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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Festa da Espiga 2019: música de David Antunes e Karetus e defile etnográfico animam programa em Salir

Festa da Espiga em Salir (3).jpg

 

Música, desporto, artesanato, gastronomia e as mais genuínas tradições do interior serrano regressam à vila de Salir com mais uma Festa da Espiga que terá o seu ponto alto na Quinta-Feira da Espiga, 30 de maio, mas que apresenta um programa que irá estender-se até ao dia 1 de junho.

Nos mesmos moldes do que tem acontecido nos últimos anos, a Festa realiza-se em três noites temáticas: Noite da Espiga (30 de maio), Noite Popular (31 de maio) e Noite Jovem (1 de junho).

As festividades arrancam na Quinta-Feira da Espiga, dia 30 de maio, data em que se assinala também o Dia do Município de Loulé, a partir das 9h00 com um Passeio BTT e Passeio Pedestre. Às 13h00, abre o espaço de tasquinhas dedicado aos Manjares e Petiscos Serranos, seguindo-se a inauguração da exposição de produtos regionais onde estarão presentes artesãos da Serra do Caldeirão, com os mais variados produtos desde artesanato a agroalimentares.

O ponto mais importante da Festa acontece às 16h00 deste dia, com o tradicional desfile etnográfico que representa toda a atividade agrícola desta freguesia rural.

As noites serão preenchidas com muita música e como principais destaques as presenças de: Sons do Minho (30 de maio), David Antunes (31 de maio) e Karetus (01 de junho).

A entrada é livre.

Segundo o calendário litúrgico, na Quinta-Feira da Ascensão comemora-se a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias após a Páscoa. Mas neste dia celebra-se igualmente o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga. Sobretudo no Sul do País é tradição as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres, fazendo ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver; algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, margaridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Este ramo, em número de combinações variáveis conforme as localidades, pendura-se dentro de casa e aí se conserva durante um ano, até ser substituído pela “espiga” do ano seguinte.

Salir, uma das mais típicas freguesias rurais do Concelho de Loulé, faz da Festa da Espiga um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia.

A Festa Espiga em Salir teve início no dia 23 de maio de 1968, organizada pela Junta de Freguesia, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório, figura carismática e um grande impulsionador da sua terra natal. O sucesso da primeira edição, à qual presidiram o Governador Civil de Faro, Romão Duarte, e o presidente da Câmara Municipal de Loulé da altura, Eduardo Pinto, ultrapassou todas as expectativas da organização.

Desde então, Salir tem feito do Dia da Espiga um grande acontecimento regional, recebendo milhares de forasteiros que aqui se deslocam para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a etnografia ou a poesia. A importância que este evento alcançou como cartaz turístico do interior algarvio foi tal que a Câmara Municipal de Loulé mudou para este dia o seu feriado municipal.

Em Salir o Dia da Espiga, que de certa forma marca o início da época das colheitas, assume uma importância especial, uma vez que se aproveita esta data para levar até ao grande público as manifestações tradicionais mais características desta freguesia rural. Os intervenientes neste espetáculo ímpar no país preparam com certa antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.

O cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga.

Para além disso há ainda a exibição de poetas populares declamando os seus poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado.

Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população tem ainda a possibilidade de deixar uma mensagem, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, às entidades governativas presentes, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra. Aliás, os executivos da Câmara Municipal de Loulé aproveitam este dia para inaugurar uma estrada, uma escola, uma obra de saneamento básico ou um equipamento de carácter social, contribuindo assim para abrilhantar ainda mais as festividades. Mas quando essas obras não se concretizam, as críticas em tom de brincadeira são lançadas aos responsáveis governativos do município e da região.

 

CML/GAP /RP