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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

VII Festival Encontros – Cores, Sons, Sabores e Saberes

 

Três dias de muita música, dança, convívio e gastronomia animaram o VII Festival Encontros – Cores, Sons, Sabores e Saberes que decorreu na Praça de Santa Cruz, Travessa Padre Abílio Mendes e SDUB “Os Franceses”, de 6 a 8 de maio, tendo como ponto alto os concertos do rapper português Valete e da moldava, vencedora do Festival da Canção, Nelly Ciobanu. Recorde-se que o Festival Encontros é promovido pela Câmara Municipal do Barreiro, em conjunto com as associações de imigrantes do Concelho (Africana do Barreiro; Angolana de Residentes a Sul do Tejo; Filhos e Amigos de Bachil; Filhos e Amigos da Ilha das Galinhas “GHAM-ATHÉ” e Miorita – Associação Cultural dos Imigrantes Moldavos) e RUMO - Cooperativa de Solidariedade Social.

 

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Na abertura oficial do evento, Augusto Sousa, da RUMO, salientou que este festival é o culminar de um trabalho realizado ao longo do ano por estas entidades. “O ‘encontro’ é todos os dias, referiu”.

MBaya Hilário, em representação das associações de imigrantes, agradeceu o empenho de todos (funcionários e executivo da CMB e associações), na construção do Festival e realçou a presença, mais uma vez, de representantes diplomáticos no evento. “Para nós é um grande orgulho”, referiu. De salientar que, na abertura oficial, participaram os cônsules de Cabo Verde e da Moldávia.

Por seu lado, o Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, referiu que “o Festival pretende ser o ponto alto dos encontros que todos os dias fazemos” e recordou que o Barreiro é uma terra de imigrantes, que vieram para cá trabalhar na indústria. “Recebemos pessoas de vários países e regiões que constroem o nosso Barreiro”. Apelou “aos que vêm para construirmos um mundo mais diverso, solidário, um mundo melhor”.

Além dos vários concertos musicais e espetáculos de dança, o programa do Festival incluiu o Workshop de Kudafro com Blaya, uma Exposição Coletiva, um espaço de tasquinhas com a Gastronomia do Mundo e o Ciclo de documentários sobre famílias imigrantes a residir no Barreiro.

 

No âmbito do Ciclo de Documentários 2016, “Capulana” retrata a vida de Juliana que nasceu em Moçambique. “Mulher nascida numa tribo tradicional, movida pelo amor à educação, escutou o chamamento do ensino. A vida colocou-a perante o marido, português, a viver no seu País. Tiveram filhos, vieram para Portugal e cá seguiram a sua vida. Ao trabalho com idosos, Juliana somou o seu amor de sempre: a escola, com os jovens. Hoje, de escola em escola, Juliana cativa as crianças com as suas histórias, cuja moral sensibiliza miúdos e graúdos”.

“Naturais da Guiné, Antonieta e Ricardo imigraram para Portugal à procura de uma vida melhor. Aqui encontraram o amor e constituíram uma família. Estão agradecidos pelas oportunidades, mas não esquecem as suas raízes. Os pratos típicos, à mesa todas as semanas, os dialetos, a dança. A cultura guineense enche-lhes o coração e vai ajudando a superar as saudades. Sonham, um dia, com o retorno a África e ao País que os viu nascer” é a história de “O meu País é o meu País”, sobre uma família guineense.

Estes documentários e os realizados em 2015 podem ser vistos em https://www.facebook.com/municipio.barreiro/videos.

 

Debate sobre Imigração

Hermínia Firmino, do Gabinete do Ministério da Educação do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), Catina Faneca, do Centro Distrital de Segurança Social de Setúbal, Rui Barão, Inspetor Coordenador do SEF de Setúbal, e, como moderador, MBaya Hilário, participaram no debate sobre Imigração, no dia 7, no âmbito do Festival Encontros. Na Sessão de Abertura do Debate, Regina Janeiro, Vereadora responsável pelas áreas da Cultura e Intervenção Social, explicou que o Festival Encontros, além de ser “uma festa”, é também um evento que visa analisar e debater questões do interesse dos imigrantes.

Neste sentido, Rui Barão falou sobre procedimentos burocráticos e administrativos com vista à legalização, advertindo que “o caminho correto é contactar, em primeiro lugar, o SEF e as entidades que trabalham com os imigrantes”. 

Catina Faneca falou sobre as convenções ou acordos bilaterais sobre segurança social. Explicou especificamente as convenções entre Portugal e Cabo Verde e Moldávia e referiu que aguardam a entrada em vigor as convenções com Angola e Moçambique.

Hermínia Firmino salientou que “qualquer criança ou jovem, seja ou não legalmente residente no País, tem direito ao acesso à escolaridade de base” e explicou todos os apoios dados pelo ACM.

Alguns imigrantes aproveitaram a iniciativa para colocar questões sobre os seus próprios problemas e perspetivou-se o reforço da colaboração futura entre as associações de imigrantes e as entidades presentes no debate.

As fotos do VII Festival Encontros podem ser visualizadas em https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1716785435239042.1073741935.1429254950658760&type=3

 

CMB 2016-05-09