Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Topografias Imaginárias: cinema ao ar livre e visionamentos comentados sob o tema Lisboa, cidade do Sul, em Setembro

8528f1f9-5311-42cc-b8ed-575158a1a488.jpg

 

 

Nos dias 1 a 3 e 8 a 10 de setembro, entrada livre

Topografias Imaginárias: cinema ao ar livre

e visionamentos comentados sob o tema Lisboa, cidade do Sul

O ciclo de visionamento comentado Topografias Imaginárias - organizado pelo Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca e, nesta quarta edição, integrado no Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017 e com sessões de cinema ao ar livre - realiza-se nos primeiros dois fins-de-semana de setembro (dias 1, 2, 3, 8, 9 e 10), num percurso de seis paragens em locais menos óbvios da cidade de Lisboa, onde serão exibidos onze filmes, com entrada livre e transporte gratuito.

Sob o lema Lisboa, cidade do Sul, descobrem-se os modos pelos quais o cinema reinventa Lisboa. Cada sessão é uma experiência de visionamento comentado, um exercício de visão e uma revisão de filmes na relação com a cidade, um trabalho sobre o olhar cinematográfico como agente transformador.

Cada sessão de cinema ao ar livre é antecedida por um visionamento comentado. Guiados pelos realizadores dos filmes, nomeadamente José Filipe Costa, Salomé Lamas e Dominga Sottomayor, entre outros, mas também por investigadores, críticos ou historiadores (como Eduardo Victorio Morettin, João Mário Grilo, Tiago Baptista, Olivier Hadouchi, Maria do Carmo Piçarra, Fernando Rosas, Anabela Moutinho, Raquel Henriques da Silva, António Preto, Luísa Veloso, Ana Alcântara, António Roma Torres, Álvaro Domingues, Teresa Castro ou André Cepeda, entre outros), são vistos e revistos excertos dos filmes projetados, percebendo assim que o olhar é um agente transformador. Estas sessões de visionamento comentado são a preparação da viagem onde é possível imaginar e mapear o Sul que será depois explorado nas sessões de cinema ao ar livre.

Os filmes que fazem parte do programa são de épocas e latitudes muito diferentes, são uma troca de olhares entre a América do Sul e Lisboa que, em contacto com os espaços de projeção, criam uma outra cidade que só pode existir através do cinema.

Estas viagens passam pela exibição de filmes em locais como a Ponte Vasco da Gama, o Museu da Carris, a Quinta do Alto, em Alvalade, o Vale Fundão, em Marvila, o Miradouro de Santo Amaro e o Teatro de Carnide.

Fazem parte do programa O Descobrimento do Brasil, de Humberto Mauro, O Caso J., de José Filipe Costa, Milagre na Terra Morena, de Santiago Álvarez, Outro País, de Sérgio Tréfaut, Zéfiro, de José Álvaro de Morais, La Ilusión viaja em tranvía, de Luís Buñuel, Los barcos, de Dominga Sottomayor, Fuera de quadro, de Márcio Laranjeira, Mauro em Caiena, de Leonardo Mouramateus, Où est la jungle?, de Iván Castiñeras Gallego e El Dorado XXI, de Salomé Lamas.

Lisboa, cidade do Sul é, assim, uma viagem de exploração, uma redescoberta (também imaginária) da cidade e muito particularmente de Lisboa enquanto lugar do Sul.

A programação completa e mais informações podem ser consultadas em http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/noticias/topografias-imaginarias-lisboa-cidade-do-sul e https://www.facebook.com/topografias.imaginarias.
 

Programa completo:
(mais informações clicando na imagem de cada filme)

SEXTA, 1 SETEMBRO

O Descobrimento do Brasil, de Humberto Mauro, Brasil, 1937
O Caso J., de José Filipe Costa, Portugal/Brasil, 2017

1f45b157-3920-4622-80bc-e7398e599864.jpg

 

18h00 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)
Visionamento comentado de O Descobrimento do Brasil por:
José Filipe Costa (cineasta), Eduardo Victorio Morettin (historiador do cinema brasileiro, professor, investiga as relações entre História e Cinema) e Tiago Baptista (historiador do cinema e diretor do ANIM - Arquivo Nacional de Imagem e Movimento)

21h30 Quinta do Alto (Alvalade)
Projeção de cinema ao ar livre O Descobrimento do Brasil [60’] + O Caso J. [20’]

Encaramos desde logo e de frente uma das questões fundamentais deste programa: a relação entre centro e periferia e entre o “nós” e os “outros” na base da ideia de “capital ibero-americana” (relações que todo o programa desta Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura procura questionar). Seguimos a visão de um brasileiro sobre os portugueses que lhe “descobriram” o país e a visão de um português sobre um caso do Brasil contemporâneo. A uni-los está uma certa conceção do cinema como teatro documental e da cena cinematográfica como lente de aumentar.

21h00 - Autocarro gratuito ida e volta - Largo do Calvário > local da projeção

 

SÁBADO, 2 SETEMBRO

Milagre na Terra Morena, de Santiago Álvarez, Cuba/Portugal,1975
Outro País, de Sérgio Tréfaut, Portugal, 1999

cd55130e-6ca4-46cf-800c-c1e8c5c619b2.jpg

 

18h30 Salão de Festas do Vale Fundão (Marvila) (Azinhaga Vale Fundão, 25)
Visionamento comentado por:
Olivier Hadouchi (programador e investigador, tem trabalhado sobre o “terceiro cinema”), Maria do Carmo Piçarra (jornalista, professora, tem investigado o cinema de propaganda produzido durante o Estado Novo) e Fernando Rosas (historiador)

21h30 Bairro Vale Fundão (Marvila) (Rua João Graça Barreto)
Projeção de cinema ao ar livre de Milagre na Terra Morena [21’] + Outro País [70’]

O filme de Sérgio Tréfaut segue as viagens que cineastas e fotógrafos fizeram a Portugal durante o 25 de Abril de 1974. Por entre essas viagens está a de Santiago Alvarez, cujo filme, realizado em Lisboa por essa altura, abre a sessão. A projeção é feita num bairro construído e habitado por emigrantes que viajaram para o Sul vindos do Norte de Portugal. No centro da sessão está então a viagem, aquela que a liberdade provocou e permitiu, e estão também as afinidades que os povos da América do Sul sentiram com Portugal nesse momento de ruptura.

18h00 e às 21h00 - Autocarro gratuito ida e volta - Praça da Figueira > local da projeção

 

DOMINGO, 3 SETEMBRO

Zéfiro, de José Álvaro de Morais, Portugal, 1994

 

0d44d782-bb96-4d22-a382-7a1469c06a9c.jpg

 

18h30 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)
Visionamento comentado por:
Anabela Moutinho (professora, programadora de cinema) Raquel Henriques da Silva (historiadora) e António Preto (professor, programador de cinema, ensaísta)

21h30 Miradouro de Santo Amaro (Alcântara) (Calçada de Santo Amaro)
Projeção de cinema ao ar livre de Zéfiro [52’]

Filme fundamental para a história do cinema português, Zéfiro é também um filme incontornável para a história de Lisboa e introduz neste programa uma outra maneira pela qual esta é uma cidade do Sul. Essa frase, título deste ciclo, é dita pelo narrador e resume o retrato que José Álvaro de Morais constrói: organizando uma viagem por Lisboa que é tanto temporal como espacial, o cineasta conta uma história da cidade, dos seus espaços e arquitetura, mas também dos povos que a habitaram ao longo dos tempos. A este nível, Lisboa aparece como resultado de uma inversão do mecanismo da aculturação: ela resulta, não de uma cristianização do islamismo, como habitualmente se pensa, mas sim de uma islamização do cristianismo, religião que permanece, hoje, na base da sua cultura. No adro da Capela de Santo Amaro, o filme levar-nos-á a olhar para os contornos da cidade que daí se vêem de uma maneira totalmente nova.

18h00 e às 21h00 - Autocarro gratuito ida e volta - Praça da Figueira > local da projeção


 

SEXTA, 8 SETEMBRO

La Illusión viaja em tranvia, de Luís Buñuel, México, 1953

0339ab72-ea79-45ce-bb13-5d895d2af3d4.jpg

 

18h30 Museu da Carris (Alcântara) (Rua Primeiro de Maio 101)
Visionamento comentado por:
Luísa Veloso (investigadora, coordena o projeto “o trabalho no ecrã”), Ana Alcântara (historiadora, trabalha sobre Lisboa, o operariado e os transportes) e António Roma Torres (psiquiatra, crítico de cinema)

21h30 Museu da Carris (Alcântara) (Rua Primeiro de Maio 101)
Projeção de cinema ao ar livre de La Illusión viaja em tranvia [90’]

Clássico do cinema mexicano, o filme segue a evasão de um grupo de trabalhadores da companhia de elétricos da Cidade do México. A sua viagem dura uma noite, desde que roubam um elétrico até que o devolvem, na manhã seguinte. Ao longo dessa noite, entram e saem do elétrico roubado personagens do quotidiano mais escondido da cidade. Numa sessão que decorrerá junto às oficinas da Carris, a magia da projeção transformará a Cidade do México em Lisboa (ou vice-versa).

18h00 e às 21h00 - Autocarro gratuito ida e volta - Praça da Figueira > local da projeção


 

SÁBADO, 9 SETEMBRO

Los barcos, de Dominga Sotomayor, Chile/Portugal, 2016
Fuera de cuadro, de Márcio Laranjeira, Portugal/Argentina, 2010
Mauro em Caiena, de Leonardo Mouramateus, Brasil, 2012
Où esta la jungle?, de Iván Castiñeiras Gallego, França/Portugal/Brasil, 2015

 

f00e9576-4013-43bc-b79f-3294401d120e.jpg

 

17h30 Teatro de Carnide (Azinhaga das Freiras)
Visionamento comentado pelos realizadores e Álvaro Domingues (geógrafo, professor, o seu trabalho centra-se na Geografia Humana) e Teresa Castro (professora, tem investigado as relações entre cartografia e cinema).

21h00 Azinhaga do Serrado (Carnide) GPS 38.763144,-9.185550
Projeção de cinema ao ar livre de Los barcos [24’], Fuera de cuadro [10’], Mauro em Caiena [18’] e Où esta la jungle [33’]

No centro da sessão está o encontro entre questões de território e representação. Em Los barcos, a visão de uma turista (atriz argentina que vem a Lisboa apresentar um filme, num festival de cinema) sobre Lisboa, à procura do cliché em espaços imprevistos e periféricos. Em Fuera de cuadro, a relação entre mãe e filho é descrita através dos quadros que ela pinta e dos quais ele está fora, naquilo que acaba por ser um exercício que confunde o fora do quadro com o fora de campo cinematográfico. Mauro em Caiena segue a transformação do espaço pelos olhos e jogos de uma criança e Où est la jungle?, filme-deriva, age pela força da deslocação, problematizando o lugar contemporâneo dos índios amazónicos. Em todos eles o olhar (incluindo o cinematográfico) é operador de transformação.

17h00 e às 20h30 - Autocarro gratuito ida e volta - Praça da Figueira > local da projeção


 

DOMINGO, 10 SETEMBRO

Eldorado_XXI, de Salomé Lamas, Portugal/França/Perú, 2016

 

1e39c64e-7c85-4287-86f7-be16794ac49e.jpg

 

18h00 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)
Visionamento comentado por: Salomé Lamas (cineasta), João Mário Grilo (cineasta, professor de cinema) e André Cepeda (fotógrafo)

21h30 Parque Tejo - Pista de Skaters (Parque das Nações) (Passeio do Tejo)
Projeção de cinema ao ar livre de Eldorado_XXI [125’]

Apesar de acompanhar a comunidade que vive na mais alta localidade do mundo, em La Rinconada y Cerro Lunar, nos Andes peruanos, Eldorado_XXI é um filme subterrâneo. É uma espécie de ensaio sobre o mais profundamente escondido e esquecido do mundo contemporâneo e que, contudo, sustém aquilo que decorre na superfície – é por isso mesmo o último filme deste programa, resume bem os movimentos deste Sul que temos vindo a explorar. Homens e mulheres que procuram ouro nas encostas descrevem aquela como uma “terra de ninguém” – impossível não ver este em continuidade com o filme anterior de Salomé Lamas, precisamente com esse título. As suas vozes descrevem o medo e a iminência da morte, morte e medo que vão ganhando forma e imagem, e vão assim afirmando-se numa presença simultaneamente terrível e fantástica que se vai instalando sobre todo o filme para no fim aparecer violentamente trancada naquela montanha, e não ser mais do que um sopro lançado por uma abertura escura na encosta nevada.

21h00 - Autocarro gratuito ida e volta - Largo do Calvário > local da projeção

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.