Vasconcelos, foram desenvolvidas as instalações "Imagem Justa" de Frederico Martinho, "És Tu? / Is That You?" de Margaryta Kulichova, e "Reajuste", uma instalação em formato de concerto, da autoria de Diogo e Moreno Ácido.

"Interiores", de Diogo Vasconcelos, fala essencialmente de um certo grau de intimidade que as pessoas retratadas aceitaram partilhar. Todas as pessoas retratadas foram convidas a abrir as portas de sua casa (ou de um espaço particularmente importante para elas). Invadindo a privacidade deste espaço físico e individual, foi também necessário estabelecer, através da fotografia, uma outra relação de intimidade entre fotógrafo e modelo que se foi construindo durante a sessão com a salvaguarda da distância permitida por uma lente de 60mm.

"És tu? Is that you?" é uma das instalações em formato vídeo desenvolvida em colaboração com a artista ucraniana Margaryta Kulichova e que estabelece um diálogo intergeracional. Neste âmbito, foram captados retratos em vídeo, realizadas pequenas entrevistas a várias pessoas de diferentes idades, com o objetivo de que refletissem sobre os temas da responsabilidade social e da justiça.

O fotógrafo Frederico Martinho teve a seu cargo o desenvolvimento da instalação "Imagem Justa". O trabalho foi desenvolvido em parceria com a Escola Secundária de Fafe, em três fases. Começaram por debater os conceitos de "justiça" e "imagem" e de que modo podem ser trabalhados do ponto de vista da arte e da fotografia em particular. Numa segunda fase, foi promovida a relação dos alunos com a máquina fotográfica e com o sujeito fotografado, permitindo-lhes ter a experiência de criação artística com foco no ato de olhar o outro. A última fase prolongou a atividade para fora do espaço sala de aula/escola, permitindo que cada retrato fosse marcado por determinado ambiente urbano, fechando assim um diálogo entre o pensamento político, arte e técnica fotográfica que resulta numa imagem.

"Reajuste" assume o formato de uma composição musical criada por Diogo e Mário Vinagre, desenvolvido a partir de material de arquivo e com a colaboração de bandas filarmónicas, bandas locais, ranchos folclóricos e elementos de música tradicional. Num tom celebratório, a apresentação de "Reajuste" acontecerá no dia 26 de agosto, dia de encerramento da exposição, altura em que Margaryta Kulichova dará também um concerto com o seu projeto "Grisly Faye".

A entrada na exposição é gratuita.

Horário:
Segunda-feira: 9h30 às 12h30/14h00 às 18h30
Terça a quinta-feira: 9h30 às 12h30/14h00 às 17h00
Sexta-feira: 9h30 às 12h00

Fafe inaugura “Rosa dos Ventos” escultura de artista alemão em residência artística na Aldeia do Pontido

Fafe inaugura “Rosa dos Ventos” escultura de artista alemão em residência artística na Aldeia do Pontido

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Escultor Volker Schnüttgen teve como ponto de partida as características naturais e patrimoniais do local onde esteve durante algumas semanas. Carvalho e granito foram os materiais escolhidos.

O Município de Fafe acaba de inaugurar a peça escultórica “Rosa dos Ventos”, resultante de uma residência artística realizada pelo artista alemão Volker Schnüttgen na Aldeia do Pontido. Esta obra insere-se no Programa de Intervenções Artísticas e Comunidade “No Minho não há aldeia melhor do que a minha!”, promovido pelo consórcio Minho In que integra os 24 municípios do Minho, e que conta com a curadoria de Helena Mendes Pereira da Zet Gallery. Destaque-se que a escolha do artista e o entendimento sobre a peça a realizar nesta residência ficaram a cargo do Município de Fafe, sendo esta obra uma das primeiras a ser inaugurada no âmbito do projeto.

O ponto de partida para a proposta do artista foram as características naturais e patrimoniais da Aldeia do Pontido. Nesse sentido, a intervenção pretende valorizar a poesia do lugar, de uma natureza intacta, com a presença de uma floresta de carvalhos e um património com arquitetura tradicional em granito. O artista entende a escultura como um padrão que estabelece um sinal, marca o lugar, criando o espaço simbólico que pode ser descoberto.

O momento inaugural contou com a presença do artista Volker Schnüttgen, Antero Barbosa, presidente da Câmara Municipal de Fafe, Paula Nogueira, vereadora da Cultura, Raul Cunha, vereador do Ambiente, de Marta Coutada, diretora executiva da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave, e da curadora Helena Mendes Pereira. Foram igualmente convidados os presidentes das Juntas de Freguesia de Queimadela, Revelhe e Travassós.

Intervenções dos presentes no momento inaugural

O Presidente da Câmara realçou: “É com muita satisfação que inauguro esta obra, um projeto que leva a arte a um espaço improvável, enriquecendo aquele que é o nosso paraíso, a Barragem da Queimadela”. O autarca apelou ainda à importância de se cuidar da Barragem e da sua envolvente e ao facto de haver agora “mais um motivo de visita para admirar esta obra”.

A vereadora da Cultura, Paula Nogueira, referiu-se ao processo de escolha do local de implantação da peça que cabou por recair num local junto à Barragem da Queimadela, referindo que  "é um ponto de abertura total ao espelho de água, e uma localização ideal para colocar a «Rosa dos Ventos» que nos guia e nos impede de nos perdermos, algo crucial num ponto de passagem de muitos caminheiros e pedestrianistas".

A curadora Helena Pereira abordou a qualidade artística do escultor: “Schnüttgen é um artista de referência internacional ,com representação da sua obra escultórica em todo o mundo, facto que acrescenta valor à coleção urbana de Fafe”, coleção essa que o Município pretende melhorar e incrementar a cada dia. A curadora destacou ainda o facto de ser a primeira vez que o escultor alemão trabalhou dois materiais numa só peça: madeira (carvalho, uma madeira autóctone) e pedra (granito, tão típico da região do Minho).

Volker Schnüttgen, por sua vez, referiu que adorou estar na residência artística e que “acima de tudo, se sentiu adotado pelas pessoas da aldeia que o ajudaram e acompanharam. O ateliê, mais do que uma residência artística, tornou-se numa residência de amigos e família”. Sobre a matéria-prima utilizada, o artista revela que são dois materiais tão distintos e que os trabalhou mantendo a sua identidade, sendo que “ambos só fazem sentido juntos, resultando numa extraordinária harmonia de matéria e simbolismo”.

Schnüttgen explicou ainda: “A «Rosa dos Ventos» é uma obra para interpretar e ser lida com a alma. É feita pelo artista, mas a maior parte é concretizada pela natureza. Quem aprecia esta obra pode lê-la com a alma. As pedras que aqui estão foram colocadas para que as pessoas possam sentar-se e apreciá-la de diferentes pontos de vista, de diferentes pontos cardeais, interpretando a peça e a própria vida como quiserem e sentirem”, concluiu.

Marta Coutada, da CIM do Ave, referiu-se à importância destes projetos intermunicipais: “Estas residências artísticas ajudam a que se estabeleça uma relação entre os artistas e as comunidades onde se inserem. Tiveram um importante papel durante os anos de pandemia, salvando vidas, pois muitos artistas estavam entregues ao abandono, sem trabalho e sem rumo”.

Artista realizou em paralelo workshop para alunos de artes

Com vista a otimizar a sua presença em Fafe, Volker Schnüttgen realizou, no período da residência, um workshop para um grupo restrito de alunos que frequentam o curso de artes na Escola Secundária de Fafe, e que puderam interagir com o escultor e inteirar-se das suas técnicas de trabalho. Schnüttgen tentou sensibilizar os mais novos para as peculiaridades do trabalho artístico com os diferentes materiais, exemplificando as diferentes técnicas e como ele próprio respeita e se relaciona com o meio ambiente.

Programa de Intervenções Artísticas e Comunidade “No Minho não há aldeia melhor do que a minha!”

O objetivo do projeto é promover a animação, requalificação e dinamização turística das aldeias do Minho. Como resultado de todas as residências artísticas levadas a cabo pelos municípios minhotos será, posteriormente, publicado um livro alusivo a todas as obras de arte que daí resultem.