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Cultura de Borla

A Cultura que não tem preço.

XVII FESTA DO TEATRO - Festival Internacional de Teatro de Setúbal | FECHOU O PANO

 

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O Festival Internacional de Teatro de Setúbal – XVII Festa do Teatro chegou ao fim de mais uma edição, e podemos afirmar com orgulho que suplantou as expectativas, tanto ao nível dos espectáculos bem como à adesão do público.

 

O certame contou com um público incondicional que ultrapassou as fronteiras da cidade e até do País, daí se percebe o grande destaque e interesse da imprensa nacional e regional que ajudou na maior visibilidade dos espectáculos do Festival.

 

Sublinhamos que este festival já faz parte do calendário cultural setubalense e atrai muita gente de fora do Concelho, o que reforça a qualidade e diversidade demonstrada na sua programação.

Não podemos esquecer o público que contribuiu para que esta fosse uma festa única, cada vez mais pautada de qualidade e singularidade que não reside só na programação mas, sobretudo, no contributo dado por cada uma das pessoas que viu, participou e protagonizou a Festa do Teatro 2015.

O Festival só acontece com as fortes parcerias, designadamente, o Município de Setúbal e a Escola Secundária Sebastião da Gama e com os apoios da Fundação Buehler-Brockhaus, Câmara Municipal de Sesimbra, União das Freguesias de Setúbal e Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa que se juntaram este ano ao leque de apoiantes habituais como o Fórum Municipal Luísa Todi, Casa da Cultura, Inatel, Experimentáculo, Made in Café, Café das Artes, Ritália & Bocage, Amarobom, Sim ou Sopas, Hotel Laitau, Hotel Aranguês e Neolink. E a imprensa regional Diário da Região, Semmais, O Setubalense, Setúbalmais, Setúbal TV e Setúbal na Rede.

Mas também o importante apoio do Fórum Municipal Luísa Todi e da Casa da Cultura.

A abertura deu-se no Convento de Jesus, o público compareceu num fim-de – tarde enchendo este belo e mítico espaço ao som do piano de Bruno Moraes, recordando-nos temas usados pelo Teatro Estúdio Fontenova nas suas criações, muitos da sua autoria.

 

No discurso de abertura, o Director do Festival, José Maria Dias, realçou a aposta numa programação eclética de variadas estéticas e geografias dando sempre primazia à qualidade artística. Caminho este que tem transformado o Festival num evento de relevo a nível nacional.

Lamentando apenas que o Secretário de Estado da Cultura/Direcção Geral das Artes não reconheça este projecto em Setúbal. No ano passado o Festival teve esse apoio e foi, sem dúvida, um grande incremento para o seu crescimento. Este ano ceifaram aquilo que ajudaram a crescer.

Procurámos manter e até reforçar, a qualidade do festival deste ano e, por isso, arriscámos na programação e numa extensão temporal prevista para Novembro, que contaria com o lançamento de um concurso de novos textos dramáticos, “Cenas Escritas”.

Não sabemos agora como iremos fazer face ao investimento e a este “não apoio” a esta edição. Está em causa a continuidade deste Festival.

E para o ano que festival teremos?

Será que não poderá existir um grande festival de teatro em Setúbal?

 

A Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira referiu no seu discurso a importância do Festival para a cidade de Setúbal e a parceria com a Câmara Municipal.

Mostrou também o seu apoio e solidariedade para com a situação do Festival.

 

Apesar dos tempos que correm e destas evidências a afluência de público superou as expectativas! Lotados estiveram alguns dos espaços, de pequenas lotações, na edição anterior. O que nos levou, este ano, a não programarmos para esses mesmos espaços e procurássemos ter assim mais um grande palco na Escola Sebastião da Gama. Esta aposta foi ganha porque houve dias em que os mesmos esgotaram. O Parque do Bonfim foi um dos espaços em que o espectáculo, “Lo, Xácara e Bugiganga” pelo Teatro das Beiras esteve sobrelotado e as cadeiras disponíveis se mostraram insuficientes para a moldura humana que acorreu, moldura esta que, voltou a marcar presença nos espectáculos no Fórum Municipal Luísa Todi, muito bem composto, facto relevante para o espaço, até ao momento, em espectáculos do género. O Largo Sapalinho apesar de uma noite fria o público também compareceu enchendo Largo, o espectáculo “Sub, El Mundo De Los Ocultos” pelos Lapso Producciones de Espanha, com uma alegre chuva de palmas inundou assim este belíssimo largo.

 

A casa da Cultura/ Pátio Dimas, também, foram muitos os dias em que alguns espectadores tiveram dificuldade em encontrar um cantinho para assistir às performances de teatro e música aqui apresentadas.

 

O TEF estreou neste festival “Carne Viva” com encenação e texto de Lucianno Maza, que veio do Brasil. A história de Uma Mulher, destituída de nome ou qualquer característica em especial; apenas a sua identidade de género que sobressai: a sua condição feminina. Esposa perfeita – ou que tenta aparentar tal perfeição – sempre a preparar algo para saciar a fome do seu marido, enquanto dentro de si uma ebulição acontece. Originalmente um monólogo, mas esta encenação reuniu em cena três intérpretes das linguagens do teatro, dança e canto (Graziela Dias, Eduardo Dias e Sofia Crispim Rosado).

O  público compareceu com uma plateia bem composta e terminou com uma enorme ovação.

Houve quem contasse 7 minutos de aplausos, na nossa modesta opinião, pensamos será que não estarão a  exagerar, mas que sentimos um grandioso e caloroso aplauso não negamos. Deixa-nos bem orgulhosos pelo nosso árduo trabalho de luta e resistência, nestes tempos tão tenebrosos que se apresentam para nós.

 

O encerramento fechou com chave de ouro com o espectáculo “Madre Coraje” de Bertolt Brecht pela La compañia Atalaya de Sevilla. O público vibrou numa partitura de palmas durante vários minutos, confirmado os vários prémios por estes recebidos, foi uma oportunidade única de ver tamanha beleza em palco com um desempenho fantástico.

 

A Secção “Mais Festa”, que teve inicio na edição anterior e abre a possibilidade a jovens e estruturas emergentes mostrar as suas criações, usufruindo da logística e promoção do Festival, manteve-se. Este ano o Júri deliberou atribuir o prémio ex-aequo, a dois espectáculos, a saber: A MENINA É MÁ do Colectivo Sophiemarie  A VELHA AMPULHETA de Ricardo Mondim e Rita Carvalho/Passos e Compassos

 

A 17ª edição do festival contou com 44 eventos, 2 estreias na secção oficial “Carne Viva” pelo TEF “Não_Corpo” de Tiago Bôto e Wagner Borges, vencedores do Mais Festa de 2014, 3 estreias na secção Mais Festa “A Menina é Má” pelo Colectivo Sophiemarie, “Café Simétrico, visto pela assimetria dos pensamentos dela” de Tânia Alexandre, “Cor po” de Paula Moita e Ricardo Campos, e uma exposição de fotografia “O Processo Teatral”, o processo de criação dos espectáculos do TEF pela lente de vários fotógrafos, neste ano em que a companhia celebra 30 anos e 20 anos de festival com 17 edições, sem interrupções desde 2004.

 

E, assim, com uma programação vasta desde o teatro à música, ao cinema, exposições e ao debate e numa partilha constante de arte e das artes de palco terminamos o Festival deste ano com uma sensação de missão cumprida e, por essa razão, para o ano acreditamos que voltamos!

De 20 de Agosto a 5 de Setembro de 2015, convosco, a Festa fez-se!

www.teatrofontenova.blogspot.com