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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

'Caleidoscópio' lança novos olhares aos territórios de Barcelos, Braga, Fafe e Guimarães

 

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O 'Caleidoscópio' resulta de um processo de trabalho desenvolvido pelas cidades de Barcelos, Braga, Fafe e Guimarães e tem por objetivo promover, valorizar e elevar a notoriedade de espaços e lugares destes territórios. Não só dos espaços mais conhecidos e icónicos, mas também de outros espaços e lugares únicos, numa lógica de criação e oferta cultural a partir do potencial das estruturas culturais endógenas: Theatro Gil Vicente (Barcelos), gnration (Braga), Teatro-Cinema (Fafe) e A Oficina (Guimarães). 

Neste projeto cultural, a música assume um papel determinante mas não vive sozinha na promoção artística e fruição cultural dos lugares, com uma programação de referência nacional e internacional, a partir da sua apresentação em lugares não convencionais. Serão promovidos projetos como a criação de uma grande banda com músicos do território, interligando as quatro cidades tanto na sua constituição como nas apresentações ao público, numa ação de capacitação e desenvolvimento de oportunidades a nível local. As artes performativas, a produção de pensamento, vídeo, fotografia e artes visuais desenvolvem aqui a relação com o território e o seu envolvimento no processo, também como uma forma de dar relevo e expandir, como ação de comunicação e divulgação, e ainda de extensão a novos públicos ou públicos que estejam impossibilitados de ver as ações ao vivo.

A programação de ações – artística e de mediação/comunicação – visa valorizar e dinamizar os bens culturais e patrimoniais existentes, desafiando as comunidades participantes a realizar percursos improváveis por novos caminhos, novos diálogos, novas formas de olhar, com vista a que o território possa usufruir das criações artísticas mas também criar dinâmicas associadas aos eventos, empoderando os territórios e os artistas. 

Promove-se assim a capacidade de atrair público nos e dos quatro territórios, contribuindo para a coesão territorial, com vários momentos de programação ao ar livre, tendo sido escolhidos tanto locais centrais e mais icónicos (praças, jardins e monumentos em meio urbano) como locais mais periféricos (espaços verdes e monumentos nas freguesias), incluindo zonas de proteção de património mundial UNESCO com classificação de interesse nacional e público.  

O 'Caleidoscópio' apresenta-se assim como um projeto que pensa estrategicamente o território nas suas múltiplas dimensões, pensando no futuro com a cultura a ocupar um lugar basilar numa desejada retoma das nossas dinâmicas, como um ativo que promove o bem-estar, uma melhor compreensão do mundo, assumindo a responsabilidade de ser diferente pela maior capacidade do trabalho conjunto, desenvolvendo construções coletivas sem barreiras, ao mesmo tempo que estimula a capacidade de atração e valorização turística destes territórios. 

De relevar ainda a parceria com a Universidade do Minho, que envolve a utilização de espaços informais ao desenhar e construir palcos, desenvolvendo instalações artísticas como elementos do meio urbano.

 

A face visível deste projeto, apoiado no âmbito do plano Norte 2020 (Programa Operacional Regional do Norte) – Programação Cultural em Rede – Imaterial – aviso nº Norte-14-2020-25 Domínio Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, terá início em finais de agosto e tem a duração de um ano, sendo a generalidade da sua programação apresentada ao ar livre e toda ela com bilhetes gratuitos para aceder à mesma. A programação a apresentar poderá ser acompanhada nos próximos meses nos websites e respetivas redes sociais das estruturas culturais aqui envolvidas.


A apresentação da iniciativa decorreu no Jardim do Calvário, em Fafe, e contou com a presença do Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Fafe, Pompeu Martins, da Presidente da Direção d’A Oficina (entidade responsável pela gestão e programação de vários espaços culturais como o Centro Cultural Vila Flor, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, a Casa da Memória) e Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, Adelina Paula Pinto, de Catarina Duarte, em representação do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Educação e Cultura de Barcelos e de Cláudia Leite, Administradora Executiva do Teatro Circo de Braga, EM, SA, responsável pelo gnration.

Mostra de criações do Gangue de Guimarães eclode no CCVF, no CIAJG e na CDMG a 3 e 4 de julho

Exposição do projeto artístico “Lições Iluminadas” pode ser visitada no Centro Internacional das Artes José de Guimarães a partir de 22 de junho

O mundo maravilhoso das árvores chega às escolas de Guimarães à boleia do toy piano e das histórias de Joana Gama

Escolas do concelho de Guimarães recebem o espetáculo “As árvores não têm pernas para andar”, da pianista Joana Gama, ao longo do mês de junho

O mundo maravilhoso das árvores chega às escolas de Guimarães à boleia do toy piano e das histórias de Joana Gama

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Inspirada nos espaços e circunstâncias da vida das árvores, a pianista portuguesa Joana Gama leva até às escolas de Guimarães um espetáculo em que a música e as histórias se fundem na companhia de um pequeno grande instrumento – o toy piano. “As árvores não têm pernas para andar” é apresentado em várias escolas do concelho entre os dias 4 e 25 de junho, no âmbito da programação de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina.  

A partir do momento em que são semeadas, as árvores permanecem sempre no mesmo sítio, a partir do qual se alimentam, se defendem e se reproduzem. Não são como as pessoas, que nascem num país e podem viajar ou até ir morar para o outro lado do planeta. E tal como a música difere de continente para continente, podemos encontrar árvores muito diferentes espalhadas pelo mundo: árvores que são autênticas casas, outras que movem multidões para serem admiradas, outras que produzem material que chega até à lua.  

Neste concerto dirigido a maiores de 3 anos de idade, a pianista Joana Gama dá a conhecer estas e outras histórias sobre o mundo maravilhoso das árvores com a ajuda de um precioso instrumento da artista, o seu toy piano. 

Com música original de João Godinho e ilustração de Francisco Eduardo, esta é uma coprodução d’A Oficina, Fundação Lapa do Lobo (encomenda do Projeto Alcateia), São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto - Rivoli . Campo Alegre e CAE Sever do Vouga. 

Paralelamente, a 14 e 15 de junho, das 09h30 às 12h30, decorrem na Sala de Ensaios do Centro Cultural Vila Flor sessões de trabalho com Joana Gama, destinadas aos professores, acerca do processo de construção do espetáculo “As árvores não têm pernas para andar”. Esta formação é de acesso gratuito mediante inscrição prévia através o e-mail mediacaocultural@aoficina.pt ou do telefone 253424716. 

Joana Gama (Braga, 1983) é uma pianista portuguesa que se desdobra em múltiplos projetos quer a solo, quer em colaborações nas áreas do cinema, da dança, do teatro, da fotografia e da música. Doutorada pela Universidade de Évora, prossegue as suas investigações enquanto membro do CESEM/NOVA FCSH. Apesar de inicialmente ter decidido dedicar-se à música com o intuito de continuar a herança associada a uma ideia de música clássica - recitais de piano com repertório canónico - uma série de acontecimentos em cadeia foram-na desviando de um caminho que julgava ser o seu. Daí que os últimos anos - para além dos recitais - tenha incluído colaborações com múltiplos artistas relacionados com diversas vertentes artísticas como são os casos de Luís Fernandes, João Godinho, Rafael Toral, Drumming GP, Eduardo Brito, Tânia Carvalho, Victor Hugo Pontes, João Fiadeiro, João Botelho, Manuel Mozos, Sopa de Pedra, cujo resultado tem sido apresentado regularmente em Portugal e no estrangeiro. Nos últimos 10 anos, dedicou o recital de piano SATIE.150 ao 150º aniversário do compositor Erik Satie (assinalado em 2016), editou dois discos (SATIE.150 e Arcueil), coordenou a edição de um livro e tem apresentado recitais comentados para adultos e crianças.

 

 

Crista Alfaiate abre e desvenda-nos a 'Niet Hebben - Carta Rejeitada' em Guimarães (16 janeiro, CCVF)

~00Criação de Crista Alfaiate é apresentada a 16 de janeiro no Grande Auditório
 do Centro Cultural Vila Flor

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No próximo dia 16 de janeiro, sábado, às 19h00, o público do Centro Cultural Vila Flor vai poder conhecer a Niet Hebben - Carta Rejeitada, peça criada e interpretada por Crista Alfaiate, que partilha a autoria do texto com Diogo Bento, inspirando-se em cartas famosas como a do Achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha, a de Kafka ao pai, a de Oscar Wilde a Bosie, as de Mariana Alcoforado ao seu apaixonado e muitas outras. No subtexto encontram-se temas como o feminismo, a guerra ou o pós-colonialismo, convivendo com um mundo abundantemente dominado pelas redes sociais.  

Em Niet Hebben - Carta Rejeitada encontramos em cena uma atriz algemada. Com as mãos presas, como uma criminosa. Ainda assim, disposta a escrever uma carta como quem fala. Enquanto fala. Acusada por si própria de vasculhar a correspondência alheia, reflete sobre o conteúdo de algumas cartas que leu – indevidamente, à socapa, em vez de estar a “anhar” no Instagram ou a tirar selfies.

Partindo de textos conhecidos como Carta do achamento do Brasil de Pero Vaz de Caminha, Carta ao pai de Kafka, Carta a Bosie de Oscar Wilde, Cartas portuguesas de Mariana Alcoforado e Novas cartas portuguesas de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, entre outras, esta carta fora do baralho pretende repensar alguns temas como o feminismo, a guerra e o pós-colonialismo num mundo onde o Facebook e o Twitter é que estão a dar cartas. Uma carta que tanto pode ser um discurso ou um e-mail, sem medo do passado e de olhos postos no futuro. Uma correspondência a ser trocada entre toda a família e para pessoas maiores de 12 anos de idade. 

Nesta interpretação multifacetada, Crista Alfaiate convida-nos a viajar no tempo, tendo o poder de fazer (sor)rir mesmo quando sofre, numa experiência visual e sonora que nos desperta os sentidos. Niet Hebben - Carta Rejeitada integra as propostas de programação do serviço de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina apresentando-se a 16 de janeiro, às 19h00, perante o público geral e as famílias no Centro Cultural Vila Flor. Os bilhetes têm um custo de 2 euros e podem ser adquiridos nos locais habituais de venda de ingressos. 

Já este fim de semana, teremos também a oportunidade de participar na visita orientada e conversa ‘À Lupa’ com António Amorim e Luísa Abreu na Casa da Memória de Guimarães e fazer ‘O Caminho da Coleção’ com Rita Senra no Centro Internacional das Artes José de Guimarães. Em ‘À Lupa’, a 9 de janeiro, às 11h00, vamos aproximar os olhos e ver o pormenor das coisas que se passaram de mão em mão ou da boca para o ouvido. Neste mês de janeiro, convoca-se aqui o deus que lhe dá o nome, Janus, para pôr debaixo da lupa cultos, rituais e pormenores do quotidiano, revelando a linha ténue entre o paganismo e a herança cristã. O ‘Caminho da Coleção’ faz-se no domingo, 10 de janeiro, igualmente às 11h00, sendo este um momento nascido do ‘Lições Iluminadas’, um projeto que envolve crianças do 3.º ano de diferentes escolas de Guimarães, numa viagem de criação artística através da coleção do Centro Internacional das Artes José de Guimarães. Agora, abrem-se as portas para dar as boas-vindas à curiosidade de outras crianças e adultos. E entre conversas e desafios, vai percorrer-se o museu para ver além do que os olhos são capazes. Ambas as atividades deste fim de semana têm o preço de 2 euros, mediante inscrição prévia através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt ou do tlf. 253 424 716, sendo a lotação mínima de 3 e a máxima de 7 participantes, dirigida a maiores de 6 anos de idade.  

A programação cultural d’A Oficina para este e para os meses próximos encontra-se disponível para consulta em aoficina.pt, assim como os respetivos bilhetes para os espetáculos, que podem igualmente ser adquiridos presencialmente nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), Casa da Memória de Guimarães (CDMG), Loja Oficina (LO) e ainda nas lojas Fnac, Worten e El Corte Inglés.

Terra continua a girar ao ritmo do Funaná

Programação do segundo ano do ciclo Terra arranca com o concerto do cabo-verdiano Julinho da Concertina, a 18 de setembro (21h30), no CIAJG

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O mito-vivo da música de Cabo Verde Julinho da Concertina é o primeiro convidado do segundo ano de programação do Terra, um ciclo de músicas do mundo promovido pela Capivara Azul – Associação Cultural. Depois de um adiamento motivado pela crise sanitária, as músicas do mundo voltam a ouvir-se no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), em Guimarães, a 18 de Setembro. 

Desde os anos 1970 que Julinho da Concertina é um dos intérpretes dos movimentos de modernização da música de Cabo Verde. O músico participou em discos revolucionários como Trapiche, de Alexandre Monteiro, acompanhou Cesária Évora nas suas primeiras digressões internacionais e colaborou com General D nos anos 1990.


A solo, é um dos grandes criadores do Funaná, a mais vibrante das músicas tradicionais do arquipélago cabo-verdiano, tendo voltado às edições em nome próprio há dois anos com Diabo tocador, um disco com o selo da CelesteMariposa Discos, que o recuperou numa altura em que o Funaná voltava a merecer atenção de um público mais alargado.


Julinho da Concertina toca no ciclo Terra a 18 de setembro (21h30), na Black Box do CIAJG. Os bilhetes para cada um dos concertos têm preços entre os 5 euros (para portadores do Cartão Quadrilátero Cultural), 7,5 euros (menores de 30 anos e outros descontos A Oficina) e 10 euros (público geral). O passe para os três concertos deste novo ciclo custa 25 euros.


Tendo em conta as limitações impostas pela pandemia, os espectadores são obrigados a usar máscara ao longo de todo o concerto. Por isso, na compra de um bilhete para o Terra 2020 será oferecida uma máscara com design exclusivo. Os ingressos já podem ser adquiridos online em www.aoficina.pt ou nas bilheteiras da cooperativa A Oficina, concretamente no Centro Cultural Vila Flor, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Casa da Memória de Guimarães e Loja Oficina, bem como nas lojas Fnac, Worten e El Corte Inglés.


As normas sanitárias implicam também uma redução na lotação da Black Box do CIAJG e todas as imposições das autoridades de saúde serão escrupulosamente cumpridas.


O ciclo Terra é uma organização da Capivara Azul – Associação Cultural, com o apoio do Município de Guimarães e da Direção-Regional de Cultura do Norte, com coprodução da cooperativa A Oficina, entidade gestora do Centro Internacional das Artes José de Guimarães.


A programação deste ciclo prolonga-se até novembro, estando ainda agendados os concertos de Baiuca, um projeto do músico e produtor Alejandro Guillán, que se constrói no cruzamento entre o cancioneiro tradicional da Galiza, onde este nasceu, e a música eletrónica, a 2 de outubro, e Kel Assouf, (28 de novembro), banda criada por Anana Harouna em 2006, quando se estabeleceu na Bélgica, depois de um longo exílio na Líbia, após ter deixado o Níger, onde nasceu, durante a rebelião tuaregue do início dos anos 1990.

 

Espetáculo de Teresa Salgueiro com Orquestra de Guimarães marca 15 anos do Centro Cultural Vila Flor

Concerto de Teresa Salgueiro com Orquestra de Guimarães e exposição Observatório Natural assinalam 15 anos de atividade do Centro Cultural Vila Flor

Inauguração da exposição acontece às 18h00 e concerto tem início marcado para as 21h30. 
Tudo a 12 de setembro, com entrada gratuita, no CCVF.

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A Oficina apresenta uma renovada temporada cultural com palco para todas as artes em Guimarães

Projeto educativo 'Pergunta ao Tempo' transforma-se em 'Cápsula do Tempo' em Guimarães

O projeto educativo que reúne desde 2016, a cada ano letivo, todos os alunos das turmas do 4º ano do concelho de Guimarães, reinventou-se em tempos de pandemia para evitar o encerramento precoce da sua 4ª edição, que se aproximava da fase final. E assim, os esperados resultados dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do Pergunta ao Tempo transformam-se na Cápsula do Tempo que irá permanecer abrigada na Casa da Memória de Guimarães até à chegada do momento que a dará a conhecer e explorar, com os testemunhos partilhados pelos alunos, em variados formatos, durante a pandemia que atravessamos.

Fruto deste tempo interrompido, o projeto Pergunta ao Tempo não quis deixar fugir o que o tempo (de agora) tem para nos dar e desafiou todos os alunos do quarto ano do ensino básico dos 14 agrupamentos escolares de Guimarães – que investigavam até então as histórias guardadas no tempo – para que refletissem sobre o tempo que estão a viver nos dias que atravessamos, envoltos no contexto da presente pandemia. 

Assim, ao invés de colocarem questões ao tempo e as interpretarem – procedimento habitual no Pergunta ao Tempo – as crianças são colocadas no centro da ação e passam a ser elas a contar ao tempo, partilhando testemunhos sobre o período que atravessamos, que dita um distanciamento físico que é também, inevitavelmente, um afastamento das rotinas, mas também das relações que tínhamos estabelecidas. E deste modo tem origem a Cápsula do Tempo, concretizando a sugestão do serviço de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina para que sejam elas, as crianças, a contar ao tempo. 

Na impossibilidade de apresentar e expor os aguardados resultados da 4ª edição do Pergunta ao Tempo – projeto de investigação e artístico, em comunidade – em que se envolveram ao longo do ano letivo, surge assim uma oportunidade para inverter um pouco a ordem das coisas e colocar os alunos no centro das histórias, ocupando eles próprios o lugar de contadores e fazedores das histórias que se estão a criar nestes dias de adversidade e adaptação, convocando-os para partilhar os seus testemunhos, de forma livre, incidindo em aspetos como as coisas de que tinham mais saudades, que dificuldades sentiam, como decorria o relacionamento com os pais, entre outros. Testemunhos individuais que a Cápsula do Tempo preservará temporariamente cerrados e que constituirão um testemunho público e coletivo que viajará no tempo, sendo uma peça de comunidade e para a comunidade, que deixará um pequeno contributo para a nossa história... global. 

Um desafio transformou-se noutro, ao evitar que se perdesse o processo criativo e de investigação em curso, ao mesmo tempo que se procuravam respostas às dificuldades e que, em simultâneo, se refletisse sobre o período pandémico. E é com esta experiência, como que uma aula coletiva que coloca todos a debater e dá continuidade ao trabalho desenvolvido em sala de aula no decurso do ano letivo, que o projeto Pergunta ao Tempo se metamorfoseia em Cápsula do Tempo

Esta Cápsula do Tempo será preservada na sala de acolhimento da Casa da Memória de Guimarães, onde permanecerá em exposição e se cruzará com todos os visitantes da Casa. Haverá o tempo em que se voltará a abrir esta cápsula e analisar o seu conteúdo. Aí deverão ser percebidas, com o distanciamento do tempo, em perspetiva, todas as dúvidas, receios, dificuldades, ansiedades e desafios dos tempos que vivemos à escala planetária. Talvez nos vejamos de uma outra forma e que tal nos lance numa renovada espiral de inspiração.  

Ao longo dos últimos anos, pequenos investigadores andaram a procurar o que o tempo guardava e tinha escondido. Pequenos mas curiosos investigadores foram pesquisar histórias, expressões e costumes guardados em caixas, arquivos pessoais e nas memórias pessoais de familiares, amigos e a comunidade na qual se inserem. Assim nasceu o Pergunta ao Tempo – com base e destino na exposição ‘Território e Comunidade’ da Casa da Memória de Guimarães – com o intuito de pôr diferentes gerações em contacto direto, buscando elos de ligação que estavam por explorar. Com a informação recolhida, os pequenos pesquisadores foram construindo uma exposição a cada ano letivo, traduzindo o processo, a recolha e as descobertas da sua longa investigação sobre o património cultural. 

Pergunta ao Tempo tem sido um trabalho desenvolvido desde 2016 com crianças do primeiro ciclo do ensino básico do concelho vimaranense, respondendo a um repto da Vereação de Educação do Município de Guimarães para promover a proximidade à comunidade escolar. A cada ano, o ponto de partida têm sido os temas abordados na exposição permanente da Casa da Memória de Guimarães, descobrindo-a e reinterpretando-a através de objetos, histórias e testemunhos recolhidos pelas próprias crianças, debruçando-se sobre o património, nas suas múltiplas vertentes: material e imaterial; móvel e imóvel, originando trabalhos de investigação e artísticos subsequentemente avaliados, classificados e catalogados. Desta forma, o património cultural, a reflexão sobre a memória e as formas como a representamos envolvem anualmente cerca de 300 alunos e respetivos professores, famílias e a comunidade local.  

O ano letivo de 2019/2020 tem sido particular a uma escala tal que se manterá na memória dos que viveram este período durante as suas vidas. Uma pandemia transformou os modos de vida e transtornou todos os planos. As escolas foram fechadas, os trabalhos letivos interrompidos. Foi com este pensamento que o serviço de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina lançou este desafio às crianças e aos professores que estavam a trabalhar no projeto Pergunta ao Tempo. Os resultados destas reflexões começaram a chegar sob diversas formas e suportes. Estas reflexões, uma espécie de instantâneo do momento presente, serão guardadas nesta cápsula – como uma mensagem que fosse fazer uma viagem pelo cosmos.