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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

Vítor Aguiar e Silva vence Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural

Vitor Manuel Aguiar e Silva.jpg

 

 

O Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural foi atribuído a  Vitor Manuel Aguiar e Silva, escritor e poeta, camoniano reputado, professor catedrático da Universidade de Coimbra e antigo vice-reitor da Universidade do Minho.

 

O Júri, que decidiu por maioria, considerou Vitor Aguiar e Silva um “exemplo de cidadania cultural, que liga a dimensão didáctico-cientifica à pedagógica, com um percurso incomum nos domínios da Teoria Literária, instrumento fundamental na formação de gerações, da Literatura Portuguesa e na fixação e estudo de parte relevante da obra camoniana, num brilhante exercício de intervenção pública, quer pelo seu magistério universitário, quer pelas altas missões no campo da política da Língua e da Educação”.

 

Natural da freguesia de Real, no concelho de Penalva do Castelo, onde nasceu em 1939, Vítor Manuel Aguiar e Silva, fez os seus estudos, primeiro, no Liceu Nacional de Viseu, licenciando-se posteriormente em Filologia Românica na Universidade de Coimbra, onde se doutorou em Literatura Portuguesa e ali leccionou. Transferiu-se, depois, para a Universidade do Minho, onde foi catedrático do Instituto de Letras e Ciências Humanas, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica.

 

Além de ter estado na génese do Instituto Camões, Vítor Aguiar e Silva também coordenou a Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP), tendo sido ainda membro do Conselho Nacional de Cultura.

 

No plano cívico e enquanto professor, foi um dos signatários da petição em defesa da Língua Portuguesa contra o Novo Acordo Ortográfico, ao lado de Vasco Graça Moura, que nunca se conformou com a entrada em vigor do diploma que o instituiu.

 

Foi distinguido com vários prémios. Em 2002, recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora. Depois, em 2007, foi a vez do Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e em 2009, o Prémio D. Dinis, pela obra "A Lira Dourada e a Tuba Canora: Novos Ensaios Camonianos", num júri do qual fazia parte Vasco Graça Moura.

 

Vítor Aguiar e Silva, tem-se dedicado sobretudo ao estudo da Teoria da Literatura - área em que o seu trabalho como professor e investigador tem sido nacional e internacionalmente reconhecido - bem como da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo.

 

Publicou, entre outros trabalhos "Camões: Labirintos e Fascínios", obra distinguida com o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Escritores.

 

Um dos seus outros trabalhos de referência foi “Jorge de Sena e Camões. Trinta Anos de Amor e Melancolia”, obra editada em 2009.

 

 

 

Sobre esse estudo diria numa entrevista então publicada que “Sena foi o camonista do século XX que mais ampla e aprofundadamente estudou Camões, desde o plano filológico, histórico-literário e comparatista até ao plano hermenêutico e filosófico–doutrinário, com uma preparação teórica e metodológica de rigoroso scholar”.

 

Numa alusão à génese do projecto, Vitor Aguiar e Silva explicava ainda que “ a raiz afectiva e autobiográfica tem a ver com a minha memória universitária: quando, na década de sessenta do século XX, elaborei a minha tese de doutoramento, foi com Sena que aprendi a «ler» Camões e a poesia portuguesa do seu tempo sob o signo do Maneirismo, rompendo com tradições e esquemas historiográfico-literários dominantes na Universidade portuguesa”.

 

Considerou também, na altura, António José Saraiva como “um camonista do século XX que me desperta muito interesse, por diversas razões” confessando que “os grandes desafios que se colocam a quem hoje se dispõe a estudar a obra de Camões são velhos desafios: a elaboração de uma edição crítica de Os Lusíadas e de uma edição crítica das Rimas. A edição crítica do poema épico não é hoje uma tarefa ciclópica, mas a edição crítica das Rimas é uma empresa temível. Fazem depois muita falta os bons comentários à obra de Camões. Em comparação com as modernas edições de Dante, Petrarca ou Ariosto, as edições de Camões são de uma pobreza proletária… No fundo, os grandes desafios são de ordem filológica e de ordem hermenêutica”.

 

Instituído pela Estoril Sol, em parceria com a Editora Babel, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, com periodicidade anual e no valor de 40 mil euros, foi criado em homenagem à memória de Vasco Graça Moura e é divulgado no dia em que celebraria o seu aniversário.

 

O Júri que atribuiu o Prémio, presidido por Guilherme D`Oliveira Martins, foi integrado por Maria Alzira Seixo, José Manuel Mendes, Manuel Frias Martins, Maria Carlos Gil Loureiro, Liberto Cruz e, ainda, por José Carlos Seabra Pereira, em representação da Babel e Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.

 

Nos termos do Regulamento, o Prémio Vasco Graça Moura “visa distinguir um escritor, ensaísta, poeta, jornalista, tradutor ou produtor cultural que ao longo da carreira - ou através de uma intervenção inovadora e de excepcional importância -, haja contribuído para dignificar e projectar no espaço público o sector a que pertença”.

 

A cerimónia da entrega do Prémio será anunciada oportunamente. 

 

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