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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

TNSJ: clássico de Alfred de Musset em estreia nacional "fora de portas"

Em cena de 23 de outubro a 14 de novembro

TNSJ: clássico de Alfred de Musset

em estreia nacional “fora de portas”

 

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Lorenzaccio conta com encenação de Rogério de Carvalho e resulta de uma coprodução do Teatro do Bolhão e do Teatro Nacional São João

 

Lorenzaccio, de Alfred de Musset (1834), é apresentado pela primeira vez em Portugal, numa coprodução do Teatro do Bolhão e do Teatro Nacional São João (TNSJ). A peça – tida como “irrepresentável ou encenada em versões amputadas” – conta com a encenação de Rogério de Carvalho e com tradução e dramaturgia de Alexandra Moreira da Silva. O espetáculo estará em cena entre 23 de outubro e 14 de novembro, no Palácio do Bolhão, indo ao encontro da estratégia de descentralização do TNSJ reforçada em ano de Centenário.

 

Contada a partir de relatos de Florença, do século XVI, o texto – considerado uma obra crucial do drama romântico francês – é uma sátira à fácil corrupção dos valores humanos perante o desejo de poder. O protagonista deste drama é Lorenzo – mais conhecido pelo nome depreciativo “Lorenzaccio” –, um jovem inquieto que acaba por assassinar o seu primo, Alessandro de’ Medici, a representação do vício, da degradação moral e da corrupção. O texto aborda uma comunidade humana impotente face ao desmoronamento do poder e à sua capacidade de dissimulação. Um retrato do nosso tempo?

 

O espetáculo pode ser visto às quartas e quintas-feiras, às 19h00; às sextas-feiras e sábados, às 21h30; e aos domingos às 16h00. No dia 25 de outubro, está agendada uma conversa pós-espetáculo. Já no dia 1 de novembro, a sessão conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. O preço dos bilhetes é de 10 euros.

 

 

O Teatro Nacional São João (TNSJ) é, desde 2007, uma Entidade Pública Empresarial, assumindo ainda a responsabilidade da gestão de mais dois espaços culturais da cidade do Porto: Teatro Carlos Alberto e Mosteiro São Bento da Vitória. O TNSJ é o único membro português na União dos Teatros da Europa (UTE), organização que congrega alguns dos mais importantes teatros públicos do espaço europeu, integrando o Conselho de Administração da entidade.

Nuno Carinhas e João Cardoso encenam Comédia de Bastidores no TNSJ

 

Comédia de Bastidores 3 ©TUNA_TNSJ.jpg

 

Evento: Comédia de Bastidores

Local: Teatro Nacional São João, Porto

Data: de 1 a 11 de outubro 

Preço: entre 7,50 e 16 euros

Horário:

Quarta-feira e sábado, às 19h00

Quinta e sexta-feira, às 21h00

Domingo, às 16h00

 

A estreia de Comédia de Bastidores, no dia 1 de outubro, marca o regresso de Nuno Carinhas ao Teatro Nacional São João (TNSJ), Casa que foi sua enquanto diretor artístico por uma década. A ele junta-se João Cardoso que em 1997 levou este mesmo espetáculo a palco, numa encenação para o Teatro Experimental do Porto. De Alan Ayckbourn, refinado experimentalista e praticante do “divertimento teatral”, a peça vai transportar o público para um contexto que se aproxima: a ceia de Natal. O espetáculo fica em cena até ao dia 11 de outubro.

 

Comédia de Bastidores divide-se em três atos, distribuindo a ação por três Natais sucessivos, que têm como bastidores três cozinhas onde figuram três casais disfuncionais. “Dolorosamente divertido”, o espetáculo explora questões como o casamento burguês, o adultério, os conflitos de classe e as pequenas obsessões. A peça sobe ao palco à quarta-feira e sábado, às 19h00; à quinta e sexta-feira, às 21h00; e ao domingo, às 16h00. A récita de dia 4 de outubro conta com tradução simultânea em Linguagem Gestual Portuguesa, assim como com uma conversa no final do espetáculo. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 e os 16 euros.

 

Os Artistas Unidos esta semana

Os Artistas Unidos estreiam QUARTOS de Enda Walsh esta 4ª feira, dia 30 de Setembro, no Teatro da Politécnica.

O espectáculo conta com as vozes de Américo Silva e Vânia Rodrigues e encenação de Jorge Silva Melo.

 

Ainda na próxima semana UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance homónimo de Bohumil Hrabal vai ao Cacém no sábado, 3 de Outubro, no Auditório Municipal António Silva.

UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA_fotografia Jorge Go

 

O espectáculo é protagonizado por António Simão que é também autor do texto.

 

Continuam as leituras EM VOZ ALTA até 23 de Outubro, ao Sábado, as palavras de Luís Filipe Castro Mendes pela voz dos actores. Os clips são disponibilizados através das páginas de Facebook do Bairro dos Museus e da Fundação D. Luís e do canal de Youtube da Fundação D. Luís I.


 

QUARTOS de Enda Walsh Tradução Eduardo Calheiros Figueiredo Vozes  Américo Silva e Vânia Rodrigues Cenografia Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Som André Pires Encenação Jorge Silva Melo M12

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No Teatro da Politécnica de 30 de Setembro a 7 de Novembro
3ª a 6ª às 19h00, 20h00, 21h00 | Sáb às 16h00, 17H00, 18h00, 19h00, 20h00 e 21h00

E foi então que comecei a conversar com o meu quarto – inventando histórias para ursos e bonecas – com a escuridão a ameaçar lá fora.
Enda Walsh, Quarto da Rapariga

A partir de Quarto 303 de 2012, Enda Walsh tem vindo a escrever vários Quartos apresentados como instalações teatrais quer no Festival de Galway quer em Nova Iorque. Apresentamo-los agora aqui, neste pós-confinamento,  A mesma palavra luxuriante, herdeira de Beckett ou Joyce, a mesma claustrofobia (como em Acamarrados ou A Farsa da Rua W), um mundo pobre de onde não se consegue escapar, E, no entanto, há quem se tenha escapado. Um autor maior, um teatro singular.
JSM

Um homem velho sozinho, à espera, à medida que o tempo se aproxima do fim. A verdade esquecida. Morto. Completamente.

Com seis anos, uma rapariga deixa o seu quarto e família e anda. Sem parar. Até agora.

Quando era criança (digamos com seis anos) era muito bom a ler a atmosfera de uma divisão, com ou sem pessoas. Os traços de uma discussão terrível que acabara há meia hora, eram ainda visíveis para mim no ar entre os meus pais enquanto viam TV. E ficava também electricidade estática no quarto das traseiras, produzida pelo meu irmão mais velho e as suas muitas namoradas. Quando o meu pai estava no trabalho, sentava-me sozinho no quarto da frente da casa e sentia a sua ansiedade, sentia o seu stress diário a partir da “sua cadeira”. Numa casa de oito pessoas, há uma quantidade magnífica de barulho e trânsito e drama. Mas quando penso na minha infância lembro-me frenquentemente de quartos vazios, estes lugares naturezas-mortas onde algo acabou de acontecer. Mais velho, e até hoje, gusto de estar sozinho num quarto onde nunca estive antes. E é bom estar no silêncio e olhar para as coisas neste quarto – sentir a sua atmosfera, imaginar as suas histórias. Ao sentar-me ali, quero que o quarto fale comigo e me conte os seus segredos.
Enda Walsh

Fotografia © Jorge Gonçalves

 

 

UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance de Bohumil Hrabal de e Com António Simão Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos M12

No Cacém, no Auditório Municipal António Silva a 3 de Outubro

Em Aveiro, no GrETUA a 7 de Novembro
No EmCena, em Santo André, no ESPAM a 13 de Novembro
Em Santiago do Cacém, no Auditório António Chainho a 14 de Novembro
Na Póvoa de Varzim, no Cine-Teatro Garrett a 9 de Janeiro
Em Alverca, no Teatro Estúdio Ildefonso Valério a 29 e 30 de Janeiro

 “O céu não é humano e o homem que pensa nem sequer pode ser humano.”
Bohumil Hrabal

Criado em 1997, com estreia no CCB, os Artistas Unidos retomam agora, 23 anos depois, um espectáculo criado por António Simão a partir da novela de Bohumil Hrabal, autor maior. Não é uma reposição, é uma revisão da matéria dada.

Em Praga, há uma cave. Brilhante como uma gruta de tesouros. Sombria e suja como um esgoto. Nessa cave há milhares de livros, centenas de ratos, visões passageiras e palavras que tornam o mundo grande. E há um homem, Hanta. Que há 30 anos empurra afectuosamente os livros, os mais belos e mais banais, para a prensa que os tritura e transforma em cubos de papel. Mas Hanta é um “carniceiro terno”. Sabe salvaguardar as palavras guardando-as na memória, para que elas brilhem que nem sóis, e para que esses sóis o ajudem a ver como pode ser a vida de um homem. Por entre a poeira, o suor e o cheiro a cerveja que não pára de beber, Hanta fala-nos.

Evelyne Pieiller

Fotografia © Jorge Gonçalves

 

EM VOZ ALTA os nossos poetas
leituras de poesia portuguesa pelos Artistas Unidos


Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.


Os Artistas Unidos retomam as leituras EM VOZ ALTA, os Nossos Poetas em parceria com a Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais. Os actores Catarina WallensteinJoão MeirelesLia GamaLuís LucasManuel WiborgMaria João LuísNuno Gonçalo Rodrigues e Jorge Silva Melo lêem poetas portugueses Em Voz Alta.

Com um novo formato, os recitais serão disponibilizados através das páginas de Facebook do Bairro dos Museus e da Fundação D. Luís e do canal de Youtube da Fundação D. Luís I, com o seguinte calendário:

19 de Setembro a 23 de Outubro – Luís Filipe Castro Mendes 

24 de Outubro 20 de Novembro – José Gomes Ferreira 
21 de Novembro a 18 de Dezembro – Manuel Resende 
19 de Dezembro a 15 de Janeiro – António Franco-Alexandre 
16 de Janeiro a 12 de Fevereiro – Fernando Assis Pacheco


Serão pequenos spots de poucos minutos com poemas do respetivo Autor e também de poetas que lhe estão próximos. Pois um poeta existe com aquilo que leu e aquilo que se lhe seguiu. Será assim que, em torno destes poetas, ouviremos os Artistas Unidos ler Camões, Camilo Pessanha, Nemésio, Mário Dionísio, Afonso Duarte, O´Neill, Mario Cesariny, Nuno Júdice, Garrett, Antero, Herberto, Manuel António Pina, Gastão Cruz...

 

Está quase a chegar o Lisboa na Rua

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Lisboa na Rua está de regresso, animando a cidade com cinema, música, teatro e dança, mas este ano com um programa um pouco diferente e com algumas regras.
 
Escolhemos espaços e locais da cidade que permitam manter a devida distância e com acesso limitado para podermos, assim, regressar devagar à cidade, e celebrar a cultura ao ar livre e em segurança, através de uma programação multidisciplinar entre 13 de agosto e 27 de setembro. A entrada é gratuita em todos os eventos, mas sujeita, obrigatoriamente, a inscrição ou levantamento prévio de bilhete.
 
Abrimos o programa com o Festival Política (que normalmente acontece em abril) no Cinema São Jorge que apresenta propostas variadas durante 4 dias (entre 13 e 16 de agosto), num convite à reflexão sobre a temática do Ambiente e do desenvolvimento sustentável, no ano em que Lisboa é a Capital Verde Europeia.
 
Celebramos também a Capital Verde com a estreia de “Outro Olhar”, uma instalação artística da dupla de artistas Luke Egan e Pete Hamilton (do Reino Unido), que se destacou pela sua inovação no panorama internacional de arte urbana e que durante um mês dará vida às árvores um pouco por toda a cidade
 
Em setembro assinalamos um aniversário muito especial, os 70 anos de Jorge Palma, com um concerto exclusivo que será transmitido online no Facebook da Câmara Municipal de Lisboa e EGEAC – Cultura na Rua, no dia 12, pelas 21h30. Neste espetáculo, intitulado “70 Voltas ao Sol”, o cantor, compositor e músico estará ao piano, acompanhado por uma pequena orquestra e com Cristina Branco e Dead Combo, como convidados.
 
Ainda antes, nos primeiros dias de setembro, continuamos a celebrar Amália, dando voz à diva maior do Fado, desta vez no grande ecrã com “Amália no Cinema”, um ciclo de cinema no jardim do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta. Quatro filmes protagonizados por Amália e comentados, ao vivo, por vários convidados.
 
O jardim do Museu de Lisboa, será igualmente palco para o Dançar a Cidade. Um desafio para experimentar vários estilos de dança, ao ar livre e a solo, que se estende ao Palácio Baldaya (em Benfica), todos os domingos de setembro.
 
Na Estufa Fria apresentamos, especialmente para os mais novos, mais uma das Antiprincesas, dando a conhecer, desta vez, a médica feminista Beatriz Ângelo em histórias dramatizadas com sessões de manhã e à tarde, durante todos os fins de semana também do mês de setembro.
 
Ainda no âmbito da Capital Verde Europeia, o festival Lisboa Soa (24 a 27 de setembro) ocupará vários locais da cidade com esculturas sonoras, e a comunidade de leitura em espaços verdes Ecotemporâneos instala-se na Quinta da Alfarrobeira (em São Domingos de Benfica), para mais duas sessões à volta dos livros, desta vez protagonizadas por Jorge Silva Melo (29 de agosto) e Gisela João (27 de setembro).
 
Nesta edição do Lisboa na Rua reservamos música clássica para todos, com a Orquestra Gulbenkian e os seus Solistas a interpretarem obras intemporais em três concertos de entrada gratuita. Continuamos também a aliar a cultura à descoberta de novos lugares e é a isso mesmo que convida a Open House, este ano num novo formato, com um programa de passeios sonoros realizado apenas no exterior.
 
Entre agosto e setembro o Lisboa na Rua convida ainda a ver Cinema no Estendal, a desfrutar dos festivais Bairro em FestaFUSOLisboa Mágica e Chapéus na Rua ou a ouvir música experimental nas Noites de Verão da Galeria Quadrum (em Alvalade) e também no espaço O’Culto da Ajuda com Formações Extraordinárias.
 
Este ano a ilustração do programa tem a assinatura de AKA Corleone (alter ego de Pedro Campiche), numa combinação original de cores, personagens e formas que caracterizam este artista visual natural de Lisboa.
 
Toda a programação em www.culturanarua.pt 

Teatro no Fórum Cultural - Baixa da Banheira

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“Ermelinda do Rio, Noturno Para Voz e Concertina”

 

Com encenação e interpretação de Maria João Luís e texto de João Monge, “Ermelinda do Rio, Noturno Para Voz e Concertina”, pelo Teatro da Terra, sobe ao palco do Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, no dia 26 de setembro, pelas 21:30h.

 

“Noturno para Voz e Concertina é o subtítulo do testemunho dorido de quem perdeu grande parte da família na maior catástrofe natural em Portugal, desde o terramoto de 1755. As cheias do Tejo a 26 de novembro de 1967, no Ribatejo e arredores de Lisboa, serviram de inspiração para João Monge escrever, na primeira pessoa, um poema narrativo pelos olhos de uma menina e de sua mãe que vivem a tragédia de sobreviver para assistir impotentes ao desaparecimento da sua família, de amigos, de conhecidos. Bastou uma noite de chuva, como tantas outras, para que, de madrugada, o mundo estivesse virado do avesso. “A noite do fim do mundo”, como alguém lhe chamou, 50 anos depois, é ainda hoje uma história mal contada. O Portugal de Salazar não quis que a tragédia falasse da sua real dimensão. Maria João Luís, naquele dia com 4 anos, é uma dessas pessoas que juntamente com o pai, a mãe e irmão, sobreviveram àquela noite de novembro. Ermelinda do Rio é assim um poema vivido por Maria João Luís, que ela própria encena, numa auto expiação dos seus fantasmas que ainda hoje a visitam, de tempos a tempos.

Texto: João Monge | Encenação: Maria João Luís | Com Maria João Luís e os músicos Miguel Leiria Pereira, Sofia Pires e Sofia Queiroz Ôre-ibir | Música para três contrabaixos: José Peixoto | Cenografia: José Carretas | Desenho de luz: Pedro Domingos | Produção executiva: Rita Costa | Assistência de encenação e design gráfico: Clarisse Ricardo | Pintura do cartaz: Soledad Lagruta | Fotografia de cena: Vitorino Coragem | Assistência de produção: Filipe Gomes | Direção de produção: Pedro Domingos | Produção: Teatro da Terra 2019.

 

 

Destinatários: Geral | M/12 anos

Duração: 55 min.

Bilhete: 3,56 euros

Lotação limitada, sendo periodicamente avaliada de acordo com as indicações da DGS.

 

 

Reserva de Bilhetes (a partir de 16 de setembro):

Fórum Cultural José Manuel Figueiredo

Rua José Vicente, Baixa da Banheira

Tel. 210888900


Horário da Bilheteira: terça-feira a sábado, das 14:30h às 19:30h. Dias de espetáculo e cinema: uma hora antes do início do espetáculo ou sessão; encerra aquando do início do espetáculo ou sessão.

As reservas têm que ser levantadas até à véspera do espetáculo/sessão, com um limite de cinco bilhetes por reserva.

 

O Fórum Cultural José Manuel Figueiredo cumpre todas as normas da Direção-Geral de Saúde para o sector da Cultura.

O Ensaio dos Abutres ensina como o fim pode ser sinal de recomeço

Em cena entre sexta-feira e 4 de outubro, em Vila Real

O Ensaio dos Abutres ensina como

o fim pode ser sinal de recomeço

 

Peripécia Teatro estreia espetáculo, numa coprodução com a ONGA Palombar, que procura alertar para a importância das aves necrófagas

 

O Ensaio dos Abutres 2 © Lino Silva.jpg

 

Abutre: ave de rapina que se alimenta de animais mortos; pode alcançar até um metro de comprimento; tem asas compridas e cauda curta. Assim pode ser definida esta ave necrófaga, contudo a sua simbologia vai muito mais longe. Da importância da sensibilização do público para o papel determinante que esta espécie tem para o ecossistema, passando pelas preocupações ambientais da Peripécia Teatro, e do trabalho da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, organização não governamental de ambiente (ONGA), nasceu O Ensaio dos Abutres. O espetáculo, que teve como ponto de partida o estudo científico e histórico destas aves, tendo evoluído para a experimentação e pesquisa cénicas, tem estreia marcada para sexta-feira, 25 de setembro, às 21h30, no A Cena, em Vila Real.

 

Sinónimos para abutres há muitos: “impiedoso”, “implacável”, “duro”, “desumano”, “maldoso”, “feroz”, “cruel”, “perverso” ou “maléfico”. Já “antónimos de abutre: só um? Humano”. Assim contam Francisca e Xico – interpretados por Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho, também responsáveis pela criação do espetáculo – enquanto refletem sobre as formas de desprezo e perseguição desta espécie animal, quer através da palavra ou da “caçadeira”. O Ensaio dos Abutres procura, por isso, promover uma reflexão sobre a perceção distorcida que existe sobre estas aves, denunciando ainda os diferentes tipos de caça furtiva de que são vítimas.

 

O texto, que é apresentado pela primeira vez, tem por base excertos de diferentes obras e manifestos de autores como Baudelaire, David Abram ou Niall Binns. Mas não só da “palavra” vive O Ensaio dos Abutres. Dança, poesia, movimento, ironia, humor e música – interpretada ao vivo pelos multi-instrumentistas Vitor Hugo Ribeiro e Tiago Santos –, são algumas das linguagens que reforçam a contemporaneidade da criação.

 

O ensaio que explica como estas “aves penetrantes nos podem ver a nós, os humanos, nas nossas pequenas vidas, nos nossos preconceitos, nos nossos medos ancestrais à morte, (…) à possibilidade de haver, ou não, o mais além”, abre uma porta a este fim que pode, afinal, ser um recomeço. Sob a direção de Luís Blat, O Ensaio dos Abutres sobe ao palco do espaço A Cena – localizado no antigo quartel da Associação Humanitária Bombeiros Cruz Branca, Rua D. Margarida de Chaves, nº 63, em Vila Real – à sexta-feira e sábado, às 21h30; e ao domingo, às 18h30. Após esta temporada inaugural, o espetáculo “ruma” ao Fundão (9 de outubro), Caminha (10 de outubro), Sabrosa (30 de outubro), Macedo de Cavaleiro (14 de novembro), Palmela (5 e 6 de dezembro), Bragança (22 e 23 de janeiro) e Tondela (12 de fevereiro).

 

Luís Blat: entre França, Espanha e Portugal

O Ensaio dos Abutres não é a primeira colaboração de Luís Blat com a Peripécia Teatro. O criador tem vindo a desenvolver espetáculos com a companhia de Vila Real como Sou do Tamanho do que Vejo (2006) e Caso Hamlet (2014). Luís Blat já trabalhou com nomes como Michael Cacoyannis, José Luis Gómez, Lluís Pasqual ou Georges Lavaudant em peças de Eurípides, Rodolf Sirera, David Hare, Bernard-Marie Koltés, Georges Feydeau, Sófocles e Molière. Ao longo dos anos desenvolveu produções para alguns dos mais emblemáticos teatros espanhóis como o Teatro EspañolTeatre Nacional de Cataluña e Teatro de la Abadía. Luís Blat trabalhou ainda com Antoine Vitez na Comédie Française e fez assistência de encenação na Companhia Nacional de Teatro Clássico de Espanha.

 

Península Ibérica o local europeu predileto para os abutres

Pelas suas arribas, montanhas, escarpas, rios, reduzida ocupação humana e agricultura e pecuária extensivas, as regiões limítrofes entre Portugal e Espanha reúnem os requisitos ecológicos ideais para as diferentes espécies de abutres europeus. Por isso mesmo, mais de 90 por cento da população europeia destas aves encontra-se na Península Ibérica, tornando-se imperativa a sensibilização para o papel dos abutres nos ecossistemas, assim como a conservação destas espécies.

 

Projeto “Sentinelas”: no combate ao uso ilegal de venenos em Portugal

Através da marcação, com dispositivos GPS e anilhas nas espécies necrófagas, o projeto “Sentinelas” – responsável por dar o mote a O Ensaio dos Abutres – procura recolher informação sobre o uso ilegal de venenos no norte de Portugal, ou outras formas de furtivismo, que representam um problema para a conservação da biodiversidade, dos ecossistemas e para a saúde pública. A iniciativa resulta de uma parceira entre a Palombar e a Universidade de Oviedo, em Espanha, sendo financiada pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e da Transição Energética.

ESTREIA | O Evangelho de Van Gogh

D. Mona apresenta
O EVANGELHO DE VAN GOGH

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Depois da carreira de sucesso dos espectáculos Não Kahlo (2018/19) e Kusama e Warhol (2019/20) nas mais reconhecidas redes de teatro de Madrid, Lisboa e Cantábria, as produções D. Mona estreiam agora O Evangelho de Van Gogh.
Um dos mais famosos pintores de sempre ganha vida numa experiência única que une a história do pintor pós-impressionista Vincent Van Gogh, com o seu espírito missionário e artístico irreverentes, aos universos fantásticos da Biblioteca de Nag Hammadi. O espectáculo estreia mundialmente em Sevilha, integrando o festival EL FOC e estando nomeado ao Prémio de teatro Nazario, chegando a Lisboa em Outubro de 2020 no Centro Cultural de Carnide e iniciando digressão nacional e internacional a partir desse mês por Cabo Verde e Madrid. Um espectáculo multilingue, falado em português e espanhol e, pontualmente, em inglês, onde a dimensão plástica se destaca em figurinos que se apresentam enquanto autênticas telas.
 
Vincent Willem van Gogh foi um pintor holandês considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Criou mais de dois mil trabalhos em pouco mais de uma década, tendo pintado cerca de 860 pinturas a óleo, entre as mais famosas estão A Noite Estrelada (1889), Auto-retrato com a orelha cortada (1889) ou Amendoeira em flor (1890). O teatro une-se à pintura, à música e à dança numa experiência multisensorial.

Artistas Unidos | Setembro - Outubro

Os Artistas Unidos estão nos últimos dias de UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir de Bohumil Hrabal no Teatro da Politécnica, só até sábado, dia 19. Em seguida, o epectáculo segue para Almada, no Teatro Municipal Joaquim Benite de 25 a 27 de Setembro e depois no Cacém, no Auditório Municipal António Silva a 3 de Outubro.

 

A 30 de Setembro, estreia QUARTOS de Enda Walsh. Um espectáculo com encenação de Jorge Silva Melo e as vozes de Américo Silva e Vânia Rodrigues.

 

 

UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance de Bohumil Hrabal de e Com António Simão Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos M12

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No Teatro da Politécnica de 27 de Agosto a 19 de Setembro

No Teatro Municipal Joaquim Benite de 25 a 27 de Setembro
No Cacém, no Auditório Municipal António da Silva a 3 de Outubro

 

“O céu não é humano e o homem que pensa nem sequer pode ser humano.”
Bohumil Hrabal

 

Criado em 1997, com estreia no CCB, os Artistas Unidos retomam agora, 23 anos depois, um espectáculo criado por António Simão a partir da novela de Bohumil Hrabal, autor maior. Não é uma reposição, é uma revisão da matéria dada.

 

Em Praga, há uma cave. Brilhante como uma gruta de tesouros. Sombria e suja como um esgoto. Nessa cave há milhares de livros, centenas de ratos, visões passageiras e palavras que tornam o mundo grande. E há um homem, Hanta. Que há 30 anos empurra afectuosamente os livros, os mais belos e mais banais, para a prensa que os tritura e transforma em cubos de papel. Mas Hanta é um “carniceiro terno”. Sabe salvaguardar as palavras guardando-as na memória, para que elas brilhem que nem sóis, e para que esses sóis o ajudem a ver como pode ser a vida de um homem. Por entre a poeira, o suor e o cheiro a cerveja que não pára de beber, Hanta fala-nos.

 

Evelyne Pieiller

 

 

 

QUARTOS de Enda Walsh Tradução Eduardo Calheiros Figueiredo Vozes  Américo Silva e Vânia Rodrigues Cenografia Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Som André Pires Encenação Jorge Silva Melo M12

 

 

No Teatro da Politécnica de 30 de Setembro a 7 de Novembro

3ª a 6ª:  19h / 20h / 21h 

Sábs: 16h / 17h / 18h / 19h / 20h  / 21h

 

 

E foi então que comecei a conversar com o meu quarto – inventando histórias para ursos e bonecas – com a escuridão a ameaçar lá fora.

 

Enda Walsh, Quarto da Rapariga

 

A partir de Quarto 303 de 2012, Enda Walsh tem vindo a escrever vários Quartos apresentados como instalações teatrais quer no Festival de Galway quer em Nova Iorque. Apresentamo-los agora aqui, neste pós-confinamento,  A mesma palavra luxuriante, herdeira de Beckett ou Joyce, a mesma claustrofobia ( como em Acamarrados ou A Farsa da Rua W), um mundo pobre de onde não se consegue escapar, E, no entanto, há quem se tenha escapado. Um autor maior, um teatro singular.

JSM

 

Um homem velho sozinho, à espera, à medida que o tempo se aproxima do fim. A verdade esquecida. Morto. Completamente.

Com seis anos, uma rapariga deixa o seu quarto e família e anda. Sem parar. Até agora.

 

 

Quando era criança (digamos com seis anos) era muito bom a ler a atmosfera de uma divisão, com ou sem pessoas. Os traços de uma discussão terrível que acabara há meia hora, eram ainda visíveis para mim no ar entre os meus pais enquanto viam TV. E ficava também electricidade estática no quarto das traseiras, produzida pelo meu irmão mais velho e as suas muitas namoradas. Quando o meu pai estava no trabalho, sentava-me sozinho no quarto da frente da casa e sentia a sua ansiedade, sentia o seu stress diário a partir da “sua cadeira”. Numa casa de oito pessoas, há uma quantidade magnífica de barulho e trânsito e drama. Mas quando penso na minha infância lembro-me frenquentemente de quartos vazios, estes lugares naturezas-mortas onde algo acabou de acontecer. Mais velho, e até hoje, gusto de estar sozinho num quarto onde nunca estive antes. E é bom estar no silêncio e olhar para as coisas neste quarto – sentir a sua atmosfera, imaginar as suas histórias. Ao sentar-me ali, quero que o quarto fale comigo e me conte os seus segredos.

Enda Walsh