A Casa das Artes de Famalicão decidiu prolongar a exposição “O Vazio Desenhava desde Sempre — diálogos interartísticos II”, com obras deConstança Araújo Amador, até ao final do mês de julho.
Esta exposição, concebida apartir de poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, está patente desde o início de maio e deveria encerrar a 30 de junho, mas a direção entendeu que a mesma deveria estender-se até ao encerramento da temporada do teatro municipal.
A exposição reúne obras em série, como exercício intermedial e ecfrástico em espelho: o verso e o seu reverso imagético. Uma forma de invocar a invisibilidade e o lugar imanente, da palavra obstinada à dimensão do olhar, como eco que se abre à atenção sobre as coisas. Do mecanismo da ilustração da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, traça-se um círculo contínuo, a poesia desdobra-se e formam-se novos versos, escritos pela artista: derivações e uma vontade de um fazer-se-ser poema contínuo.
O acesso à exposição, patente no foyer da Casa das Artes de Famalicão, é livre e pode ser feito no horário normal do teatro municipal.
A Casa das Artes de Famalicão estreiaLá No Xepangara - A Cultura Africana em José Afonso, o primeiro grande concerto realizado noâmbito dos 50 anos do 25 de Abril, no dia 27 de janeiro, às 21h30. Trata-se de uma criação daPortugal Music 360 em parceria com a Casa das Artes de Famalicão e o Teatro Narciso Ferreira.
LÁ NO XEPANGARA é a homenagem lusófona a José Afonso e reúne Manuel de Oliveira, Selma Uamusse, Karyna Gomes, Edu Mundo e Fred Martins. Depois de se estrear em Vila Nova de Famalicão, o espetáculo “Lá no Xepangara” irá circular o país ao som da música e da palavra de José Afonso.
O projeto pretende refletir a forte presença da cultura africana na vida e obra de José Afonso e sobre o seu papel na luta pela descolonização, democratização e pelo desenvolvimento da sociedade e cultura lusófonas. A partir da obra de José Afonso, como exemplo paradigmático do papel determinante da arte e da cultura na revolução portuguesa, o projeto tem como principal objetivo a aproximação da comunidade lusófona e dos jovens a uma personalidade incontornável na luta pela democracia, enaltecendo assim a contemporaneidade e, sobretudo, o caráter universal da obra de José Afonso.
O coletivo conta ainda com Pedro Oliveira na percussão, João Frade no acordeão, Albano Fonseca no baixo e com a consultoria e mediação de Viriato Teles.
Ações de mediação
Refira-se que este espetáculo inclui ações de mediação, a realizar no Teatro Narciso Ferreira, designadamente duas masterclasses que promoverão a reflexão em torno da música africana e do trabalho de José Afonso, destinadas a escolas do 1º e 2º ciclos, no dia 25 de janeiro, e escolas de música, no dia 26 de janeiro. As ações realizam-se em ambos os dias às 10h30.
A ação de mediação para escolas 1.º e 2.º ciclos irá promover uma reflexão aberta ao diálogo, discussão e partilha com alunos e professores, sobre a dualidade de sentidos em que desenvolveu a relação de José Afonso com o continente africano, e especificamente com Angola e Moçambique, de cuja descolonização também foi paladino.
Neste trabalho observamos a forma como estas experiências se refletiram, através da análise das canções, cartas e outra documentação, da recolha de testemunhos e daquilo que o próprio José Afonso afirmou em entrevistas e depoimentos.
Esta ação é orientada por Manuel de Oliveira e Viriato Teles e contará com convidados do elenco artístico do Concerto “Lá no Xepangara”
De caráter transgressor, José Afonso é um inovador em todo o espectro da sua música. Da balada de Coimbra, às incorporações da música etnográfica portuguesa e à fusão com a pulsação rítmica e melodias Africanas, revolucionou a canção popular portuguesa de forma indelével. E a ação de mediação com estudantes do ensino de Música pretende facilitar uma compreensão da composição de José Afonso e a sua evolução. Nesta, serão convidados os alunos à interpretação conjunta de algumas canções paradigmáticas da evolução da sua obra.
Ensaio aberto
O TNF é palco, no dia 26 de janeiro, às 15h30, de um Ensaio Aberto à comunidade. De acesso livre à lotação da sala, os interessados devem comunicar a reserva de lugares para o e-mail:casadasartes@famalicao.pt
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Banda Edu Mundo - Voz, guitarra, percussão Fred Martins - Voz, guitarra Karyna Gomes – Voz Selma Uamusse – Voz Pedro Oliveira – Percussão João Frade – Acordeão Albano Fonseca – Baixo Manuel de Oliveira - Guitarra e braguesa
APOIO ANTENA 1
Produção Direção de projeto: Manuel de Oliveira Produção Executiva: Simão Barros Direção Técnica: Hélder Costa Projeto de Luz: Paulo Ribeiro Consultoria e Mediação: Viriato Teles Mediação: Joaquim (Quiné Teles) Parceiros: Bando à Parte, CARB Cooperativa Artística da Raia Beirã, Cenáculo Associação Cultural e Artística, RDP África.
Produção Fotográfica: Direção Criativa: Ana Caracol e Pedro Ferreira Fotografia: Pedro Ferreira Assistente de Fotografia: Pedro Lamego Agradecimentos: Ana Bragança, Lena Afonso, Nancy Vieira, Nuno Saraiva (Mais 5), Rodrigo Areias, Ovídio de Sousa Vieira
Nos dias 6 e 7 de janeiro a Casa das Artes de Famalicão apresenta o já tradicional ciclo de Concertos de Ano Novo com as bandas filarmónicas famalicenses.
No dia 6 de janeiro, sábado, às 16h30, realiza-se o concerto da Banda de Música de Riba d’ Ave, dirigida pelo Maestro Micael Moreira.
Ainda no dia 6 de janeiro, às 21h30, atua a Banda de Famalicão, sob a direção do Maestro Armando Teixeira.
No dia 7 de janeiro, domingo, às 16h30, o ciclo encerra com o concerto da Banda Marcial de Arnoso, dirigida pelo Maestro Rúben Henriques.
A entrada é gratuita e limitada à lotação da sala. Os ingressos estão disponíveis na bilheteira da Casa das Artes de Famalicão, de terça-feira a sábado, das 9 às 13h00 e das 14 às 18h00.
Casa das Artes de Famalicão conta com um conjunto de sugestões culturais durante o fim de semana de 15 e 16 de outubro
O Close-up – 7º Episódio do Observatório de Cinema de Famalicão – arranca já este sábado, 15 de outubro, na Casa das Artes de Famalicão. Este fim de semana, durante o qual não faltarão sugestões para apreciar a sétima arte, nas suas mais diversas formas, inicia-se com a projeção de “A Távola de Rocha” – filme que propõe um reencontro com o cinema de Paulo Rocha e que assume abertamente a “rima” formal com a abertura e o fecho de “A Ilha dos Amores” –, de Samuel Barbosa, às 15h00, numa sessão que irá ser comentada pelo próprio realizador, em conjunto com Francisco Noronha (crítico e realizador). Destaque-se, ainda, que, como complemento, será exibida a curta metragem “Reconstrução”, de Francisco Noronha.
Segue-se, às 17h30, a exibição de “O Grito”, de Michelangelo Antonioni, que contará com os comentários de Abílio Hernandez (professor universitário). O grande destaque do dia centra-se, contudo, na estreia do filme-concerto “Melodia do Mundo”, de Walther Ruttmann, momento agendado para as 21h45 e que contará com música ao vivo tocada pelos Glockenwise. O primeiro dia do Close-up termina com a atuação do DJ set Edmond & Brian, às 23h00.
Já no domingo, 16 de outubro, a Casa das Artes de Famalicão apresenta, às 15h00, o filme “A Vida Depois de Yang” – um drama de ficção científica realizado por Kogonada –, que será comentado por Luís Miguel Oliveira (crítico e programador). As sessões para famílias têm início às 15h30, com a projeção da animação infantil “Mínimos 2: A Ascensão de Gru”, onde haverá a oportunidade de, após esta sessão, os espectadores participarem numa oficina em que serão construídos brinquedos óticos do pré-cinema. O café Kiarostami chega às 17h15, com a apresentação do livro “A Hipótese Cinema – Pequeno Tratado Sobre a Transmissão do Cinema Dentro e Fora da Escola –, de Alain Bergala. A apresentação, que decorre no café-concerto da Casa das Artes de Famalicão, será realizada por Carlos Natálio e Pedro Alves (professores universitários).
A realizar um tributo à cineasta portuguesa Catarina Mourão, no âmbito deste 7º Episódio do Observatório de Cinema de Famalicão, o Close-up exibe, às 18h30, o documentário “Ana e Maurizio” – obra que revela uma jornada de autodescoberta, pelos caminhos da odisseia e da memória, de uma linhagem e de uma família ao longo de séculos pela Ásia. Esta obra de Catarina Mourão será comentada por Luís Mendonça, crítico e programador da cinemateca portuguesa. A encerrar o segundo dia da iniciativa, “Accattone”, de Pier Paolo Pasolini, aborda os jovens marginais dos bairros de lata de Roma e irá ser apresentado, às 21h45, numa sessão comentada por Sérgio Dias Branco (professor universitário).
Cartazes, fotografias e desenhos de Fellini em exposição
Em parceria com o Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek, e tomando como base a exposição que assinalou o centenário do nascimento do cineasta italiano Federico Fellini, a Casa das Artes de Famalicão recebe, até 30 de dezembro, a exposição de cartazes, fotografias e desenhos de Fellini. O cineasta, que antes de ser realizador foi desenhador, caricaturista e cartoonista, fez dos seus desenhos antecipações fragmentadas dos filmes e, dos filmes, uma analogia da sua vida. Todos transportam memórias, sonhos, histórias e acontecimentos vividos ou sonhados por Fellini. A exposição, que pode ser visitada de 15 a 22 de outubro, durante o Close-up, tem entrada gratuita.
Famalicão celebra Dia Mundial da Música com ópera, concertos e duo de guitarras
A efeméride do Dia Mundial da Música é assinalada em Vila Nova de Famalicão, nos dias 1 e 2 de outubro, com três espetáculos, na Casa das Artes e no Teatro Narciso Ferreira (TNF).
Domitila, uma mini-ópera em um ato, de João Guilherme Ripper (música e libreto) baseada nas cartas de D. Pedro I e da Marquesa de Santos, é o espetáculo que abre as comemorações, no sábado, dia 1 de outubro, às 21h30, no Grande Auditório da Casa das Artes de Famalicão.
Durante, cerca de uma hora, a soprano Sara Braga Simões, acompanha por Ricardo Alves (clarinete), Burak Ozkan (violoncelo) e Christina Margotto (piano), vai dar corpo à encenação concebida por Pedro Ribeiro. Produção Mestres Viajantes e coprodução Casa das Artes.
No mesmo dia 1 de outubro, às 21h30, também o TNF, em Riba de Ave, apresenta oDuo Arsis, um dueto de guitarras fundado em dezembro de 2016, composto por Nuno Jesus (Portalegre) e João Robim (Famalicão), que começou na Universidade de Évora.
Do programa consta a interpretação de peças de T. Hamasyan,
S. Bach, T. Quintas; C. Debussy, M. Castelnuovo-Tedesco e F. Chopin.
Entrada neste espetáculo é livre até à lotação da sala, com levantamento prévio de bilhete, na bilheteira do TNF, uma hora e meia antes do inicio do espetáculo.
No dia 2, domingo, às 11h30, as comemorações prosseguem na Casa das Artes de Famalicão com os Concertos para as Famílias 202, no5.º Ciclo de Concertos Promenade. O espetáculo incide sobre a temática: A Dança na Música Portuguesa, com a ARTEAM - Escola Profissional Artística do Alto Minho (Viana do Castelo).
Os Concertos para as Famílias 2022, adotam o formato dos Concertos Promenade, de maio a dezembro, aos domingos de manhã, em que a grande música, tocada pelas Orquestras das Escolas Profissionais, e explicada com interação multimédia, é usufruída por todas as idades num ambiente descontraído e de grande qualidade artística.
CLOSE-UP de regresso a 7 e 21 de maio com o Episódio 6.3
Oepisódio 6.3 do CLOSE-UP– Observatório de Cinema de Famalicão divide-se pelosdias 7 e 21 de maio, na Casa das Artes, e destaca-se nesta réplica a presença de António Preto, diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, para comentar a sessão de projeção de “Acto da Primavera”.
Nesta terceira e última réplica do sexto episódio, com o sétimo episódio já no horizonte de outubro, promovemos o cruzamento e o encontro de vários públicos, com três propostas:
7 de maio, às 15h00, no Pequeno Auditório– “A Mulher que Fugiu” de Hong Sagg-soo (secção Histórias do Cinema, In The Mood for Karo -way e Sang-soo). O desfecho das histórias do cinema, que desde outubro cruzaram Wong Kar-way com Hong Sang-soo, com um dos mais recentes filmes do prolífico coreano.
7 de maio, às 16h30, no Pequeno Auditório– “Acto da Primavera” de Manoel de Oliveira (secção Paisagens Temáticas, a Comunidade). Um importante objeto híbrido, entre a ficção e o documentário, em Acto da Primavera de Manoel de Oliveira, no encontro tão caloroso quanto metafísico com uma comunidade transmontana no Portugal dos anos 60, numa sessão comentada por António Preto, diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira.
21 de maio, às 15h00, no Pequeno Auditório– Sessão de Curtas-Metragens de Animação para famílias (secção Sessões para Famílias). Uma sessão em parceria com o programa Animar 17 (organizado pelo Curtas de Vila do Conde).
O bilhete geral é de apenas dois euros, sendo que estudantes, Cartão Quadrilátero ou seniores pagam um euro (dia 21) ou têm entrada gratuita (dia 7).
Teatro Narciso Ferreira em “WARM-UP” Ciclo Abertura
A programação regular do renovado Teatro Narciso Ferreira (TNF) arranca a 26 e 27 de março, com um fim-de-semana dedicado ao cinema, prestando homenagem à raiz da criação do equipamento como cineteatro, sob o traço do arquiteto Manuel Amoroso Lopes e construído em 1944.
Agora, o TNF, um equipamento municipal sob gestão da Equipa Multidisciplinar de Gestão da Casa das Artes, celebra a abertura com a rubrica de Cinema para Grande Público, aos sábados, e Cinema para Famílias, aos domingos, num período de teste da capacidade instalada, num ciclo de abertura (“WARM-UP”)que irá decorrer até ao final de junho.
A programação de Cinema insere-se no Eixo de Programação Plural definido para o TNF, promovendo, nomeadamente:
- A promoção do direito à fruição e criação cultural qualificada de toda a população, em todo o território famalicense, particularmente Riba de Ave;
- A promoção e a circulação da criação artística no domínio das artes performativas e musicais, bem como exibição cinematográfica;
- A valorização, qualificação e articulação dos teatros e cineteatros e dos respetivos projetos artísticos, através de parcerias Quadrilátero Cultural;
- A correção de assimetrias e a promoção da coesão territorial.
As sessões públicas, gratuitas numa primeira fase, estarão disponíveis apenas em bilheteira local, 1 hora e meia antes de cada sessão.
26 março 2022 16:00 e 21:30
THE BATMAN de Matt Reeves
Cinema de grande público
27 março 10:30 e 16:00
ENCANTO de Jared Bush, Byron Howard, Charise Castro Smith (versão portuguesa)
Sessões para famílias
Teatro Narciso Ferreira | TNF
Av. Narciso Ferreira
4765-202 Riba d'Ave
Tel: (+351) 252 371 297 / (+351) 252 371 304
www.casadasartes.org |tnf@famalicao.pt
+
26 março 2022 16:00 e 21:30
THE BATMAN de Matt Reeves
Cinema de grande público
Primeiro filme do mais recente reboot das aventuras cinematográficas de Batman, desta vez com Robert Pattinson como protagonista.
Não há muito mais que se possa dizer sobre o regresso da famosa personagem da DC Comics aos cinemas, a não ser que, em 2022, espera-nos uma nova realização e um novo elenco. Conhecido pelo seu trabalho em Planeta dos Macacos, Matt Reeves estreia-se agora na direção de 2022 de The Batman, em que Robert Pattinson recebe o papel principal e contracena com Zoë Kravitz, Paul Dano e Colin Farrell.
Título original: The Batman (EUA, 2022, 175’)
Realização: Matt Reeves
Interpretação: Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Colin Farrell, John Turturro, Peter Sarsgaard
Classificação: M/12
27 março 10:30 e 16:00
ENCANTO de Jared Bush, Byron Howard, Charise Castro Smith (versão portuguesa)
Sessões para famílias
A história de uma família extraordinária, os Madrigais, que vivem escondidos numa casa mágica nas montanhas da Colômbia, numa cidade vibrante e maravilhosa chamada Encanto. A magia de Encanto abençoou todas as crianças da família com um dom único, de superforça ao poder de curar - todas, exceto uma, Mirabel. Quando Mirabel descobre que a magia em torno do Encanto está em perigo, decide que ela, a única Madrigal comum, pode ser apenas a última esperança da sua família excecional. Uma produção dos estúdios da Disney.
Título original: Encanto (EUA, Colombia, 2021, 100 min)
Realização: Byron Howard, Jared Bush, Charise Castro Smith
Entre 23 de março e 9 de abril, a Casa das Artes de Famalicão, realiza a quarta edição de “Poética da Palavra”, uma proposta artística que reduz a milenar arte do Teatro à sua essência: o texto, a palavra, a voz e o trabalho de ator.
Momento alto da programação anual deste teatro municipal, a Poética da Palavra quer evidenciar este universo de elementos cúmplices, aquilo que entendemos como a essência, a ontologia, do teatro. Pretendemos destacar a interpretação, a relação entre técnica, sentimento íntimo e subjetivo de convicção criadora e a consolidação da personagem, como um processo indissociável de um exigente trabalho pessoal, que é físico e de estudo profundo e inesgotável.
Os encontros de teatro iniciam, a 23 de março, com o espetáculo "Ninguém", de António Capelo/Teatro do Bolhão. Trata-se do primeiro monólogo de António Capelo, com mais de 45 anos de carreira, que questiona sobre o que é ser ator, através da sua vida pessoal.
A 26 e 27 de março vai a cena "Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua Patroa", de Sara Barros Leitão/Cassandra. É uma criação original, escrita, encenada e interpretada por Sara Barros Leitão a partir de um processo de investigação sobre o Serviço Doméstico em Portugal.
Nos dias 1, 2 e 3 de abril, estreia a leitura encenada "Quem matou o meu Pai", de Édouard Louis"/Teatro Nova Europa. O texto relata o reencontro possível entre pai e filho, sob o pano de um cenário de poder político responsável por condenar a uma morte precoce as classes mais baixas da sociedade.
Ainda a 1 e 2 de abril, estreia também "FábulaMãe", de Teresa Arcanjo/Grua Crua. “A conquista de um espaço que quero ter e ocupar no teatro enquanto criadora”, nas palavras da encenadora e atriz do projeto, Teresa Arcanjo.
No dia 8 de abril, é apresentada "Língua de Cão e Litania” por Pedro Frias/Assédio Teatro. Partindo da situação criada pelo primeiro confinamento, em 2020, as ruas desertas e o silêncio ensurdecedor das ruas desertas, Francisco Luís Parreira propõe-nos uma reflexão acerca do homem na sua posição terminal.
A 9 de abril, é apresentado "Um Fio de Jogo", da Narrativensaio-AC. Trata-se de um monólogo com texto de Carlos Tê, que versa sobre o fenómeno do futebol, os seus pequenos mitos que ajudaram à sua implantação planetária como desporto de massas que extravasa a própria condição desportiva.
No fim de cada noite de apresentação, o público terá uma conversa com os atores que protagonizam cada projeto teatral, no sentido de poder conhecer o trabalho, concreto, sobre o texto, a palavra e a sua relação com o corpo (que lhe dá voz), e o processo de construção de cada personagem.
A “Poética da Palavra” propõe ainda três mesas-redondas, sobre: Dramaturgia; Encenação; Teatro e Educação Artística, reunindo nomes como: Luís Mestre; Carlos Costa; Ivo Saraiva e Silva; Jorge Palinhos; João Castro; Sílvia Pinto Ferreira; Magda Henriques; Cristina Carvalhal; Helena Machado; Sílvia Correia; António Capelo; e David Antunes.
A Casa das Artes de Famalicão é membro da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.
Dia 19 de outubro, 18h30, na Casa das Artes de Famalicão
Operário Amador: o filme mais famalicense do 6º Close-Up
Uma comunidade rural ainda a adaptar-se à transformação ditada pela industrialização. Um grupo de operários fabris que não se resigna à sua condição proletária e que procura no teatro um estímulo intelectual. A tragédia de uma morte de um jovem em contexto laboral. Assim se conjugaram as vontades para fazer nascer a companhia de teatro amador de Joane, no concelho de Vila Nova de Famalicão: o Teatro Construção.
Um filho da terra (Sérgio Agostinho) que também aí nasceu para o teatro, assume a responsabilidade de deixar um registo da memória dos fundadores e entrega a realização a Ramon de los Santos. Assim nasce o documentário OPERÁRIO AMADOR que é exibido, em antestreia, no próximo dia 19 de outubro, na Casa das Artes de Famalicão, no âmbito da programação do 6.º episódio do CLOSE-UP - Observatório de Cinema.
Sérgio Agostinho, diretor da Peripécia Teatro, refere que OPERÁRIO AMADOR é um filme que parte de uma "vontade muito íntima", já que é natural de Joane e filho de um dos fundadores do Teatro Construção. Seguindo as pisadas do pai, Sérgio Agostinho indica que, partir dos 10 anos de idade, também começou a fazer teatro. "Aos meus 17 anos saí e nunca mais voltei a Joane. Mas, quando saí já foi para fazer teatro e estudar teatro em Lisboa", afirma.
"Em 2017, ocorreu-me esta vontade de primeiro, voltar a conversar com calma com aquela gente, de estar com eles, de perceber como foi a história deles, como é que eles decidiram fazer teatro e, depois, preservar a sua memória. E, do meu ponto de vista, a forma mais natural para conseguir isso seria fazer um filme. Assim nasceu este documentário", conta Sérgio Agostinho.
O diretor da companhia Peripécia Teatro refere ser importante que todos possam ver este documentário "porque retrata uma época muito precisa do concelho de Vila Nova de Famalicão e do país", mas com foco em Joane, uma localidade à altura profundamente industrializada, numa transformação repentina de um mundo rural para um mundo industrial, com todas as problemáticas associadas. "E no meio deste caldo surge um grupo de teatro. Essa é a história que quisemos contar neste filme", explica.
Sem que tivesse conseguido uma "resposta clara" sobre o facto de aquele grupo de operários ter decidido avançar para a criação do Teatro Construção, Sérgio Agostinho crê que "foi quase por um acaso. Foi o teatro que nasceu como poderia ter sido, porventura, um jornal - porque também houve movimentos jornalísticos". E mergulha do documentário para falar que aqueles protagonistas "estavam a formar a sua consciência enquanto operários; muitos dos elementos pertenciam à Juventude Operária Católica e que tinham uma atitude de observação, crítica e ação na sociedade. Nesse grupo de jovens havia uma pessoa que tinha alguma experiência e conhecimento na escrita de teatro. Numa ocasião em que morreu um trabalhador jovem, de 17 anos, numa explosão na fábrica da 'Carides', esse grupo de jovens da JOC escreve um espetáculo original e estreia esse espetáculo no centro paroquial de Joane com o título 'A morte de Valentim' que foi de uma explosão tal na vida daqueles operários e nas pessoas que assistiram a essa representação que marca o início do movimento teatral em Joane. Esta é a minha interpretação e é aquilo que transparece no filme".
Depois disto, por força da intervenção artística, mas também política, o documentário dá nota que o Teatro Construção acabou por contribuir para o crescimento e afirmação da até então incógnita localidade de Joane como "o epicentro cultural" da região. "Um dos fundadores do Teatro Construção disse-me que o sonho deles era realmente tornar Joane num farol da cultura teatral a nível nacional e creio que na altura eles conseguiram isso mesmo", sublinha Sérgio Agostinho. Pelo envolvimento político de vários dos elementos do Teatro Construção, também foi gerada uma nova afirmação da localidade a nível municipal.
A realização entregue a Ramon de los Santos é adjetivada como "natural" por Sérgio Agostinho, já que se trata de alguém com quem tem trabalhado e com o qual não esconde "uma grande afinidade pessoal e artística".
Sérgio Agostinho adverte o espetador que OPERÁRIO AMADOR é "uma versão da história. É a versão da história vista pelos olhos e pelas memórias destes operários" e, por isso, "não é uma história definitiva do Teatro Construção nem muito menos é a história da Associação Teatro Construção, porque esta associação é, hoje em dia, um mundo de valências e este documentário não reflete essa história associativa. Este documentário tenta refletir a memória destas pessoas, a sua força na medida em que decidiram fazer teatro como uma via de transformação social".
Para o futuro, Sérgio Agostinho aponta que "a porta a novos filmes/documentários está aberta para a Peripécia Teatro".
OPERÁRIO AMADOR de Ramon De Los Santos_19. Out (18h30, GA)
Título original: Operário Amador (Portugal, documentário, 2021, 60 min)
A nova temporada da programação teatral da Casa das Artes de Famalicão arranca, nos dias 17 e 18 de setembro, com “REPLAY / Cão Danado 20 anos”, um espetáculo que aborda a construção da cena, em cena, como avança a produção da peça.
De acordo com a sinopse, no movimento em cena, “as mutações, as falhas, as experiências são em si a representação, conferem o espetáculo e a nossa existência na sua essência transitória. Numa relação de ação-reação, o contexto de pandemia é absorvido pelo processo, em transição e transposição da atualidade para o espaço de cena. ‘Olhar pelo retrovisor’ uma matéria prima de vinte anos de atividade, na procura de relações, interpretações e sentidos na mediação e na exposição ao outro será, em simultâneo, metodologia e estratégia para o abordarmos, nos seus discursos poéticos, metafóricos, visuais e narrativos. Aferir a mensagem, analisar, debater e intuir as melodias que as improvisações sugerem, criar um corpo, uma geografia sonora, visual e narrativa que nos representem neste olhar pelo retrovisor e na confrontação com a imprevisibilidade inerente ao contexto atual. Anões a subir aos ombros dos gigantes num ímpeto arrebatador, na tentativa de assimilar o mundo para além do seu horizonte e do que de premente há no ato de agir”.
“REPLAY / Cão Danado 20 anos” é uma produção Cão Danado em coprodução com a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e tem na direção: Sara Barbosa, num texto original de Afonso Cruz, com Leonor Keil no apoio ao movimento. A interpretação é de Diana Sá, com desenho de Luz a cargo de Carin Geada e Nuno Meira e o desenho de Som de Rui Lima e Sérgio. A imagem/fotografia é da autoria de Edgar Alves e a produção de Nuno Eusébio.
O Cão Danado é uma associação cultural sem fins lucrativos criada em 2001 que comemora 20 anos de existência, sediada em Vila Nova de Famalicão desde 2018. Trata-se de uma estrutura de criação e de produção de artes, desenvolvendo trabalho não só na área das artes performativas, mas também nas áreas das artes visuais, música, dança, artes plásticas e cinema em permanente diálogo com outras áreas do conhecimento.