40 desenhos de Julio pela primeira vez em exposição em Vila do Conde - Até 28 de setembro | Entrada livre ao domingo

Sátira, cafés e noites boémias sob o traço de Julio
Até 28 de setembro
“Palpitações Óticas / 3 espasmos musculares”
Galeria Julio / Centro de Memória de Vila do Conde
Patente até 28 de setembro, esta exposição reúne 40 desenhos de Julio - realizados nas décadas de 1920 e 1930 - que revelam uma faceta crítica, satírica e pouco conhecida do artista. As obras, a tinta-da-china sobre papel, retratam cenas da boémia urbana, como cafés, teatros e prostíbulos, com figuras caricaturais e ambientes marginais, e são expostas pela primeira vez ao público. Inclui também a obra emblemática Noturno (1929), apresentada em 2018 no Museu Reina Sofia. A curadoria é de Juan Luis Toboso e Bernardo Pinto de Almeida, com textos inéditos. A exposição integra o ciclo “Palpitações Óticas” e pode ser visitada de terça a domingo, das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h15). Entrada: 2 euros (gratuita ao domingo de manhã).
Segundo o curador Juan Luis Toboso, esta seleção de desenhos pretende criar “uma conexão temporal entre os desenhos de Júlio ligados a representações da boémia, cafés, pessoas e personagens, burocratas, prostitutas e algumas relações com os ambientes boémios e noturnos dos cafés na Alemanha dos anos 20, 30, 40.” Esta leitura é acompanhada por textos críticos inéditos de Juan Luis Toboso e de Bernardo Pinto de Almeida, que propõem um reenquadramento atual da prática gráfica de Júlio, destacando a sua ironia, a liberdade formal e a pulsação do traço como afirmação estética e política.
Júlio Maria dos Reis Pereira (1902–1983), natural de Vila do Conde, foi um dos autores mais singulares da segunda geração do modernismo português. Pintor e poeta, assinava a sua obra visual como Julio, e os seus livros de poesia como Saúl Dias, pseudónimo sob o qual publicou uma obra lírica, sensível e profundamente visual. Estudou Engenharia Civil na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, frequentando em paralelo a Escola de Belas-Artes como aluno voluntário. Realizou a sua primeira exposição individual em 1935, na Sociedade Nacional de Bela Artes, tendo anteriormente participado na histórica Exposição dos Independentes de 1930, e desenvolveu uma carreira artística marcada pela singularidade do traço, pelo humor subtil e por uma relação profunda entre palavra e imagem.
A sua atividade artística estendeu-se também à cerâmica tradicional - trabalhou com oleiros do Redondo nos anos 60 - e ao colecionismo de arte popular, com especial destaque para a sua vasta coleção de bonecos de Estremoz. Ainda jovem, foi autor de capas de jornais locais e revistas literárias, revelando desde cedo um domínio gráfico fora do comum e uma atenção à cultura visual do seu tempo.
Centro de Memória de Vila do Conde
Até 28 de setembro
Ter–Dom, 10h00–18h00
2€ | Grátis domingo de manhã
